COMUNICADO Nº 101 da Direçom Nacional: 6 de dezembro, contra a constituiçom postfranquista. Nem Autonomia, nem Estado federal. INDEPENDÊNCIA NACIONAL

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6 de dezembro, contra a constituiçom postfranquista

Nem Autonomia, nem Estado federal

INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Há quarenta anos era colocada a chave da bóveda da arquitetura jurídico-política vigente. Mediante umha fraudulenta operaçom cosmética, foi maquilhada a ditadura franquista imposta polo golpe de estado e posterior guerra promovida em 1936 polo bloco de classes oligárquicas.

A constituiçom de 1978 legitima o atual regime espanhol, que a maioria do povo trabalhador galego nom apoiou na altura. No referendo realizado há 4 décadas apenas 44% do recenseamento eleitoral votou afirmativamente.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a ditadura capital, perpetuando o saqueio e exploraçom da classe trabalhadora.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a unidade de mercado denominada Espanha, perpetuando esta cárcece de povos, impossibilitando o exercício de autodeterminaçom da Galiza e combatendo sem trégua as legítimas aspiraçons de conquistar umha Pátria livre de mulheres e homens emancipados.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a continuidade do patriarcado, legitimando assim a dominaçom, opressom e sobre-exploraçom da maioria do povo trabalhador: as mulheres.

Com esta constituiçom a oligarquia impujo a terceira restauraçom bourbónica, um modelo de Estado medieval legitimado na consanguinidade.

Eis, polo que quatro décadas após a sua aprovaçom, nada temos que celebrar e sim muito que denunciar e reivindicar.

A relativa “estabilidade” política e institucional das primeiras três décadas deu passo a um ciclo de permanentes turbulências derivadas da convergência da profunda crise do capitalismo senil com a crise política e institucional do regime de 78.

As luitas populares e operárias em defesa da sanidade e educaçom públicas, do direito à vivenda, contra o desemprego e a precariedade laboral, por um futuro digno para a juventude, contra a discriminaçom das mulheres trabalhadoras, pola liberdade da Galiza, tenhem ido acompanhadas por um questionamento do postfranquismo.

Porém, a hegemonia pequeno-burguesa no movimento popular e a burocratizaçom do sindicalismo, tenhem impossibilitado avançar na convergência das luitas económicas e setoriais numha estratégia de rebeliom popular visada a tombar o corruto e criminal regime bourbónico.

Perante a profunda crise de legitimidade e as demandas do exercício do direito de autodeterminaçom do povo catalám, o regime monstrou a sua verdadeira face: emprego da repressom e violência, facilitando a eclosom do fascismo arroupado no caráter supremacista do discurso chauvinista espanhol.

Contrariamente ao que interessadamente transmitem os partidos do regime situados no falso eixo de “esquerda”, o auge do fascismo nom é um fenómeno novo nem se pode circunscrever a Vox, umha força política promovida polo capital finnacieiro para disciplinar ainda mais à classe operária, um partido funcional para o cenário de agravamento da crise capitalista.

PP e C´s som ideologicamente similares a Vox, mas com um discurso mais maquilhado. O franquismo nom foi derrotado na transiçom, mais bem foi quem pilotou a sua reconversom no regime monárquico.

A atual deriva autoritária tem por objetivo derrotar as luitas nacionais dos povos oprimidos polo Estado espanhol, pois a luita independentista segue sendo o elo fraco da cadeia da dominaçom capitalista no Estado espanhol.

Mas também criar as condiçons subjetivas que permitam aplicar umha nova bateria de agressons contras os já de por si mermados direitos e conquistas do povo trabalhador: nova reforma laboral, privatizaçom do sistema de pensons, reduçom dos custos salariais, tal como reclama o FMI, a troika, o Ibex 35 e o bloco de classes oligárquico espanhol.

A contundente luita do povo trabalhaor francês das últimas semanas contra o incremento dos combustíveis, gás e eletricidade, implementando a estratégia de rebeliom popular, empregando a rua como centro de gravidade, constatou que este é o único meio para derrotar os planos da burguesia.

Enquanto a “esquerda” hegemónica siga acovardada, atada à lógica parlamentar burguesa, apostando no eleitoralismo, e o sindicalismo financiado polo Estado burguês para frear a luita de classes, enquanto nom logremos reconstruir a esquerda revolucionária, seguiremos instalados num longo ciclo de retrocessos, involuiçom e derrotas.

Neste 6 de dezembro, a esquerda revolucionária galega manifesta mais umha vez que Espanha e o atual regime oligárquico é irreformável. Nom existe possibilidade algumha de mudá-lo. Só pode ser transformado pola via revolucionária.

Agora Galiza-Unidade Popular apela aos setores mais avançados da nossa classe e do nosso povo a quebrar com as lógicas políticas sistémicase a dar passos firmes na articulaçom de um bloco popular antifascista, nom para defender e restaurar os fundamentos da democracia burguesa “ameaçada”, e sim para avançar na articulaçom de um movimento operário e popular com direçom e linha genuinamente ruturista e socialista.

Agora Galiza-Unidade Popular manifesta a categórica oposiçom à arquitetura jurídico-política do postfranquismo, à constituiçom do 78 e posterior Estatuto de Autonomia de 1981.

A recente histórica da Autonomia Galega tem demonstrado que a estratégia de conquistar mais transferências, de tentar mudar o sistema de financiamento autonómico, mediante negociaçons com Espanha, é umha via morta.

É umha fraude continuar a defender a viabilidade de reformas da constituiçom burguesa, espanhola e patriarcal de 1978.

Como também é reduzir a luita a mudar o modelo de estado monárquico por umha república federal que perpetua o projeto chauvinista espanhol.

Só a luita independentista sob direçom e orientaçom obreira e popular logrará a imprescindível rutura do regime postfranquista que permitirá a nossa emancipaçom como classe e libertaçom como naçom.

A luita é o único caminho!

Viva a República Galega!

Independência e Pátria Socialista!

