Coerência discursiva para lograrmos a independência e o socialismo

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Coerência discursiva para lograrmos a independência e o socialismo

[Artigo de opinióm de Anjo Formoso Varela membro da DN de Agora Galiza-Unidade Popular]

A história da Galiza é inseparável da história da resistência patriótica que protagoniza boa parte dos setores populares da nossa naçom na contemporaneidade. Desde o Provincialismo derrotado política e militarmente em 1846, passando pola fase culturalista (o Rexurdimento), a etapa regionalista que gera as primeiras organizaçons galeguistas por volta de 1890, e o nacionalismo com a coordenaçom das Irmandades da Fala na Assembleia Nacionalista de Lugo (1918), ensaiando a via de dotar a Pátria de umha força política própria.

Mas nom será até 1931 quando se articule o primeiro projeto nacionalista -o Partido Galeguista- que nom duvida em definir a Galiza como umha naçom e a centrar a sua intervençomem lograr para o nosso país acadar maiores quotas de auto-governo. Porém, condicionado pola sua composiçom e orientaçom pequeno-burguesa, portanto timorato na reivindicaçom do horizonte de soberania e independência nacional.

A estas experiências devemos acrescentar as iniciativas genuinamente independentistas de aquém e além mar. Do Comité Arredista Galego da Havana, a Sociedade Nacionalista Pondal de Buenos Aires, até a Federaçom de Mocidades Nacionalistas resultantes da rutura das juventudes do PG em maio de 1936.

E fundamentalmente a posiçom claramente favorável à constituiçom de um partido comunista galego seguindo as teses leninistas e da III Internacional, que promoviam em pleno período republicano os bolcheviques de Ourense, dirigidos polo legendário Benigno Álvares. A primeira tentativa de articular umha força política sobre o binómio independência/socialismo.

Como podemos observar, o movimento de afirmaçom nacional foi superando as suas diversas fases. Sempre, após umha derrota política, os quadros refugiam-se no culturalismo. Logo, volta a começar com outro movimento político e assim sucessivamente. Esta deriva voltou a cenificar-se após a implossom da esquerda independentista em 2014/2015.

O movimento de afirmaçom nacional, existente e hegemónico a dia de hoje, está estancado entre a resignaçom, a disgregaçom e o amorfismo. O nacionalismo galego está dirigido pola pequena-burguesia, situado no amplo campo do reformismo, revisionismo e oportunismo. A claudicaçom do movimento popular, renunciando à luita e confrontaçom com o inimigo, substituindo-a polo vírus eleitoralista e o cretinismo parlamentar, é consequência da sua incoêrencia teórico-prática, que situado no campo da “esquerda” nom aplica os princípios sobre os que afirma estar inspirado.É umha força domesticada e esterilizada. Minte prometendo um futuro melhor sem os sacrifícios inerentes à coerente luita operária, nacional e popular. Nengumha das conquistas atingidas pola classe trabalhadora, polos povos oprimidos, foi gratuíta nem lograda facilmente. Todas estám tingidas de suor, lágrimas e sangue. Esta é a crua verdade. E dizer a verdade é sempre revolucionário. Nom é possível mudar nada sem luita, sem povo trabalhador organizado, sem mobilizaçom social e sem confrontaçom.

A Galiza vive a opressom espanhola que abafa e esmaga sem dissimulo de nengum tipo a nossa existência, reprimindo, perseguindo e encarcerando as galegas e galegos que erguem a bandeira da emancipaçom e a transformaçom social. Numha naçom oprimida como a nossa, submetida a um desenvolvimento económico e social dependente do poder alheio e onde as classes possuidoras fôrom incapazes de encabeçar um projeto nacional, únicamente o conjunto de classes populares, lideradas pola classe trabalhadora, podem dirigir o processo de libertaçom nacional. No nosso país, a opressom de classe e a opressom patriarcal dam-se através da opressom nacional. Esta opressom nacional é o principal mecanismo de veicular a exploraçom capitalista das classes trabalhadoras e da opressom patriarcal e machista sobre as mulheres.

Galiza nom é Espanha, e o nosso futuro como naçom, como povo e como classe, passa pola conquista da nossa independência nacional, pola saída da UE e das instituiçons internacionais imperialistas a que nos incorporou Espanha (NATO, FMI, Banco Mundial). Passa invitavelmente por avançar polos caminhos do Socialismo. Sem Socialismo nom é possível a soberania nacional.

Por isso, mudar o discurso de emancipaçom nacional, por dotá-lo de um programa abertamente independentista e de classe, é umha necessidade histórica. Isto só o pode realizar a classe obreira, com umha linha e programa genuinamente proletário e umha política de alianças de unidade popular.

É hora de agirmos com audácia e coragem. Perante os salários de miséria e a precariedade laboral, os despejos, a emigraçom, a pobreza, o reforçamento do patriarcado, a assimilaçom lingüística e cultural, etc, é necessário vertebrar um amplo e plural pólo classista e patriótico sem exclusons e com vocaçom integradora, que sem timoratismos nem complexos, armado do programa avançado combata o fascismo e desmascare o fraudulento governo “progre”.

Que leve a iniciativa mobilizadora, ocupando as ruas e fazendo frente o espúrio e corrupto regime espanhol, para avançamos no caminho do nosso objetivo estratégico: lograrmos a independência nacional, o socialismo e umha Galiza sem patriarcado.

Vox é a ditadura terrorista do capital

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Vox é a ditadura terrorista do capital

[Artigo de opinióm de Paulo Peres Lago membro da DN de Agora Galiza-Unidade Popular]

O fascismo é o ás guardado na manga polas elites económicas dominantes numha altura da história determinada e num lugar concreto.

O desenvolvimento capitalista é desigual segundo as formaçons históricas sociais dos distintos países-naçons. As oligarquias dominantes ou fraçons promovem o nazi-fascismo quando periga a sua insaciável sede de acumulaçom, quando por mor das condiçons de reproduçom da vida material alviscam rebeldias, indignaçom e luitas organizadas contra as duras condiçons económico-materiais que nos querem impor ao povo trabalhador. Revestem nos distintos países formas diferentes segundo as suas particularidades nacionais, sociais e económicas.

O ascenso do fascismo ao poder nom é umha simples mudança de governo, nom é umha simples mudança de umha forma de governó burgués, senom a substituiçom de umha forma de dominaçom que combina consenso e violência por umha ditadura terrorista aberta.

É a bala na recámara que possui a elite económica dominante nessa altura, quando prognosticam no horizonte umha agudizaçom da luita de classes perante umha crise capitalista nom resolvida.

Os avisos e menssagens lançadas mesmo polos ideólogos burgueses, qualificam esta nova recessom a vista como mais grave, aniquiladora e destrutiva que o crack do 29. Eis polo que o fascismo começa a ser a alternativa superadora para a burguesia espanhola. Mas nom para toda. A burguesia vinculada ao PSOE nom está disposta a esta aventura. Mas nom devemos esquecer que todas as fraçons da burguesia -pequena, mediana e grande com as suas matizaçons-, som inimigas históricas e irreconciliáveis da classe obreira no quadro da sociedade de mercado.

É especialmente clarificador um tweet emtido em novembro de 2019 por Juan Carlos Girauta -ex-dirigente de C’S-, [Bueno, Ana Patricia, lo has conseguido, como sueles. !A vosotros no se os tose! Y ahora que Cs ya no es el problema, que tengáis suerte com Vox], para saber de boa mao quem aposta polo fascismo no Estado espanhol. Um destacado segmento da banca e do Ibex 35, a fraçom mais criminal, carronheira e sanguinária, o parasitismo da usura financieira.

É agora quando se torna realidade a definiçom adotada no VII Congrersso da na III Internacional [1935], “O fascismo é o poder do próprio capital financieiro”.

No plano político o fascismo é o ajustamento de contas organizado contra a classe obreira, contra as classes oprimidas e dominadas, contra a inteletualidade e o conhecimento superador da realidade burguesa.

A perseguiçom fanática e violenta dos e das comunistas, sindicalistas, a supressom da democracia, a repressom implacável de toda mostra de oposiçom, conculcaçom de direitos e liberdades, a barbárie étnica e misógina, a subordinaçom completa da classe obreira aos ditados do patronato, a posta em funcionamento e aceleraçom da maquinária repressiva e de extermínio de toda insurgência ou dissidência.

Os antecedentes histórico-económicos que servírom para impor o fascismo em tempos passados, tenhem em comum coincidências no contexto atual de crise económica, social, institucional, cultural e  ecológica. Mas também as possibilidades nestas condiçons de promover a via “golpista”, por isso o fascismo tem também um alto componhente contrainsurgente.

