Comunicado nº 125: 6 de dezembro. Nem Espanha nem UE. REPÚBLICA SOCIALISTA GALEGA

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6 de dezembro
Nem Espanha nem UE
REPÚBLICA SOCIALISTA GALEGA

A constituiçom espanhola de 1978 representa a cristalizaçom institucional do postfranquismo.

Considerada durante décadas como um texto sagrado, irreformável, de obrigada veneraçom, foi resultado da claudicaçom do eurocomunismo e da socialdemocracia espanhola perante os partidos derivados da dissoluçom do “Movimiento Nacional”.

Porém, foi modificada de forma express, com noturnidade e alevosia, quando foi necessário adatá-la às imposiçons marcadas polos organismos imperialistas aos que está aderido o Estado espanhol.

Em 1992 os partidos do regime de 78 [PSOE, PP, IU/PCE, CiU, PNB e outras forças autonomistas e regionalistas] adatarom-na às necessidades do Tratado de Maastricht. Mais recentemente, em 2011, os dous partidos centrais da III restauraçom bourbónica, mudárom-na para submeter-se à ditadura orçamental de Bruxelas.

A esquerda revolucionária galega nada tem que celebrar dia 6 de dezembro. Rejeitamos este texto que consagra a exploraçom capitalista, a opressom nacional da Galiza, a monarquia, o patriarcado.

A constituiçom de 1978 é ilegítima, pois a maioria do povo trabalhador galego nom a apoiou no referendo realizado há 4 décadas, quando apenas 44% do recenseamento eleitoral votou afirmativamente.

Contrariamente ao que difundem as diversas “esquerdinhas, é umha fraude continuar a defender a viabilidade de mudanças “progressistas” da constituiçom burguesa, espanhola e patriarcal de 1978.

Espanha e o atual regime oligárquico é irreformável. Nom existe possibilidade algumha de mudá-lo. Só pode ser transformado pola via revolucionária.

Portanto, qualquer proposta de reformar a chave da bóveda da arquitetura jurídico-política vigente, ou releituras de “esquerda” perante a “ameaça fascista”, está inevitavelmente condenada a reforçar o sistema.

Em plena involuiçom e deriva reacionária, perante as ilusons de um falso governo “progressista”, perante o avanço do fascismo sem complexos, cumpre apostar em construir ferramentas defensivas e combativas, articuladas à volta de umha alternativa estratégica, que só é possível fora de Espanha e da UE, construindo umha República Socialista Galega.

Tal como vimos teimudamente defendendo, Agora Galiza-Unidade Popular apela aos setores mais avançados da nossa classe e do nosso povo a quebrar com as lógicas políticas sistémicas e a dar passos firmes na articulaçom de um bloco popular antifascista, nom para defender e restaurar os fundamentos da democracia burguesa “ameaçada”, e sim para avançar na articulaçom de um movimento operário e popular com direçom e linha genuinamente anticapitalista e socialista.

Tanto a estratégia que promove o autonomismo socialdemocrata galego de conquistar mais transferências, de tentar mudar o sistema de financiamento autonómico, mediante negociaçons com Espanha, como mudar o modelo de estado monárquico por umha república federal que perpetua o projeto chauvinista espanhol, é simplesmente umha via morta.

Só a luita independentista e socialista, sob direçom e orientaçom obreira e popular, logrará a imprescindível rutura do regime postfranquista que permitirá a nossa emancipaçom como classe e libertaçom como naçom.

A luita é o único caminho!

Independência e Pátria Socialista!

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 5 de dezembro de 2019