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 5 de dezembro de 2018

COMUNICADO Nº 100 da Direçom Nacional: II Assembleia Nacional ratifica firme vontade de reconstruir a esquerda revolucionária galega

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II Assembleia Nacional ratifica firme vontade de reconstruir a esquerda revolucionária galega

Um amplo consenso e coesom caraterizou o desenvolvimento das análises, debates e acordos adotados na II Assembleia Nacional de Agora Galiza realizada hoje em Compostela sob a legenda Reconstruir ferramentas de combate.

As três teses [Organizativa, Ideológica e Política] fôrom aprovadas com um amplo respaldo da militáncia.

II Assembleia Nacional fecha o período de interinidade aberto após a Assembleia fundacional de 4 de julho de 2015. Até hoje Agora Galiza vinha-se regindo polos Estatutos de NÓS-UP, organizaçom da que procedemos e com orgulho reivindicamos como própria a sua trajetória e legado.

 
Principais acordos da II Assembleia Nacional

No plano organizativo Agora Galiza aprovou os seus Estatutos, passando a denominar-se Agora Galiza-Unidade Popular, reforçando assim o seu caráter de força política ampla, unitária, plural e com vocaçom de massas.

No ámbito ideológico reafirmamos o caráter de organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional. Adotamos o marxismo como método de análise e interpretaçom da realidade, como teoria revolucionária anticapitalista visada para a emancipaçom da classe trabalhadora.

Oito som as bases ideológicas sobre as que se assenta Agora Galiza-Unidade Popular: socialismo, independência nacional, feminismo e antipatriarcado, democracia socialista, anti-imperialismo, monolingüismo e reintegracionismo, cultura popular e ecologismo.

No plano político a II Assembleia Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular analisou a situaçom internacional onde a vitória do capitalismo na sua forma neoliberal e imposiçom de um mundo unipolar de guerrra permanente contra os povos, as mulheres e a classe trabalhadora, acelerou e radicalizou a ofensiva da burguesia contra os direitos, as conquistas e as liberdades, atingidas pola classe obreira em mais de cento cinquenta anos de suor, sangue e lágrimas.

Embora estemos no olho do furacám de grandes tempestades derivadas da crise crepuscular do capitalismo senil, a dramática ausência de ferramentas revolucionárias impossibilitam o incremento das condiçons subjetivas, essenciais para umha Revoluçom Socialista.

A profunda crise na Galiza do projeto emancipador e libertador da “esquerda” deriva de três derrotas estratégicas consecutivas: perante o fascismo em 1936, perante a maquilhagem do franquismo, reformado na atual monarquia bourbónica na segunda metade da década de setenta, e pola implosom da URSS em 1991.

A involuçom socio-política atual e as tendências fascistizantes em curso, derivam destas três derrotas concatenadas, e da pratica legalista e sistémica da “esquerda” hegemónica, instalada na resignaçom, a disgregaçom e o amorfismo.

O longo ciclo de refluxo e carência de perspetivas de vitória, condicionam o agir da esquerda revolucionária que nom capitula nem se deixa enredar pola lógica do ilusionismo eleitoral e o desmobilizador cretinismo parlamentar.

O desarme ideológico e incoerência teórico-prática da “esquerda”, o abandono do imaginário simbólico, mais a incapacidade e desinteresse para construir ferramentas de defesa e ofensiva contra a ditadura do Capital, som corresponsáveis pola dramática situaçom que padece a imensa maioria da humanidade trabalhadora e oprimida, e o povo trabalhador e empobrecido da Galiza.

Até lograrmos depurar o marxismo da contaminaçom e deturpaçom que padece pola hegemonia pequeno-burguesa entre as forças que se audodefinem de “esquerda”, até reinstaurar os seus fundamentos e princípios, até resgatá-lo da adulteraçom e esterilizaçom, recuperando a sua natureza subversiva, depurando-o da estafa do relato pacifista, pactista e eleitoralista que define a prática totalidade das organizaçons “marxistas”, nom será possível sentar as bases para superarmos o ciclo reacionário.

Agora Galiza-Unidade Popular é plenamente consciente da indigência organizativa da esquerda revolucionária galega, mas nom renuncia à tarefa titánica da sua reconstruçom.

A nossa prioridade é reconfigurar e refundar a esquerda anticapitalista galega que nom se submete à lógica do Capital nem se conforma com gerir as migalhas da Autonomia que nos concede a Espanha da oligarquia postfranquista.

Apostamos na edificaçom de umha organizaçom genuinamente antisistémica, com o centro de gravidade na Galiza, afastado da política espetáculo burguesa, da analgésica lógica da alternância parlamentar da terceira restauraçom bourbónica, umha força política-movimento social eminentemente obreira e popular pola sua composiçom, ideologia, natureza e doutrina.

Apostamos pola mobilizaçom e confrontaçom social, pola luita organizada de um povo trabalhador unido e movimentado sob umha estratégia insurrecional.

Contrariamente ao falso relato das forças autoqualificadas “ruturistas”, nom é possível iniciar um processo de transformaçons profundas sem um processo de auto-organizaçom operária e popular com orientaçom e prática classista, que desloque a pequena burguesia da direçom dos partidos de “esquerda”.

Sem a implementaçom de umha coerente estratégia de mobilizaçom operária e popular permanente e encadeada, seguiremos retrocedendo, perdendo direitos, conquistas e liberdades, ao ritmo que nos impom a oligarquia espanhola e as diretrizes da UE.

Mediante a estratégia de confrontar, deslindar, organizar e acumular definimos e marcamos como tarefas e objetivos táticos no horizonte estratégico da Revoluçom Galega:

1- Deslindar e confrontar com as falsas alternativas reformistas, para criar as condiçons subjetivas que nos permitam acumular para luitar com eficácia pola única saída possível para mudar o atual estado de cousas: a rutura com o status quo.

2- Gerar factos políticos, intervir, participar nos conflitos, ganhar referencialidade, elaborar alternativas táticas, acumular forças.

