Comunicado nº 80: 8 de Março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. A REBELIOM É UMHA NECESSIDADE. 100 aniversário da revolta proletária e feminista de Trasancos

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Comunicado nº 80

8 de Março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

A REBELIOM É UMHA NECESSIDADE

100 aniversário da revolta proletária e feminista de Trasancos

Galiza nom ficou à margem da estela rebelde que abriu a Revoluçom Bolchevique, quando a classe trabalhadora marcou o caminho a seguir, conquistado o poder na Rússia, inaugurando umha nova era que mudou o mundo de base.

As lamentáveis condiçons de vida do povo trabalhador galego de há exatamente 100 anos, nom deixavam de agravar-se pola agressiva especulaçom e acaparamento implementada pola burguesia comercial, perante os fabulosas taxas de lucro dos boiantes negócios derivados da neutralidade do Estado espanhol na Primeira Guerra mundial.

O incremento dos preços dos produtos de primeira necessidade estava golpeando a precária situaçom das famílias trabalhadoras. Perante o acaparamento de trigo e o abusivo incremento dos preços do pam e da farinha, na primavera de 1918 o proletariado feminino de Trasancos iniciou umha revolta.

9 de março as operárias da indústria têxtil de Júvia apedreárom estabelecimentos comerciais, cortárom vias de comunicaçom, impossibilitárom a circulaçom de estradas e caminhos, assaltárom comboios, bloqueárom os mercados, saírom às ruas a denunciar a fame e os seus responsáveis.

A resposta do inimigo foi imediata. A burgesia utilizou a violência estatal para tentar sufocar a revolta. Duas pessoas falecérom nos protestos. O movimento, dirigido por obreiras e labregas, logrou de imediato a solidariedade do conjunto do proletariado desta regiom nortenha, de Valdovinho, passando por Ferrol, Neda e Narom, até Pontedeume.

O Estado empregou a força bruta para esmagar a revolta, temeroso do contagio bolchevique. Os principais núcleos fabris de Trasancos e do Eume paralisárom, aderindo à greve geral. Oficialmente 9 pessoas caírom abatidas polas balas da repressom em Sedes, embora a censura impossibilitou conhecer o alcance real de mortes e ferid@s.

Um século depois duns factos tam destacados na luita de classes da Galiza, pola dimenssom e caraterísticas do movimento, com destaque pola sua direçom e composiçom feminina, é determinante que o movimento feminista galego contribua para resgatar da amnésia coletiva este episódio da nossa rebeldia como classe e como género.

Mas, enquanto a hegemonia pequeno-burguesa na sua direçom continue determinando a sua orientaçom, o movimento feminista nom cumprirá a sua funçom de organizar e movimentar as mulheres trabalhadoras, divulgar as suas reivindicaçons, incrementar a sua consciência e tingir de lilás o conjunto da luita operária, popular e nacional.

Resulta paradoxal que se apoie a convocatória da greve mundial de mulheres no 8 de Março, quando se continua ocultando as origens da data e se desvirtuem os objetivos desta jornada reivindicativa, tal como foi instaurada em 1910, em Copenhaga, polas mulheres bolcheviques, como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.

As conquistas neste ámbito, adotadas polo governo bolchevique dirigido por Lenine e Alexandra Kollontai, plasmadas no Código Civil de 1918, continuam a ser, um século depois ocultadas polo feminismo burguês.

A imensa maioria destes direitos ou bem som parciais, ou meramente formais, ou nom se aplicam de facto, ou nem estám incorporados na tabela reivindicativa deste feminismo. Referimo-nos ao aborto livre e gratuíto na rede sanitária pública, à discriminalizaçom da homossexualidade e do adultério, à igualdade salarial, proteçom a maes e crianças polo Estado, ou na inexistência dumha rede de infantários, lavandarias públicas, cantinas, centros de dia, cozinhas coletivas.

Enquanto o prioritário esteja centrado em facilitar a cómoda presença no movimento de forças sistémicas e reacionárias como o PSOE, contrárias à plena emancipaçom da mulher trabalhadora e corresponsável direto pola sua situaçom; enquanto se centre em tecer um artificial e disfuncional “unitarismo” oco; enquanto se continue a alimentar a ilusom de poder atingir as reivindicaçons no marco do capitalismo, o patriarcado e a dependência nacional, as mulheres trabalhadoras galegas continuaremos sem capacidade real de emancipaçom.

Agora Galiza quer lembrar neste 8 de Março Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo, Alexandra Kollontai, Nadezhda Krupskaya, Inessa Armand, todas elas mulheres comunistas, pioneiras no impulso desta data fundamental no calendário reivindicativo da luita operária e popular contra o capitalismo.

Nom cansaremos de repetir que 8 de Março é umha jornada reivindicativa e de luita para exigir a plena igualdade de direitos em todos os espaços. Umha data com eminente conteúdo de classe pois somos as mulheres trabalhadoras as que padecemos no ámbito laboral, familiar, social, a sobre-exploraçom e discriminaçom do capitalismo. Que nom se pode deslindar luita feminista da luita anticapitalista. Eis polo que devemos denunciar a institucionalizaçom da data, a sua assimilaçom polo sistema capitalista e patriarcal.

Por um feminismo de classe e galego!

Viva a luita das mulheres trabalhadoras galegas!

Direçom Nacional e Agora Galiza

Na Pátria, 19 de fevereiro de 2018