Comunicado nº 67: Solidariedade ativa com a luita pola liberdade e independência da Catalunha.

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Solidariedade ativa com a luita pola liberdade e independência da Catalunha

Hoje o Estado espanhol deu um salto qualitativo na repressom contra os direitos fundamentais da Naçom catalana e contra a vontade maioritária do seu povo trabalhador.

O governo do PP, com apoio das principais forças sistémicas [PSOE e C´s], e os brindes ao sol do populismo socialdemocrata sob o fraudulento carimbo de “nova política”, implementou um conjunto de medidas repressivas saldadas com a detençom de 14 responsáveis do governo da Generalitat, e o assalto à sede central da CUP em Barcelona.

Esta escalada repressiva do regime oligárquico espanhol contra as instituiçons autónomas catalanas, e contra as forças independentistas, constata a firme determinaçom do governo de Mariano Rajói de impossibilitar que 1 de outubro o povo catalám poda exercer o direito de autodeterminaçom.

As medidas repressivas em curso som um golpe de estado contra Catalunha. A suspensom de facto da autonomia catalana é umha realidade, e a aplicaçom do estado de exceçom irá-se endurecendo em funçom do nível de resistência e capacidade de luita do povo trabalhador catalám.

A medida que se aproxima a “hora dos fornos” o Estado espanhol monstrará sem complexos a sua natureza autoritária e repressiva como regime continuador da ditadura fascista. Se as forças policiais e judiciais nom logram parar para o processo em curso, Espanha nom duvidará em empregar os tanques para esmagar a revoluçom nacional-democrática em marcha na Catalunha.

O ilegítimo regime do Ibex 35, sob a tutelagem da UE e da NATO, sabe que a proclamaçom da República catalana provocará umha ferida mortal na segunda restauraçom bourbónica. Eis polo que vai empregar todos os meios dos que dispom para evitá-lo!

Porém, nom nos surpreende o que agora mesmo está passando na Catalunha, pois constata as limitaçons intrínsecas de um processo independentista que deposita a sua vitória nas urnas, atrapado no fetichismo democraticista, no legalismo institucional, carregado de enormes doses de ingenuidade, dirigido pola pequena e mediana burguesia nacional.

Só a luita popular maciça, dirigida pola classe operária, pode assegurar a vitória para proclamar umha República catalana.

Apelamos ao povo trabalhador galego a participar nas mobilizaçons solidárias com a Catalunha que hoje se desenvolverám nos principais núcleos urbanos do nosso país.

Apelamos à importante comunidade galega na Catalunha a participar ativamente nas mobilizaçons em defesa dos direitos nacionais cataláns e contra a repressom espanhola.

Hoje, o independentismo socialista e feminista galego, transmite a sua profunda solidariedade internacionalista com a luita catalana. A sua vitória também é a nossa vitória, a do conjunto dos povos do mundo.

Visca Catalunha lliure, feminista e socialista!

A luita é o único caminho!

Até a vitória sempre!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 20 de setembro de 2017

SOLIDARIEDADE PERANTE A REPRESSOM AO MOVIMENTO INDEPENDENTISTA CATALÁM. A AUTODETERMINAÇOM É UM DIREITO DOS POVOS.

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COMUNICADO CONJUNTO DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA.

 

À medida que se aproxima 1 de outubro, dia de celebraçom do referendo na Catalunha, a escalada repressiva por parte do Estado espanhol e as suas forças no ámbito político, judicial, policial, informativo, vai em aumento.

Às ameaças pessoais a mais de 700 alcaides e alcaidesas eleitas, assim como a Deputad@s do Parlamento autonómico e a funcionários, tem seguido a clausura de páginas web que davam informaçom sobre el referendo, o registo de locais públicos buscando urnas, o registo de tipografias para impedir que se imprimam as listas eleitorais e as papeletas de votaçom, incautaçom de propaganda, a proibiçom de atos públicos, as ameaças anónimas e públicas a dirigentes da CUP.

Perante esta situaçom as organizaçons políticas baixo assinadas queremos manifestar:

  • A utilizaçom do poder judicial espanhol na escalada repressiva deixa em evidência o seu caráter subordinado aos interesses políticos da oligarquia, atuando como muro de contençom das demandas populares e deixando ao descuberto a sua vinculaçom com o franquismo sociológico e ideológico. A separaçom de poderes nunca existiu no Estado espanhol. A ausência de uns mínimos democráticos no Estado aparece agora como umha realidade cada vez mais contrastável e contratastada.

  • Consideramos que a carência de liberdades básicas neste Estado nos translada a um cenário que se amplia mais alá do Direito a decidir dos povos. Estamos num cenário de luita pola independência do povo catalám que entronca com a defesa das já mermadas liberdades básicas, entre las que se acham o direito de reuniom, o direito de manifestaçom, o direito de opiniom e o direito dos povos à autodeterminaçom. A luita nom se pode circunscrever exclusivamente ao território catalám. Catalunha é a ponta de lança da luita popular polas liberdades coletivas e individuais da classe trabalhadora e dos povos submetidos ao jugo do Estado espanhol.

  • Expressamos a nossa repulsa perante o aumento da repressom do Estado, cujas práticas coercitivas contra a populaçom para impedir o direito à autodeterminaçom do povo catalám som inadmisíveis em qualquer Estado que queira situar-se nuns parámetros minimamente democrático-burgueses. O Estado espanhol, apoiado por partidos e inteletuais espanholistas, está aplicando de facto o estado de exceçom sem atrever-se a declará-lo oficialmente.

  • A proposta da pseudoesquerda espanhola -tam pouco “ruturista” como muito chauvinista- por promover umha saída negociada de caráter institucional entre a Generalitat e o Governo espanhol mendiante um inverosímil “referendo patuado” é umha artimanha que tam só pretende ganhar tempo para evitar o exercício do direito de autodeterminaçom da Catalunha e desmovimentar ao seu povo. Os direitos conquistam-se luitando, nom se adquirem pola “benevolência” dos opressores.

  • O direito à autodeterminaçom é um direito irrenunciável dos povos. Entendemos que a repressom do Estado vai encaminhada a violentar este direito que poria em xaque o Regime do 78, a monarquia bourbónica como garante e o Estado espanhol como quadro de acumulaçom de capital, e abriria um caminho que outras naçons poderiamos transitar num futuro próximo.

  • Também expressamos com rotundidade a nossa solidariedade com o povo catalám e com a CUP, sublinhando a legitimidade do próximo Referendo de autodeterminaçom do dia 1 de outubro, e a nossa defesa de um resultado positivo que abra o caminho face umha Catalunha independente que permita a libertaçom dos Países Cataláns.

Abaixo o imperialismo!

Viva Catalunha livre!

Pola independência dos povos e um mundo socialista!

20 de setembro de 2017

AGORA GALIZA [Galiza]

BOLTXE [País Basco]

COMUNISTAS DE CASTILLA [Castela] 

INICIATIVA COMUNISTA [Estado espanhol] 

NACIÓN ANDALUZA [Andaluzia]

PLATAFORMA LABORAL E POPULAR [Portugal]

COMUNICADO nº 66: AMEAÇAS ESPANHOLAS NOM LOGRARÁM FREAR A DECISOM DO POVO CATALÁM DE EXERCER O SEU DIREITO DE AUTODETERMINAÇOM.

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AMEAÇAS ESPANHOLAS NOM LOGRARÁM FREAR A DECISOM DO POVO CATALÁM DE EXERCER O SEU DIREITO DE AUTODETERMINAÇOM

Perante as ameaças de hoje do fiscal geral do Estado contra a Catalunha e o seu direito inalienável a exercer a autodeterminaçom, garantindo umha atuaçom “firme e enérgica” em defesa da “pátria comum e indivisível”, é necessário apoiar abertamente a independência da Catalunha, luitar na Galiza por idêntico objetivo, e dar umha resposta coordenada de todas aquelas forças independentistas e revolucionárias que promovemos a liberdade das naçons oprimidas para construirmos repúblicas socialistas e portanto a destruiçom do regime postfranquista.

Porém, em plena ofensiva fascista do Estado espanhol contra a Catalunha, e em menor medida com o resto das naçons oprimidas; em plena aceleraçom do processo de centralizaçom política, económica, cultural e simbólica de um Estado herdeiro direto da ditadura franquista, a posiçom da “esquerda” institucional na Galiza sobre a situaçom em curso, é simplesmente patética.

Nom nos surpreende à esquerda independentista e socialista galega que o PSOE feche fileiras com o Estado, nem que o seu líder defenda a unidade indivisível de Espanha, empregando formulaçons confusas e disparatadas como “naçom de naçons”. Em realidade coincidem com o PP na defesa da Espanha excluínte e uniformizadora, simples cárcere de povos. Necessitam “diferenciar-se” formalmente do PP por simples cálculos eleitorais.

Tampouco que o BNG siga aspirando a um “bom” encaixe da Galiza em Espanha e que inície o curso político reclamando umha comissom parlamentar para estudar como “superar o atual quadro autonómico” “escuitando à sociedade e o resto de propostas das outras forças políticas”. Puro exercício de metafísica em consonância com a sua tradicional linha autonomista acomplexada.

E nem falar e ainda menos reclamar a independência e soberania nacional como a única alternmativa viável para solucionar os problemas do povo trabalhador galego e evitar a nossa assimilaçom como naçom!

E ainda menos o triunfalismo de Anova proclamando a morte do “regime da Restauraçom Bourbónica e a sua fórmula autonómica”, a “descomposiçom definitiva dum regime construído desde cima” e lindezas similares, quando forma parte de um movimento político com pulsons e práticas unitaristas e claramente funcional na recomposiçom do regime que no ámbito retórico questiona. Falar nom tem cancelas!.

Agora Galiza manifesta novamente o seu apoio incondicional ao irmao povo trabalhador da Catalunha, e em particular aos setores mais rebeldes e combativos organizados na CUP, na sua decidida luita por recuperar a soberania conculcada pola monarquia bourbónica e o seu direito a proclamar unilateralmente a República Catalana.

A liberdade dos povos nom se negoceia, a rebeliom é um direito universal que só se atinge exercendo-o sem complexos e com coragem.

A melhor contribuiçom que desde a Galiza podemos fazer à luita pola independência da Catalunha é seguir avançando na reconstruçom do independentismo revolucionário de orientaçom socialista e e feminista.

Visca Catalunya lliure e socialista!

Viva Galiza ceive e socialista!

Na Pátria, 4 de setembro de 2017

COM A CATALUNHA E O SEU DIREITO INALIENÁVEL À INDEPENDÊNCIA NACIONAL. NEM TERRORISMO YIHADISTA, NEM TERRORISMO IMPERIALISTA.

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[COMUNICADO INTERNACIONALISTA CONJUNTO DE APOIO À CUP]

COM A CATALUNHA E O SEU DIREITO INALIENÁVEL À INDEPENDÊNCIA NACIONAL

NEM TERRORISMO YIHADISTA, NEM TERRORISMO IMPERIALISTA

Após o ataque terrorista que sufriu a Catalunha estes passados dias, as organizaçons abaixo assinantes queremos exprimir:

O nosso total rejeitamento e indignaçom contra o ataque e ao mesmo tempo, a nossa mais profunda solidariedade com todas as vítimas e com o Povo da Catalunha, quem deu umha resposta exemplar de firmeza perante esta terrível agressom.