3- Desenvolver umha denúncia permanente do fascismo, contribuíndo para a criaçom de um Bloco Popular Antifascista.

4- Atualizar e divulgar o PTRP [Programa Tático para a Rebeliom Popular], esse meio milhar de medidas que permitam transformar a resignaçom e a indignaçom numha alternativa de governo que supere as falsas esperanças da saída eleitoral, segue sendo o nosso gps para a construçom de espaços tangíveis de poder popular.

5- Todos os parámetros e indicadores constatam que taticamente nom existem condiçons mínimas para seguir ensaiando a nossa concorrência eleitoral. Sem descartarmos participar em processos eleitorais a nossa prioridade é contribuir para a convergência das luitas sociais e locais, promovendo espaços de encontro e mobilizaçom.

6- A crise do projeto político da Naçom galega exige concentrar-nos na difusom do discurso genuinamente patriótico de ótica socialista. Sem Pátria nom há Revoluçom Galega. Sem soberania nom se pode construir o Socialismo, e o Socialismo é a garantia para preservar a independência e a soberania nacional. Pátria Socialista deve ser umha das nossas palavras de ordem prioritárias.

7- À equaçom Independência e Socialismo devemos dialeticamente acrescentar a superaçom do específica opressom, dominaçom e exploraçom que padece mais de metade da força de Trabalho, as mulheres, com um discurso e prática feminista. Desenvolver a açom teórico-prática do feminismo galego de classe é um dos nossos objetivos para o vindouro biénio.

8- Manter umha política de alianças assimétrica em base à coincidência programática a escala setorial e no quadro nacional de luita. Somos partidári@s de amplas alianças em base a programas avançados.

9- Divulgaçom da estratégia de Rebeliom Popular como método que permita ensaiar a ruptura com o regime de 78.

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Galiza, 1 de dezembro de 2018

COMUNICADO Nº 99 da Direçom Nacional: 25-N, Dia contra a violência machista. Menos declaraçons e condenas. MAIS MEDIDAS EFICAZES CONTRA O TERRORISMO PATRIARCAL

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25-N, Dia contra a violência machista

Menos declaraçons e condenas

MAIS MEDIDAS EFICAZES CONTRA O TERRORISMO PATRIARCAL

Novamente, durante umhas semanas, as instituiçons do regime postfranquista tingem de epidérmico lilás o seu relato. Pretendem aparentar que estám implicadas no combate à violência machista, preocupadas em paliar as suas consequências.

Porém, nom som mais que boas e bonitas palavras que nom se plasmam em factos tangívies, visadas para reduzir e erradicar umhas práticas e comportamentos que formam parte do ADN do patriarcado.

As campanhas institucionais nom logram mais que ativar mornamente e durante uns poucos dias, a denúncia da violência que as mulheres trabalhadoras padecem nesta sociedade, mas nom passam de ai. Posteriormente nom se aplica um conjunto de medidas de choque no ámbito educativo, familiar, laboral, comunicativo, nem se aplicam os protocolos institucionais em caso de denúncias por violência.

O próprio movimento feminista galego, sob umha orientaçom cada vez mais institucional e pequeno-burguesa, é incapaz de adotar umha prática coerente, que confronte com factos tangíveis a violência simbólica e real que todos os dias padecem centenares de milhares de galegas.

As batukadas, as manifestaçons lúdico-festivas ,ou os minutos de silêncio, que enchem as ruas e as praças das nossas vilas e cidades de hipocrisia, perante assassinatos, ou nas datas do calendário reivindicativo “feminista”, som simplesmente ineficaces e mesmo contraproducentes.

Enquanto se apostar em procurar pactos estatais com o inimigo, a realidade da violência patriarcal contras as mulheres vai seguir sendo o pam de cada dia.

Enquanto se permita o lavado de acra, a maquilhagem cínica de quem direta ou indiretamente contribuiu ou contribui para a perda de direitos e conquistas, ou apoia posicionamentos contrários aos interesses das mulheres trabalhadoras, todo seguirá como até agora.

É necessário construir um movimento feminista galego com inequívoco caráter de classe, que quebre a errónea politica de alianças com quem nom chama as cousas polo seu nome, ou com quem simplesmente incorporou a cada vez mais devaluada e ambígua etiqueta “feminista” com fins estritamente eleitorais.

De Agora Galiza nom cansaremos de manifestar que unicamente um feminismo de classe e combativo será quem de guiar a revoluçom feminista e socialista, e fazer frente à barbárie patriarco-capitalista. Só assim seremos quem de atingir a liberdade e conquistar os nossos direitos, os perdidos, e os que ainda ficam por conseguir.

O discurso do lamento e das condenas, a linha hegemonica do unitarismo “feminista”, de lavado de cara dos partidos patriarcalistas, facilitando a sua cínica participaçom nas denúncias da expressom mais brutal da violência machista, nom só é ineficaz, impossibilita a radical mudança de rumo para combater a aliança criminal do patriarcado com o capitalismo.

É necessária a auto-organizaçom das mulheres trabalhadoras, injetar consciência de feminismo de classe, porque a violência machista tem um claro componente classista.

Som as mulheres trabalhadoras as que padecem com maior rigor as suas consequências, as que carecem de mecanismos e ferramentas defensivas, as mais vulneráveis a secumbir polo terrorismo patriarcal.

Magdalena Moreira, [Porrinho, 18 de junho], Maria Judite Martins Alves [Corunha, 18 de julho] e Ana Belem Varela [Cabana de Bergantinhos, 19 de agosto] som as três vítimas mortais na Galiza de 2018 desta lacra que ano após ano vai incrementado a lista de mulheres assassinadas.

Mais um 25 de novembro -Dia internacional contra a violência machista-, lembramos a todas as mulheres assassinadas polo terrorismo machista, mas também queremos honrar aquelas que estivérom na vanguarda da luita na sua época: Nadezhda Krupskaya, Inessa Armand ou Alexandra Kollontai, pois fôrom elas as que alicerçarom as bases da libertaçom feminista, as que marcárom o caminho da liberdade económica, psicológica e sentimental, objetivo só possível numha sociedade Socialista.

