Comunicado nº 68: Galiza com a Catalunha. DESOBEDIÊNCIA – INDEPENDÊNCIA

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Galiza com a Catalunha

DESOBEDIÊNCIA · INDEPENDÊNCIA


A medida que se aproxima a “hora dos fornos” o Estado espanhol monstra sem complexos a sua natureza autoritária e repressiva como regime continuador do franquismo. 

A implementaçom do estado de exceçom na Catalunha constata a enorme fraude alimentado nas últimas quatro décadas polo conjunto das forças políticas espanholas e polos partidos regionalistas e nacionalistas que representam os interesses das burguesias periféricas. A ausência de rutura e o ilusionismo democraticista que alimentárom e seguem alimentando os partidos de “esquerda” permite que agora se constate novamente que em 1975 todo ficou “atado e bem atado”.

Perante a firmeza do povo trabalhador catalám Espanha finalmente optou por aplicar de facto o artigo 155 da constituiçom postfranquista, elaborada seguindo os ditames do exército fascista emanado da vitória militar de 1936-39.

A intervençom económica da Generalitat, o controlo dos Mossos d’Esquadra por um alto oficial da Guarda Civil de passado falangista com denúnicas por torturas, a detençom de altos funcionários do governo autónomo, a censura de meios de comunicaçom, a manipulaçom dos meios de [des]informaçom, as ameaças e intimidaçom permanentes, a restriçom de direitos e liberdades fundamentais, a concentraçom de mais de 10 mil efetivos das forças repressivas, som o prelúdio da saída policial com que a oligarquia espanhola pretende impossibilitar o referendo de 1 de outubro e esmagar a vontade do povo trabalhador catalám de decidir livremente o seu futuro como povo e naçom.

Na Catalunha está-se produzindo umha revoluçom nacional-democrática que nom só logrará conquistar umha República independente e soberana, acelerará a profunda crise do regime do 78, gerando condiçons que poderám facilitar cenários favoráveis à libertaçom das naçons oprimidas como o galega, mas também à emancipaçom do conjunto da classe trabalhadora e do povo empobrecido.

Perante esta situaçom a “esquerda” espanhola, tanto a institucional como a de ámbito extraparlamentar, coincidem com o bloco de classes oligárquico na defesa da unidade do Estado espanhol.

Podemos e PCE/IU som incapaces de despreender-se do chauvinismo que carateriza o conjunto do progressismo hispano, situando-se de facto no mesmo lado que Confederaçom de Empresarios da Galiza [CEG], assim como do PP, PSOE e C´s, na intransigente defesa do paradigma espanhol.

Agora Galiza sauda que por primeira vez de forma nítida a classe operária catalana emerge com voz própria, desafiando as limitaçons de um processo legalista, carregado de enormes doses de ingenuidade, dirigido pola pequena e mediana burguesia catalana.

A decisom dos estivadores de nom colaborar com as forças de ocupaçom, e a greve geral convocada a partir de 3 de outubro polos sindicatos de classe cataláns, catalisarám umha nova fase acorde com a situaçom de inevitável confronto sem o qual nunca se poderá conquistar a independência nacional.

Espanha e a oligarquia que controla com mao de ferro o seu corrupto aparelho estatal nunca permitirá que a Catalunha e a Galiza conquistemos de forma pacífica e negociada a nosa liberdade.

Só o povo trabalhador catalám movimentado na rua derrotará a repressom do Estado espanhol. Só o povo trabalhador catalám movimentado na rua poderá exercer o direito de autodeterminaçom e declarar a independência. Só o povo trabalhador catalám em rebeldia e movimentado na rua logrará que a nova República esteja ao seu serviço, abrindo um processo constituinte para avançar face umha Catalunha soberana, socialista e feminista.