A organizaçom terrorista Daesh, quem tem reivindicado o ataque, nom representa nem aos musulmanos nem aos povos do Médio Oriente, nem a nengum povo do mundo. O Daesh é um exército mercenário criado, financiado e armado polas potências imperialistas e os seus Estados aliados do Golfo Pérsico com o fim de desestabilizar países como o Iraque e a Síria, servindo portanto aos seus interesses geoestratégicos na regiom: destruir qualquer movimento de oposiçom e resistência aos seus planos de controlo e apropriaçom de recursos energéticos e minerais, à colonizaçom de Estados soberanos e à destruçom maciça de povos inteiros.

O fenómeno do terrorismo yihadista alimenta-se da crise capitalista a nível mundial. A pobreza, a marginalizaçom e a exclusom social som o perfeito caldo de cultivo para o desenvolvimento do integrismo religioso e o fascismo.

Rejeitamos qualquer tentativa do Estado espanhol -aliado do imperialismo e amigo dos Estados diretamente implicados na origem do Daesh- em utilizar estes terríveis atentados para cercenar a vontade maioritaria do pueblo catalám favorável à independência nacional, para militarizar as nossas sociedades e atacar as já de por si raquíticas liberdades e direitos democráticos com novas medidas de exceçom de caráter repressivo.

Condenamos igualmente qualquer tentativa de criminalizar à populaçom de origem árabe, magrebi ou musulmana, sinalando-as como culpáveis, argumento mui recurrido polas forças políticas e sociais reacionárias, quem aproveitam a dor das vítimas e o impacto social dos ataques para sementar a sementea do ódio racial e a xenofobia.

A melhor resposta ao fascismo é a mobilizaçom e unidade obreira e popular. É necessário desmascarar às forças do regime postfranquista interessadas em alimentar estes cenários de caos para disciplinar e confundir os nossos respetivos povos trabalhadores e reforçar o seu projeto assimilacionista.

O terrorismo yihadista é umha peça mais do terrorismo imperialista, dos planos colonialistas e expansionistas emanados da guerra global contra os Povos cenificada no ignominioso acordo selado em 2003 nas ilhas Açores.

O terrorismo yihadista combate-se cortando qualquer laço com os Estados que o alimentam, impedindo a venda de armas e as relaçons comerciais com esses Estados tam bem relacionados com a coroa espanhola, abandonando a OTAN e todos aqueles organismos e acordos internacionais de caráter imperialista, e avançando na libertaçom dos nossos respetivos povos.

É também essencial combate-lo desde o apoio decidido à aliança antiterrorista do eixo da resistência que hoje está combatendo o Daesh sobre o terreno. Desde o Líbano, a Síria e o Iraque, o inimigo ve-se acurralado e aleteia o seu desespero sobre o Povo da Catalunha. A sua derrota está perto.

A solidariedade entre os Povos, a luita pola rutura com o regime do 78 para configurar sociedades sem exploraçom nem opressom, e a defesa intransigente à liberdade das naçons oprimidas, é a melhor arma contra a barbárie do imperialismo e o seu frankestein, o terrorismo yihadista.

As organizaçons abaixo assinantes, promotoras do Manifiesto Internacionalista de Compostela, queremos manifestar a nossa solidariedade e apoio à CUP pola sua coerente linha política em defesa do povo trabalhador da Catalunha, concretizada na sua firme oposiçom a participar nos falsos consensos e políticas de conciliaçom promovidas polo regime, por desmascarar à OTAN e ao imperialismo como promotores do terrorismo yihadista, por denunciar taxativamente a tentativa de apropriaçom e manipulaçom dos sentimentos do povo trabalhador catalám pola monarquía bourbónica.

Nom ao fascismo do Daesh!
Nom ao imperialismo!
Viva Catalunha livre!
Pola independência dos povos e um mundo socialista!

21 de agosto de 2017

AGORA GALIZA [Galiza]
BOLTXE [País Basco]
COMUNISTAS DE CASTILLA [Castela]
INICIATIVA COMUNISTA [Estado espanhol]
NACIÓN ANDALUZA [Andaluzia]
PLATAFORMA LABORAL E POPULAR [Portugal]

MONCHO REBOIRAS, Imo 1949- Ferrol 1975. Biografia de um guerrilheiro comunista do nosso tempo

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[MEMÓRIA DA GALIZA REBELDE]
A cinco dias da homenagem de Agora Galiza a Moncho Reboiras, publicamos a biografia do combatente revolucionário galego editada em agosto de 2009 polo Capítulo Galiza do Movimento Continenta Bolivarinao [MCB]

MONCHO REBOIRAS
Imo 1949- Ferrol 1975
Biografia de um guerrilheiro comunista do nosso tempo

“Que importa que nos matem se deixamos semente de vencer”

A noite cobreu-se de bolboretas roxas
que se queimárom no lume de agosto

As palavras dos labregos galegos
ficárom quietas no ar
quando as bateladas de lume
emoureciam medas e colheitas.
As sombras da noite pousárom-se
sobre os lousados de Ferrol.
E ti, meu capitám,
corrias c’o valor de todo’los galegos
agachado no teu peito destemido.

E detrás de ti, meu capitám
os cans fascistas, entolecidos
carrajentos,
co’as babalhas do imperialismo mais feroz
chamando polos cás
de todo’los impérios anacrónicos.

Os obreiros galegos tivérom que vender
a sua força de trabalho
polas esmolas que mandavam
os donos dos cás de Espanha.

Ouh, meu capitám.
ouh José Ramom Reboiras,
com o ferro de todos os punhais e coitelos,
de todos os fusis e dos canhôs
sobor do teu coraçom
galego, apaixonado e generoso.

Que silêncio nas ruas mentres
a soidade de todos os galegos
se fechava nos teus olhos
e o lume de agosto caía
em carambos dos cás
-c’o seu coraçom ateigado
de medo e cobardia-
ouveando carrage,
rodeárom-te frente ao portal
multiplicando-se em centos por minuto,
saindo de toda’las coveiras da cidade,
já enloitada,
temendo-lhe a tua indomável valentia,
cismando nas medalhas podres
que adornariam o seu peito assassino,
a sua consciência sinistra
de enterradores do Povo Galego
e dos seus militantes mais valentes.

Lois Diéguez, Companheiro Moncho, 12 de Agosto de 1977

José Ramom Reboiras Noia, popularmente conhecido como Moncho Reboiras, embora em diversas etapas da sua curta mais intensa trajetória vital também fosse conhecido polas alcunhas de Pelinhos, Licho e Rianxo, nasceu 19 de janeiro de 1950, na aldeia de Imo, freguesia de Sam Joám de Lainho, do concelho de Dodro, na zona mais ocidental da comarca de Compostela, no seio de umha família labrega.
Estudou Educaçom Primária na escola unitária de Imo e, como todo neno do rural daquela época, também tivo que ajudar nas tarefas agrícolas.

Moncho Reboiras nasce num período em que ainda está viva a atividade da guerrilha galega que durante umha longa década combateu de forma eficaz e organizada a ditadura fascista imposta no nosso país após o golpe de estado do 18 de julho de 1936, que tingiu de sangue as valetas da Pátria e converteu a Galiza num imenso campo de concentraçom.

Numha etapa caraterizada pola miséria generalizada em que sobreviviam as imensas massas populares, a emigraçom continuava a ser a única alternativa para fugir da pobreza e o atraso a que o capitalismo espanhol condena o povo trabalhador galego.

O fim da década de cinqüenta é expetador do discreto novo abrolhar da consciência nacional da mao de reduzidos núcleos da juventude pequeno-burguesa, e da tímida reorganizaçom do movimento operário após a liquidaçom física, vinte anos antes, da musculatura das forças políticas e sindicais obreiras pola implacável repressom fascista.

O VIGO DOS SEUS PRIMEIROS ANOS

Com tam só nove anos, José Ramóm Reboiras emigra com toda a família para Vigo, à procura de umha vida melhor. José e Generosa instalam-se no bairro operário de Teis, na maior cidade do sul da Galiza e com os aforros logram abrir um negócio de hotelaria, o bar Noia, “Vinhos e comidas. Café express”.
Tanto Moncho como o seu irmao Manuel, um ano mais novo, ajudam a sua mae a levar o negócio, estabelecendo de imediato relaçom directa com o ambiente obreiro e a sua crua realidade. A composiçom eminentemente proletária da clientela do estabelecimento devia-se a que estava encravado à beira do estaleiro Vulcano e das instalaçons dumha empresa de construçom civil.
Porém, as dificuldades socioeconómicas persistem, provocando que o pai se veja obrigado a embarcar em mercantes e petroleiros noruegueses, para contribuir na mantença da família.

Todas as crónicas coincidem em definir o jovem Moncho como um rapaz responsável, trabalhador, estudante aplicado, um jovem que gostava do desporto e que sempre mantivo grande curiosidade pola realidade social em que estava inserido.
Com quinze anos, quando estudava Ensino Secundário no instituto Santa Irene, tem a sua primeira experiência no mundo proletário, trabalhando de peom na construçom civil por um breve período.

Em Castrelo de Minho, a recém criada Uniom do Povo Galego (UPG), da que será um destacado dirigente anos depois, promove a oposiçom labrega à construçom da barragem de Fenosa, no que é um dos primeiros episódios de oposiçom organizada ao regime.
Nesse mesmo ano, às 11.30 horas de 10 de março de 1965, caía abatido polas balas espanholas da Guarda Civil o último combatente em ativo da resistência armada antifascista. José Castro Veiga “O Piloto”, com cinqüenta heróicos anos às costas, morria à beira da barragem de Belesar, nas proximidades de Chantada, armado e identificado com o seu cartom do Exército Guerrilheiro da Galiza.

OS PRIMEIROS COMPROMISSOS

É pois na segunda metade da década de sessenta quando o adolescente Moncho Reboiras, da mao do jesuíta Padre Jaime Seixas, entra em contato com o emergente tecido cultural galego. Primeiro na associaçom cultural O Castro, participando em atividades cristás progressistas de fim de semana, onde por meio do idioma perseguido descobre a Naçom negada, e posteriormente na Associaçom Cultural de Vigo, principal ferramenta organizativa da incipiente esquerda nacionalista na cidade olívica.

A onda ascendente de luitas operárias e populares que denunciam, desafiam e combatem a ditadura fascista provocam que em 1969 seja decretado o estado de exceçom.
É precisamente neste ano quando os irmaos Reboiras, José Ramom e Manolo, entram na primigénia UPG, umha organizaçom política nacionalista de matriz marxista, mas cumha composiçom maioritariamente pequeno-burguesa, discurso interclassista e umha orientaçom marcadamente culturalista.

As primeiras tarefas políticas do jovem ativista continuam centradas na Associaçom Cultural de Vigo, basicamente na captaçom de nova militáncia mediante o imprescindível proselitismo que aproxime juventude junto do movimento de libertaçom nacional. Moncho, desde o primeiro momento, destaca polo seu compromisso, constáncia e perserverança, por querer aprender e devorar conhecimentos, por superar-se permanentemente, polas suas dotes organizativas e de direcçom, mas também por dar um giro político e ideológico à UPG.

Porém, continua a participar activamente nas iniciativas da associaçom. Em Julho de 1973, sob o pseudónimo de Ken Sabe, publica o poema intitulado Berra Nom, que reproduzimos integralmente.