Na Pátria, 25 de novembro de 2018

Comunicado nº 3 de Agora Galiza da Lourinha: Só luitando pararemos a Cidade desportiva do Celta

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Só luitando pararemos a Cidade desportiva do Celta

A doutrina económica neoliberal por boca do Concelho e os representantes em Mós da cloaca política que representa o PP, expressam umha vez mais a sua face mais perversa e o seu predador comportamento. Contam com a cumplicidade da Junta de Galiza.

A franquícia corruPPta de Génova 13, com o narco-presidente Feijó à sua cabeça estám decididos a cometer mais umha vez, via lei express, um atentado aos direitos do povo sobre um espaço gerido pola vizinhança, uns montes em mao comum polos que houvo que luitar judicialmente, e que agora a “falsa licenciada” ruína do concelho de Mós quer fazer entrega a um especulador imobiliario e ao capital financieiro que o respalda.

O descomunal despropósito que significa dar via livre à construçom do macro-projeto da “Cidade desportiva do Celta” fica descrito polo enorme movimento de terras previsto, a construçom de 10 campos de futebol e um centro comercial, que na boca do presidente do Celta será vendido a fundos inversores umha vez rematado.

A obra afetaria os mananciais que nutrem de água a populaçom vicinal do contorno do macro-projeto, significaria umha desfeita ecológica com a destruçom de monte em exploraçom madereira de gestom vizinal, contaminaçom com residuos derivados da construçom …

As ingentes quantidades de fundos públicos no investimento de acessos [estradas], iluminaçom, águas residuais, linhas de transporte público subsidiadas, etc… fam de este projeto um enorme insulto à inteligência dos comuneiros e aos beneficiários das trazidas de água.

Nidia Arévalo, lacaia dos poderes económicos [empresários, especuladores imobiliarios, etc…] que pretendem ocupar Mós como finca privada da que extrair lucro com as suas práticas devastadoras, nom gere o Concelho para a vizinhança.

A alcaldesa, como já fixo com o PGOM, está ao serviço de quem explora e precariza, de quem se enriquece com informaçom privilegiada, de quem se lucra com a privatizaçom dos serviços públicos.

A servicial sipaia das elites económicas que pretendem apoderar-se de Mós com intençons bem conhecidas, usou todas as artimanhas para convencer as Comunidades afetadas [compra de vontades com prebendas, promessas de postos de trabalho, reunions a costas dos afetados, propaganda e desinformaçom nos meios com todo tipo de mentiras, maquilhados e falsos informes meio-ambientais, ameaças soterradas …].

Os partidos institucionais da oposiçom [GañaMós, PSOE e BNG] monstram a sua inutilidade nas luitas populares. Instalados nas poltroninhas do Concelho, limitam toda oposiçom ao projeto com umha morninha negativa, limitando-se a levantar o dedo.

Só o povo trabalhador auto-organizado em Mós nas associaçons das trazidas de águas ou os comuneiros, saem à rua em protesto por tamanha barbaridade meio-ambiental, para monstrar o rejeitamento, para dizer nom e parar os pés ao Sr Mourinho e a sua cúmplice servicial Nidia Arévalo.

Só a unidade popular de quem rejeitamos este macro-projeto, protestando e luitando com firmeza nas ruas, conseguirá parar tamanho crime que queremimpor-nos. Como a história popular tem demonstrado foi, é e será nas ruas onde se logram as vitórias.

Se Mós di NOM, será NOM!

A luita é o único caminho!

Na Lourinha, 23 de novembro de 2018

BLOCO POPULAR ANTIFASCISTA: 10 MEDIDAS ANTIFASCISTAS

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BLOCO POPULAR ANTIFASCISTA

Estes últimos dias comprovamos como o fascismo age com absoluta impunidade no Estado espanhol.
Constatamos como as organizaçons fascistas reivindicam a ditadura franquista, e a terrível repressom contra o povo trabalhador durante quatro décadas.
Como ocupam as ruas e os espaços públicos as bandeiras do pistoleirismo falangista, das entidades e grupos da extrema-direita, responsáveis diretos das perto de 10.000 execuçons contra o melhor do povo galego entre julho de 1936 e 1977.

Perante o avanço da hidra fascista, a esquerda revolucionária galega reitera a necessidade histórica de construir um espaço de luita visado para dar xaque ao regime de 78, levantando umha muralha antifascista, nom para defender a democracia liberal burguesa e sim a alternativa socialista.

Olhar para o lado, como se nada passasse, é umha irresponsabilidade que já pagamos muito cara na década dos anos trinta e quarenta.

É necessário constituir um bloco popular antifascista dotado de um programa de classe e um acionar de denúncia e mobilizaçom, com a rua como centro de gravidade, para frear o avanço das diversas variantes da reaçom.

Vertebremos um frente antifascista que resista a embestida da oligarquia e derrote a ditadura do capital nas ruas e centros de trabalho.

10 MEDIDAS ANTIFASCISTAS


1- Desfascistizar a Galiza. Eliminar dos espaços públicos até o último vestígio simbólico e iconográfico da ditadura.


2-
Nacionalizaçom de todo o património da família Franco, resultado do acumulado no saqueio praticado na ditadura, e devoluçom do património incautado a entidades, associaçons e particulares.

3- Ilegalizaçom de todas os partidos e organizaçons que nom condenam o franquismo e reivindicam a ditadura: PP, C´s, Vox, as diversas Falanges, as fundaçons Francisco Franco, José Antonio Primo de Rivera, Yagüe, Pro-Infancia Queipo de Llano, Blas Piñar, Serrano Súñer, Ramiro Ledesma Ramos, Millán Astray, a UME [Uniom Militar Espanhola], etc.

4- Proibiçom da exibiçom de qualquer simbologia fascista.