Agora Galiza apela ao povo trabalhador galego para manter umha solidariedade ativa com a luita catalana que fazemos nossa, a repudiar as falácias e manipulaçons sobre a causa catalana, mas também apelamos a comunidade galega na Catalunha a implicar-se no referendo do dia 1 de outubro e nas jornadas de luita posteriores.

Visca Catalunya lliure, socialista e feminista!

Viva Galiza ceive, socialista e feminista!

A solidariedade internacionalista é a ternura dos povos!

Venceremos!

Na Pátria, 27 de setembro de 2017

[42 aniversário dos últimos 5 combatentes fusilados polo franquismo]

Comunicado nº 67: Solidariedade ativa com a luita pola liberdade e independência da Catalunha.

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Solidariedade ativa com a luita pola liberdade e independência da Catalunha

Hoje o Estado espanhol deu um salto qualitativo na repressom contra os direitos fundamentais da Naçom catalana e contra a vontade maioritária do seu povo trabalhador.

O governo do PP, com apoio das principais forças sistémicas [PSOE e C´s], e os brindes ao sol do populismo socialdemocrata sob o fraudulento carimbo de “nova política”, implementou um conjunto de medidas repressivas saldadas com a detençom de 14 responsáveis do governo da Generalitat, e o assalto à sede central da CUP em Barcelona.

Esta escalada repressiva do regime oligárquico espanhol contra as instituiçons autónomas catalanas, e contra as forças independentistas, constata a firme determinaçom do governo de Mariano Rajói de impossibilitar que 1 de outubro o povo catalám poda exercer o direito de autodeterminaçom.

As medidas repressivas em curso som um golpe de estado contra Catalunha. A suspensom de facto da autonomia catalana é umha realidade, e a aplicaçom do estado de exceçom irá-se endurecendo em funçom do nível de resistência e capacidade de luita do povo trabalhador catalám.

A medida que se aproxima a “hora dos fornos” o Estado espanhol monstrará sem complexos a sua natureza autoritária e repressiva como regime continuador da ditadura fascista. Se as forças policiais e judiciais nom logram parar para o processo em curso, Espanha nom duvidará em empregar os tanques para esmagar a revoluçom nacional-democrática em marcha na Catalunha.

O ilegítimo regime do Ibex 35, sob a tutelagem da UE e da NATO, sabe que a proclamaçom da República catalana provocará umha ferida mortal na segunda restauraçom bourbónica. Eis polo que vai empregar todos os meios dos que dispom para evitá-lo!

Porém, nom nos surpreende o que agora mesmo está passando na Catalunha, pois constata as limitaçons intrínsecas de um processo independentista que deposita a sua vitória nas urnas, atrapado no fetichismo democraticista, no legalismo institucional, carregado de enormes doses de ingenuidade, dirigido pola pequena e mediana burguesia nacional.

Só a luita popular maciça, dirigida pola classe operária, pode assegurar a vitória para proclamar umha República catalana.

Apelamos ao povo trabalhador galego a participar nas mobilizaçons solidárias com a Catalunha que hoje se desenvolverám nos principais núcleos urbanos do nosso país.

Apelamos à importante comunidade galega na Catalunha a participar ativamente nas mobilizaçons em defesa dos direitos nacionais cataláns e contra a repressom espanhola.

Hoje, o independentismo socialista e feminista galego, transmite a sua profunda solidariedade internacionalista com a luita catalana. A sua vitória também é a nossa vitória, a do conjunto dos povos do mundo.

Visca Catalunha lliure, feminista e socialista!

A luita é o único caminho!

Até a vitória sempre!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 20 de setembro de 2017

SOLIDARIEDADE PERANTE A REPRESSOM AO MOVIMENTO INDEPENDENTISTA CATALÁM. A AUTODETERMINAÇOM É UM DIREITO DOS POVOS.

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COMUNICADO CONJUNTO DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA.

 

À medida que se aproxima 1 de outubro, dia de celebraçom do referendo na Catalunha, a escalada repressiva por parte do Estado espanhol e as suas forças no ámbito político, judicial, policial, informativo, vai em aumento.