Quando os fortes te assovalhem fazendo os ricos mais ricos
e te bailem ao seu som fai-te ouvir e berra nom!
quando estejas aldrajado Mentres haja cobiçosos
fai-te um homem e berra nom! que assovalhem por ter dom,
Quando vejas os “bons homens” enquanto haja que ajoelhar-se
roubando pior que ladrons, fai-te ouvir e berra nom!
quando vejas a injustiça, Enquanto vejas homens rindo
fai-te um homem e berra nom! por dentro chorar com a dor,
Enquanto vejas semelhantes à sociedade em que vives
trabalhar de sol a sol berra-lhe, di-lhe que NOM!

Rapidamente, da mao do marxismo, toma consciência da opressom nacional que padece a Galiza e da exploraçom a que se vê submetido o povo trabalhador e, portanto, da necessidade de construir o partido revolucionário galego para organizar e promover a libertaçom nacional e a emancipaçom de classe.

Simultaneamente, realiza estudos na Escola de Engenharia Industrial em Vigo, compaginando bom expediente cumha ativa participaçom nas reivindicaçons estudantis, incorporando sem complexos e com decisom a defesa intransigente do idioma galego frente ao espanholismo hegemónico nos ativistas ligados às organizaçons políticas reformistas e estatalistas. Neste centro participa na fundaçom da revista Des…tornillo’, de clara orientaçom nacionalista.

Finalizados com sucesso os estudos na faculdade, logra realizar como bolseiro práticas de engenharia no estaleiro Barreras, de onde é rapidamente expedientado e expulso polo seu compromisso militante de agitador e organizador. O jovem Moncho participa ativamente nas mobilizaçons e combates de rua da greve geral viguesa de Setembro de 1972.
Posteriormente, trabalha na fábrica Álvarez de Vigo, antes de se mudar por razons de saúde, -tinha sido operado de pleura-, primeiro para Ferrol, incorporando-se a Astano, e logo para a Corunha onde compagina o seu compromisso militante com o trabalho de obreiro em Intelsa.
Nesse ano, tem que realizar no quartel de Figueirido o serviço militar obrigatório.

JOVEM EXPERIMENTADO DIRIGENTE REVOLUCIONÁRIO
A precariedade e falta de meios humanos nesta etapa do movimento de libertaçom nacional galego provoca que a nova geraçom militante supra estas carências com ilimitadas doses de abnegaçom e entrega entusiasta. Moncho Reboiras é paradigma desta heróica empresa que logra em poucos anos, a base de sacrifícios e disciplina, ultrapassar os enormes obstáculos.
Entre 1972 e 1975, esta fornada combatente consegue evitar a destruiçom do nosso povo, sentando os parámetros das bases fulcrais para que, entre enormes contradiçons, avanços e derrotas, na Galiza de hoje o seu exemplo continue vivo no projeto estratégico da esquerda revolucionária independentista e noutras forças patrióticas.

As luitas operárias de Março de 1972 em Ferrol, saldadas com o assassinato de Amador Rei Rodrigues e Daniel Niebla Garcia e dúzias de feridos de bala pola repressom policial, e posteriormente a greve que em Setembro desse mesmo ano, abrange quase trinta mil trabalhadoras e trabalhadores da comarca de Vigo, é um ponto de inflexom no desenvolvimento da luita contra a ditadura e na recomposiçom da vanguarda nacional e operária.
A UPG, da mao da geraçom de Moncho, dá passos firmes, embora insuficientes, na superaçom do culturalismo nacionalista de partido-frente, no objetivo de se transformar num partido revolucionário comunista.

Um novo contingente de jovens operários incorpora-se à organizaçom fundada em 1964, facilitando a sua expansom territorial e basicamente a sua introduçom na classe trabalhadora. No quadro desta concepçom de organizaçom de vanguarda, a UPG impulsiona a criaçom de frentes de intervençom, além da cultural que já vinha desenvolvendo no associacionismo em defesa da língua e da cultura nacional.

Tal como o jovem dirigente revolucionário afirma no Terra e Tempo, vozeiro da UPG “Pola necessidade de criarmos um fortíssimo bloco nacional-popular que enquadre todas as forças politicamente antifascistas e antioligárquicas que poda dar a batalha ao regime assassino que nos aferrolha e que poda conseguir o triunfo final do povo galego sobre os seus inimigos: o fascismo e a oligarquia espanhola” esta organizaçom promove em maio de 1975 -tam só três meses antes do seu assassinato- a constituiçom de umha plataforma política interclassista e assemblear com vocaçom de instrumento constituinte e coordenador do processo de superaçom do franquismo e de autodeterminaçom nacional: a AN-PG (Assembleia Nacional-Popular Galega).
Seguindo esta estratégia, promove os “germes sindicais” que em 1973 se transformam em Frente Obreira para, em maio de 1975, darem lugar à criaçom do Sindicato Obreiro Galego (SOG), como a fusom de diversos sindicatos setoriais do ensino, saúde, banca e trabalhadores do mar; as Comissons Labregas (CCLL) como continuidade dos Comités de Ajuda à Luita Labrega (CALL); e ERGA (Estudantes Revolucionários Galegos) como frente estudantil.

PROMOTOR DA FRENTE CULTURAL.

A coordenaçom e coesom do ronsel de organizaçons culturais ligadas à esquerda nacionalista foi em parte resultado do ingente trabalho organizativo de Moncho Reboiras. Ele, com tam só vinte e três anos, é o artífice da importante reuniom decorrida na sacristia da igreja de Sam Martinho de Noia um domingo do Verao de 1973, que dá lugar à criaçom da Frente Cultural da UPG e à posta em andamento de iniciativas conjuntas como a revista Irmandinho.

O SINDICALISMO NACIONAL E DE CLASSE

Moncho Reboiras foi determinante no processo de proletarizaçom da UPG e introduçom do movimento de libertaçom nacional no mundo operário, até esse momento sob a hegemonia do reformismo espanholista, basicamente do PCE.
Em Vigo, após a greve de Setembro de 1972, tenta a aproximaçom de nucleos proletários da recém criada Organizaçom Obreira à Frente Obreira.
Já na Corunha, a inícios do Verao de 1973, no mês de Junho, é co-autor do importante documento “Rascunho provisório para discutir sobre as bases de umha organizaçom dos trabalhadores assalariados a nível sindical”, embriom do que posteriormente foi o SOG como antecedente da ING-INTG-CIG.
Nesta cidade, consolida umha estrutura mínima à volta da publicaçom Xerme: Também estivo em Ferrol, trabalhando num primeiro momento numha empresa auxiliar de Bazán, para exercer de eletricista em Isolux Naval, umha subcontrata do estaleiro Astano.
Moncho Reboiras foi determinante na construçom dum movimento sindical genuinamente galego, com o centro de gravidade na estrutura de classes da Galiza e comprometido com as necessidades e reivindicaçons específicas da classe trabalhadora galega.

ORGANIZADOR COMUNISTA

A sua juventude era compensada cumha dedicaçom plena aos labores da Revoluçom Galega. Moncho Reboiras cumpriu um papel essencial na estruturaçom da UPG em diferentes regions da Galiza, na coesom e unidade interna do movimento soberanista em plena expansom. Assim, a sua intervençom direta no conflito foi vital para frustar umha tentativa de cisom em ERGA a inícios de 1973.
Chegou a ser um experimentado mestre da arte da luita clandestina e conspirativa. Demonstrou sempre grande habilidade para nom ser apanhado polos aparelhos repressivos do regime fascista, pola temida polícia política, a BPS (Brigada Político Social). Deste jeito, conseguiu sempre safar-se da detençom e da tortura, embora quando realizava o serviço militar tivesse sido interrogado em 1972 polo temido Waldo Mazaira, o chefe policial de Vigo naquela altura.

Em Janeiro de 1973, cai em Cangas do Morraço parte do aparelho de propaganda que contribuira para criar. É incautada a multicopista, mas a militáncia ligada a esta estrutura consegue refugiar-se em Paris e no norte de Portugal.
Em abril de 1974, após um confronto armado com a Guarda Civil nos montes de Monforte de Lemos, sai invito burlando o cerco e continuando a sua atividade político-militar pola causa da Revoluçom Galega. Tal como o Che, sabia que num processo revolucionário, se este é verdadeiro, ou se triunfa ou se morre. Moncho era dos que nunca optam polas comodidades do sofá e das tertúlias de café. Dos que se implicam a fundo, dos que sem duvidar arriscam a vida pola Pátria e as suas maioriais sociais.

As suas cada vez mais importantes funçons e responsabilidades facilitam que desde inícios de 1972 Moncho passe a fazer parte de maneira quase natural do Comité Central e do Comité Executivo da UPG, susbtituindo nos labores de direçom o feixe de artistas, inteletuais e funcionários que hegemonizárom a primeira etapa e que, após a sua morte, voltárom paulatinamente a recuperar o controlo.
Dedicado plenamente à luita revolucionária, vai organizando células, núcleos de simpatizantes, grupos de apoio nos mais diferentes pontos do País.

Moncho estava num panfleto, numha pintada, numha assembleia obreira, numha reuniom cultural, de estudantes, de labregos, num encontro clandestino, no assalto a um banco, na expropriaçom dumha multicopista, na redaçom dum documento, num debate estratégico, ensinando e formando jovens militantes, transportando propaganda, editando um vozeiro, lançando pedras à polícia, elaborando um cóctel-molotov, fugindo da perseguiçom, viajando no seu Seat 600 polas estradas e caminhos da Galiza… na mais simples e na mais complexa tarefa dum militante comunista.

Um antigo camarada afirma que “O seu exemplo, a sua atençom constante ao trabalho dos companheiros e a sua grande determinaçom fazia com que todos os objetivos parecessem possíveis e reais”.

COORDENAÇON E ALIANÇAS INTERNACIONAIS

Como dirigente marxista-leninista, Moncho Reboiras foi um dos artífices das relaçons internacionais que a UPG começa a estabelecer na década de setenta.
A Revolução dos Cravos em Portugal facilita que a partir do 25 de Abril de 1974 a esquerda soberanista galega utilize o norte do país irmao como retaguarda. Deste jeito, a UPG começa a contar com valiosa ajuda de diversas expressons da esquerda revolucionária portuguesa e dota-se de gabinetes em Lisboa e Porto.

Também por meio de militantes exilados e emigrados a UPG, conta com representaçom permanente em Paris, Genebra e Caracas, onde concentra boa parte dos seus arquivos.

Porém, o mais importante acordo de coordenaçom internacional cristaliza na Carta de Brest, um conjunto de manifestos e documentos assinados inicialmente com o Movimento Republicano Irlandês (IRM) e a Uniom Democrática Bretoa (UDB), à qual posteriormente aderírom organizaçons bascas, galesas, catalás, ocitanas e sardas, para promover luitas e iniciativas conjuntas com o objetivo de que as pequenas naçons europeias se dotassem de estados independentes de orientaçom socialista.

Também a UPG a partir de dezembro de 1974 assina diversas declaraçons conjuntas sobre diferentes temas de atualidade com a ETA e o PSAN-p.

Está documentado que Moncho Reboiras participa na primavera de 1975 em Madrid numha reuniom com a ETA, à qual assistem Pertur e Wilson pola organizaçom armada basca. O principal objetivo do encontro era lograr a sua colaboraçom para contribuir no desenvolvimento da frente armada da UPG. Porém, a infiltraçom policial do comando da ETA que colaborou na Galiza facilitou a posterior detençom de militantes, queda do grupo de Moncho Reboiras, exílio a Portugal e desmantelamento do núcleo central.