5- Clausura de todas as publicaçons, editoras e meios de “comunicaçom” [emissoras de rádio e TV] que realizam apologia do franquismo.

6- Anulaçom da amnistia de 1977 que permite a impunidade a todos aqueles que participárom no franquismo e depuraçom integral da administraçom, exército e corpos repressivos.

7- Anulaçom de todas as condenas e juízos realizados durante o período 1936-1977 e reparaçom das vítimas e familiares.

8- Criaçom de um Instituto Nacional de Recuperaçom da Memória Histórica, dotado de recursos económicos necessários, centrado no estudo da opressom do Povo Galego ao longo da história, visada para reabilitar e dignificar todas as vítimas dessa repressom, começando polas vítimas da guerra de classes de 1936-39 e o franquismo.

9- Exigência à Igreja católica dumha condena pública da sua participaçom no golpe fascista e posterior legitimaçom do franquismo.

10- Derrogaçom de todas as leis que perseguem e limitam a liberdade de expressom, assim como aqueles artigos do Código Penal que colidem frontalmente com os princípios democráticos básicos, concretamente o de humilhaçom [artigo 578] reformado pola LO 2/2015, e o de ódio (artigo 510), aprovado pola LO 1/2015, ambas de 30 de março.

Comunicado nº 98: Solidariedade e apoio internacionalista galego com Nación Andaluza

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Solidariedade e apoio internacionalista galego com Nación Andaluza

Agora Galiza -organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional-, perante o processo eleitoral na Andaluzia de 2 de dezembro, solicita ao povo trabalhador galego que reside na naçom irmá, vote na esquerda independentista e socialista articulada em Nación Andaluza.

A candidatura de Nación Andaluza, que sob a legenda “Cara a libertaçom de Andaluzia”, é a única dotada de um programa revolucionário, de classe, feminista e independentista, portanto a única que questiona, mais alá da retórica vácua, o reacionário regime de 78 e a fascistizaçom que promove a criminal e corruta oligarquia postfranquista.

Solicitamos pois, a todas e todos os compatriotas, a todas as galegas e galegos, que por razons laborais, académicas ou de outra índole, residentes na Andaluzia, que se optam por participar no processo eleitoral de 2 de dezembro, votem Nación Andaluza.

Viva o internacionalismo proletário!

Viva Andaluzia livre, socialista e feminista!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 16 de novembro de 2018

NÉSTOR KOHAN NA GALIZA PARA REFLETIR SOBRE A VIGÊNCIA E NECESSIDADE DO MARXISMO

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NÉSTOR KOHAN NA GALIZA PARA REFLETIR SOBRE A VIGÊNCIA E NECESSIDADE DO MARXISMO


No 200 aniversário do natalício de Karl Marx, convidado por Agora Galiza o inteletual marxista argentino participou em Compostela na iniciativa “Vigência e necessidade do marxismo para a Revoluçom Socialista”, programada para o segundo fim de semana de novembro.

Na terceira visita ao nosso país, -já tinha participado em 2008 e 2011 nas XII Jornadas Independentistas Galegas e num conjunto de palestras sobre Marx organizadas por Primeira Linha-, Néstor Kohan reivindicou a vigência do marxismo genuíno, do projeto revolucionário de Marx.

Na sexta-feira 9 de novembro às 19.30h, interviu numha palestra na aula 8 da faculdade de Geografia e História da USC, onde centro a sua intervençom na apresentaçom da antologia “Comunidad, nacionalismos y Capital. Marx 200 años”. Néstor Kohan debulhou a evoluçom teórica do autor do Capital sobre a denominada “questom nacional”

 

O livro é um compédio de textos inéditos de Karl Marx: “Crítica a List” -1845, Manuscritos 1861-1863, cadernos I e II, segundo rascunho de O Capital, Cadeno Kovalevsky -1879; com introduçom do vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, e Enrique Dusell, e vai acompanhado por um estudo preliminar de Néstor Kohan.

Sábado 10 de novembro Néstor Kohan impartilhou um curso de marxismo na sede nacional de Agora Galiza no quadro do 6° curso de formaçom política e ideológica de Agora Galiza, com sesosons de manhá e tarde.

Finalmente o meso sábado 10 de novembro, tuvo lugar umha ceia de confraternizaçom no restaurante Garum Bistró.

Agradecemos ao Néstor Kohan por ter contribuído a divulgar com mestria a vigência e necessidade do marxismo. Por ter ajudado à formaçom ideológica da militáncia da esquerda revolucionaria galega.
Obrigado camarada!

 

DADOS BIOGRÁFICOS DE NÉSTOR KOHAN
Néstor Kohan é um dos mais destacados inteletuais marxistas latinoamericanos. Compagina a reflexom teórica com um ativo compromisso sociopolítico.
Investigador do Instituto de Estudos de América Latina e o Caribe (IEALC), da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires [UBA].
Professor “Da teoria social de Marx à teoria crítica latinoamericana” na UBA, e coordenador da Cátedra Livre “Ernesto Che Guevara” [
www.amauta.lahaine.org]. Associadas ambas à editora Amauta Insurgente e ao Centro de Investigaçom em Pensamento Crítico [CIPEC: www.cipec.nuevaradio.org].

Comunicado nº 97: Aboliçom da prostituiçom e direitos e liberdades para as prostitutas

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Aboliçom da prostituiçom e direitos e liberdades para as prostitutas

A prostituiçom é umha das atividades lucrativas mais importantes da economia de mercado. Capitalismo, escravagismo, exploraçom e violência sexual comformam um todo.

A prostituiçom é umha das piores lacras do patriarcado. Eis polo que a aboliçom é a única alternativa realmente emancipatória e libertadora perante a sua despreciável realidade. A sua prática nom teria cabimento numha sociedade socialista de mulheres e homens livres.

Estrategicamente Agora Galiza, como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional, defende a aboliçom da prostituiçom.