Às ameaças pessoais a mais de 700 alcaides e alcaidesas eleitas, assim como a Deputad@s do Parlamento autonómico e a funcionários, tem seguido a clausura de páginas web que davam informaçom sobre el referendo, o registo de locais públicos buscando urnas, o registo de tipografias para impedir que se imprimam as listas eleitorais e as papeletas de votaçom, incautaçom de propaganda, a proibiçom de atos públicos, as ameaças anónimas e públicas a dirigentes da CUP.

Perante esta situaçom as organizaçons políticas baixo assinadas queremos manifestar:

  • A utilizaçom do poder judicial espanhol na escalada repressiva deixa em evidência o seu caráter subordinado aos interesses políticos da oligarquia, atuando como muro de contençom das demandas populares e deixando ao descuberto a sua vinculaçom com o franquismo sociológico e ideológico. A separaçom de poderes nunca existiu no Estado espanhol. A ausência de uns mínimos democráticos no Estado aparece agora como umha realidade cada vez mais contrastável e contratastada.

  • Consideramos que a carência de liberdades básicas neste Estado nos translada a um cenário que se amplia mais alá do Direito a decidir dos povos. Estamos num cenário de luita pola independência do povo catalám que entronca com a defesa das já mermadas liberdades básicas, entre las que se acham o direito de reuniom, o direito de manifestaçom, o direito de opiniom e o direito dos povos à autodeterminaçom. A luita nom se pode circunscrever exclusivamente ao território catalám. Catalunha é a ponta de lança da luita popular polas liberdades coletivas e individuais da classe trabalhadora e dos povos submetidos ao jugo do Estado espanhol.

  • Expressamos a nossa repulsa perante o aumento da repressom do Estado, cujas práticas coercitivas contra a populaçom para impedir o direito à autodeterminaçom do povo catalám som inadmisíveis em qualquer Estado que queira situar-se nuns parámetros minimamente democrático-burgueses. O Estado espanhol, apoiado por partidos e inteletuais espanholistas, está aplicando de facto o estado de exceçom sem atrever-se a declará-lo oficialmente.

  • A proposta da pseudoesquerda espanhola -tam pouco “ruturista” como muito chauvinista- por promover umha saída negociada de caráter institucional entre a Generalitat e o Governo espanhol mendiante um inverosímil “referendo patuado” é umha artimanha que tam só pretende ganhar tempo para evitar o exercício do direito de autodeterminaçom da Catalunha e desmovimentar ao seu povo. Os direitos conquistam-se luitando, nom se adquirem pola “benevolência” dos opressores.

  • O direito à autodeterminaçom é um direito irrenunciável dos povos. Entendemos que a repressom do Estado vai encaminhada a violentar este direito que poria em xaque o Regime do 78, a monarquia bourbónica como garante e o Estado espanhol como quadro de acumulaçom de capital, e abriria um caminho que outras naçons poderiamos transitar num futuro próximo.

  • Também expressamos com rotundidade a nossa solidariedade com o povo catalám e com a CUP, sublinhando a legitimidade do próximo Referendo de autodeterminaçom do dia 1 de outubro, e a nossa defesa de um resultado positivo que abra o caminho face umha Catalunha independente que permita a libertaçom dos Países Cataláns.

Abaixo o imperialismo!

Viva Catalunha livre!

Pola independência dos povos e um mundo socialista!

20 de setembro de 2017

AGORA GALIZA [Galiza]

BOLTXE [País Basco]

COMUNISTAS DE CASTILLA [Castela] 

INICIATIVA COMUNISTA [Estado espanhol] 

NACIÓN ANDALUZA [Andaluzia]

PLATAFORMA LABORAL E POPULAR [Portugal]

COMUNICADO nº 66: AMEAÇAS ESPANHOLAS NOM LOGRARÁM FREAR A DECISOM DO POVO CATALÁM DE EXERCER O SEU DIREITO DE AUTODETERMINAÇOM.