É claro que hoje em dia a tomada do poder polos fascistas nom vai levar o mesmo caminho que no passado, mas vam precisar das mesmas ferramentas, de forças militares e repressivas, dos aparelhos judiciais, das igrejas, dos meios de comunicaçom. Com este aparelhos de dominaçom física, ideológica e cultural, aproximam umha parte do povo trabalhador mais despolitizado e setores da pequena burguesia “assustados”. Conseguindo certa legitimaçom política que o Estado burgués lhe outorga, após ter sido fertilizando o terreno com os cortes de direitos e liberdades, via reforma laboral, lei mordaça, perseguiçom policial e judicial do antifascismo, a total permissividade e proteçom dos fascistas.

Cada declaraçom de dirigentes de Vox ou dos seus acólitos deve por em estado de alarma todo aquele que se considere democrata. Com um discurso racista, misógino, anti-inmigrante, demagogo, extremadamente chauvinista espanhol, defensor a ultrança da familia “tradicional”, culto ao uniforme, à bandeira e a épica do sangue, defesa das tradiçons mais arcaicas e rançosas, dos valores mais ultracatólicos e reacionários, combinado com medidas de corte populista no plano politico-social.

Vox é umha expressom século XXI do nacional-catolicismo franquista, é a conexom política do exército, polícia, guarda civil, juizes, fiscais, órgaos da justiça e serviços privados de segurança, subsidiados por grandes grupos económicos e financieiros do Ibex 35, que tenhem a sua origem no franquismo, quando atingírom umha das épocas mais grandiosas de acumulaçom de lucro por mor da sobre-exploraçom e o escravagismo que caraterizava a ditadura.

O fascismo que eclosiona sem complexos, nom é um fenómeno novo. Sempre estivo ai ao longo das últimas quatro décadas. É resultado dos ignominiosos pactos da “transiçom”, que só maquilhárom o franquismo numha democracia parlamentar burguesa.

Porém, o seu novo imaginário coletivo hegemónico, articula-se à volta da bandeira bourbónica, da “estanqueira” dos vencedores na guerra de classes de 1936-1939.

Nom só devemos combater o seu discurso maniqueio e demagógico, devemos combater os seus símbolos, que representam e sintetizam o projeto oligárquico, antagónico com os interesses do conjunto das classes trabalhadadoras deste cárcere de povos chamada Espanha

Nom subestimemos, nom banalizemos, nem ridiculizemos o fascismo.

Deve ser combatido com tenacidade, unidade, firmeza e coragem.

Esta é a realidade que nos quererám impor e por isso cumpre organizar-se, nom valem meias tintas, olhemos o passado.

Quatro décadas de isolacionismo

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[OPINIOM]

Quatro décadas de isolacionismo

Divulgamos artigo de opiniom do camarada Anjo Formoso Varela, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular.

A fala da Galiza, o português de Portugal, o português de Brasil, e os outros português dos distintos territórios lusófonos formam um único diassistema lingüístico, conhecido entre nós popularmente como galego e internacionalmente como português”. [Ricardo Carvalho Calero]

Mais um ano vemo-nos na obriga de defender o nosso idioma perante a dramática situaçom na que se acha a língua da Galiza, o galego. Defender o galego como o que é, um idioma internacional. Nom é umha língua que só se emprega dentro das fronteiras da Galiza.

Quarenta anos de acordos normativos e ortográficos, redigidos desde o isolacionismo e impulsionados desde o poder político espanhol, onde tivérom no ILG, entidade estremamente setária e anti-reintegracionista, o seu máximo representante.

Após quarenta anos da imposiçom do modelo lingüístico-cultural isolacionista, os dados objetivos falam de umha grave deterioraçom do idioma e dos seus respetivos falantes. A imposiçom de um modelo lingüístico e cultural a partir do espanhol nom serviu nem serve para favorecer a implantaçom do galego nem a identificaçom do nosso povo com o mesmo.

Ao contrário, cada vez mais galegos e galegas se instalam na espanholidade. Enquanto sigam pondo límites ao galego como língua internacional, caminharemos inexoravelmente cara ao nosso suicídio como povo com cultura e língua milenária.

A dia de hoje, observamos o confronto entre duas cosmovisons completamente antagónicas: a progressiva assimilaçom ao projeto nacional espanhol ou a construçom de um projeto nacional próprio.

Neste confronto, a sociedade galega tem que pôr todos os meios para umha planificaçom da normalizaçom do idioma em todos os ámbitos, e o rol das forças sociais e políticas comprometidas com a Naçom galega deve ser determinante.

É necessário traçar umha clara linha divisória com o projeto cultural espanhol para reforçarmos o projeto de soberania cultural e recuperarmos a memória e identidade históricas.

Para isso, achamos que tornarmos o reintegracionismo em ferramenta normalizadora é de primeira necessidade, confluirmos com o tronco comum com o resto de países do mundo que usam o galego-português. O reintegracionismo defende que o hoje em dia definido como galego fai parte de um único diassistema lingüístico, conhecido internacionalmente como português.

A fala da Galiza, o português de Portugal, do Brasil, e os outros português, som variantes de umha mesma língua. O reintegracionismo nom quer que mudes o galego que falas para falar português, senom que o galego que estás a falar agora mesmo, sem mudar absolutamente nada, é a mesma língua que falam no Porto ou no Rio de Janeiro, cada umhacom as suas variantes lógicas e normais.

As cousas claras. Nom funciona o modelo “normalizador” institucional pactuado entre todas as forças com representaçom no Parlamento Autonómico. A estratégia do nacionalismo galego no ámbito político e social nom tem dado resultados tangíveis nestas quatro décadas. O trágico balanço é de perda progressiva de galegofalantes e paulatina espanholizaçom da sociedade galega, especialmente entre a juventude e o povo trabalhador.

Cada dia que passa, está mais claro que o reintegracionismo é a única possibilidade de evitarmos a hibridaçom à qual o nosso idioma está submetido pola abafante influência do espanhol. Pola experiência de muitos centros sociais e associaçons culturais espalhadas por todo o nosso país (que lográrom tecer umha ampla rede na defesa do galego internacional), afirmamos que o reintegracionismo é a única hipótese de alargar o número de falantes, de recuperar o seu uso, de prestigiar o galego, de depurá-lo da intoxicaçom e crioulizaçom que padecemos a comunidade galego-falante pola contaminaçom léxica, fonética, morfosintática do espanhol.

O facto de tornar-se reintegracionista fai que muita gente se preocupe pola suposta “perda da galeguidade”. Porém, achamos que ganhamos em consciência nacional e que o reintegracionismo luita pola conservaçom da nossa língua e do nosso povo.

A recuperaçom do galego por parte do povo trabalhador está indissoluvelmente ligado à conquista da independência nacional para recuperarmos a soberania. Só um Estado galego plenamente independente e soberano poderá normalizar o galego como a língua nacional da Galiza e de fazer frente às agressons do projeto espanhol na sua estratégia de se instalar de vez na nossa terra.

Um amplo movimento popular de base em todos os ámbitos e espaços sociais, fundamentado na defesa intransigente do reintegracionismo lingüístico e do monolingüismo social, logrará evitarmos o que Espanha e a UE tenhem traçado para aniquilar a língua e cultura do país dos castros e mil rios.

Galiza, 14 de maio de 2020

VIGÊNCIA DA ESTRATÉGIA INSURRECIONAL DE LENINE.

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[OPINIOM]
No ano que comemoramos o 150 aniversário do nascimento de Lenine, divulgamos artigo de opiniom do camarada Paulo Vila, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular.

VIGÊNCIA DA ESTRATÉGIA INSURRECIONAL DE LENINE

A democracia na sociedade capitalista nunca pode ser mais do que umha democracia truncada, miserável, falsa, umha democracia apenas para os ricos, para as minorias”.

Neste 150 aniversário do nascimento de Lenine,a esquerda revolucionária galega reivindica o exemplo, legado e total vigência do seu pensamento, imprescindível na luita pola causa da emancipaçom do proletariado e libertaçom dos povos oprimidos.

Perante a situaçom de crise sanitária e de confinamento, cumpre ter mui presente as leiçons do indobregável bolchevique, líder da Revoluçom Russa. Nas suas teorias e prática insurrecional estám as ferramentas para podermos combater os problemas existentes na sociedade capitalista e organizarmos a alternativa revolucionária para a tomada do poder.

Defensor do partido de vanguarda sob direçom e programa operário, Lenine demonstrou que nom existe a neutralidade política, nengum Estado, nem governo na história, foi ou é neutral.

Toda infraestrutura governamental, legalidade e instituiçons estám feitas a imagem e semelhança da classe que está no poder, ou servem a burguesia ou o proletariado.

O Estado capitalista pola sua natureza, só serve para administrar os negócios da burguesia. Eis polo que no capitalismo a burguesia nom permite realizar concessons que fagam perigar os seus privilégios pola via pacífica, por muito jogo parlamentar e eleiçons que se ganhem.