Porém, é necessário adotar umha série de medidas táticas até a sua consecuçom, que combatam o proxenetismo e as máfias que traficam com mulheres e nenas, e paliem a atual situaçom que padecem a maioria das mulheres obrigadas a prostituir-se.

Proteger os direitos das prostitutas nom equivale a pretender institucionalizar esta brutal forma de violência patriarcal contra as mulheres.

A imensa maioria das mulheres dos prostíbulos da Galiza som imigrantes sem papéis, provenientes de América Latina, leste europeu e África ocidental, das que umha boa parte padecem formas de dominaçom similares ao escravagismo.

Afastados das posiçons moralistas e das torres de marfim da esquerda “caviar”, e de quem as considera delinquentes e aposta por estigmatizá-las e reprimí-las, Agora Galiza considera que a sua complexidade exige adotar medidas contra o proxenetismo e nom contra as prostitutas, implementando a legislaçom que proibe esta prática, como a clausura dos burdeis, proibiçom da sua publicidade nos meios de comunicaçom convencionais, proibiçom das associaçons empresariais que representam o setor, denúncia e penalizaçom dos utentes que consideram os corpos das mulheres como simples objetos, pura mercadoria que se compra e vende, investigar os vínculos económicos deste multimilionário negócio com os partidos políticos do regime, mas também campanhas de conscientizaçom nos centros educativos.

Aliás, e até atingir a sua plena e real aboliçom, que nom se logra por decreto, deve ser implementado um conjunto de medidas visadas para superar o seu desamparo no horizonte de lograr a reinserçom do coletivo de mulheres que contra a sua vontade -en muitos casos literalmente sequestradas polas máfias-, som submetidas a prostituir-se.

É necessário proteger a integridade física e os direitos e liberdades básicas de quem deseja deixar de exercer a prostituiçom mediante um plano viável de ajuda, formaçom e integraçom laboral.

Medidas que devem ser acompanhadas da concessom e permisso de residência, ajudas estatais, assessoramento laboral e legal gratuíto, assistência sanitária gratuíta.

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 22 de setembro de 2018

ZÉLTIA ENVENENOU DURANTE DÉCADAS COM LINDANO POVO TRABALHADOR DO VAL DA LOURINHA COM CUMPLICIDADE INSTITUCIONAL

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(Comunicado nº 2 de Agora Galiza da Lourinha)

ZÉLTIA ENVENENOU DURANTE DÉCADAS COM LINDANO POVO TRABALHADOR DO VAL DA LOURINHA COM CUMPLICIDADE INSTITUCIONAL

As instituiçons som o motel onde as empresas privadas e a casta política fam os seus suculentos negócios de costas ao povo.

O caso do lindano no Val da Lourinha é umha monstra de este proceder infame e criminal.
Há meses umhas obras desenterrárom parte do perigoso material tóxico, produzido durante décadas [1947-1964], na planta da empresa Zéltia, no polígono de Torneiros, em Porrinho.

Mais de 1.000 toneladas deste pesticida fôrom deliberadamente disseminadas na comarca, enterradas nuns terrenos municipais sobre os que foi construído em 1975 o polígono habitacional de vivendas sociais de Torneiros, e em 1990 um circuito de cicloturismo, tentando assim ocultar o gigatesco depósito de resíduos tóxicos.

A filtración do lindano nas águas também afecta o concelho de Mós.

A desinformaçom provocou que durante anos o lindano tenha sido confundido com caolim e portanto empregue na construçom de vivendas, e que mesmo o Concelho de Porrinho tenha asfaltado caminhos com este pesticida mortal.

Zéltia durante a ditadura fabricou o tóxico que se utilizou nos inseticidas que se comercializárom até praticamente finais da década de setenta, sendo posteriormente proibido o seu uso por ser cancerígeno por indicaçons da Organizaçom Mundial da Saúde [OMS].

É puro terrorismo do Capital ter construido vivendas de proteçom oficial desprezando a saúde do povo trabalhador e o meio ambiente.

Esta barbaridade leva condenando centos de trabalhadoras e trabalhadores que ali vivem à exposiçom de um produto cancerígeno dia após dia, provocando problemas muito graves de saúde. Há incluso famílias inteiras com doenças.

A lamentável situaçom em que vive a classe trabalhadora galega é um impedimento mais para muitos dos afectados na zona, que carecem dos meios económicos suficientes para poder abandonar o lugar e refazer a suas vidas.

Os alcaides Gonzalo Ordonhez Pérez e José Manuel Barros som responsáveis diretos por ter completado o traslado e soterramento deste veneno nos bairros operários do Porrinho e concelhos da contorna.

Mas o silêncio e ocultamento institucional continuou com os máximos responsáveis que ocupárom as Casas do Concelho, com estratagemas próprias de quem nom quere lidar com este problema. Tanto PP, como PSOE e BNG, mantivérom um cúmplice silêncio administrativo, umha prática de negaçom de informes e análises, de infravalorizar e subestimar a dimensom desta catástrofe.

A pataca quente do lindano é um problema que foi passando de corporaçom em corporaçom, e que por falta de valentia política ninguém se atreve a encarar.

Atualmente os respetivos governos municipais, no Porrinho encabeçado por Eva Garcia do PSOE, e em Mós por Nídia Arévalo do PP, nom só nom minimizam o problema, senom que incluso chegam a agravá-lo.

Há escasos dous meses voltou-se a repetir o mesmo sucesso no bairro de “O contrasto”, em Porrinho, quando as obras de saneamento efectuadas numha zona afectada destapárom o lindano, deixando-o ao ar livre, provocando a natural alarma na populaçom.

A alcaldesa solicitou desculpas assegurando que foi umha descoordenaçom do governo, como se isso fosse umha justificaçom suficiente quando está em perigo a saúde do povo trabalhador. Se tivesse um mínimo de decência Eva Garcia demitiria de imediato.

Nom estamos perante um simple despejo, é um envenenamento massivo feito com consciência por umha empresa que aplica a lógica perversa e depredadora do capital: procura do máximo lucro a custa de explorar a classe operária, desprezar a sua saúde e a das suas famílias, e destruir a natureza.