A LUITA ARMADA

Desde inícios da década de setenta, tem lugar no seio do movimento de libertaçom nacional um debate sobre os métodos de luita que se deviam empregar. Moncho Reboiras foi um dos mais destacados defensores da necessidade de complementar a luita de massas clandestina e semi-legal com a formaçom dumha estrutura militar no quadro da sua conceçom integral da luita insurrecional por atingir umha Galiza livre e socialista.

Desaparece dos atos públicos e começa a dar os passos na direçom de implementar o que sem ambigüidades nem espaços para as nécias interpretaçons recolhe o Terra e Tempo especial em formato dossier sobre os acontecimentos de março de 1972 editado inicialmente no interior, sob a sua coordenaçom, e posteriormente reeditado em Paris: “(…) a necessidade que o povo tem de passar a formas mais avançadas de luita, chegando paulatinamente à luita armada. Galiza necessita um destacamento armado que apoie cada um dos movimentos e luitas de massas. Os obreiros de Ferrol nom tinham mais que pedras nas maos. O inimigo tem pistolas, metralhadoras e, se for preciso, tanques, canhons e avions. Há que criar um exército clandestino que devolva olho por olho e dente por dente a cada crime e a cada tortura. Se nom se fai assim, os obreiros, os trabalhadores, os estudantes, os nacionalistas e os democratas nom avançarám mais. A politizaçom, a conscientizaçom popular, está a chegar ao máximo. É preciso agora que as massas se sintam protegidas e apoiadas nas suas luitas por um destacamento armado, dirigido polo Partido, e assim continuar até a vitória”.

No Terra e Tempo editado em maio desse ano 72, a UPG insiste na necessidade de “trabalhar pola construçom dum partido que dirija corretamente a classe obreira no seu caminho face a luita final e a vitória histórica, e lhe faga ver a necessidade da resposta armada à violência do capital e da ditadura fascista.
Assim, a luita armada é algo que nós temos sempre proclamado como soluçom final. Nom quer dizer isto que vaiamos lançar-nos a um terrorismo aventureiro. O trabalho político a fazer antes do desencadeamento da luita armada é ainda grande, de jeito que nom podemos dizer quando nem como começará nem através de que etapas se desenvolverá. O que é bem claro é que chegará um momento em que a açom das massas populares nom poderá avançar face à sua libertaçom definitiva à tomada do poder se nom emprega a luita armada. Será entom quando as massas populares criarám, sempre sob a direçom política do partido operário, a sua organizaçom ou destacamento armado”.

Desde 1974, Moncho tem como responsabilidade prioritária constituir a frente armada da UPG, participando nos operativos que a dotem da imprescindível infraestrutura e logística: expropriaçom de fundos (assalto a bancos em Escairom, Corunha e Lugo, a Fenosa em Vigo), de multicopistas, automóveis, papel, documentos de identidade (assalto e roubo de dezenas de milhares de “DNI”, máquinas de plastificar, selos, da esquadra policial de Lugo). Esta última e mais conhecida açom foi realizada conjuntamente com militantes bascos e portugueses e o “botim”distribuído.

Neste intenso período, tem que passar pequenas temporadas em Portugal, para evitar ser detido, e mesmo alterar o seu aspecto físico. Estadas sempre bem aproveitadas para manter reunions com forças de esquerda como o Partido Revolucionário do Proletariado-Brigadas Revolucionárias.

O Moncho cabeludo e com bigode com que passou ao imaginário coletivo da luita de libertaçom nacional da Galiza, na realidade, nom era mais que um disfarce para eludir ser detetado e capturado.

QUEDA EM COMBATE

A inícios de Agosto, som detidos numha operaçom policial três militantes da UPG e dous da ETA. A partir deste momento a ofensiva contra a Frente Armada precipita-se fatalmente. Moncho Reboiras é detetado num andar do bairro de Canido de Ferrol na noite do dia 11 de agosto de 1975. Cercado pola BPS e por mais de 300 efectivos da Polícia Armada, começa a caça ao mais importante militante revolucionário da Galiza do último meio século.

Após queimar a documentaçom que poderia danar a organizaçom em caso de cair em maos do inimigo e facilitar a fugida de Elvira Souto e Lois Rios -os dous camaradas que o acompanhavam no apartamento clandestino- Moncho nom vacila: numha mostra mais da sua coragem e heroicidade, tenta atrair a polícia e superar o cerco.
Os seus camaradas escapariam saltando umha janela do pátio interior da casa contígua, e Moncho inicialmente através dos telhados, passa a outro prédio por meio dumha clarabóia cuja ruptura concentra a atençom das forças policiais.
Após horas de perseguiçom conseguem atingi-lo no portal de um prédio da rua da Terra. Como a rendiçom nom fazia parte da sua coerência revolucionária, com determinaçom e inteireza fai frente ao inimigo.
Perante o temor que a sua figura transmitia, é cobardemente acribilhadado a balaços na manhá do 12 de agosto de 1975, no número 27 de um portal da rua da Terra do Ferrol proletário.

Manolo Reboiras relata assim como viviu essa jornada acompanhado da sua mae.
“Às 10 da manhá do 12 de agosto de 1975. Dia calorento em que compartilho com uns alunos do bairro de Teis umhas classes de recuperaçom de matemática.
Um vizinho, muito nervoso e gesticulante, traz um recado para que urgentemente vaia a casa; algo muito grave passou ao meu irmao.
Faltam-me palavras para exprimir as lembranças e os medos que nuns segundos se arremoinhárom na minha cabeça. Havia meses que nom tinha contatos com o Pepe. A última vez que estivéramos juntos, fora num encontro casual na estaçom de Atocha em Madrid, em março 1975. Eu retornava para a Galiza e ele tinha umha reuniom em Madrid. Logo soubem que eram os encontros que a nível de Estado tinham as organizaçons nacionalistas galegas, bascas e catalás para valorizarem a situaçom política e articularem umha alternativa conjunta que desse resposta à decadência da Ditadura e ao projeto que setores mais ou menos liberais e forças de esquerda espanhola estavam a organizar. Passei à sua beira e nom o reconhecim. Ele tampouco falou. Ia bem vestido, com peruca e óculos. O instinto quijo que me virasse: ao vê-lo andar de costas, dei-me conta e chamei por ele. Daquela, achegou-se e estivemos a falar muito tempo até que saiu o meu comboio. (…)

Às 10.15 horas chego a casa. A minha mae está a aguardar. Dificilmente consegue vestir-se para a viagem. O meu pai está embarcado num mercante, na soidade absoluta do mar: tarda ainda uns dias em saber da tragédia e mais tempo ainda em poder arribar a porto. (…)

Passamos Padrom e Santiago e íamos já pola velha estrada, direçom Ferrol. O rádio do carro nom dizia nada. As notícias falavam da presença do Caudilho em Meirás e da botadura de um grande petroleiro nos estaleiros de Astano. A tensom palpava-se no ambiente. A minha mae olhava-me sem aguardar resposta: os dous calávamos. No fundo, desejávamos que o Pepe estivesse ferido e poder trazê-lo para a casa.
No parte das 12, a rádio fala já de um confronto armado nas ruas de Ferrol e da morte de um moço de 25 anos, José Ramom Reboiras Noia. A minha mae estremece e sofre em silêncio. Eu tento manter a calma, enquanto pola minha cabeça voltam a passar em poucos segundos os 25 anos da vida compartilhada.

Ao chegarmos à Ponte das Pias, a ponte onde caíram assassinados havia uns meses Amador e Daniel, a tensom fai-se insuportável. Nos estaleiros de Astano, as autoridades civis, religiosas e militares compartilham a festa, enquanto a polícia secreta e os “grises” bloqueavam a cidade, registando qualquer cousa suspeita, buscando activistas e detendo camaradas em Santiago, Vigo, Lugo, Ourense e Corunha.

Sobre a 1 da tarde, um funcionário municipal leva-nos ao cemitério de Catabois, nas redondezas de Ferrol. Ali, num quarto, acima de umha rudimentária e fria mesa de pedra, estava Pepe, totalmente despido e com 3 impactos de bala nas costas, e nom na cabeça como consta no certificado de óbito, tentando justificar e dar umha coarctada ao vil assassinato.

Esses impactos de bala nas costas coincidem com a versom do “grises”, que declaram: “que al ser requerido para que se detuviera, echó a correr, por lo que los funcionarios actuantes, después de reiterar la voz de alto, trataron de intimidarlo con unos disparos al aire”.

Malferido e agonizante -um dos disparos afetou-lhe umha arteria por cima do coraçom, produzindo-lhe umha “anemia aguda e fulminante” -só lhe deu tempo a chegar ao portal da Rua Terra, nº 27, onde se desangrou. Tardárom mais de 2 horas a entrar e descobrir o cadáver. Antes cribárom o portal a balaços com mais de cem impactos e, finalmente, depois de entreabrir a parte superior da porta com uns troncos dumha obra próxima, guindárom duas bombas de gás lacrimogéneo e topárom o corpo”.

Posteriormente, tem lugar umha razzia policial contra a esquerda soberanista, realizando-se detençons de militantes da UPG em diferentes pontos da geografia nacional, ficando praticamente desmantalada a totalidade da infraestrutura de apartamentos clandestinos e depósitos de material da organizaçom. A precariedade e inexperiência da recém constituída Frente Militar, a infiltraçom policial na ajuda externa, a prematura queda do seu máximo dirigente, mas basicamente a falta de interiorizaçom e vacilaçom dos principais dirigentes sobre a natureza da luita, provocou que o projeto integral que Moncho estava a construir ficasse completamente desmantelado. A direçom pequeno-burguesa hegemónica na UPG optou por manter simplesmente a retórica, renunciando a umha coerente prática marxista-leninista.

O comunicado que o Comité Executivo da UPG emite em setembro, poucas semanas depois da morte de Moncho é exemplo disto, assume politicamente o projeto:
“A UPG afirma que o armamento que possuíam os seus militantes está ao serviço da luita e a defesa das classes trabalhadoras galegas contra o terrorismo fascista do Estado Imperialista Espanhol, entendendo que frente à quotidiana violência sobre o povo a resposta das classes trabalhadoras organizadas passa, necessariamente pola violência revolucionária”.

Embora nom tenham sido ainda difundidas as fontes documentares que o constatem que Moncho estava a enfrentar a fraçom liquidacionista da direçom upegalha, de facto, fontes orais de máxima solvência tenhem manifestado que Paco Rodríguez –atualmente secretário-geral da organizaçom pós-comunista- tinha sido citado dias antes do fatídico 12 de agosto de 1975 no campo de tiro que a estrutura militar possuía em Rianxo. Moncho Reboiras queria saldar contas com ele. O referido indivíduo, numha das suas habituais mostras de cobardia, simplesmente nom apareceu. Agora, trinta e quatro anos depois, sem o mais mínimo rubor afirma num artigo de “homenagem” a Moncho Reboiras que “Nom tenho consciência, tampouco nunca perguntei, de que se aspirasse a empregar métodos próprios de luita armada”. Como pode ser isto possível quando no segundo aniversário do seu assassinato a UPG difunde um caderno homenagem cum longo poema laudatório e umha síntese biográfica, na qual se afirma “Dedicado de cheio ao trabalho partidário e compreendendo a necessidade da violência para defender as conquistas populares e eliminar o poder do fascismo imperialista, MONCHO, empreende com outros companheiros, um novo método de luita na Galiza: a luita armada”.