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AMEAÇAS ESPANHOLAS NOM LOGRARÁM FREAR A DECISOM DO POVO CATALÁM DE EXERCER O SEU DIREITO DE AUTODETERMINAÇOM

Perante as ameaças de hoje do fiscal geral do Estado contra a Catalunha e o seu direito inalienável a exercer a autodeterminaçom, garantindo umha atuaçom “firme e enérgica” em defesa da “pátria comum e indivisível”, é necessário apoiar abertamente a independência da Catalunha, luitar na Galiza por idêntico objetivo, e dar umha resposta coordenada de todas aquelas forças independentistas e revolucionárias que promovemos a liberdade das naçons oprimidas para construirmos repúblicas socialistas e portanto a destruiçom do regime postfranquista.

Porém, em plena ofensiva fascista do Estado espanhol contra a Catalunha, e em menor medida com o resto das naçons oprimidas; em plena aceleraçom do processo de centralizaçom política, económica, cultural e simbólica de um Estado herdeiro direto da ditadura franquista, a posiçom da “esquerda” institucional na Galiza sobre a situaçom em curso, é simplesmente patética.

Nom nos surpreende à esquerda independentista e socialista galega que o PSOE feche fileiras com o Estado, nem que o seu líder defenda a unidade indivisível de Espanha, empregando formulaçons confusas e disparatadas como “naçom de naçons”. Em realidade coincidem com o PP na defesa da Espanha excluínte e uniformizadora, simples cárcere de povos. Necessitam “diferenciar-se” formalmente do PP por simples cálculos eleitorais.

Tampouco que o BNG siga aspirando a um “bom” encaixe da Galiza em Espanha e que inície o curso político reclamando umha comissom parlamentar para estudar como “superar o atual quadro autonómico” “escuitando à sociedade e o resto de propostas das outras forças políticas”. Puro exercício de metafísica em consonância com a sua tradicional linha autonomista acomplexada.

E nem falar e ainda menos reclamar a independência e soberania nacional como a única alternmativa viável para solucionar os problemas do povo trabalhador galego e evitar a nossa assimilaçom como naçom!

E ainda menos o triunfalismo de Anova proclamando a morte do “regime da Restauraçom Bourbónica e a sua fórmula autonómica”, a “descomposiçom definitiva dum regime construído desde cima” e lindezas similares, quando forma parte de um movimento político com pulsons e práticas unitaristas e claramente funcional na recomposiçom do regime que no ámbito retórico questiona. Falar nom tem cancelas!.

Agora Galiza manifesta novamente o seu apoio incondicional ao irmao povo trabalhador da Catalunha, e em particular aos setores mais rebeldes e combativos organizados na CUP, na sua decidida luita por recuperar a soberania conculcada pola monarquia bourbónica e o seu direito a proclamar unilateralmente a República Catalana.

A liberdade dos povos nom se negoceia, a rebeliom é um direito universal que só se atinge exercendo-o sem complexos e com coragem.

A melhor contribuiçom que desde a Galiza podemos fazer à luita pola independência da Catalunha é seguir avançando na reconstruçom do independentismo revolucionário de orientaçom socialista e e feminista.

Visca Catalunya lliure e socialista!

Viva Galiza ceive e socialista!

Na Pátria, 4 de setembro de 2017

COM A CATALUNHA E O SEU DIREITO INALIENÁVEL À INDEPENDÊNCIA NACIONAL. NEM TERRORISMO YIHADISTA, NEM TERRORISMO IMPERIALISTA.

