Comunicado nº 49: Agora Galiza deseja feliz 2017 e próspera luita de classes.

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Agora Galiza deseja feliz 2017 e próspera luita de classes

De maneira algumha o balanço do ano que agora finaliza nom pode ser positivo para o nosso povo e a nossa classe.

Novamente os 365 dias que nos precedem estám carregados de agressons e retrocessos nas conquistas e direitos do povo trabalhador e empobrecido da Galiza, de medidas visadas para impossibilitar a perdurabilidade da Naçom galega.

Lamentavelmente o ano 2016 nom foi aproveitado pola Galiza do Trabalho para reorganizar as ferramentas defensivas e de luita imprescindíveis para derrotar as políticas de cortes e austeridade impostas polo capitalismo para que exclusivamente os de baixo paguemos a sua crise.

O ilusionismo eleitoral que promovem as forças reformistas operantes no nosso país [Marea e BNG] constatou as suas inerentes limitaçons congénitas para abrir um novo ciclo de organizaçom e mobilizaçom social imprescindível para promover a mudança social.

Continuar a concentrarmos o combate no campo de batalha eleitoral só assegura perpetuar a nossa derrota como classe e como povo, pois as normas de jogo estám trucadas e no hipotético caso de perderem nom vam aceitar e muito menos permitir a nossa vitória.

A leiçom histórica do Chile de Salvador Allende assim o confirma. A vigência desta lei da luita de classes a escala internacional contuinua intata nas mais recentes experiências de governos progressistas, onde a muito mais mornas e inofensivas alternativas socialdemocratas nom se lhes permite gerir o capitalismo.

Nom só temos que retrotraer-nos à brutal repressom emanada do golpe de estado fascista de 18 de julho de 1936 que converteu a Galiza num imensa fossa comum e num gigantesco campo de concentraçom.

As atuais gestons municipais de algumhas das grandes cidades polas emergentes candidaturas socialdemocratas constatam que nom é viável empregar as instituiçons do regime postfranquista para dinamitá-lo. Os verdadeiros poderes fáticos do establishment nom permitem às confluências municipais entre o espanholismo progressista e as cissons do nacionalismo galego implementar o seu comedido e raquítico programa regeneracionista e democrático-burguês.

Semelha que o movimento popular esqueceu a leiçom de há 80 anos. Hoje o nosso povo numha conjuntura muito mais adversa, caraterizada pola carência de classe trabalhadora organizada e consciente, e sob exclusiva hegemonia dos setores intermédios, continua abduzido pola via institucional como caminho preferencial para alterar os planos depredadores de um capitalismo senil disposto a todo para alargar a sua lenta agonia.

A persistência e agravamento da atual derrota ideológica da esquerda só tem aprofundado no refluxo histórico no que nos achamos, onde as perspetivas claras de recuperaçom semelham ainda muito afastadas e complexas.

Na permanente renúncia do programa tático e estratégico polas políticas claudicantes derivadas da direçom pequeno-burguesa mutando os objetivos revolucionários pola “gestom democrática” do capitalismo, e a errónea leitura das causas da implosom da URSS há agora 25 anos, acharemos as principais causas do atual estado de esterelizaçom do movimento operário e popular.

Umha das leituras imprescindíveis para o caminhar no novo ano que agora iniciamos é sermos capaces de assimilar que a burguesia espanhola em 2016 saiu vitoriosa do[s] golpe[s] de estado que lhe permitiu recuperar a iniciativa.

Golpe mediático permanente contra a “nova política” e golpe institucional contra a reorientaçom de relativa autonomia do PSOE promovida por Pedro Sánchez.

O complexo processo que facilitou a segunda investidura de Mariano Rajói em 29 de outubro e a prévia terceira vitória eleitoral de Feijó derivam da imposiçom polo Ibex 35 e a troika ditatorial “europeia” de duas medidas excepcionais: quebrar o PSOE e iniciar o processo de rutura de Podemos.

Deste jeito o monopartidarismo bicéfalo senta novas bases para recuperar a centralidade no taboleiro político e desinchar a funcionalidade do balom mediático podemita, afastando-o de qualquer possibilidade de optar a gerir o governo espanhol.

O mesmo acontece com o neofalangismo do novo Rivera. A mesma banca que o promoveu também acabará desmontando-o como antes fijo com a UPyD, da qual já quase ninguém se lembra.

Perante este cenário tama adverso só cabem duas vias:

Ou bem deixar-se arrastar polo desencanto e o derrotismo que provocou a implosom da nova esquerda independentista galega há ano e meio, refugiando-se na via do “pinheirismo” culturalista reintegracionista, abraçando o amorfismo e oportunismo do unitarismo setorial carente de projeto estratégico revolucionário. Ou bem perserverar na defesa intransigente dos objetivos estratégicos da Revoluçom Galega, do projeto socialista e feminista de libertaçom nacional que é a essência da nossa constituiçom como força política em julho de 2015.

Em Agora Galiza somos plenamente conscientes que a nossa opçom de evitarmos atraiçoar o nosso insubornável compromisso com a luita de libertaçom nacional e social, que a decisom histórica de evitarmos arriar as bandeiras do projeto da classe operária e do conjunto do povo trabalhador e empobrecido, da Galiza humilde e negada, conlevava irremediavelmente iniciar um longo percorrido em solitário, essencial para reconstruir bases sólidas que permitam reimpulsionar o socialismo independentista.