Lenine, e portanto o leninismo, demonstrou que os grandes problemas que sofrem os oprimidos e explorados só se podem resolver pola força, mediante a queda violentado regime burguês.Um regime sustentado sob a exploraçom, saqueio, brutal violência e repressom contra a maioria da populaçom.

No Estado espanhol perante a pandemia de coronavírus, o governo de coaligaçom PSOE-Unidas Podemos nom implementou medidas para proteger mínimamente a maioria da populaçom e povo trabalhador. As medidas fôrom adotadas seguindo instruçons do patronato(CEOE) e do capitalismo monopolista representado no Ibex35.

Agilizárom ERTEs, nom proibirom os despedimentos, só se encarecérom, nom nacionalizárom setores estratégicos e incautárom laboratórios, hospitais e clícinas privadas, nom exigírom à banca a devoluçom dos 65 mil milhons de euros, nem impostos progressivos aos lucros das grandes empresas e fortunas, etcétera. A insuficiente renda mínima nom passam de ser migalhas para aliviar os graves problemas económicos dos setores mais vulneráveis do povo trabalhador.

Na Galiza, a crise do coronavírus desmascara as desigualdades entre ricos e pobres. A lamentável gestom e ineficácia da Junta de Galiza, só contribuiu para empiorar a situaçom das camadas populares.

Além das graves negligências cometidas, o governo da Junta encabeçado por Feijó, tem possibilidades de sair reforçado nas vindouras e leiçons autonómicas, mantendo a maioria absoluta ao nom existir umha oposiçom forte à hora de fazer-lhe frente nas instituiçons e nas ruas.

Todo isto agrava-se mais com a nova crise socio-económica em curso. O mal chamado governo progressista de Pedro Sánchez, vai implementar medidas económicas para salvaguardar e reforçar os privilégios da oligarquia, como assim o constata o projeto dos novos “Pactos da Moncloa”. Sob este cenário o Estado espanhol opta por implementar medidas visadas para aumentar a repressom, como maior controlo das redes sociais, telecomunicaçons ou reforçamento do aparelho policial, consciente das futuras luitas operárias.

Como acertadamente apontou Lenine, o Estado sempre prioriza por acima os interesses da classe que controla o poder. A oligarquia aproveita a crise do coronavírus para estabelecer medidas visadas para enducerecer a exploraçom, dominaçom, aumentar o controlo sobre as masas e blindar os seus privilêgios.

Serve-se dos diferentes partidos burgueses sob o falso jogo e amalgama “do parlamentarismo democrático” para embaucar os obreiros. Eis da plena vigência e importância do partido de vanguarda de Lenine sempre sob direçom e programa operário para garantir defesa dos interesses da nossa classe perante as acometidas da burguesia.

As reformas som demasiado importantes como para deixá-las nasmaos dos reformistas”.

Lenine ensinou-nos que o reformismo ainda que seja sincero nom é mais que um instrumento da burguesia para adormecer os obreirose evitar que virem cara posiçons revolucionárias. A própria natureza do reformismo impossibilita atingir reformas que sem questionar o quadro jurídico-político do Estado burgués, melhorem as condiçons de vida da classe operária.

Só aspiram, guardando pleitesia e ajoelhando-se perante a burguesia, a conseguir simples migalhas que nom afetam nem o mais mínimo o poder, como é a insignificante renda mínima estabelecida polo governo espanhol, impulsionada principalmente polo setor social-democrata, por Unidas-Podemos.

O seu respeito à legalidade e “normalidade” institucional só desarma a nossa classe, fazendo-os retroceder nas reivindicaçons e reforçando o fascismo sem complexos, que se proclama como primeira força de choque sem achar a resistencia exigível.

Inclusivepara atingir reformas é necessária a via revolucionária. A organizaçom, confrontaçom e combate nas ruas sem trégua até forçar a burguesia a ceder continua sendo a única alternativa eficaz.

No seio da esquerda também existe luita de classes, por isso seguindo o exemplo leninista devemos deslindarmos e confrontar como oportunismo, e com todacorrentepequeno-burguesa e interclassista. O reformismo,seja autonomista galego ou umha mera sucursal espanholista, é inimigo dos nossos interesses de classe.

Desmascara-lo é um dos principais objetivos que devemos realizar para podermos construir umha alternativa revolucionária e patriótica galega com bases e projeçom de massas.

Com o exemplo de Lenine também apreendimos que nom há que renunciar a luita de classes sob nengum conceito.
Sob o pretexto da alerta sanitária, o reformismo está colaborando ativamente com os partidos burgueses, fazendo crer à populaçom que o primeiro é superar a pandemia e que é necessário deixar as “diferenças ideológicas”. Do mesmo jeito aplaude, em vez de combater, a nojenta filantropia do patronato.

A lógica interclassista e antimarxista do reformismo, negando a luita de classes, democratiza e lava a imagem do inimigo ao inimigo. Nestas situaçons comprovam-se as carências dos partidos burgueses, do governo, e o próprio Estado capitalista em geral à hora de defender os interesses operários.

A vía revolucionária constata que nom devemos renunciar nunca à defesa dos interesses de classe por mui difícil e complexo que seja o contexto e situaçom, ao contrário, devemos ser mais firmes e intransigentes com o inimigo.

Se queremos enterdermos o que significa a autodeterminaçom das naçons, sem jogar a definiçons jurídicas nem “inventar” definiçons abstratas, mas sim examinando as condiçons históricas e económicas dos movimentos nacionais, chegaremos inevitavelmente à conclusom seguinte: por autodeterminaçom das naçons entende-se a sua separaçom estatal das coletividades de outra naçom, entende-se a formaçom de um Estado nacional independente”.

Queremos reivindicar o Lenine internacionalista, defensor do direito de autodeterminaçom das naçons oprimidas. Lenine ligou dialeticamente os princípios do internacionalismo proletário e do direito dos povos submetidos o domínio e opressom nacional.

O reconhecimento por parte do proletariado da naçom opressora dos direitos nacionais do proletariado da naçom oprimida é indispensável para a uniom de ambos na luita contra o capitalismo.

A unidade de Espanha junto com a monarquía bourbónica som as pedras angulares do Estado espanhol. A uniom territorial imposta com a força das armas,nom é mais que umha“unidade” de mercado funcional aos ricos, visada para permitir à burguesi a lucrar-se dos recursos e explorar a classe trabalhadora das diferentes naçons oprimidas.

Fomentam o chauvinismo e o supremacismo espanhol como objetivo nom só de negar a luita de classes, também posicionar o movimento operário contra o independentismo das diferentes naçons na legitima luita pola autodeterminaçom e soberania, alinhando-se com a classe exploradora e naçom opressora.

Os aplausos às forças repressivas, as arengas reacionárias dos militares nas comparecências públicas ou o hiper-centralismo do Estado limitando, suspendendo e apropriando-se das competências transferidas as Comunidades Autónomas, demonstram que a burguesia também aproveita a alerta sanitária para combater e silenciar os conflitos nacionais, para avançar no proceso de assimilaçom.

Eis polo que seguindo o exemplo leninista, e tendo em conta as caraterísticas concretas da nossa naçom, entendemos que unicamente poderemos lograr a plena emancipaçom do povo trabalhador galego, ligando a luita pola libertaçom nacional com o socialismo.

Só mediante a reconstruçom da esquerda revolucionária galega sob posicionamentos e programa operário, deslindando e confrontando as tendências reformistas e autonomistas pequeno burguesas, inspirados nas ensinanças, linha estratégica e tática de Lenine para fazer a revoluçom socialista, poderemos conquistarmos a indepêndencia e proclamar a República Socialista Galega.

Galiza, 4 de maio de 2020

SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

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SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

Anjo Formoso Varela*

Este curso nom pode voltar à normalidade. A crise da Covid-19 frustrou o fim do curso universitário e deixa à luz as eivas e grandes carências do ensino público no quadro do capitalismo e a dependência nacional.

Um ensino público, intrinsicamente classista, cada vez mais elitista e individualista, que sofre cortes permanentes por parte dos governos autonómico e estatal. Esta agrava-se com a vontade por parte da Junta da Galiza de abrir a Universidade Abanca, impulsionada com dinheiro público.

Perante esta situaçom de emergência, o estudantado operário e popular nom pode resignar-se, devemos passar à iniciativa para defender com firmeza os nossos interesses.

Ao princípio do curso, pagamos umha matrícula por aulas presenciais que nom estamos a receber. Pagamos por um serviço inexistente, polo que pedimos a devoluçom do dinheiro da matrícula do segundo semestre já!

No seu defeito, começamos com a docência telemática. Isto está amossando a inexistência dumha plataforma virtual funcional e operativa, inacessível para umha parte destacável do estudantado de extraçom operária e popular. Nom todo o mundo tem acesso a internet, nem vivendas, nem condiçons familiares, nem meios para continuar com a docência virtual.