Nom há mais que lembrar o proceder destes criminais: movimento de camions aproveitando a noite, valados de vários metros para ocultá-lo, etc, e todo contando com a proteçom das instituiçons do regime postfranquista.

Este jeito de agir nom é exclusivo do Val da Lourinha, também está constatando que nom é um modo de proceder isolado.

A burguesia sempre encontra nas instituçons ajuda para socializar perdas, receber subsídios, usar terrenos públicos para facilitar os seus negócios, e em troques financiam os partidos sistémicos que agem como simples testaferros dos seus interesses de classe.

Atualmente é a vezinhança quem leva a iniciativa para que se adotem as medidas precisas e se arranje o grave problema de saúde que representa.

Tem que avaliar-se que consequências tivo para saúde dos afetados o contato direto com o pesticida, mas é urgente o encapsulado, retirada e limpeza de todas as zonas contaminadas, mas também determinar as responsabilidades politicas, jurídicas e económicas, evitando que se imponha a impunidade.

Agora Galiza respalda as reivindicaçons da vizinhança de Torneiros e do Contrasto, e exige que se depurem responsabilidades polílticas.

Nom só devemos movimentar-nos no terreno institucional com denúncias, as ruas som determinantes para evitar que a lousa do silêncio, do esquecimento e impunidade ganhe a batalha.

Os protestos populares devem ser protagonistas das luitas porque ja está demonstrado que a pressom é a única linguagem que entendem.

Agora Galiza da Lourinha

Na Lourinha, 28 de julho de 2018

INTERVENÇOM DE CARLOS MORAIS NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA

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INTERVENÇOM DE CARLOS MORAIS NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA

(Divulgamos discurso do camarada Carlos Morais no ato político convocado por Agora Galiza neste 25 de Julho, na praça 8 de Março, de Compostela.)

* * *

Por segundo ano consecutivo tenho a honra de intervir no Dia da Pátria convocado por Agora Galiza. Vou ser breve, mas muito claro!

Agora Galiza é a expressom organizativa de umha corrente sociopolítica cujas origens emamam das três derrotas concatenadas, padecidas nas últimas décadas, pola classe obreira e o conjunto do povo trabalhador.

Somos o resultado de três reveses consecutivos de caráter catastrófico, sem os quais nom é possível compreendermos a atual fase de refluxo e carência de perspetivas de vitória, que define a luita de classes que se desenvolve no nosso país e a escala internacional.

Fase de retrocesso e desmobilizaçom, de desarme ideológico, de abandono do imaginário simbólico, de incapacidade política para construir ferramentas de combate e defesa.

Derrota perante o fascismo em 1936. Na Galiza, no fatídico verao de há agora exatamente 82 anos, venceu o golpe militar promovido pola oligarquia e a Igreja católica com apoio das democracias liberais europeias. A causa da derrota foi a inaniçom e timoratismo das autoridades pequeno-burguesas republicanas, negando-se armar o proletariado e campesinhado por temor a que tomasse o poder. Com a queda da cidade de Tui no sul-ocidente, e da Gudinha no sul-oriente, a 27 de julho de 1936 Franco apodera-se da nossa naçom, dando início ao holocausto que eliminou fisicamente, ou forçou ao exílio, o melhor da nosa classe e do nosso povo.

A capitulaçom do reformismo perante a maquilhagem do franquismo na segunda metade da década de setenta, legitimando a monarquia bourbónica como pedra angular do novo regime, foi a segunda derrota que permite explicar boa parte dos acontecimentos em curso.

A definitiva implosom em 1991 da Uniom Soviética e simultánea vitória do imperialismo a escala mundial, foi a terceira severa grande derrota.

O triunfo do capitalismo na sua forma neoliberal, e o mundo unipolar da guerra permanente contra os povos, as mulheres e a classe trabalhadora, acelerou e radicalizou a ofensiva da burguesia contra os direitos, as conquistas e as liberdades, atingidas pola classe obreira em décadas de suor, sangue e lágrimas.

Obviar os letais efeitos das três derrotas consecutivas só nos conduz à derrota final.

E a pesudoesquerda institucional, tanto a espanhola como a autótone, praticam autismo político, pretendem agir com essa irresponsabilidade da mal denominada “normalidade institucional”.

Aparentam desconhecer essa realidade paralela onde som adotadas as decisons que afetam todo o referente às nossas vidas: os conselhos de administraçom, os jantares em reservados de luxo, os clubes secretos, as salas de bandeiras dos quartéis, as embaixadas das potências.

Decisons, que em forma de decretos-lei e resoluçons, som imediatamente implementadas polas cloacas, tanto as institucionais, como as opacas e ocultas.

Nom nos estranha, pois só pretendem situar as suas elites nos limitados espaços de gestom que lhe concede o sistema.

Na esquerda revolucionária galega estamos plenamente conscientes que nas três derrotas mencionadas, e na prática legalista e sistémica da mal chamada esquerda política e social, radicam as causas que facilitam a involuçom política que vivemos.

Camaradas, companheiras e companheiros: o panorama, nom o podemos negar, é dessolador.

Negá-lo, subestimá-lo ou coloreá-lo, é contrarevolucionário! Só contribui para impossibilitar encontrarmos os caminhos que facilitem criar as condiçons subjetivas que permitam a reorganizaçom, reconstruçom e rearme político e ideológico, sem o qual nom é possível superarmos o estado de amorfismo e disgregaçom do povo trabalhador e empobrecido da Galiza.

Nom nos podemos resignar a vivermos como escravos, nem a que nos roubem o nosso futuro e o das geraçons vindouras!

Todo o contrário, temos o dever e a necessidade de promovermos umha açom teórico-prática de insubmissom, de inconformismo e de rebeldia! Que ninguém se confunda. Nom arriamos as bandeiras, nom procuramos acomodo nem nos aggiornamos!!