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[COMUNICADO INTERNACIONALISTA CONJUNTO DE APOIO À CUP]

COM A CATALUNHA E O SEU DIREITO INALIENÁVEL À INDEPENDÊNCIA NACIONAL

NEM TERRORISMO YIHADISTA, NEM TERRORISMO IMPERIALISTA

Após o ataque terrorista que sufriu a Catalunha estes passados dias, as organizaçons abaixo assinantes queremos exprimir:

O nosso total rejeitamento e indignaçom contra o ataque e ao mesmo tempo, a nossa mais profunda solidariedade com todas as vítimas e com o Povo da Catalunha, quem deu umha resposta exemplar de firmeza perante esta terrível agressom.

A organizaçom terrorista Daesh, quem tem reivindicado o ataque, nom representa nem aos musulmanos nem aos povos do Médio Oriente, nem a nengum povo do mundo. O Daesh é um exército mercenário criado, financiado e armado polas potências imperialistas e os seus Estados aliados do Golfo Pérsico com o fim de desestabilizar países como o Iraque e a Síria, servindo portanto aos seus interesses geoestratégicos na regiom: destruir qualquer movimento de oposiçom e resistência aos seus planos de controlo e apropriaçom de recursos energéticos e minerais, à colonizaçom de Estados soberanos e à destruçom maciça de povos inteiros.

O fenómeno do terrorismo yihadista alimenta-se da crise capitalista a nível mundial. A pobreza, a marginalizaçom e a exclusom social som o perfeito caldo de cultivo para o desenvolvimento do integrismo religioso e o fascismo.

Rejeitamos qualquer tentativa do Estado espanhol -aliado do imperialismo e amigo dos Estados diretamente implicados na origem do Daesh- em utilizar estes terríveis atentados para cercenar a vontade maioritaria do pueblo catalám favorável à independência nacional, para militarizar as nossas sociedades e atacar as já de por si raquíticas liberdades e direitos democráticos com novas medidas de exceçom de caráter repressivo.

Condenamos igualmente qualquer tentativa de criminalizar à populaçom de origem árabe, magrebi ou musulmana, sinalando-as como culpáveis, argumento mui recurrido polas forças políticas e sociais reacionárias, quem aproveitam a dor das vítimas e o impacto social dos ataques para sementar a sementea do ódio racial e a xenofobia.

A melhor resposta ao fascismo é a mobilizaçom e unidade obreira e popular. É necessário desmascarar às forças do regime postfranquista interessadas em alimentar estes cenários de caos para disciplinar e confundir os nossos respetivos povos trabalhadores e reforçar o seu projeto assimilacionista.

O terrorismo yihadista é umha peça mais do terrorismo imperialista, dos planos colonialistas e expansionistas emanados da guerra global contra os Povos cenificada no ignominioso acordo selado em 2003 nas ilhas Açores.

O terrorismo yihadista combate-se cortando qualquer laço com os Estados que o alimentam, impedindo a venda de armas e as relaçons comerciais com esses Estados tam bem relacionados com a coroa espanhola, abandonando a OTAN e todos aqueles organismos e acordos internacionais de caráter imperialista, e avançando na libertaçom dos nossos respetivos povos.

É também essencial combate-lo desde o apoio decidido à aliança antiterrorista do eixo da resistência que hoje está combatendo o Daesh sobre o terreno. Desde o Líbano, a Síria e o Iraque, o inimigo ve-se acurralado e aleteia o seu desespero sobre o Povo da Catalunha. A sua derrota está perto.

A solidariedade entre os Povos, a luita pola rutura com o regime do 78 para configurar sociedades sem exploraçom nem opressom, e a defesa intransigente à liberdade das naçons oprimidas, é a melhor arma contra a barbárie do imperialismo e o seu frankestein, o terrorismo yihadista.

As organizaçons abaixo assinantes, promotoras do Manifiesto Internacionalista de Compostela, queremos manifestar a nossa solidariedade e apoio à CUP pola sua coerente linha política em defesa do povo trabalhador da Catalunha, concretizada na sua firme oposiçom a participar nos falsos consensos e políticas de conciliaçom promovidas polo regime, por desmascarar à OTAN e ao imperialismo como promotores do terrorismo yihadista, por denunciar taxativamente a tentativa de apropriaçom e manipulaçom dos sentimentos do povo trabalhador catalám pola monarquía bourbónica.