A USC vem de aprovar o cofinanciamento do internet sem sobrepassar a cifra de 40 euros. A dia de hoje, um mês após a suspensom das aulas presenciais, seguimos sem ver esse dinheiro. Para o estudantado mais precário, esta situaçom é vergonhenta! Mas, a pesar disto, a carga de trabalho aumentou considerávelmente.

Muitos professorado continua a exigir que elaboremos trabalhos porque dizem que é a melhor maneira de seguir com a docência. Muitos nom facilitam bibliografia, e mesmo alguns com absoluto descaro nem as suas obras, chegando a afirmar que as compremos porque nom som tam caras.

Esta situaçom é insustentável! Muitos de nós temos que estar pendentes dos nossos familiares ou coidando de nós mesmos. Por isso, solicitamos a suspensom imediata de toda atividade docente. É umha situaçom extraordinária para todo o mundo, nom estamos de férias! Nom pode aumentar a carga de trabalho!

A fenda de classe é um condicionante indiscutível, embora desconsiderado polos reitores e a Conselharia de Educaçom. O estudantado de classe trabalhadora acha-se numha circunstáncia mui delicada. Muitos de nós, por medo a contagiar os nossos familiares, ficamos nos “pisos” de estudantes. Apartamentos pequenos e precários. Ainda assim, estamos pendentes em todo momento da situaçom económica familiar, dos ERTES, dos despedimentos, do futuro laboral e das condiçons materiais da nossa família, sob a ansiedade do que vai passar …

Como se nos pode exigir que estejamos pendentes do Câmpus Virtual? Como podemos continuar como se nada passasse? O capitalismo furta-nos da nossa condiçom humana, assim nom se pode estudar. Nom somos máquinas! Na situaçom de anormalidade que nos achamos, nom deveria supor-se que o rendimento do alunado seja o mesmo. Isto vai ter um reflexo direto nas nossas qualificaçons, nas bolsas e nas ajudas, indispensáveis para que o estudantado de classe trabalhadora viva e estude.

Muitos de nós, vamos ter que deixar de estudar o ano que vem ao nom poder pagar a matrícula. Por isso, achamos que a única alternativa e soluçom real para o alunado é a liquidaçom das matérias e a suspensom imediata de toda atividade docente. Fim do curso já!

Mais um problema que padecemos, é a incompetência e a negligência dos três reitores galegos, os senhores Julio Abalde Alonso, Antonio López Díaz e Manuel Joaquín Reigosa Roger. Parece que nom se dam conta de que estam jogando com o nosso futuro.

Estamos a meados de abril, a um mês de começar os exames finais e nom sabemos qual vai ser o método de avaliaçom. O passado 6 de abril, os reitores reunirom-se com vistas a estabelecer um método de avaliaçom. Na reuniom nom se decidiu nada, convocando um outro encontro marcado para duas semanas antes dos exames, visada para manter o calendário de exames. Algum deles, conta com fazer exames presenciais em junho.

Assim, além de porem em risco a nossa saúde e a dos nossos familiares, amplia o calendário escolar, impossibilitando a opçom de trabalhar no verao para pagar os estudos. Nom contemplam o que a maioria do estudantado reclama, a liquidaçom das matérias. Passe o que passe, nom esqueceremos!

É o nosso futuro e estám a jogar com ele!

Achamos que a melhor alternativa para todo o alunado é dar por finalizado o presente curso. Esta iniciativa é secundada por um amplo número de estudantes dos câmpus de todas as universidades galegas e organizaçons, tanto a nível galego como no resto do Estado. Ainda que muitas iniciativas chegam tarde e o movimento estudantil galego estivo adormecido este ano, o estudantado da esquerda revolucionária galega apelamos a secundar a greve estudantil convocada a partir de amanhá pola ANEGA nas três universidades da Galiza. Umha greve que deve ser de carácter indefinida até dobregarmos os reitores e a Conselharia de Educaçom.

A trajetória do nosso movimento, tal como nos indica a história do movimento obreiro, tem constatado que as conquistas e direitos só se atingem luitando.

Galiza, 15 de abril de 2020

*Anjo Formoso Varela é estudante de Filologia Galega na USC, membro de Estudantes Antifascistas e fai parte da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

 

Comunicado nº 118: Avaliaçom dos resultados das eleiçons municipais e europeias de 26 de maio

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Avaliaçom dos resultados das eleiçons municipais e europeias de 26 de maio

Na atual “democracia” burguesa postfranquista som quatro as grandes forças políticas que representam os interesses da oligarquia, os monopólios e as multinacionais: PSOE, PP, C´s e Vox.

Nom se sostém, carece da mais mínima credibilidade e rigor, a extendida caraterizaçom de demarcaçom do cada vez mais artificial e inconsistente eixo “esquerda-direita”, entre um trifachinho representado polo PP, C´s e Vox, e o “progressismo” do PSOE.

Umha análise de classe das formaçons políticas hegemónicas, deve caraterizar PSOE de Pedro Sánchez e da família Caballero, como um partido de centro-direita maquilhado de progressismo, funcional para alimentar o ilusionismo da alternância eleitoral por concentrar umha substancial parte do voto sociologicamente de “esquerda”. A experiência histórica das cinco décadas de postfranquismo constatam e reafirmam, umha e outra vez, que é umha força reacionária tingida de vermelho descorido.

Só a partir desta equaçom poderemos realizar umha leitura correta dos resultados eleitorais do passado domingo.

ELEIÇONS MUNICIPAIS

Sem lugar a dúvidas o grande vencedor foi o PSOE, que logrou um inequívoco avanço eleitoral em boa parte dos concelhos da Galiza, com destaque nos grandes núcleos urbanos, a custa de recuperar o espaço que em 2015 tinha ocupado a mal denominada “nova política”.

Aproveitando o vento de “cola” das legislativas conseguiu situar-se em termos absolutos como segunda força, com praticamente um empate técnico com o PP [9 mil votos menos], mas logrando revalidar umha esmagadora maioria absoluta em Vigo, e recuperando as alcaldias de Compostela, Corunha e Ferrol, e com possibilidades de governar Ourense, assim como as principais cabeceiras de comarca e grandes núcleos urbanos da Galiza ocidental.

PP, sendo a força mais votada com algo mais de meio milhom de votos, continua com a tendência à baixa. Embora conserva um indiscutível poder territorial na Galiza despovoada e subsidiada do rural, progressivamente também tem requado no seus feudos tradicionais.

Sendo a candidatura mais votada em Ferrol, porém, à partida nom vai gerir nengum dos Concelhos de núcleos urbanos de mais de 25.000 habitantes.

O espaço aglutinado à volta das Mareas, Podemos, IU e as confluências locais, foi o grande derrotado neste 26 de maio. Perdeu praticamente todo o poder territorial que tinha atingido em 2015, com destaque para as cidades de Compostela, Corunha e Ferrol. Salvo Sada e a Póvoa do Caraminhal, onde experimenta um destacado incremento de votos e representaçom, mais Teo e Val do Dubra com possíveis pactos, nom conservará mais alcaldias, retrocedendo em praticamente todos aqueles municípios nos que se apresentou sob diversas nomes, inclusive competindo entre si.

A socialdemocracia autonomista logrou um minúsculo incremento eleitoral plasmado no exíguo 0.5%, passando de 11.74 a 12.47%, tam só 14.059 votos mais, mui por baixo das expetativas.

BNG conservando similar poder territorial recuperou presença em Ourense e Vigo. Este facto, mais do ámbito simbólico, unido a terem duplicado votos nas eleiçons europeias, passando dos 80.000 a 179.000, é erronemante interpretado como umha mudança de ciclo. Mas nom desconsideremos que a candidatura europeia na que ia coaligado, aglutinou votos da solidariedade galega com o causa da República catalana.

Embora duplique o número de concelheiros, passando dos 16 em 2015 aos 33 atuais, com menos de trinta mil votos o neofalangismo laranja de C´s segue sendo a nível municipal umha força testemunhal, tam só com presença na Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra.

Também fracassárom estrepitosamente as 13 candidaturas do fascismo espanhol sem complexos. Vox na Galiza é um partido residual, nom logrou atingir os 10 mil votos, situando-se em menos de 2%, salvo em Baiona onde logrou 4%.

ELEIÇONS EUROPEIAS

A abstençom que propugnamos como Agora Galiza-UP, passou do 54.56% [1.249.010 votos] de 2015 a 34.66%, mais de 777.000 galegas e galegos. A coincidência eleitoral com as municipais provocou um importante incremento da participaçom.

O grande vencedor foi o PSOE com 507.690 votos [35.05%], seguido do PP com 431.782 [29.81%].

