Comunicado nº 121: Legislativas de 10 de novembro de 2019. Votes o que votes ganham eles. Abstençom

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Legislativas de 10 de novembro de 2019

Votes o que votes ganham eles

Abstençom

Novamente a ditadura burguesa espanhola convoca-nos a votar. Após meio ano ensaiando carência de vontade política para constituir Governo, aplicando a receita do caos controlado da doutrina do shock, Pedro Sánchez optou por convocar novas eleiçons na procura de modificar a correlaçom de forças nas Cortes em prol do PSOE, e portanto dos interesses do Capital.

A profunda multicrise que padece o regime de 78, combinada e inserida na crise estrutural do capitalismo crepuscular, pretende ser “superada” ou cando menos reduzida, mediante a restauraçom paulatina do monopartidarismo bicéfalo.

Os poderes reais do postfranqusimo exigem novas medidas visadas para disciplinar ainda mais o conjunto do povo trabalhador, mediante umha nova reforma laboral, e avançar na privatizaçom do sistema público de pensons, tal como solicita o FMI e o Banco Central Europeu. Mais austeridade para incrementar o ganho da burguesia às portas de umha nova “recessom económica” mundial.

Os poderes fáticos encabeçados polo ilegítimo bourbon, exigem esmagar a vontade de ser República da Catalunha rebelde que nom se dobrega nem ajoelha, pretendem recuperar competências mediante um processo de recentralizaçom. Há que manter a toda custa a unidade territorial de Espanha como mercado onde acumular e expandir capital.

Na atual conjuntura histórica, em plena ofensiva reacionária, de marasmo e amorfismo do movimento operário, de involuçom ideológica e derrotismo, de enorme debilidade orgánica e ideológica da esquerda revolucionária, nom existem as mínimas condiçons objetivas nem subjetivas para dar batalha com êxito no ámbito eleitoral, frente aos diversos oportunismos que desputam o espaço da denominada “esquerda”.

Mas tampouco a classe operária consciente, a juventude rebelde, o povo trabalhador galego que nom se deixa manipular polos meios de [des]informaçom da burguesia espanhola e da lumpemburguesia autótone, podem mais umha vez emprestar o seu voto aos partidos que optam por atingir escanos onde situar as suas elites, reforçando assim a falsa normalidade democrática do postfranquismo.

Em abril diziamos que sem luitar pouco vale votar, que tampouco existia nengumha candidatura que defendesse coerente e dialeticamente os interesses da classe trabalhador a e os da naçom galega. Meio ano depois, nom se tenhem produzido mudanças que nos recomendem alterar o diagnóstico.

Tanto a sucursal galega de Unidos/Podemos como o BNG partem de duas premissas falsas.

A sua tática eleitoral baseia-se numha dupla equaçom falaz.

1º- Nom existe democracia no Estado espanhol. Portanto a luita pola defesa e recuperaçom dos direitos e conquistas que paulatinamente nos fôrom suprimindo, nom se logra exercendo parlamentarismo convencional. Os exemplos da França onde a contundente resposta dos coletes amarelos freou o incremento dos combustíveis anunciada por Macron; no Equador onde a rebeliom popular de indígenas e da classe trabalhadora tombou o pacote neoliberal do FMI; e no Chile onde em poucos dias o levantamento popular provocou a retirada do aumento do preço do bilhetes dos metro, constatam que só mediante a luita maciça, unitária e combativa nos centros de trabalho e nas ruas se logram vitórias populares e derrotas aos planos da burguesia.

2º- O PSOE nom é um partido progressista. É umha força social-liberal e reacionária. É o partido central da arquitetura jurídico-política do postfranquismo, a pedra angular da partitocracia que sostem esta cárcere de povos chamada Espanha e a corruta monarquia imposta por Franco. Mais de quatro décadas com presença no governo espanhol, na Comunidade Autónoma Galega, nos governos municipais, avalam que é um partido contrário aos interesses da maioria, cam guardiam dos ricos e poderosos.

É um grande engano, umha monumental farsa que a sucursal galega de Unidos/Podemos e o BNG sigam alimentando a ilusom de configurar umha maioria aritmética que facilite um governo pogressista versus um governo conservador encabeçado polo PP. Nom nos deixemos enganar!

O governo de Pedro Sánchez, que se apresentou como o PSOE genuíno de “esquerda” frente ao felipismo, nom cumpriu nengumha das suas promessas eleitorais que permitírom a sua vitória em abril. Nem derrogou a reforma laboral, nem a lei mordaça, nem a LOMCE. Nom procurou umha saída política às demandas de autodeterminaçom da Catalunha rebelde, apostando na repressom e amagando com a aplicaçom de um novo 155. Apoiou o golpe de Estado de Guaidó na Venezuela, o criminal governo de Lenín Moreno no Equador, as políticas do imperialismo contra os povos e a classe trabalhadora. É um dos principais agentes da espanholizaçom da Galiza, de assimilaçom da nossa língua e cultura, do nosso atraso e dependência.

O PSOE é um partido de direita!!, recuberto com umha linguagem e máscara falsamente progressista. Essencial para o funcionamento da alternância parlamentar, eixo da ditadura burguesa, entre as duas fraçons da burguesia, antes partido conservador e liberal, e agora PSOE e satélites versus PP e forças à sua direita.

Perante este cenário, Agora Galiza-Unidade Popular apela a nom votar o dia 10 de novembro. Apostamos abertamente pola ABSTENÇOM.

A totalidade das forças do regime e o conjunto dos partidos sistémicos coincidem na necessidade de votar para legitimar a exploraçom e dominaçom que padecemos como classe e como povo.

Idênticos argumentos a participar na “festa da democracia” empregam aquelas forças que cinicamente afirmam pretender transformar o sistema.

Igual de falaz argumento é afirmar que nom votar favorece a direita. Nom votar é umha arma que na atualdade facilita desconetar com o a lógica sistémica, deixar de legitimar esta farsa.

Nom estamos em fevereiro de 1936, nom existe movimento operário organizado e em ofensiva, nom existe umha alternativa política ampla e plural de forças populares e operárias que possibilitem abrir um cenário político que facilite construir poder operário e popular visado para a superaçom do capitalismo e a conquista da liberdade nacional da Galiza.

A cada vez mais clara ameaça fascista nom se derrota nas instituiçons do inimigo, nem votando PSOE. É nas ruas, sem concessons nem negociaçons, com persistente mobilizaçom, campanhas pedagógicas, unidade e contundência, como se levanta um muro antifascista que permita isolá-lo e esmagá-lo.

Votemos o que votemos 10 de novembro ganha o Capital e a Espanha de Felipe VI, de Pedro Sánchez, de Casado, Rivera, Abacsal, da CEOE, da Conferência Episcopal e do mesmo exército que ganhou a guerra de classes de 1936-39.

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 26 de outubro de 2019