COMUNICADO Nº 101 da Direçom Nacional: 6 de dezembro, contra a constituiçom postfranquista. Nem Autonomia, nem Estado federal. INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Padrão

6 de dezembro, contra a constituiçom postfranquista

Nem Autonomia, nem Estado federal

INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Há quarenta anos era colocada a chave da bóveda da arquitetura jurídico-política vigente. Mediante umha fraudulenta operaçom cosmética, foi maquilhada a ditadura franquista imposta polo golpe de estado e posterior guerra promovida em 1936 polo bloco de classes oligárquicas.

A constituiçom de 1978 legitima o atual regime espanhol, que a maioria do povo trabalhador galego nom apoiou na altura. No referendo realizado há 4 décadas apenas 44% do recenseamento eleitoral votou afirmativamente.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a ditadura capital, perpetuando o saqueio e exploraçom da classe trabalhadora.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a unidade de mercado denominada Espanha, perpetuando esta cárcece de povos, impossibilitando o exercício de autodeterminaçom da Galiza e combatendo sem trégua as legítimas aspiraçons de conquistar umha Pátria livre de mulheres e homens emancipados.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a continuidade do patriarcado, legitimando assim a dominaçom, opressom e sobre-exploraçom da maioria do povo trabalhador: as mulheres.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a terceira restauraçom bourbónica, um modelo de Estado medieval legitimado na consanguinidade.

Eis, polo que quatro décadas após a sua aprovaçom, nada temos que celebrar e sim muito que denunciar e reivindicar.

A relativa “estabilidade” política e institucional das primeiras três décadas deu passo a um ciclo de permanentes turbulências derivadas da convergência da profunda crise do capitalismo senil com a crise política e institucional do regime de 78.

As luitas populares e operárias em defesa da sanidade e educaçom públicas, do direito à vivenda, contra o desemprego e a precariedade laboral, por um futuro digno para a juventude, contra a discriminaçom das mulheres trabalhadoras, pola liberdade da Galiza, tenhem ido acompanhadas por um questionamento do postfranquismo.

Porém, a hegemonia pequeno-burguesa no movimento popular e a burocratizaçom do sindicalismo, tenhem impossibilitado avançar na convergência das luitas económicas e setoriais numha estratégia de rebeliom popular visada a tombar o corruto e criminal regime bourbónico.

Perante a profunda crise de legitimidade e as demandas do exercício do direito de autodeterminaçom do povo catalám, o regime monstrou a sua verdadeira face: emprego da repressom e violência, facilitando a eclosom do fascismo arroupado no caráter supremacista do discurso chauvinista espanhol.

Contrariamente ao que interessadamente transmitem os partidos do regime situados no falso eixo de “esquerda”, o auge do fascismo nom é um fenómeno novo nem se pode circunscrever a Vox, umha força política promovida polo capital finnacieiro para disciplinar ainda mais à classe operária, um partido funcional para o cenário de agravamento da crise capitalista.

PP e C´s som ideologicamente similares a Vox, mas com um discurso mais maquilhado. O franquismo nom foi derrotado na transiçom, mais bem foi quem pilotou a sua reconversom no regime monárquico.

A atual deriva autoritária tem por objetivo derrotar as luitas nacionais dos povos oprimidos polo Estado espanhol, pois a luita independentista segue sendo o elo fraco da cadeia da dominaçom capitalista no Estado espanhol.

Mas também criar as condiçons subjetivas que permitam aplicar umha nova bateria de agressons contras os já de por si mermados direitos e conquistas do povo trabalhador: nova reforma laboral, privatizaçom do sistema de pensons, reduçom dos custos salariais, tal como reclama o FMI, a troika, o Ibex 35 e o bloco de classes oligárquico espanhol.

A contundente luita do povo trabalhaor francês das últimas semanas contra o incremento dos combustíveis, gás e eletricidade, implementando a estratégia de rebeliom popular, empregando a rua como centro de gravidade, constatou que este é o único meio para derrotar os planos da burguesia.

Enquanto a “esquerda” hegemónica siga acovardada, atada à lógica parlamentar burguesa, apostando no eleitoralismo, e o sindicalismo financiado polo Estado burguês para frear a luita de classes, enquanto nom logremos reconstruir a esquerda revolucionária, seguiremos instalados num longo ciclo de retrocessos, involuiçom e derrotas.

Neste 6 de dezembro, a esquerda revolucionária galega manifesta mais umha vez que Espanha e o atual regime oligárquico é irreformável. Nom existe possibilidade algumha de mudá-lo. Só pode ser transformado pola via revolucionária.

Agora Galiza-Unidade Popular apela aos setores mais avançados da nossa classe e do nosso povo a quebrar com as lógicas políticas sistémicase a dar passos firmes na articulaçom de um bloco popular antifascista, nom para defender e restaurar os fundamentos da democracia burguesa “ameaçada”, e sim para avançar na articulaçom de um movimento operário e popular com direçom e linha genuinamente ruturista e socialista.

Agora Galiza-Unidade Popular manifesta a categórica oposiçom à arquitetura jurídico-política do postfranquismo, à constituiçom do 78 e posterior Estatuto de Autonomia de 1981.

A recente histórica da Autonomia Galega tem demonstrado que a estratégia de conquistar mais transferências, de tentar mudar o sistema de financiamento autonómico, mediante negociaçons com Espanha, é umha via morta.

É umha fraude continuar a defender a viabilidade de reformas da constituiçom burguesa, espanhola e patriarcal de 1978.

Como também é reduzir a luita a mudar o modelo de estado monárquico por umha república federal que perpetua o projeto chauvinista espanhol.

Só a luita independentista sob direçom e orientaçom obreira e popular logrará a imprescindível rutura do regime postfranquista que permitirá a nossa emancipaçom como classe e libertaçom como naçom.

A luita é o único caminho!

Viva a República Galega!

Independência e Pátria Socialista!

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 5 de dezembro de 2018