BNG-Agora Repúblicas atingiu 171.500 [11.84%] e Podemos/IU 117.592 [8.12%].

As forças situadas no campo do neofalangismo e fascismo sem complexos, lográrom um resultado percentualmente mui superior ao que tinham logrado em 2015, e do colheitado nas municipais, onde por carecer de implantaçom organizativa territorial, nom conseguírom confecionar suficientes candidaturas eleitorais.

Deste jeito C´s passou de 1.62% de 2015 a 6.67% [96.590 votos] e Vox de 0.77% a 2.58% [37.335 votos].

BALANÇO E PERSPETIVAS

Ciclo eleitoral de abril-maio confirma a progressiva tendência à recuperaçom do monobipartidarismo PSOE/PP com as suas peculariedades.

Agudizaçom da crise de representaçom da nova socialdemocracia, que passou de pretender “tomar o céu por assalto” mediante um sonhado e irreal sorpasso ao PSOE, a querer ser parceiro no governo de Pedro Sánchez, para agora unicamente tentar influir na sua política.

A debilidade eleitoral de Podemos e a vontade do PSOE de procurar acordos com C´s, seguindo os ditados da oligarquia e recomendaçons do Ibex 35, situa os de Pablo Iglesias à beira do fora de jogo do taboleiro institucional do III restauraçom bourbónica.

Tal como na Comunidade Autónoma Galega a imprensa regionalista galega leva meses promovendo, o sócio “natural” do PSOE para configurar governos alternativos aos do PP, é reeditar os bipartidos urbanos PSOE/BNG, ensaiados com “êxito” nas Deputaçons. Esta é a opçom pola que se inclinam os poderes fácticos, que frente à beligerância extrema exibida contra os governos municipais das Mareas, mantivérom umha outra atitude com os alcaides do BNG.

O quadro nacional de luita nestas eleiçons municipais voltou a confirmar-se, pois ao contrário que em Espanha, aqui C´s é umha força marginal, e Vox umha organizaçom residual, de momento sem capacidade real de inicidência.

O descalabro eleitoral da nova política, a incapacidade da socialdemocracia autonomista para recuperar o corpo eleitoral e institucional perdido, a carência de ambas de vontade política para agir como um movimento ruturista, os resultados testemunhais das candidaturas de organizaçons revolucionárias e anticapitalistas, reafirma a posiçom adotada por Agora Galiza-UP. No atual ciclo histórico, de avanço da reaçom e da contrarrevoluçom a escala mundial, a frente eleitoral nom é prioritária para contribuir à reconstruçom da esquerda revolucionária.

Como organizaçom marxista, socialista e revolucionária galega nom defendemos umha doutrina abstencionista, mas consideramos que as tarefas prioritárias som a dia de hoje continuar com a batalha ideológica para deslindar campos frente às fraudes reformistas e populistas, e procurar acordos que permitam unir energias contra o principal inimigo que atualmente temos que combater: o rearme político, ideológico e social do fascismo.

Agora Galiza-Unidade Popular consideramos que a tarefa prioritária segue sendo erguer umha muralha antifascista, pois nom se pode subestimar a dimensom eleitoral/institucional das forças da extrema direita e fascistas.

Nos vindouros meses a classe operária e o povo trabalhador vai ter que ativar-se novamente para fazer frente à nova reforma laboral e medidas involucionistas que vai implementar o governo de Pedro Sánchez.

Apostarmos pola luita operária e popular, de orientaçom e direçom classista, pola complementaçom de todos os métodos de luita, subordinando o institucional/eleitoral à luita de massas, por promover e organizar a conflituosidade nas ruas e centros de ensino e trabalho, por construir cultura rebelde, segue sendo o melhor antídoto contra o avanço da reaçom e para sentar bases sólidias visadas para construir um movimento socialista de libertaçom nacional.

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 28 de maio de 2019

O FASCISMO É O PODER DO PROPRIO CAPITAL FINANCIEIRO. (artigo de Paulo Peres Lago)

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Publicamos artigo do camarada Paulo Peres Lago, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza.

O FASCISMO É O PODER DO PROPRIO CAPITAL FINANCIEIRO
Paulo Peres Lago

As elites económicas e a fraçom vinculada ao capital financieiro -que sempre atuam sob um plano tático e estratégico, nom som dados à improvisaçom nem a deixar cabos soltos que gerem acontecimentos inesperados que interrumpam a sua voraz acumulaçom de lucro.

Na execuçom de esse plano oculto estám controlando de maneira soterrada os setores mais lucrativos do capital produtivo.

Na Galiza as grandes empresas dos setores conserveiro, metalúrgico e construçom naval, do setor graniteiro, do setor imobiliário, vivendas de proteçom oficial [VPO] e gentrificaçom de bairros inteiros, estám já nas maos dessa parte do poder económico mais necrófago, os fundos abutres.

As tentativas para apoderar-se daqueles serviços públicos que nom se estám privatizando à velocidade que demandam, mas nos que se estám introduzindo com o plácet de quem governa provisoriamente as instituiçons burguesas, precisam da aceleraçom de todo este processo para acabar de integrá-los nesse seu grande invento: “o mercado”, onde as vidas nom importam nem valem se nom som usadas como mera mercadoria que produz ganhos.

Para levar a cabo este segundo plano de apropriaçom dos que ainda resistem os seus embates, precisam de um sistema de controlo da populaçom que só umha ditadura é capaz de garantir.

Hoje em dia, com um povo alienado e com os mecanismos de dominaçom altamente aperfeiçoados, com a reproduçom ideológica, cultural e de informaçom ao seu serviço, som basicamente três os eixos que trabalham arreo engraxando a maquinária e preparando o assalto reacionário.

Isto é possível com leis repressivas que limitam as liberdades, com reformas laborais que escravizam e empobrecem o conjunto d@s assalariad@s, com as organizaçons sindicais vendidas.

Com corpos repressivos militarizados e altamente especializados em reprimir, usando os instrumentos coercitivos como as multas e o pau que restringem a resposta operária e popular.

O controlo maciço da povoaçom em gêral, a través das redes sociais, da internet e dos tefefones móveis, convertidos no melhor aliado do poder, som umha eficaz ferramenta mais da dominaçom.

Num momento de retrocesso das luitas e de limitada capacidade de resposta do povo trabalhador, as agressons contínuas por parte da patronato e dos governos mafiosos e corrutos, precisam dumha mudança que favoreça os criminosos planos do capital especulativo.

Hoje na Galiza, com as contradiçons entre Capital e Trabalho mais brutais aflorando perante a passividade do conjunto d@s assalariad@s, com o patriarcado e a cousificaçom da mulher que assassina e maltrata a sangue frio, com o empobrecimento por desposessom de umha percentagem do povo muito elevada, e com a obscena e fachendosa ostentaçom das riquezas acumuladas por roubo, exploraçom e precarizaçóm das massas trabalhadoras que pratica a burguesia, entra no mundo da política institucional a formaçom laranja.

Fai-no com umha cuidada cenificaçom, com a cara lavada e bom “aspecto”, pretendendo camuflar e ocultar o seu projeto neofascista com o seu renovado discurso populista amplamente difundido polos meios de comunicaçom da burguesia espanhola.

Ciudadanos está inoculado nas mentes das massas às quais assimilam, o que nom é mais que a farsa da unidade interclassista.

C´s está logrando que nom reconheçam nele o fascismo e a fera sedenta de sangue e lucro do capital financieiro que se oculta tras este discurso.

Um relato que especula de forma demagógica com as necessidades e exigências mais candentes, que incita os preconceitos fundamente arraigados nas massas, que se apresenta como defensor da naçom ultrajada, apelando ao sentimento “nacional” ferido, lançando palavras de ordem sedutoras [“só vejo espanhóis”] que converte o povo trabalhador na vítima da demagogia social chauvinista.

Todo este plano nom pode ser levado a cabo sem o necessário e vergonhento papel da socialdemocracia e do sindicalismo amarelo com as suas políticas de colaboraçom de classe com a burguesia, que deixárom o proletariado cindido e desarmado política e organicamente.

Albert Rivera, Inés Arrimadas, A. Espada…. som as pulcras caras de um renovado falangismo glamouroso, aupado polos meios de [des]informaçom da oligarquia, protegidos, amparados e financiados pola Banca e o Ibex 35.

Qualquer que for a máscara com a que se disfarce o fascismo, qualquer que for a forma na que se apresente, qualquer que for o caminho polo que se aupe ao poder, o fascismo é a mais feroz ofensiva do capital contra as massas trabalhadores, o fascismo é o chauvinismo mais desenfreado, é a guerra de rapina, o fascismo é a reaçom e a contrarrevoluçom, o fascismo é o pior inimigo da classe operaria e de tod@s @s trabalhadores/as.