Nom ao fascismo do Daesh!
Nom ao imperialismo!
Viva Catalunha livre!
Pola independência dos povos e um mundo socialista!

21 de agosto de 2017

AGORA GALIZA [Galiza]
BOLTXE [País Basco]
COMUNISTAS DE CASTILLA [Castela]
INICIATIVA COMUNISTA [Estado espanhol]
NACIÓN ANDALUZA [Andaluzia]
PLATAFORMA LABORAL E POPULAR [Portugal]

Comunicado nº 65: Moncho Reboiras, 1975-2017. 42 aniversário do seu assassinato. A LUITA É O ÚNICO CAMINHO

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Moncho Reboiras 1975-2017

42 aniversário do seu assassinato

A LUITA É O ÚNICO CAMINHO

Um 12 de agosto de há 42 anos a polícia espanhola assassinava covardemente polas costas o dirigente comunista e independentista galego José Ramom Reboiras Noia.

Moncho formava parte dessa geraçom de jovens galegos e galegas que considerava necessário construir organizaçons revolucionárias dirigidas pola classe operária para orientar o movimento de libertaçom nacional no horizonte dumha Pátria Socialista.

O franquismo, o regime criminal, corrrupto e ilegítimo contra o que combatia Moncho na primeira metade da década de setenta, é o pai da atual monarquia espanhola.

Uns meses depois do seu assassinato dava início umha operaçom de maquilhagem conhecida como “Transiçom”, visada para assegurar e perpetuar o modelo instaurado a sangue e fogo com o golpe de estado de 1936.

Hoje, 42 anos após aquele fatídico 12 de agosto, nom só permanencem intatas as causas da luita que Moncho encabeçava. Temos mais razons para enarbolar as bandeiras de liberdade, soberania, justiça social e igualdade.

A situaçom da Galiza e do seu povo trabalhador tenhem-se agravado até extremos difíceis de imaginar no verao de 1975. O desemprego, a precariedade laboral, os baixos salários, a perda de direitos e conquistas, a emigraçom juvenil, as pensons de miséria, o deterioramento da sanidade, educaçom e do conjunto dos serviços públicos, som a realidade quotidiana que provoca o capitalismo e a dependência nacional.

O agravamento das políticas assimilacionistas promovidas polo projeto supremacista espanhol nestas quatro décadas tenhem sido letais para garantir a continuidade da Galiza como povo e naçom.

Perante este cenário tam adverso só há umha alternativa: a luita organizada do povo trabalhador galego sob umha estratégia revolucionária visada para conquistar umha Galiza soberana, umha Pátria independente, feminista e socialista.

O ilusionismo eleitoral promovido pola “esquerda” pequeno-burguesa, tanto a de ámbito autonómico, como a de ámbito espanhol, é ineficaz. Tam só contribui para reforçar o postfranquismo, desviando a atençom das tarefas da classe trabalhadora, amortecendo as contradiçons e prolongando a agonia da Galiza e das suas camadas populares.

Tal como propugnava Moncho -o emblema mais contemporáneo da luita de libertaçom nacional e social de género-, a luita é o único caminho.

Há que acumular forças rebeldes sob umha estratégia rupturista, afastada das lógicas democraticistas e regeneracionistas que propugnam os dous blocos reformistas em disputa pola hegemonia do campo popular, e que só servem para consolidar este regime criminal.

Neste 42 aniversário da queda em combate de Moncho Reboiras, Agora Galiza considera que o seu legado e a trajetória é um exemplo a seguir.

O Moncho que reivindicamos é o do abnegado guerrilheiro comunista e patriota, o do militante generoso e exemplar, o Reboiras insurgente e combatente.