Apesar da pressom policial, das ameaças de multas e repressálias, centenas de pessoas, amizades, camaradas e familiares, assistírom no dia 13 de agosto ao seu enterro no cemitério de Imo. Desde o trágico 12 de agosto de 1975, nunca faltárom flores no seu túmulo, nem as lembranças diante do portal onde entregou a vida por umha Galiza libertada e socialista.

UM EXEMPLO A SEGUIR

Sem lugar a dúvidas, a figura de José Ramom Reboiras Noia é o melhor referente de combate e luita de um povo que nom se resigna a ser derrotado polo projecto imperialista espanhol.

Nestes 34 anos posteriores à sua morte, muitas cousas tenhem mudado. Basicamente, a organizaçom que tanto contribuiu para desenvolver e consolidar. A UPG de hoje é umha desprezível caricatura do que já foi. Entregada e claudicante a Espanha e ao Capital, colabora sem pudor com o inimigo que assassinou Moncho Reboiras.

Assim, no último aniversário do mais brilhante camarada-mártir da história contemporánea da Pátria, participou num aparente, embora deliberado, exercício de confusionismo e perplexidade, no ato institucional de reconhecimento de “vítima oficial do franquismo” organizada pola Delegaçom do Governo espanhol na Galiza.

Aos e às que nom arriamos as bandeiras que abraçou Reboiras, nom nos estranhou ver os corruptos dirigentes do regionalismo da mao do vice-rei espanhol no nosso País sujando, manipulando a figura e trajetória de Moncho. Nom é nada novo, levam cerca de trinta anos a alterar a história, a esvaziar a sua figura e o seu exemplo, integrando a sua luita em funçom das miseráveis necessidades da política espetáculo institucional, transformando um guerrilheiro urbano –o mais elevado degrau da espécie humana em palavras do Che- num mero ativista cultural e sindical.
A manipulaçom e a fraude som necessárias para legitimar o execrável exercício de genuflexom a que aderírom sem escrúpulos os que optárom por renunciar ao longo combate da Revoluçom Galega a que Moncho consagrou a sua vida, em lugar das miseráveis prebendas e privilégios que, por colaborar, concede o inimigo.

Porém, outras cousas continuam inalteráveis. A opressom nacional que a Galiza padece por Espanha nom só se mantém incólume, como tem aprofundado a sua sofisticaçom e eficácia. A exploraçom do povo trabalhador polo Capital tem atingido graus inimagináveis na etapa em que Moncho criou as bases do movimento obreiro genuinamente galego.

Ainda que o queiram fagocitar, maquilhar, integrar, Moncho Reboiras continua vivo e presente entre o povo combatente, na autoestima coletiva das luitas quotidianas por um salário melhor, por um ensino público de qualidade, em defesa do idioma e contra o assimilacionismo espanhol, contra a opressom e os direitos das mulheres, por um futuro digno para a juventude, na defesa do nosso agro, do nosso ecossistema, na luita contra a voracidade do capitalismo em crise, pola Soberania e a Independência Nacional, contra o imperialismo, polo Socialismo e umha sociedade superadora do patriarcado. Entre @s que nom capitulam e mantenhem vivo o seu exemplo de rebeldia e coragem.

Anos depois, Abelardo Colaço em Agosto de 1980, e posteriormente Lola Castro Lamas “Mariana” e José Vilar Regueiro “Marcos”, em 11 de Outubro de 1990, também falecêrom luitando contra os interesses do capitalismo espanhol.

No futuro e à medida que o processo revolucionário galego atinja novas dimensons e confronte com decisom os reptos e desafios da nova etapa histórica, o fusil e o exemplo do seu querido Foucelhas deixará de ser material de exposiçom de vitrina para ser instrumento de liberdade.

A luita continua!

Denantes mort@s que escrav@s!

Pátria, Socialismo ou morte!

Galiza, agosto de 2009

INTERVENÇOM DE PAULO VILA NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA.

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INTERVENÇOM DE PAULO VILA NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA.


Neste 25 Julho, neste Dia da Pátria, a mocidade galega, mais que nunca, devemos sair às ruas para manifestarmos que queremos decidir por nós mesmas o nosso futuro, para reclamarmos que a independência nacional e a construçom da República Socialista Galega som a única saída a este sistema que nos condena a umha vida de precariedade e desemprego.

Padecemos nas nossas carnes a repressom desta cárcere de povos chamado Estado espanhol que nega a nossa identidade, que procura por todos os meios a nossa assimilaçom e eliminaçom, pois pretende destruir a nossa condiçom de naçom.

A juventude galega somos as vítimas prioritárias das nefastas políticas que se aplicam desde o governo, mediante cortes na educaçom, reduzindo os nossos direitos laborais, que só provocam emigraçom, desemprego, sofrermos a sobre-exploraçom em trabalhos que apenas alcançan para sobrevivermos.

Cada ano mais e mais jovens galegos tenhem maiores problemas para sair adiante e podermos melhorar as nossas vidas, tanto no ámbito laboral, académico ou incluso no ámbito pessoal. Por isso a importáncia de unir-nos para afrontarmos coletivamente o presente e procurarmos alternativas para melhorar as nossas vidas.

O capitalismo impom as suas reacionárias leis na educaçom, privatizando um direito, destruíndo o nosso idioma, a nossa cultura e identidade.

Atentam contra a liberdade das mulheres galegas impondo umha legislaçom patriarcal, restringindo leis como a do aborto que impedem que poidam decidir sobre o seu corpo e a sua vida. As mulleres trabalhadoras percebem um salário menor que os homens por fazer o mesmo trabalho, as jovens galegas padecem dumha maneira mais clara a precariedade laboral, o desemprego, a pobreza e a exclusom social. Som as mulheres trabalhadoras as que tenhem sido mais golpeadas pola crise estrutural do capitalismo.

O feminicídio e a violência estrutural do terrorismo machista continua a ser umha lacra pola ineficácia e o desinteresse do Estado espanhol para combaté-lo, que longe de diminuir aumenta pola falta de medidas concretas no ámbito laboral, educativo, cultural, social e político, e que golpeia basicamente às mulheres trabalhadoras.

Através a “Lei Mordaça”, as forças de ocupaçom espanholas, as forças repressivas, perseguem e criminalizam os protestos sociais, detendo a numerosos jovens nas mobilizaçons estudantis. O governo do PP desenvolve campanhas repressivas, como há umhas semanas contra o centro social compostelano “Escárnio e Maldizer”, que se tenhem saldado con multas desproporcionadas e detençons.

Reclamamos o fim do encadeamento d@s militantes independentistas para os que exigimos o fim da sua dispersom e a sua imediata posta em liberdade.

Companheiras e companheiros, somos un povo que nom se rende!!,
Apelamos à juventude trabalhadora galega que abandone a resignaçom e se some às filas da rebeliom.

Para a luita é de máxima importáncia a unidade popular, por isso a juventude galega devemos organizar-nos e mobilizar-nos. Mais nom sob unidades fetichistas que algumhas organizaçons proclamam constantemente para despois fazer todo o contrário.

Apostamos pola unidade da classe obreira galega à volta dos seus objectivos, pola unidade do conjunto do povo trabalhador galego na luita por superar o atual marco político e económico, para reclamar a nossa independência nacional, para criar umha nova Galiza, soberana e justa, para acabarmos com modelos antipopulares e fracasados, como o autonómico atualmente vigente e por fim a esta opressom e contínuo saqueio por parte do Estado espanhol.

A rebeliom popular é o caminho!

Espanha é a nossa ruína!

Viva Galiza ceive, feminista e socialista!

Saudaçons internacionais o 25 de julho Dia da Pátria.

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A SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA É A TERNURA DOS POVOS

Reproduzimos integramente as mensagens de solidariedade e apoio à luita de libertaçom nacional da Galiza enviada por nove partidos e organizaçons amigas, que fôrom divulgadas na concentraçom-ato político do Dia da Pátria.

BRASIL

Camaradas da Organização Socialista e Feminista Galega de Libertação Nacional – Agora Galiza.

Camaradas galegos.

Recebam, em nome da organização comunista Cem Flores, do Brasil, uma saudação pelo dia de vossa Pátria, 25 de julho, o Dia da Pátria Galega.

Sentimos-nos parte de vossa luta pela independência e pela revolução socialista na Galiza. O imperialismo, sistema mundial de dominação capitalista, é o mesmo que domina a vossa Pátria e a nossa, que aprofunda a exploração de nossos povos, que impõe aos trabalhadores de todo o mundo a guerra, a miséria, a fome, a barbárie. A crise desse sistema é a expressão de sua putrefação, da necessidade de nos organizarmos em todo o mundo para derrubá-lo.

O nosso inimigo é o mesmo e os nossos objetivos também são os mesmos. A luta pela revolução proletária, pelo socialismo, é o objetivo que nos une. O caminho é a organização dos nossos povos, a retomada e o aprofundamento de nossa teoria e a construção de nossa ferramenta de combate, o Partido do Proletariado.

Essa luta não tem fronteiras. Somos um só povo, proletários de todo mundo, galegos e brasileiros, a construir juntos um novo futuro. A nossa unidade e solidariedade será a garantia de nossa vitória!

Viva o Dia da Pátria Galega!

REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA

Boas tardes irmaos e irmás de luitas, camaradas e patriotas todos. 

Recebam umha saudaçom revolucionária, bolivariana, latinoamericana  e caribenha da Pátria Grande. 

Hoje, 25 de Julho de 2017, quando se cumpre um novo aniversário do Dia da Pátria Galega, desde a Pátria de Bolívar e Chávez fazemo-nos presentes neste recinto para acompanhar o seu povo, a sua militáncia e a todos vocês camaradas.

A luita é longa mas ninguém dixo que isto ia ser fácil. Muitos companheiros ficárom ao longo do caminho, mas entendemos hoje que é parte da luita e da dignidade dos povos. 

Este povo dixo basta e tem posto a andar um processo de luita e de Independência que hoje estamos celebrando e comemorando. 

Luita que nos alimenta a todos os povos do mundo que luitamos pola libertaçom nacional e o Socialismo. 

Recebam um forte abraço de irmaos, de amigos, de camaradas, da Coordenadora Simón Bolívar.

Estamos do lado correto da história e assiste-nos a verdade e a razom.

Viva a Independência Galega!

Viva a luitas dos nossos Povos pola Libertaçom Nacional e o Socialismo!

Só a luita nos fará livres! 

Pola Coordenadora Simón Bolívar, o camarada Juan Contreras. 

Saúde camaradas!

REPÚBLICA DOMINICANA

Abraçamo-las, abraçamo-los no seu dia desde a Pátria de Caamaño, líder político-militar da Revoluçom Democrática-Popular e da guerra contra o invasor ianque em 1965, onde renascem as esperanças libertárias em forma dum imenso clamor verde contra o regime de corruçom e impunidade imperante.

Nom à opressom do Estado espanhol!

Nom às grotescas intervençons imperialistas!

Estamos com a luita pola soberania e autodeterminaçom dos povos oprimidos.

SOCIALISMO OU BARBÁRIE!