A classe operária galega deve preparar-se para um cenário de involuçom neofascista, tendência estrutural na que aposta o grande capital à margem de que partido sistémico ocupe a Moncloa e o paço de Rajói.

Galiza, 1 de junho de 2018

Comunicado nº 83: Prisom permanente revisável, mais umha medida para reforçar a deriva autoritária do Estado espanhol

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Prisom permanente revisável, mais umha medida para reforçar a deriva autoritária do Estado espanhol

Após o assassinato de Gabriel Cruz, gerou-se nas redes sociais e nos meios de [des]informaçom burgueses muito ruído mediático à volta da aplicaçom da cadeia perpétua para crimes deste calibre.

Ademais, pudo-se comprovar como a ultradireita além da cadeia perpétua, solicita inclusive a pena de morte, convertendo este tema numha das principais reivindicaçons das posiçons mais reacionárias no Estado espanhol.

No Congresso dos Deputados debateu-se a derrogaçom da cadeia perpétua (prisom permanente revisável) aprovada em solitário polo governo reacionário e mafioso do PP.

Neste debate o partido de M ponto Rajói, junto ao neofalangismo de C´s, posicionavam-se em contra da sua derrogaçom, aproveitando o sofrimento e a dor dos familiares de Gabriel e de outras vítimas, para tirar rédito político e assim justificar a sua implantaçom.

A burguesia espanhola para justificar a deriva repressiva e autoritária que está tomando o Estado contra o povo trabalhador, apoia-se nos meios de comunicaçom, utilizando casos como o de Gabriel, para criar alarma social, essa falsa sensaçom na populaçom de que é necessário aumentar as penas e mao dura, convertendo a repressom num fetiche e criminalizando quem se oponha.

A cadeia perpétua nom serve para evitar crimes, nem ajuda tampouco a que estes disminuam. O impacto que tem o endurecimento das penas neste tipo de delitos é praticamente nulo. Nos Estados onde existe pena de morte, o índice de criminalidade nom diminui, como no caso dos Estados Unidos.

Chega com analisar a história penal espanhola: nem a aboliçom da cadeia perpétua na ditadura de Primo de Rivera, nem a da pena de morte após a constituiçom de 1978, tivérom impato algum no incremento de delitos violentos.

O Estado espanhol é um dos Estados da UE com maior número de presos e presas a pesar de nom ter as taxas de criminalidade mais altas, polo que a aplicaçom da cadeia perpétua nom só seria ineficaz para resolver este problema, tampouco ajudaria a prever estes delitos.

A cadeia perpétua é umha medida para reforçar aínda mais o poder da burguesia espanhola. Como em todo Estado burguês as leis som em benefício da classe que está no poder, a burguesia, e em contra da classe oprimida e explorada, a classe operária.

Os partidos burgueses nom vam apoiar nengumha lei que suponha umha ameaça para os seus interesses. Se assim fosse, Aznar, Zapatero ou o ex-Chefe do Estado Maior de Defesa, Julio Rodríguez, seriam condenados a cadeia perpétua por crimes de guerra, já que um dos casos nos que se pode aplicar esta lei é por delitos de lesa humanidade, genocidio ou por em perigo a vida de chefes de Estado de outros países.

O maior perigo é, que a causa da manipulaçom e intoxicaçom promovida polos meios de comunicaçom da burguesia, o povo trabalhador acabe por acreditar que nom há mais alternativa ao crime que a reaçom. O pior que podemos fazer, pior inclusive que perder a batalha, seria renunciar a dá-la.

Contra a deriva autoritaria do régime do 78 a luita é o unico caminho!

Viva a luita da classe trabalhadora!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 28 de março de 2018

Entrevista a Carlos Morais publicada polo portal anticapitalista LaHaine contrainfo.

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O membro da Direçom Nacional de Agora Galiza debulha a situaçom sociopolítica galega e os reptos e desafios do independentismo socialista e feminista.

Estamos às portas de um novo 25 de Julho, Dia da Pátria Galega, e estamos em conhecimento da intençom de Agora Galiza, organizaçom revolucionária e independentista galega, de organizar um mitim internacionalista esse dia em Compostela.

Sobre esta e outras questons conversamos com Carlos Morais, da Direçom Nacional de Agora Galiza.

 LH- O primeIro, para que a gente de fora da Galiza saiba quem sodes, que é Agora Galiza? Existe umha continuidade de AGZ com a desaparecida NÓS-UP?

Somos resultado dumha derrota, do traumático e fulgurante processo de implossom ao que se viu submetida a esquerda independentista e socialista galega entre 2014 e 2015.

Frente à grave crise gerada artificialmente no seio de NÓS-UP, que simplesmente perseguia a sua dissoluçom e enterro, um setor minoritário de militantes e simpatizantes contrários a arriar as bandeiras da Revoluçom Galega decidimos o mesmo dia da sua liquidaçom formal, em julho de 2015, fundar Agora Galiza. Com esta decisom tildada naquele momento de precipitada e carente de percorrido algum, logramos evitar a discontinuidade orgánica e sentamos as bases do atual processo de reconfiguraçom.

Embora só temos dous anos de vida nom emergemos da nada, assumimos como próprios, com todos os seus erros e acertos, a rica experiência e açom teórico-prática, a trajetória e o legado de NÓS-UP, da que somos pois a sua continuidade, a sua prolongaçom natural.

Agora Galiza define-se como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional e sobre estes três eixos radica o projeto de construçom em curso.

 LH- Um pouco como vedes o panorama do independentismo galego de classe, visto desde afora da Galiza como dividido, confrontado …

A corrente marxista do independentismo com a que nos identificamos promoveu todos os processos e iniciativas, sem excepçom, de unidade de açom e orgánica que se ensaiárom no nosso país desde 1999.

Após um prolongado e profundo debate, a inícios da atual década, chegamos à conclusom que nom tinha sentido seguir promovendo processos “unitários” porque nom existiam as condiçons objetivas, como tampouco subjetivas, para o seu desenvolvimento e posterior êxito.

As diferenças políticas e ideológicas entre as forças, organizaçons e grupos que aparentemente nos situamos no mesmo campo, som profundas e reais, nom responden a personalismos como muitas vezes se tentava deliberadamente fazer acreditar.

Se a isto acrescentamos a carência de vontade para chegar a acordos, e sobre todo para cumprí-los por parte de quem convertia o “unitarismo” numha arma política, o resultado é evidente.

Agora Galiza é firme partidária da unidade do povo trabalhador galego sob um programa de luita. Mas consideramos negativos os acordos de superestruturas que só responden às fraquezas coletivas de quem os promovem e portanto som fruto do oportunismo, nom resultado de acordos concretos em base a similares leituras analíticas e de coincidências de intervençom nas luitas.

Tal como levamos fazendo desde a mudança de século, defendemos amplas unidades sob um programa avançado, nom unidades estreitas com programa minimalista. Este segue sendo o nosso gps, a nossa bússola.

O pluralismo político e ideológico que carateriza o povo trabalhador nom deve ser ocultado por espúreos interesses políticos nos que realmente prevalece a vontade de aniquilar o “adversário”. Esta é a nossa experiência das últimas duas décadas, e francamente hoje nom se vislumbram mudanças qualitativas que recomendem centrar energias e recursos em unidades orgánicas.
Sim unidades pontoais de geometria variável a escala setorial, local, comarcal e mesmo de ámbito nacional.

Respeito ao que definides como divisom do independentismo de classe consideramos que nom existe por umha razom muito simples. O único independentismo classista na Galiza é o que se articula em Agora Galiza. O resto de forças e difusos espaços defendem e/ou praticam unidades patrióticas com programas interclassistas dirigidos pola pequena-burguesia, ou tenhem vocaçom de ser um simples apêndice radicalizado do nacionalismo autonomista.

A conciliaçom de classes é um cancro que deve ser erradicado do movimento obreiro porque só serve para amortecer as contradiçons, desviar a atençom dos objetivos, desarmar o povo trabalhador, ocultar a ausência real de querer destruir o capitalismo e o resto das opresons a ele associadas.

LH- E a situaçom socio-política na Galiza….. Como a valorizades?

A nossa pátria leva décadas governada polo setor mais reacionário da burguesia autótone, pola direita neofranquista encistada nas instituiçons autonómicas e numha significativa parte das provinciais e municipais.

Contrariamente à imagem que se quer transmitir da Galiza ao exterior, por essa “esquerda” eleitoral quando é incapaz de vencer o PP nas urnas, o partido de Feijó só é votado por um de cada quatro galegos e galegas. Os dados estatísticos som inquestionáveis!

O PP nom só é essa organizaçom criminal que saqueia as arcas públicas para financiar as suas campanhas eleitorais, umha banda de delinquentes cujos dirigentes se enriquecem a custa do povo trabalhador. A sua sucursal galega é umha franquícia cuja única funcionalidade é aplicar as diretrizes políticas de Madrid e Bruxelas que procuram a destruçom definitiva da Galiza, a nossa asimilaçom como povo e naçom.