O tsunami ideológico do capitalismo que tem arrasado com praticamente a totalidade das forças políticas e sociais revolucionárias galegas, mas também a escala planetária, nom é um processo eterno. Eis polo que a nossa linha tática gravite no confrontaçom ideológica que facilite deslindar politicamente para organizar povo trabalhador e acumular forças rebeldes.

Em 2016 nom logramos mais que sentar algumhas bases para estarmos em melhores condiçons de implementar com êxito a linha do independentismo socialista galego.

Um projeto genuinamente de classe, afastado do independentismo etnicista, pois nom temos vocaçom algumha de ser um apêndice “radicalizado” do nacionalismo identitário e interclassista.

Neste contexto convulso de profunda crise do regime de 78, de crise estrutural do modo de produçom capitalista, de caos e guerra global imperialista, é onde vamos que ter que continuar a agir.

O fracasso em curso das “novas” forças políticas eleitorais que pretendiam representar e canalizar o descontentamento e a indignaçom popular perante as políticas reacionárias implementadas polos governos do PSOE e do PP só tem agudizado o atual refluxo da luita de massas.

A realidade constata a correçom dos nossos prognósticos quando descartámos e desmascarámos a fraude que representa a “nova política” e alertámos que só os povos organizados e mobilizados, empregando a rua e a combinaçom de todas as formas le luita, poderám desputar ao Capital a conquista do seu futuro.

A imensa dor que atravessam cada vez maiores segmentos da nossa classe provocada polas lacras do desemprego, da precariedade, da pobreza e da emigraçom, poderiam ser aliviadas momentanemanete com “governos keynesianos”, mas só serám meros parénteses ao nom questionarem os alicerces da exploraçom e da dominaçom que padecemos como povo trabalhador e como naçom oprimida.

Lamentavelmente temos que repetir para o ano que finaliza similar diagnóstico do anterior. 2016 foi um ano nefasto para o conjunto do povo trabalhador e empobrecido da Galiza, que padeceu nas suas carnes o incremento do desemprego, da precariedade laboral, da queda do poder aquisitivo de salários e pensions, o aumento da pobreza e da exclusom social, da emigraçom juvenil, mas também a perda de populaçom, um autêntico galicídio, consequência letal da estratégia assimilacionista da dupla pressom do projeto imperialista espanhol e da UE contra a Galiza.

2016 foi um ano de retrocesso do nosso idioma, de avanço da espanholizaçom do País em todos os ámbitos.

Meia dúzia de mulheres fôrom assassinadas polo terrorismo machista. O feminicídio foi umha constante perante a carência de medidas de choque para evitá-lo, salvo cínicos comunicados de condenas por parte das instituiçons.

Em 2016 o regime implementou todas e cada umha da legislaçom excepcional para restringir liberdades e aumentar o controlo social.

Mais umha vez manifestamos que a imensa maioria dos problemas que padecemos como povo trabalhador e empobrecido, derivam do atraso e dependência que o capitalismo nos tem asignado na divisom internacional do Trabalho. Sem conquistarmos a independência e a soberania nacional nom é possível construir umha Galiza sem exploraçons nem opressons.

Nom queremos despedir 2016 sem lembrar o mais universal filho desta Pátria, o comandante Fidel Castro, falecido a 25 de novembro na ilha rebelde de Cuba. A sua trajetória de combatente pola Revoluçom Socialista e incansável defensor da soberania dos povos frente o imperialismo, é fonte de inspiraçom para Agora Galiza.

Também manifestar a nosa satisfaçom pola libertaçom de Alepo e a contundente vitória do Exército Árabe Sírio e forças aliadas sobre o terrorismo yihadista promovido, financiado e armado pola NATO e as monarquias feudais do Golfo.

Queremos transmitir umha sincera saudaçom socialista e patriótica a todas as pessoas que com diferentes graus de implicaçom e compromisso tenhem permitido avançar na reconstruçom do projeto revolucionário da esquerda independentista.

Também queremos saudar o conjunto da Galiza que acredita no povo galego, a classe obreira, a juventude, as mulheres trabalhadoras, o povo empobrecido que participou nas luitas para conquistar um futuro mehor.

Saudar os presos e presas políticas galegas, familiares e amizades, as organizaçons galegas e estrangeiras amigas, o movimento popular galego e os povos que em 2016 nom cedérom perante os embates do imperialismo, com destaque para o povo sírio, palestiniano, curdo, iraquiano, afgao, colombiano, venezuelano, catalám, iemeni, do Dombass … a todos eles a nossa solidariedade internacionalista.

No novo ano que agora inícia comemoraremos duas efemérides de transcendência incomensurável para a luita revolucionária, a liberdade e a emancipaçom dos povos: o centenário da Revoluçom Bolchevique e o assassinato do comandante Che. A Revoluçom de Outubro e o exemplo guevarista som fonte permanente de inspiraçom na luita de libertaçom nacional galega porque os seus objetivos e fins seguem mais vigentes que nunca neste século XXI.

Até a vitória sempre!

Denantes mort@s que escrav@s!

Independência e Pátria Socialista! Venceremos!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 30 de dezembro de 2016