Narciso Isa Conde

Movimiento Caamañista-MC

Izquierda Revolucionaria-IR

18-07-2017, Santo Domingo, RD.

CHILE

Caros companheiros de Agora Galiza, recebam um fraternal e caluroso saúdo do Movimento Patriótico Manuel Rodríguez.

Apesar da distáncia sabemos das luitas que livra o Povo Galego por libertar-se das ataduras capitalistas-coloniais.

O 25 de Julho é umha data que lembra a luita de independentistas e revolucionári@s. Muito sangue dos que querem liberdade e emancipaçom tenhem corrido por essas terras. O assassinato e a morte dos seus melhores filhos e filhas foi o preço por opor-se ao fascismo.

Hoje quiçás nom som os melhores momentos para as forças revolucionárias que querem transformar de verdade a sociedade injusta e prisioneira, mas nom existe outro caminho que seguir luitando com todas as forças opressoras.

Nós desde aqui, luitando dia a dia, contra o mesmo inimigo queremos enviar-lhes este menssagem de alegria e de profunda conviçom, de confiança infinita num futuro melhor para os nossos povos.

Despedimo-nos cumha arenga dum dos nossos patriotas no seu despreço ao invasor espanhol:

Que parede nom tem colorado o sangue dos seus irmaos? Que rua nom tenhem barrido os seus corpos exánimes e ianda vivos?

Qual das vossas casas nom sinte umha privaçom, um desastre e cem milhares de negras injúrias? Ponde-o frente desta muralha nevada. Fazede-lhe abrir os olhos até onde atinge a vista. Representade-lhe que muitos dos vossos irmaos se nos separam pola redondez inteira de meio globo e o que mais imediato nos tende as maos ao outro lado de tam grossos montes. Se a sua suja indolência é maior que todo, se nada lhe conmove, deixade-o com despreço a fartar-se dessa porca vida entre os detestáveis ministros de sacrifícios tam imponentes. Por mim juro-vos que enquanto a minha pátria nom seja livre, que enquanto todos os meus irmaos nom se satisfagam condignamente, nom soltarei a pena nem a espada, com que ansioso “assejo” até a mais difícil ocasiom de vingança. Juro-vos que cada dia de demora se dobrará este desejo ardente para sacar dos profundos infernos o tiçom no que devem queimar-se os nossos tiranos e os seus infames, os seus vis sequaces”. (Manuel Rodríguez Erdoyza).

Direçom Nacional do Movimento Patriótico Manuel Rodríguez, Chile.

BRASIL

O PCB transmite sua solidariedade internacionalista ao povo trabalhador galego no seu Dia da Pátria.

Para os comunistas, a luta pela independência e a soberania nacional deve ser condicionada à estratégia da revolução socialista e conjugada às bandeiras e aspirações do proletariado.

Neste 25 de Julho, manifestamos o nosso apoio à reivindicação de uma Galiza soberana e socialista.

PCB (Partido Comunista Brasileiro)

Comissão Política Nacional

EQUADOR

Companheiros e companheiras de Agora Galiza.

Desde o Equador, a Unidade Popular manifesta a sua fraterna saudaçom polo Dia da Pátria Galega, que se comemora este 25 de Julho, de maneira especial o nosso reconhecimento para a organizaçom socialista, feminista e de libertaçom nacional Agora Galiza.

Unidade Popular, organizaçom da esquerda revolucionária do Equador, respalda a luita pola libertaçom nacional do povo galego, o seu incansável esforço por romper as cadeias que pretendem desconhecer a Pátria Galega e a resistência das suas organizaçons sociais e populares que nom abandonam o sonho independentista.

Atentamente,

Geovanni Atarihuana Ayala

Diretor NacionAL

ITÁLIA

Mensagem de saudaçom da Rete dei Comunisti da Itália

Com ocasiom do Dia da Pátria Galega enviamos a Agora Galiza e a todo o povo galego o nosso saúdo de solidariedade internacionalista. 

Hoje em dia a luita de libertaçom nacional dos povos, dentro do espaço europeu, adquire novos significados, porque já nom está confrontada só ao centralismo opressor dos Estados e à exploraçom capitalista, senom também a essa nova grande gaiola de povos e trabalhadores que se chama Uniom Europeia.

No nosso país, junto com outras forças de classe e progressistas, estamos desenvolvendo umha campanha politica, sindical e social chamada Eurostop. Nom poderemos avançar na construçom dumha sociedade mais livre, solidária e justa sem quebrar com a Uniom Europeia, com os seus tratados, com as imposiçons do Banco Central e da oligarquia continental que reduz democracia e direitos (sociais, civis e nacionais) à procura da sua hegemonia mundial em competência com outros pólos capitalistas e imperialistas.

Da mesma forma, nom poderemos luitar contra a guerra, o imperialismo e o colonialismo sem romper com a NATO e obstaculizar a criaçom dum Exército Européu.


Contra o inimigo comum os povos em luita, as classes populares e todos os explorados tenhem que unir-se e agir juntos. Enviamos-vos o nosso desejo que o povo galego poda pronto ser livre e começar a construir umha sociedade socialista contribuíndo assim para a libertaçom de todos os povos do continente.

Um abraço internacionalista desde a Itália.

PARAGUAI

Asunción, 20 de julho de 2017

Caros e caras camaradas,

Dirigimo-nos a vós, a todos os camaradas de Agora Galiza e a todo o povo da Pátria Galega aos efeitos de saudá-los no Dia da Pátria Galega.

A cem anos da Revoluçom bolchevique é importantíssimo lembrar ao mundo que as comunistas e os comunistas buscamos superar um sistema de despojo, de saqueio, de fame e de morte.

Forjar e tomar o poder, para construir juntas, juntos, a sociedade onde caibamos todas e todos com a garantia que as nossas potencialidades podam desenvolver-se e enriquecer-se permaneamente, é o mais belo desafio que podemos assumir as mulheres e os homens que pretendemos um mundo que garanta a vida, o pam e a paz ao que chegaremos construindo o socialismo e a sociedade comunista.

A intençom do Partido Comunista Paraguaio é promover, estimular, afortalar a imperiosa necessidade de desenvolver a integraçom das luitas populares cumha crescente orientaçom revolucionária. É por isso, que manifestamos a nossa mais profunda solidariedade com a luita do povo irmao galego.

Os comunistas paraguaios e as comunistas paraguaias estamos orgulhosos e orgulhosas do independentismo revolucionário de Agora Galiza e que o povo irmao da Pátria Galega se mantenha em pé de luita pola sua libertaçom nacional, levantando as bandeiras do socialismo e o feminismo revolucionários.

Comité Central do Partido Comunista Paraguaio

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Caras camaradas,

Enviamos esta saudaçom de solidariedade com o povo galego nesta data tam sinalada, como mostra do nosso apoio à vossa luita pola autodeterminaçom e libertaçom do opressivo Estado espanhol e também polos direitos das mulheres de todo o mundo.

Como leninistas, entendemos e apoiamos a luita de todos os povos e naçons, incluíndo a independência, que é um direito.

Entendemos também que no mundo em que vivemos em 2017, dominado polos EEUU, a Uniom Europeia e o imperialismo japonês, apenas há umha maneira para que a classe obreira das pequenas naçons ganhe a sua luita polo socialismo, a cooperaçom das trabalhadoras e trabalhadores de todo o mundo.

Tendo em conta todo isto enviamos a nossa mensagem a Agora Galiza e desejamos à sua militância muito sucesso, e também para as mulheres, trabalhadoras e o conjunto da populaçom galega na sua justa luita no Dia da Pátria.

Longa vida à solidariedade internacional da classe trabalhadora!

John Catalinotto and Berta Joubert-Ceci, International Dept. WWP/Mundo Obreiro

MANIFESTO INTERNACIONALISTA DE COMPOSTELA

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A crise que arrasta o capitalismo na sua fase senil é de caráter estrutural. Porém, este sistema atualmente hegemónico a escala global nom vai derruir por si só. Só o acionar da classe trabalhadora, das mulheres e dos povos logrará superar umha das piores etapas da história da humanidade.

A involuiçom reacionária e autoritária do Estado espanhol é consequência do retrocesso das luitas, do desarme ideológico da “esquerda” institucional, e antesala do fascismo que emanará das frustraçons do populismo em curso.

A luita organizada, dotada dumha alternativa revolucionária de caráter socialista, é o único caminho para avançar na construçom dumha sociedade com justiça social, liberdades plenas e paz.

Atualmente o capitalismo está agudizando o caos geralizado em amplas zonas planetárias, mediante a brutalidade do militarismo, para assim garantir e aprofundar o saqueio dos recursos naturais, energéticos e a sobre-exploraçom dos povos trabalhadores que permita alargar a sua dominaçom crepuscular.

No 100 aniversário da Revoluçom Bolchevique e no meio século do assassinato do Che na Bolívia, o imperialismo é um monstro que sementa devastadoras guerras de rapina por toda a parte.

Esta crise estrutural do capitalismo coincide com a específica crise económica, política e institucional do regime postfranquista no Estado espanhol.

Lamentavelmente a deslegitimaçom popular do fraudulento sistema “democrático”, emanado da constituiçom espanhola de 1978, tem sido canalizado polo ilusionismo eleitoral promovido polos populismos socialdemocratas que prometem “transformaçons” e “mudanças” empregando as instituiçons.

Umha “segunda transiçom” que assegure umha recomposiçom controlada e limitada do regime, mediante maquilhagens constitucionais e reformas cosméticas, é simplesmente umha nova fraude.

Só umha estratégia de luita operária, popular e nacional de caráter rupturista, visada para a tomada do poder, poderá assegurar cumprir as reivindicaçons e demandas da maioria social e dos povos.

Com a rua como centro de gravidade, temos que contribuir para criar as condiçons subjetivas para articular umha saída política à crise do regime, frente à via eleitoral que só tem desmovimentado as luitas operárias, das mulheres, da juventude, das naçons oprimidas, gerando expetativas inviáveis de cumprir.

Nom podemos deixar-nos arrastar pola interessada perspetiva de acreditarmos que desbancando o PP das instituiçons se recuperarám os direitos, conquistas e liberdades cercenadas e suprimidas pola organizaçom criminal dirigida por Mariano Rajói.

A prioridade é articular nas nossas respetivas naçons, e concretas formaçons sociais, alternativas rupturistas revolucionárias, de genuíno caráter anticapitalista e socialista.

A linha divisória entre reforma e ruptura no Estado espanhol passa inelutivelmente polo reconhecimento do direito de autodeterminaçom das naçons oprimidas polo imperialismo hispano.

Se a equaçom Independência/Socialismo é o eixo central do programa revolucionário das naçons oprimidas, o respeito escrupuloso polo exercício do direito de autodeterminaçom e ruptura do atual regime, é pedra angular do conjunto das organizaçons revolucionárias. Nem o capitalismo, nem o patriarcado, nem Espanha, nem a UE se podem reformar.

As organizaçons e partidos abaixo assinantes manifestamos o nosso firme compromisso com a ruptura do atual regime espanhol e da Uniom Europeia, mediante a abertura de processos constituíntes.

É imprescindível vertebrar umha Internacional que contribua para coordenar as luitas da classe operária, das mulheres e dos povos a escala mundial. Eis o nosso compromisso, contribuirmos modestamente para avançarmos nessa direçom.

A luita é o único caminho!