Por muito que os diversas expressons do reformismo tentem maquilhar a sua biografia, por muito que o empreguem como um santoral esvaziado do seu conteúdo rebelde, por muito que o saquem de passeio como simples imagem folclórica, Moncho é, e seguirá sendo, um operário galego indomável que optou por luitar coerentemente pola Revoluçom Galega, pola causa da sua classe e da sua Pátria.

Moncho Reboiras, a luita continua!

Até a vitória sempre!

Denantes mort@s que escrav@s!

Rebeliom popular!

Independência e Patria Socialista! Venceremos!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 8 de agosto de 2017

MONCHO REBOIRAS, Imo 1949- Ferrol 1975. Biografia de um guerrilheiro comunista do nosso tempo

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[MEMÓRIA DA GALIZA REBELDE]
A cinco dias da homenagem de Agora Galiza a Moncho Reboiras, publicamos a biografia do combatente revolucionário galego editada em agosto de 2009 polo Capítulo Galiza do Movimento Continenta Bolivarinao [MCB]

MONCHO REBOIRAS
Imo 1949- Ferrol 1975
Biografia de um guerrilheiro comunista do nosso tempo

“Que importa que nos matem se deixamos semente de vencer”

A noite cobreu-se de bolboretas roxas
que se queimárom no lume de agosto

As palavras dos labregos galegos
ficárom quietas no ar
quando as bateladas de lume
emoureciam medas e colheitas.
As sombras da noite pousárom-se
sobre os lousados de Ferrol.
E ti, meu capitám,
corrias c’o valor de todo’los galegos
agachado no teu peito destemido.

E detrás de ti, meu capitám
os cans fascistas, entolecidos
carrajentos,
co’as babalhas do imperialismo mais feroz
chamando polos cás
de todo’los impérios anacrónicos.

Os obreiros galegos tivérom que vender
a sua força de trabalho
polas esmolas que mandavam
os donos dos cás de Espanha.

Ouh, meu capitám.
ouh José Ramom Reboiras,
com o ferro de todos os punhais e coitelos,
de todos os fusis e dos canhôs
sobor do teu coraçom
galego, apaixonado e generoso.

Que silêncio nas ruas mentres
a soidade de todos os galegos
se fechava nos teus olhos
e o lume de agosto caía
em carambos dos cás
-c’o seu coraçom ateigado
de medo e cobardia-
ouveando carrage,
rodeárom-te frente ao portal
multiplicando-se em centos por minuto,
saindo de toda’las coveiras da cidade,
já enloitada,
temendo-lhe a tua indomável valentia,
cismando nas medalhas podres
que adornariam o seu peito assassino,
a sua consciência sinistra
de enterradores do Povo Galego
e dos seus militantes mais valentes.

Lois Diéguez, Companheiro Moncho, 12 de Agosto de 1977

José Ramom Reboiras Noia, popularmente conhecido como Moncho Reboiras, embora em diversas etapas da sua curta mais intensa trajetória vital também fosse conhecido polas alcunhas de Pelinhos, Licho e Rianxo, nasceu 19 de janeiro de 1950, na aldeia de Imo, freguesia de Sam Joám de Lainho, do concelho de Dodro, na zona mais ocidental da comarca de Compostela, no seio de umha família labrega.
Estudou Educaçom Primária na escola unitária de Imo e, como todo neno do rural daquela época, também tivo que ajudar nas tarefas agrícolas.

Moncho Reboiras nasce num período em que ainda está viva a atividade da guerrilha galega que durante umha longa década combateu de forma eficaz e organizada a ditadura fascista imposta no nosso país após o golpe de estado do 18 de julho de 1936, que tingiu de sangue as valetas da Pátria e converteu a Galiza num imenso campo de concentraçom.

Numha etapa caraterizada pola miséria generalizada em que sobreviviam as imensas massas populares, a emigraçom continuava a ser a única alternativa para fugir da pobreza e o atraso a que o capitalismo espanhol condena o povo trabalhador galego.