A teoria marxista que nos guia, sempre em relaçom dialética com a experiência da luita de classes a escala global, esse fio vermelho condutor do que devemos apreender, tem-nos ensinando que nom existem atalhos.

A saída e as alternativas à perda permanente de direitos e liberdades, nom se acha em urnas e aritméticas parlamentares, em referendos e movimentos transversais interclassistas e pacifistas, incapaces de quebrar com o supersticioso respeito com a lógica liberal.

A saída nom a vamos encontrar na gestom das instituiçons do inimigo.

Tampouco a vamos encontrar em articular anémicos e desnutridos espaços de convergência de todas as expressons da nova socialdemocracia, do eurocomunismo e das diversas metafísicas post, tampouco em agir de satélites do reformismo autótone, circunflexo e incapaz de superar o minimalismo acomplexado do soberanismo de fim de semana.

A conquista do futuro passa pola tomada do poder. E este só se logra empregando, utilizando, ensaiando as vias que conduzirom aos avanços e saltos qualitativos da humanidade explorada e oprimida ao longo da história. Nada temos que inventar. Só necessitamos manter o rumo, agir com criatividade e firmeza ideológica.

Seguir transmitindo que é viável reformar este regime, que é possível regenerá-lo e democratizá-lo, é o melhor favor que lhe podemos fazer à oligarquia criminal, à máfia burguesa e aos seus testaferros políticos.

Identificar e reduzir o inimigo à organizaçom criminal denominada PP, é simplesmente enganar o povo trabalhador.

Gerar expetativas entre a classe obreira no governo de Pedro Sánchez é umha monumental estafa.

Gerar ilusons no governo do PSOE é continuar receitando analgésicos que só paliam momentaneamente a dor, mas nom permitem a cura.

Nestes dous meses de governo postPP, o PSOE deixou bem claro que é umha das colunas medulares do postfranquismo. Mais alá da retórica, dos gestos, do estilo, é um governo ao serviço do Ibex 35, da UE do Capital, do FMI, e pregado ao imperialismo ianque.

Pedro Sánchez submeteu-se perante Trump, comprometendo-se aumentar os gastos militares!

Pedro Sánchez pregou-se perante a oligarquia nom publicando a lista da amnistia fiscal!

Pedro Sánchez pregou-se perante o filho do caçador de elefantes, impossibilitando investigar um segredo a vozes. A fortuna dos Bourbons é resultado da depredadora praxe comisionista do conhecido cliente de lupanares de luxo.

Que importa que o número de ricas no conselho de ministros seja maior que o número de ricos?

Que importa a orientaçom sexual do novo chefe do aparelho da repressom?

A realidade é que Borrell colocou de embaixadores toda a equipa do Ministério de Assuntos Exteriores do PP, e que o PSOE vai proseguir com a política chauvinista e supremacista que só procura a plena assimilaçom da Galiza e das naçons oprimidas, porque aqui radica a chave da exploraçom e dominaçom capitalista no Estado espanhol.

Mas nada do que está acontecendo surpreende a esquerda socialista, feminista e patriótica galega.

Eis polo que denunciamos o grave erro de ter anulado a greve geral que o sindicalismo galego tinha convocada para 19 de junho.

Eis polo que nom confiamos o mais mínimo, nem damos margem algum a um governo que só vai aumentar a resignaçom, desencanto e frustraçom, ingredientes imprescindíveis para agir de caldo de cultivo do fascismo.

Sim, camaradas, companheiras e companheiros, amigas e amigos, o plano B que maneja o bloco de classes dominante espanhol é umha involuiçom reacionária, umha saída autoritária do regime perante a sua falta de legitimidade e a multicrise que o carcome.

Um novo tipo de fascismo que assegure a unidade territorial do mercado chamado Espanha, e discipline com maior rigor a força de trabalho.

A bandeira e o imaginário do nacionalismo espanhol é elemento destacado desta estratégia em que a Coroa é o eixo central.

Eis polo que a disjuntiva PP ou PSOE é um engano!, eis polo que converger com alternativas socialdemocratas 2.0, ou com forças pseudosoberanistas bem instaladas nas prebendas do sistema, está descartado por Agora Galiza.
Nom temos cordom umbilical com ninguém nem estamos dispostos a ser satélites de ninguém.

Somos umha força socialista e independentista, umha força que leva impregando no seu ADN a emancipaçom da mulher, nom como moda nem como elemento decorativo.

Queremos derruvar o regime de 78, construir na Galiza umha sociedade socialista de mulheres e homens livres e emancipados, um país sem machismo nem patriarcado, solidário com todos os povos do mundo.

É isto só é possível luitando em todos os ámbitos. No plano ideológico, no político, no social, no cultural e no simbólico.

Confrontar, deslindar, organizar e acumular som os nossos eixos. Poderemos demorar anos ou décadas, mas estamos convencidos que este é o único caminho.

Quem com sinceridade e honestidade esteja disposto a construir um espaço de luita visado para dar xaque ao regime de 78, levantando umha muralha antifascista, nom para defender a democracia liberal burguesa e sim a alternativa da República Socialista Galega, sabe que estamos prontos para contribuir a dar-lhe forma e conteúdo.

A ameaça laranja, a viragem de extrema-direita do PP, os desacomplexados e descarados movimentos táticos do franquismo hegemónico no aparelho judicial, do falangismo que domina o relato dos meios de [des]informaçom burgueses, das forças repressivas, da administraçom, do exército, é umha realidade incontestável.

Olhar para o lado, como se nada passasse, é umha irresponsabilidade que já pagamos muito cara na década dos anos trinta e quarenta.

Neste Dia da Pátria de 2018, com a imprescindível solenidade que a causa require, mas com toda a modéstia e humildade revolucionária, apelamos para sentar as bases para levantar um bloco popular antifascista, dotado de um programa anticapitalista e anti-imperialista.

Até a vitória sempre!
Viva Galiza ceive!
Viva Galiza feminista!
Viva Galiza Socialista!
Viva a Revoluçom Galega!