O PP, assim como o PSOE, som os responsáveis diretos de implementar o rol que o imperialismo nos tem asignado na divisom internacional do trabalho. País produtor de matérias primas, território onde instalar indústrias de enclave altamente contaminantes, de onde extrair mao de obra barata. De forma acelerada caminhamos a converter-nos num imenso eucalital para alimentar a indústria de celuloses, submetido a pavororos incêndios florestais, numha pilha para iluminar Espanha, cumhas taxas de contaminaçom superior à média dos países mais industrializados da Europa, num parque temático para um modelo de turismo agressivo.

A meados da década dos oitenta do passado século, a incorporaçom forçada da Galiza à atual UE polo governo do PSOE, provocou a destruçom dos nossos setores produtivos estratégicos. Esta decisom é causa da crítica situaçom que padecemos, dos atuais níveis de desemprego, precaridade laboral, emigraçom, dos índices de sinistralidade no trabalho, pobreza, mais elevados do Estado espanhol e da própria UE.

A sobre-exploraçom combinada do capitalismo e a dependência nacional é a causa de que classe trabalhadora galega tenha jornadas laborais com mais horas por menor salário e as pensons mais baixas do Estado.

O PP é o responsável direto de que a nossa continuidade como povo nom esteja assegurada. A hecatombe demográfica, um autêntico galicidio, tem convertido o país dos mil rios e os cinco mil castros num imenso geriátrico, com centenares de aldeias abandonadas, do que emigram anualmente mais de 15 mil jóvens procurando um futuro, um país no que semana a semana perde populaçom.

Respeito à sucursal galega do PSOE, está mui debilitada pola permanente crise interna derivada dos confrontos entre as fraçons do aparelho polo seu controlo. Segue sendo um partido sem projeto autónomo, sem iniciativa, sem liderato definido, submetido aos vaivens de Madrid e aos delírios populistas.

 LH- E a esquerda?

Dous espaços políticos pugnam pola hegemonia eleitoral no campo da “esquerda” institucional.

O BNG aparenta viver umha estabilidade interna após um longo processo de turbulências e crises concatenadas que provocou umha hemorragia de cisons e a perda das duas terceiras partes do teito eleitoral atingido a finais dos anos noventa. O seu posterior lavado de cara nom foi acompanhado pola consolidaçom da “viragem soberanista” da que fazia gala. Continua instalado na defesa do direito de autodeterminaçom, mas cumha prática autonomista com ligeiro verniz soberanista.

A sua mais destacada cisom do último quinquênio, protagonizada polos seguidores de Beiras, optou pola renúncia ao princípio de auto-organizaçom. Esta mutaçom facilitou primeiro umha exitosa aliança eleitoral com IU, posteriormente alargada a Podemos e outros grupos menores, que possibilitou converter-se na segunda força institucional no parlamento autonómico e gerir as alcaldias de três das mais importantes cidades.

Paradoxalmente esta musculatura eleitoral constrasta com a sua inconsistência orgánica. Marea padece umha grave crise interna, umha prolongada e laberíntica guerra intestina polo seu liderato, que impossibilita a sua consolidaçom e a optimizaçom dos seus destacados espaços de gestom e presença institucional.

Pola sua parte o movimento popular que mantinha umha dinámica iniciativa, desenvolvendo múltiplas luitas de resistência contra as políticas ultraliberais do PP, contra as agressons do Capital e de Espanha, atualmente se acha numha fase de refluxo. O ilusionismo eleitoral converteu-se numha metástase que o paralisou, burocratizou e desmobilizou progressivamente.

Assim se interpreta que o ano 2016 foi o de menos greves e conflitos laborais das últimas décadas.

O fetichismo das urnas e a falaz crença de poder atingir mudanças estruturais articulando umha maioria eleitoral ao PP, que propugnam as direçons pequeno-burguesas, tem calado com muita intensidade entre os setores mais avançados e comprometidos do povo trabalhador. O tumor eleitoralista tem desarmado a classe obreira e basicamente a juventude com inquedanças de compromisso político e social, gerando umha magmática atmósfera de combinaçom de promiscuidade amórfica com cleticismo inócuo que a fagocita e fascina para postulados inofensivos disfarçados de radicalismo estético e retórico.

As consequências destas dinámicas som evidentes, a crise estrutural do capitalismo senil e as suas especificidades no Estado espanhol, nom tenhem sido aproveitadas polas forças populares para acumular forças ruturistas. Todo o contrário, a crise capitalista debilitou as forças revolucionárias.

LH- A que te referes?

O regime emanado do lifting franquista, perante o incremento das luitas e a sua radicalizaçom nos primeiros anos da atual década, optou por aplicar um conjunto de medidas arriscadas, mas muito audazes, que se demonstrárom altamente eficazes para desmovimentar e cooptar à lógica institucional boa parte dos dirigentes populares.

Facilitando a abertura de válvulas de escape lográrom rebaixar a tensom, evitando que a indignaçom popular transitasse a formas mais avançadas de rebeliom popular. Assim entendemos a criaçom do 15M primeiro e posteriormente de Podemos.

Desta forma a casta cleptocrática, tutelada polo Ibex 35 e as elites da UE, evitárom que a crise económica poidesse evoluir num questionamento global do fraudulento modelo político e institucional imposto na Transiçom franquista.

Perante este panorama tam desalentador fai-se cada dia mais urgente e necessário reorganizar o campo da esquerda revolucionária galega.

A dependência nacional que padecemos como povo, e portanto a açom teórico-prática do princípio de auto-organizaçom, e a combinaçom ativa e permanente da reivindicaçom de independência e soberania nacional com mudança social, é a linha divisória entre as forças políticas e sociais revolucionárias e reformistas.

 LH- Após dous anos de pouca actividade, considerades com este Dia da Pátria dar um salto qualitativo na vossa organizaçom?

Seria absurdo ocultar a situaçom de extrema debilidade na que nos encontramos como consequência direta da detonaçom padecida há um par de anos. Mas após interiorizar e digerir lentamente esta crise, após passar a inicial e natural etapa de luto e posteriormente a de alívio, atualmente as nossas condiçons subjetivas som bem distintas.

Embora seguimos instalados na indigência organizativa, graças à perserveráncia logramos metabolizar o nosso recente passado, dotando-nos progressivamente de vontade para abrir umha nova etapa.

Até agora temos centrado basicamente as nossas energias e recursos em consolidar o núcleo militante que com enorme valor e coragem mantivo alçadas as banderas vermelha, lilas e azul, branca e rubra da Revoluçom Galega, frente às pressons ativas e passivas do derrotismo e oportunismo dos nossos antigos camaradas e companheiras de trincheira.

Estivemos dedicados à batalha ideológica, a demarcar com claridom o que somos e fundamentalmente o que pretendemos construir e ser. Temos estado mui volcados em deslindar política e ideologicamente o que deve ser a esquerda revolucionária galega para o século XXI, de toda forma de deturpaçom do marxismo por essas organizaçons que se declaram de “esquerda”. Ainda nos fica muito caminho para licuar tantas inércias, para depurar muitas ideias força, para encontrar o antídoto que nos vacine do desencanto e as tendências oportunistas, essas piruetas políticas de quem pretende “avançar” renunciando a os princípios. Porque nesta luita nom existem atalhos, há que fazer integramente todas as fases do caminho.

Passar de ser um grupo militante mais virtual que real é o nosso desafio imediato. Ganhar a suficiente referencialidade para começar a acumular forças organizadas sob o nosso programa para a rutura, sempre encaminhado à tomada do poder para edificar umha sociedade socialista de mulheres e homens emancipados.

Seguimos sendo um coletivo militante excessivamente vulnerável, com enormes carências em todos os ámbitos, mas temos a firme decisom de superar a situaçom presente, de intervir, de apreender com a nossa classe e o nosso povo nas luitas, de evitar cometer os erros do passado, de corrigir as nossas deficiências congénitas.

Como nunca fuimos, como nom somos, nem seremos, apêncide nem satélite de ninguem, nem tampouco cópia, consideramos que era necessário dar um salto qualitativo como bem apontades e convocar o Dia da Pátria. Convocar umha mobilizaçom com um projeto de perfil bem definido do que somos.

Previamente, o 1º de Maio ensayamos con certo êxito a necessidade de intervir coletivamente nas mobilizaçons populares. O tempo e os resultados confimarám se estamos no caminho correto.

 LH- Em que vai consistir basicamente o que tendes programado para o Dia da Pátria?

Numha das mais emblemáticas praças da Compostela reivindicativa convocamos umha concentraçom e ato político às 12 da manhá do 25 de Julho.