Compostela, Galiza, 24 de julho de 2017

Andoni Baserrigorri
BOLTXE [País Basco]

Francisco García Cediel
INICIATIVA COMUNISTA [Madrid]

Rosa Gómez
COMUNISTAS DE CASTILLA [Castela]

Miguel Lopes
PLATAFORMA LABORAL E POPULAR [Portugal]

Carlos Ríos
NACIÓN ANDALUZA [Andaluzia]

Anna Gabriel
CUP [Países Catalans]

Carlos Morais
AGORA GALIZA [Galiza]

Entrevista a Carlos Morais publicada polo portal anticapitalista LaHaine contrainfo.

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O membro da Direçom Nacional de Agora Galiza debulha a situaçom sociopolítica galega e os reptos e desafios do independentismo socialista e feminista.

Estamos às portas de um novo 25 de Julho, Dia da Pátria Galega, e estamos em conhecimento da intençom de Agora Galiza, organizaçom revolucionária e independentista galega, de organizar um mitim internacionalista esse dia em Compostela.

Sobre esta e outras questons conversamos com Carlos Morais, da Direçom Nacional de Agora Galiza.

 LH- O primeIro, para que a gente de fora da Galiza saiba quem sodes, que é Agora Galiza? Existe umha continuidade de AGZ com a desaparecida NÓS-UP?

Somos resultado dumha derrota, do traumático e fulgurante processo de implossom ao que se viu submetida a esquerda independentista e socialista galega entre 2014 e 2015.

Frente à grave crise gerada artificialmente no seio de NÓS-UP, que simplesmente perseguia a sua dissoluçom e enterro, um setor minoritário de militantes e simpatizantes contrários a arriar as bandeiras da Revoluçom Galega decidimos o mesmo dia da sua liquidaçom formal, em julho de 2015, fundar Agora Galiza. Com esta decisom tildada naquele momento de precipitada e carente de percorrido algum, logramos evitar a discontinuidade orgánica e sentamos as bases do atual processo de reconfiguraçom.

Embora só temos dous anos de vida nom emergemos da nada, assumimos como próprios, com todos os seus erros e acertos, a rica experiência e açom teórico-prática, a trajetória e o legado de NÓS-UP, da que somos pois a sua continuidade, a sua prolongaçom natural.

Agora Galiza define-se como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional e sobre estes três eixos radica o projeto de construçom em curso.

 LH- Um pouco como vedes o panorama do independentismo galego de classe, visto desde afora da Galiza como dividido, confrontado …

A corrente marxista do independentismo com a que nos identificamos promoveu todos os processos e iniciativas, sem excepçom, de unidade de açom e orgánica que se ensaiárom no nosso país desde 1999.

Após um prolongado e profundo debate, a inícios da atual década, chegamos à conclusom que nom tinha sentido seguir promovendo processos “unitários” porque nom existiam as condiçons objetivas, como tampouco subjetivas, para o seu desenvolvimento e posterior êxito.

As diferenças políticas e ideológicas entre as forças, organizaçons e grupos que aparentemente nos situamos no mesmo campo, som profundas e reais, nom responden a personalismos como muitas vezes se tentava deliberadamente fazer acreditar.

Se a isto acrescentamos a carência de vontade para chegar a acordos, e sobre todo para cumprí-los por parte de quem convertia o “unitarismo” numha arma política, o resultado é evidente.

Agora Galiza é firme partidária da unidade do povo trabalhador galego sob um programa de luita. Mas consideramos negativos os acordos de superestruturas que só responden às fraquezas coletivas de quem os promovem e portanto som fruto do oportunismo, nom resultado de acordos concretos em base a similares leituras analíticas e de coincidências de intervençom nas luitas.

Tal como levamos fazendo desde a mudança de século, defendemos amplas unidades sob um programa avançado, nom unidades estreitas com programa minimalista. Este segue sendo o nosso gps, a nossa bússola.

O pluralismo político e ideológico que carateriza o povo trabalhador nom deve ser ocultado por espúreos interesses políticos nos que realmente prevalece a vontade de aniquilar o “adversário”. Esta é a nossa experiência das últimas duas décadas, e francamente hoje nom se vislumbram mudanças qualitativas que recomendem centrar energias e recursos em unidades orgánicas.
Sim unidades pontoais de geometria variável a escala setorial, local, comarcal e mesmo de ámbito nacional.

Respeito ao que definides como divisom do independentismo de classe consideramos que nom existe por umha razom muito simples. O único independentismo classista na Galiza é o que se articula em Agora Galiza. O resto de forças e difusos espaços defendem e/ou praticam unidades patrióticas com programas interclassistas dirigidos pola pequena-burguesia, ou tenhem vocaçom de ser um simples apêndice radicalizado do nacionalismo autonomista.

A conciliaçom de classes é um cancro que deve ser erradicado do movimento obreiro porque só serve para amortecer as contradiçons, desviar a atençom dos objetivos, desarmar o povo trabalhador, ocultar a ausência real de querer destruir o capitalismo e o resto das opresons a ele associadas.

LH- E a situaçom socio-política na Galiza….. Como a valorizades?

A nossa pátria leva décadas governada polo setor mais reacionário da burguesia autótone, pola direita neofranquista encistada nas instituiçons autonómicas e numha significativa parte das provinciais e municipais.

Contrariamente à imagem que se quer transmitir da Galiza ao exterior, por essa “esquerda” eleitoral quando é incapaz de vencer o PP nas urnas, o partido de Feijó só é votado por um de cada quatro galegos e galegas. Os dados estatísticos som inquestionáveis!

O PP nom só é essa organizaçom criminal que saqueia as arcas públicas para financiar as suas campanhas eleitorais, umha banda de delinquentes cujos dirigentes se enriquecem a custa do povo trabalhador. A sua sucursal galega é umha franquícia cuja única funcionalidade é aplicar as diretrizes políticas de Madrid e Bruxelas que procuram a destruçom definitiva da Galiza, a nossa asimilaçom como povo e naçom.

O PP, assim como o PSOE, som os responsáveis diretos de implementar o rol que o imperialismo nos tem asignado na divisom internacional do trabalho. País produtor de matérias primas, território onde instalar indústrias de enclave altamente contaminantes, de onde extrair mao de obra barata. De forma acelerada caminhamos a converter-nos num imenso eucalital para alimentar a indústria de celuloses, submetido a pavororos incêndios florestais, numha pilha para iluminar Espanha, cumhas taxas de contaminaçom superior à média dos países mais industrializados da Europa, num parque temático para um modelo de turismo agressivo.

A meados da década dos oitenta do passado século, a incorporaçom forçada da Galiza à atual UE polo governo do PSOE, provocou a destruçom dos nossos setores produtivos estratégicos. Esta decisom é causa da crítica situaçom que padecemos, dos atuais níveis de desemprego, precaridade laboral, emigraçom, dos índices de sinistralidade no trabalho, pobreza, mais elevados do Estado espanhol e da própria UE.

A sobre-exploraçom combinada do capitalismo e a dependência nacional é a causa de que classe trabalhadora galega tenha jornadas laborais com mais horas por menor salário e as pensons mais baixas do Estado.

O PP é o responsável direto de que a nossa continuidade como povo nom esteja assegurada. A hecatombe demográfica, um autêntico galicidio, tem convertido o país dos mil rios e os cinco mil castros num imenso geriátrico, com centenares de aldeias abandonadas, do que emigram anualmente mais de 15 mil jóvens procurando um futuro, um país no que semana a semana perde populaçom.

Respeito à sucursal galega do PSOE, está mui debilitada pola permanente crise interna derivada dos confrontos entre as fraçons do aparelho polo seu controlo. Segue sendo um partido sem projeto autónomo, sem iniciativa, sem liderato definido, submetido aos vaivens de Madrid e aos delírios populistas.

 LH- E a esquerda?

Dous espaços políticos pugnam pola hegemonia eleitoral no campo da “esquerda” institucional.

O BNG aparenta viver umha estabilidade interna após um longo processo de turbulências e crises concatenadas que provocou umha hemorragia de cisons e a perda das duas terceiras partes do teito eleitoral atingido a finais dos anos noventa. O seu posterior lavado de cara nom foi acompanhado pola consolidaçom da “viragem soberanista” da que fazia gala. Continua instalado na defesa do direito de autodeterminaçom, mas cumha prática autonomista com ligeiro verniz soberanista.

A sua mais destacada cisom do último quinquênio, protagonizada polos seguidores de Beiras, optou pola renúncia ao princípio de auto-organizaçom. Esta mutaçom facilitou primeiro umha exitosa aliança eleitoral com IU, posteriormente alargada a Podemos e outros grupos menores, que possibilitou converter-se na segunda força institucional no parlamento autonómico e gerir as alcaldias de três das mais importantes cidades.

Paradoxalmente esta musculatura eleitoral constrasta com a sua inconsistência orgánica. Marea padece umha grave crise interna, umha prolongada e laberíntica guerra intestina polo seu liderato, que impossibilita a sua consolidaçom e a optimizaçom dos seus destacados espaços de gestom e presença institucional.

Pola sua parte o movimento popular que mantinha umha dinámica iniciativa, desenvolvendo múltiplas luitas de resistência contra as políticas ultraliberais do PP, contra as agressons do Capital e de Espanha, atualmente se acha numha fase de refluxo. O ilusionismo eleitoral converteu-se numha metástase que o paralisou, burocratizou e desmobilizou progressivamente.

Assim se interpreta que o ano 2016 foi o de menos greves e conflitos laborais das últimas décadas.

O fetichismo das urnas e a falaz crença de poder atingir mudanças estruturais articulando umha maioria eleitoral ao PP, que propugnam as direçons pequeno-burguesas, tem calado com muita intensidade entre os setores mais avançados e comprometidos do povo trabalhador. O tumor eleitoralista tem desarmado a classe obreira e basicamente a juventude com inquedanças de compromisso político e social, gerando umha magmática atmósfera de combinaçom de promiscuidade amórfica com cleticismo inócuo que a fagocita e fascina para postulados inofensivos disfarçados de radicalismo estético e retórico.

As consequências destas dinámicas som evidentes, a crise estrutural do capitalismo senil e as suas especificidades no Estado espanhol, nom tenhem sido aproveitadas polas forças populares para acumular forças ruturistas. Todo o contrário, a crise capitalista debilitou as forças revolucionárias.

LH- A que te referes?

O regime emanado do lifting franquista, perante o incremento das luitas e a sua radicalizaçom nos primeiros anos da atual década, optou por aplicar um conjunto de medidas arriscadas, mas muito audazes, que se demonstrárom altamente eficazes para desmovimentar e cooptar à lógica institucional boa parte dos dirigentes populares.

Facilitando a abertura de válvulas de escape lográrom rebaixar a tensom, evitando que a indignaçom popular transitasse a formas mais avançadas de rebeliom popular. Assim entendemos a criaçom do 15M primeiro e posteriormente de Podemos.

Desta forma a casta cleptocrática, tutelada polo Ibex 35 e as elites da UE, evitárom que a crise económica poidesse evoluir num questionamento global do fraudulento modelo político e institucional imposto na Transiçom franquista.

Perante este panorama tam desalentador fai-se cada dia mais urgente e necessário reorganizar o campo da esquerda revolucionária galega.

A dependência nacional que padecemos como povo, e portanto a açom teórico-prática do princípio de auto-organizaçom, e a combinaçom ativa e permanente da reivindicaçom de independência e soberania nacional com mudança social, é a linha divisória entre as forças políticas e sociais revolucionárias e reformistas.