Como somos umha força genuinamente patriótica de libertaçom nacional, mas também internacionalista, optamos por dar voz às seis forças de outros territórios da Península Ibérica que nos acompanham.

Posteriormente realizaremos um jantar de confraternizaçom num parque próximo.

O dia anterior teremos umha reuniom com as organizaçons amigas convidadas de Andaluzia, Castela, Catalunha, País Basco, Madrid e Portugal para intercambiar análises e aprofundizar em iniciativas conjuntas.

LH- Um pouco tendes chamado a organismos e coletivos de marcado cariz e perfil comunista …

Nom exatamente. Mantemos praticamente intatas as relaçons internacionais que já tinhamos como NÓS-UP. Temos alargado outras e simultaneamente reativado vínculos com forças independentistas e partidos revolucionários com as que até o momento mantinhamos um perfil mais baixo.

A nossa firmeza ideológica como organizaçom independentista, socialista e feminista galega permite coincidir mais com aquelas forças marxistas comprometidas com a defesa intransigente do direito de autodeterminaçom frente aos independentismos socialdemocratas e etnicistas.

Agora Galiza sem ser um partido comunista, mas sim umha força marxista de libertaçom nacional, inspira-se nos exemplos e as achegas da Revoluçom Bolchevique dirigida por Lenine e na experiência do Che.
Ambos som insumos imprescindíveis que sempre nos acompanham na nossa mochila de combate.

 LH- Para finalizar… após do Dia da Pátria, o dia 26, 27, os próximos meses … Como os abordades?

A operaçom liquidacionista que provocou a voadura do movimento de libertaçom nacional galego há dous anos tem responsabilidades diretas na atual ausência dumha alternativa de luita com projeçom de massas, provocando um retrocesso de décadas na acumulaçom de forças atingida entre 2001 e 2014. Superar esta adversa situaçom é um repto que lograremos alcançar se conseguimos acertar polIticamente formando umha nova geraçom militante entregada à causa da Revoluçom Galega.

Para lograr estes objetivos é imprescindível aprofundar na batalha ideológica e confrontar sobre o terreno com os diversos reformismos, demonstrando a superioridade das propostas e alternativas do campo revolucionário.

Porque frente ao possibilismo e pragmatismo imperante, incapaz de aplicar as suas promessas eleitorais, nom pretendemos vertebrar umha maioria aritmética eleitoral que dispute ao PP o governo autonómico, tampouco articular umha aliança com o social-liberalismo e as forças pequeno-burguesas autonomistas e espanholistas que competem polo espaço à “esquerda” do PSOE, para que as suas elites desloquem a máfia do partido de Feijó das instituiçons burguesas.

O nosso objetivo nom é maquilhar nem regenerar o capitalismo, tampouco buscar um encaixe da Galiza na Espanha, nem alargar umha legislaçom aparentemente igualitária que nom questiona as bases do patriarcado das que emana a dominaçom que sofre a maioria do povo trabalhador, as mulheres.

Nom queremos reformar a constituiçom espanhola, nem submeter à monarquia imposta por Franco ao “controlo democrático”, tampouco que oligarcas como Amáncio Ortega maquilhem a evasom de impostos e as draconianas condiçons de exploraçom infantil com esmolas à sanidade pública.

Nom queremos enganar ninguém, nom temos vocaçom de ser umha força para remendar nada. Queremos transformar este presente conquistando o futuro.

Concebemos a rebeliom popular como umha ferramenta que possui o povo trabalhador e empobrecido na sua estrategia para gerar as condiçons subjetivas que permitam desputar a hegemonia a quem atualmente nos explora, oprime e repreme.

Numha naçom que sofre a opressom nacional por parte dumha metrópole instalada em Madrid, qualquer processo de transformaçom social está indisoluvelmente vinculado com a recuperaçom da independência e a soberania nacional conculcada polo Estado imperialista espanhol.

A equaçom independência/socialismo é o eixo do programa da Revoluçom Galega cujos três objetivos som libertar a pátria da opressom nacional de Espanha, da Uniom Europeia e os Estados Unidos, sentar as bases da edificaçom do socialismo, e emancipar às mulheres do patriarcado.

Sem socialismo nom é viável a soberania nacional.
Sem independência e mecanismos reais de decisom nom é posível edificar o socialismo.

Desenvolver e aperfeiçoar o programa para a Rebeliom Popular elaborado pola esquerda independentista antes da sua crise, é um dos desafios que temos que ir progressivamente implementando. A nossa alternativa ao atual caos do capitalismo e a destruçom das bases materiais e imateriais da Naçom Galega é articular forças rebeldes para tomar o poder e instaurar um governo obreiro e popular, patriótico e feminista.

Sabemos que esta tarefa de reconstruir ideologicamente a esquerda revolucionária é um objetivo muito ambicioso, para o que nom estamos preparados nem temos as condiçons. Restaurar os fundamentos do anticapitalismo é umha tarefa a escala internacional.

 LH- Nom queremos finalizar estas perguntas sem pedir-vos umha pequena valorizaçom da situaçom mundial, prebélica quase se pode dizer …

O capitalismo na sua fase senil está sementando o caos em amplas regions planetárias para apropriar-se das riquezas minerais e energéticas que lhe permitam atrasar o inevitável desenlace da sua crise sistémica.

Simultaneamente a pugna interimperialista entre os Estados Unidos e as potências que pretendem substituí-lo na hegemonia da economia mundo, alimenta o militarismo e as guerras de destruçom maciça em amplas áreas.

Estas breves pinceladas estariam incompletas sem mencionar que o movimiento popular, as organizaçons revolucionárias de caráter operário, de libertaçom nacional, as forças guerrilheiras e os partidos comunistas em armas, a nível global, vivemos um profundo processo de refluxo, umha crise de identidade sem precedentes.

A involuçom ideológica que potencia a ofensiva burguesa é responsável da domesticaçom e capitulaçom de luitas referenciais, contribuindo assim para reforçar a dominaçom do capitalismo na sua fase imperialista.

A falta de iniciativas salientáveis para comemorar o centenário da Revoluçom Bolchevique e a gesta guevarista, é expressom deste clima tam desfavorável para a causa da classe trabalhadora, os povos e as mulheres.

Perante esta situaçom nom somos neutrais, apoiamos a luita da Síria, do Iemem, do Iraque, do Afeganistám, para evitar ser destruídos polo imperialismo tal como fijo na Líbia. Apoiamos a causa palestiniana e catalana, a luita do povo trabalhador venezuelano para afiançar a sua segunda e definitiva independência, a insurgência colombiana, o conjunto das luitas dos povos contra toda forma de dominaçom e dependência.

Pois nada, graças por atender-nos e oxalá seja exitosa a jornada do Dia da Pátria.

Comunicado nº 64: Rebeliom contra a conculcaçom da liberdade de expressom em Compostela.

Padrão

 

Rebeliom contra a conculcaçom da liberdade de expressom em Compostela

Resulta inadmisível que o governo municipal da capital da Pátria reative umha ordenança municipal de indiscutível caráter represssivo que conculca o direito fundamental à liberdade de expressom.

Resulta inadmisível que, nas jornadas prévias ao Dia da Pátria, o alcaide de Compostela, Martinho Noriega, emita um bando municipal ameaçando com sançons económicas que oscilam entre os 1.501 e os 3.000€ à vizinhança que divulgue no coraçom da cidade [“a zona velha”] propaganda anunciando as jornadas patrióticas do 25 de Julho.

Embora a legislaçom vigorante é da etapa dos bipartidos do PSOE-BNG, é inadmisível que o governo de Compostela Aberta, que define à nossa capital como “cidade rebelde”, amague por implementar a política de ameaças e intimidaçons praticada por Conde Roa e o seu governo de delinquentes e fascistas.

Solicitamos a Martinho Noriega que reconsidere esta decisom antidemocrática, contrária aos valores que afirma defender, anulando este bando, evitando assim um artificial conflito com quem realmente amamos e defendemos o património da cidade histórica.

Lembramos ao governo de Compostela aberta que há umhas semanas podia ter evitado a agressom ao noso património histórico no edifício da Algália de Cima após o despejo do centro social Escárnio e Madizer, mas optou por deixar fazer.

Agora Galiza considera que dous anos de legislatura som mais que suficientes para ter derrogado esta ordenança que atenta contra os direios democráticos mais básicos, umha autêntica lei mordaça de ámbito municipal.

Agora Galiza, tal como a esquerda independentista e socialista galega tem historicamente feito perante as políticas repressivas dos governos de Bugalho e os bipartidos com o BNG, nom vai acatar nem submeter-se a esta vulneraçom de direitos democráticos.

Como o exercício de liberdade de expressom é um princípio indiscutível, apelamos a desobedecer o bando do governo municipal de Compostela Aberta, porque é legítimo o direito à rebeliom frente a decisons injustas.

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 13 de julho de 2017