 LH- Após dous anos de pouca actividade, considerades com este Dia da Pátria dar um salto qualitativo na vossa organizaçom?

Seria absurdo ocultar a situaçom de extrema debilidade na que nos encontramos como consequência direta da detonaçom padecida há um par de anos. Mas após interiorizar e digerir lentamente esta crise, após passar a inicial e natural etapa de luto e posteriormente a de alívio, atualmente as nossas condiçons subjetivas som bem distintas.

Embora seguimos instalados na indigência organizativa, graças à perserveráncia logramos metabolizar o nosso recente passado, dotando-nos progressivamente de vontade para abrir umha nova etapa.

Até agora temos centrado basicamente as nossas energias e recursos em consolidar o núcleo militante que com enorme valor e coragem mantivo alçadas as banderas vermelha, lilas e azul, branca e rubra da Revoluçom Galega, frente às pressons ativas e passivas do derrotismo e oportunismo dos nossos antigos camaradas e companheiras de trincheira.

Estivemos dedicados à batalha ideológica, a demarcar com claridom o que somos e fundamentalmente o que pretendemos construir e ser. Temos estado mui volcados em deslindar política e ideologicamente o que deve ser a esquerda revolucionária galega para o século XXI, de toda forma de deturpaçom do marxismo por essas organizaçons que se declaram de “esquerda”. Ainda nos fica muito caminho para licuar tantas inércias, para depurar muitas ideias força, para encontrar o antídoto que nos vacine do desencanto e as tendências oportunistas, essas piruetas políticas de quem pretende “avançar” renunciando a os princípios. Porque nesta luita nom existem atalhos, há que fazer integramente todas as fases do caminho.

Passar de ser um grupo militante mais virtual que real é o nosso desafio imediato. Ganhar a suficiente referencialidade para começar a acumular forças organizadas sob o nosso programa para a rutura, sempre encaminhado à tomada do poder para edificar umha sociedade socialista de mulheres e homens emancipados.

Seguimos sendo um coletivo militante excessivamente vulnerável, com enormes carências em todos os ámbitos, mas temos a firme decisom de superar a situaçom presente, de intervir, de apreender com a nossa classe e o nosso povo nas luitas, de evitar cometer os erros do passado, de corrigir as nossas deficiências congénitas.

Como nunca fuimos, como nom somos, nem seremos, apêncide nem satélite de ninguem, nem tampouco cópia, consideramos que era necessário dar um salto qualitativo como bem apontades e convocar o Dia da Pátria. Convocar umha mobilizaçom com um projeto de perfil bem definido do que somos.

Previamente, o 1º de Maio ensayamos con certo êxito a necessidade de intervir coletivamente nas mobilizaçons populares. O tempo e os resultados confimarám se estamos no caminho correto.

 LH- Em que vai consistir basicamente o que tendes programado para o Dia da Pátria?

Numha das mais emblemáticas praças da Compostela reivindicativa convocamos umha concentraçom e ato político às 12 da manhá do 25 de Julho.

Como somos umha força genuinamente patriótica de libertaçom nacional, mas também internacionalista, optamos por dar voz às seis forças de outros territórios da Península Ibérica que nos acompanham.

Posteriormente realizaremos um jantar de confraternizaçom num parque próximo.

O dia anterior teremos umha reuniom com as organizaçons amigas convidadas de Andaluzia, Castela, Catalunha, País Basco, Madrid e Portugal para intercambiar análises e aprofundizar em iniciativas conjuntas.

LH- Um pouco tendes chamado a organismos e coletivos de marcado cariz e perfil comunista …

Nom exatamente. Mantemos praticamente intatas as relaçons internacionais que já tinhamos como NÓS-UP. Temos alargado outras e simultaneamente reativado vínculos com forças independentistas e partidos revolucionários com as que até o momento mantinhamos um perfil mais baixo.

A nossa firmeza ideológica como organizaçom independentista, socialista e feminista galega permite coincidir mais com aquelas forças marxistas comprometidas com a defesa intransigente do direito de autodeterminaçom frente aos independentismos socialdemocratas e etnicistas.

Agora Galiza sem ser um partido comunista, mas sim umha força marxista de libertaçom nacional, inspira-se nos exemplos e as achegas da Revoluçom Bolchevique dirigida por Lenine e na experiência do Che.
Ambos som insumos imprescindíveis que sempre nos acompanham na nossa mochila de combate.

 LH- Para finalizar… após do Dia da Pátria, o dia 26, 27, os próximos meses … Como os abordades?

A operaçom liquidacionista que provocou a voadura do movimento de libertaçom nacional galego há dous anos tem responsabilidades diretas na atual ausência dumha alternativa de luita com projeçom de massas, provocando um retrocesso de décadas na acumulaçom de forças atingida entre 2001 e 2014. Superar esta adversa situaçom é um repto que lograremos alcançar se conseguimos acertar polIticamente formando umha nova geraçom militante entregada à causa da Revoluçom Galega.

Para lograr estes objetivos é imprescindível aprofundar na batalha ideológica e confrontar sobre o terreno com os diversos reformismos, demonstrando a superioridade das propostas e alternativas do campo revolucionário.

Porque frente ao possibilismo e pragmatismo imperante, incapaz de aplicar as suas promessas eleitorais, nom pretendemos vertebrar umha maioria aritmética eleitoral que dispute ao PP o governo autonómico, tampouco articular umha aliança com o social-liberalismo e as forças pequeno-burguesas autonomistas e espanholistas que competem polo espaço à “esquerda” do PSOE, para que as suas elites desloquem a máfia do partido de Feijó das instituiçons burguesas.

O nosso objetivo nom é maquilhar nem regenerar o capitalismo, tampouco buscar um encaixe da Galiza na Espanha, nem alargar umha legislaçom aparentemente igualitária que nom questiona as bases do patriarcado das que emana a dominaçom que sofre a maioria do povo trabalhador, as mulheres.

Nom queremos reformar a constituiçom espanhola, nem submeter à monarquia imposta por Franco ao “controlo democrático”, tampouco que oligarcas como Amáncio Ortega maquilhem a evasom de impostos e as draconianas condiçons de exploraçom infantil com esmolas à sanidade pública.

Nom queremos enganar ninguém, nom temos vocaçom de ser umha força para remendar nada. Queremos transformar este presente conquistando o futuro.

Concebemos a rebeliom popular como umha ferramenta que possui o povo trabalhador e empobrecido na sua estrategia para gerar as condiçons subjetivas que permitam desputar a hegemonia a quem atualmente nos explora, oprime e repreme.

Numha naçom que sofre a opressom nacional por parte dumha metrópole instalada em Madrid, qualquer processo de transformaçom social está indisoluvelmente vinculado com a recuperaçom da independência e a soberania nacional conculcada polo Estado imperialista espanhol.

A equaçom independência/socialismo é o eixo do programa da Revoluçom Galega cujos três objetivos som libertar a pátria da opressom nacional de Espanha, da Uniom Europeia e os Estados Unidos, sentar as bases da edificaçom do socialismo, e emancipar às mulheres do patriarcado.

Sem socialismo nom é viável a soberania nacional.
Sem independência e mecanismos reais de decisom nom é posível edificar o socialismo.

Desenvolver e aperfeiçoar o programa para a Rebeliom Popular elaborado pola esquerda independentista antes da sua crise, é um dos desafios que temos que ir progressivamente implementando. A nossa alternativa ao atual caos do capitalismo e a destruçom das bases materiais e imateriais da Naçom Galega é articular forças rebeldes para tomar o poder e instaurar um governo obreiro e popular, patriótico e feminista.

Sabemos que esta tarefa de reconstruir ideologicamente a esquerda revolucionária é um objetivo muito ambicioso, para o que nom estamos preparados nem temos as condiçons. Restaurar os fundamentos do anticapitalismo é umha tarefa a escala internacional.

 LH- Nom queremos finalizar estas perguntas sem pedir-vos umha pequena valorizaçom da situaçom mundial, prebélica quase se pode dizer …

O capitalismo na sua fase senil está sementando o caos em amplas regions planetárias para apropriar-se das riquezas minerais e energéticas que lhe permitam atrasar o inevitável desenlace da sua crise sistémica.

Simultaneamente a pugna interimperialista entre os Estados Unidos e as potências que pretendem substituí-lo na hegemonia da economia mundo, alimenta o militarismo e as guerras de destruçom maciça em amplas áreas.

Estas breves pinceladas estariam incompletas sem mencionar que o movimiento popular, as organizaçons revolucionárias de caráter operário, de libertaçom nacional, as forças guerrilheiras e os partidos comunistas em armas, a nível global, vivemos um profundo processo de refluxo, umha crise de identidade sem precedentes.

A involuçom ideológica que potencia a ofensiva burguesa é responsável da domesticaçom e capitulaçom de luitas referenciais, contribuindo assim para reforçar a dominaçom do capitalismo na sua fase imperialista.

A falta de iniciativas salientáveis para comemorar o centenário da Revoluçom Bolchevique e a gesta guevarista, é expressom deste clima tam desfavorável para a causa da classe trabalhadora, os povos e as mulheres.

Perante esta situaçom nom somos neutrais, apoiamos a luita da Síria, do Iemem, do Iraque, do Afeganistám, para evitar ser destruídos polo imperialismo tal como fijo na Líbia. Apoiamos a causa palestiniana e catalana, a luita do povo trabalhador venezuelano para afiançar a sua segunda e definitiva independência, a insurgência colombiana, o conjunto das luitas dos povos contra toda forma de dominaçom e dependência.

Pois nada, graças por atender-nos e oxalá seja exitosa a jornada do Dia da Pátria.

HOJE É O NOSSO SEGUNDO ANIVERSÁRIO!

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HOJE É O NOSSO SEGUNDO ANIVERSÁRIO!

Há exatamente dous anos, um grupo de militantes e simpatizantes de NÓS-UP contrários a sua dissoluçom, decidimos continuar com o projeto sócio-político do independentismo socialista e feminista galego.
Decidimos chamar-nos Agora Galiza.
A intençom era evitar a discontinuidade orgánica e reconfiguar o projeto revolucionário galego dumha ótica classista, feminista e patriótica.
Nestes dous anos logramos evitar que as bandeiras vermelha, lilás, e azul, branca com estrela rubra, da Revoluçom Socialista Galega fosse definitivamente arriada.
Constatamos que o processo de reconstruçom da esquerda independentista é um processo laborioso, lento, complexo e difícil, mas com persistência e decisom demonstramos que sim é possível, assim como cada dia mais neccessário.
A convocatória deste Dia da Pátria é expoente desta firme vontade de avançarmos na reconstruçom da ferramenta organizativa que contribua às luitas do povo trabalhador galego visada à rutura com o Capital, Espanha e o patriarcado.
Hoje, 4 de julho de 2017, Agora Galiza está pois de aniversário!
Somos ainda um projeto mui modesto, mas cumha longa trajetória de luita, com um sólido legado político e ideológico, mas basicamente cumha tenaz decisom de avançar abrindo caminho.
Necessitamos mulheres e homens que com generosidade contribuam com os seu talento, inteligência e energia a acelerar este processo de reconstruçom do socialismo independentista.
As nossas portas estám abertas de par em par a quem queira luitar!

Viva Galiza ceive, socialista e feminista!
A luita é o único caminho!