O fim da década de cinqüenta é expetador do discreto novo abrolhar da consciência nacional da mao de reduzidos núcleos da juventude pequeno-burguesa, e da tímida reorganizaçom do movimento operário após a liquidaçom física, vinte anos antes, da musculatura das forças políticas e sindicais obreiras pola implacável repressom fascista.

O VIGO DOS SEUS PRIMEIROS ANOS

Com tam só nove anos, José Ramóm Reboiras emigra com toda a família para Vigo, à procura de umha vida melhor. José e Generosa instalam-se no bairro operário de Teis, na maior cidade do sul da Galiza e com os aforros logram abrir um negócio de hotelaria, o bar Noia, “Vinhos e comidas. Café express”.
Tanto Moncho como o seu irmao Manuel, um ano mais novo, ajudam a sua mae a levar o negócio, estabelecendo de imediato relaçom directa com o ambiente obreiro e a sua crua realidade. A composiçom eminentemente proletária da clientela do estabelecimento devia-se a que estava encravado à beira do estaleiro Vulcano e das instalaçons dumha empresa de construçom civil.
Porém, as dificuldades socioeconómicas persistem, provocando que o pai se veja obrigado a embarcar em mercantes e petroleiros noruegueses, para contribuir na mantença da família.

Todas as crónicas coincidem em definir o jovem Moncho como um rapaz responsável, trabalhador, estudante aplicado, um jovem que gostava do desporto e que sempre mantivo grande curiosidade pola realidade social em que estava inserido.
Com quinze anos, quando estudava Ensino Secundário no instituto Santa Irene, tem a sua primeira experiência no mundo proletário, trabalhando de peom na construçom civil por um breve período.

Em Castrelo de Minho, a recém criada Uniom do Povo Galego (UPG), da que será um destacado dirigente anos depois, promove a oposiçom labrega à construçom da barragem de Fenosa, no que é um dos primeiros episódios de oposiçom organizada ao regime.
Nesse mesmo ano, às 11.30 horas de 10 de março de 1965, caía abatido polas balas espanholas da Guarda Civil o último combatente em ativo da resistência armada antifascista. José Castro Veiga “O Piloto”, com cinqüenta heróicos anos às costas, morria à beira da barragem de Belesar, nas proximidades de Chantada, armado e identificado com o seu cartom do Exército Guerrilheiro da Galiza.

OS PRIMEIROS COMPROMISSOS

É pois na segunda metade da década de sessenta quando o adolescente Moncho Reboiras, da mao do jesuíta Padre Jaime Seixas, entra em contato com o emergente tecido cultural galego. Primeiro na associaçom cultural O Castro, participando em atividades cristás progressistas de fim de semana, onde por meio do idioma perseguido descobre a Naçom negada, e posteriormente na Associaçom Cultural de Vigo, principal ferramenta organizativa da incipiente esquerda nacionalista na cidade olívica.

A onda ascendente de luitas operárias e populares que denunciam, desafiam e combatem a ditadura fascista provocam que em 1969 seja decretado o estado de exceçom.
É precisamente neste ano quando os irmaos Reboiras, José Ramom e Manolo, entram na primigénia UPG, umha organizaçom política nacionalista de matriz marxista, mas cumha composiçom maioritariamente pequeno-burguesa, discurso interclassista e umha orientaçom marcadamente culturalista.

As primeiras tarefas políticas do jovem ativista continuam centradas na Associaçom Cultural de Vigo, basicamente na captaçom de nova militáncia mediante o imprescindível proselitismo que aproxime juventude junto do movimento de libertaçom nacional. Moncho, desde o primeiro momento, destaca polo seu compromisso, constáncia e perserverança, por querer aprender e devorar conhecimentos, por superar-se permanentemente, polas suas dotes organizativas e de direcçom, mas também por dar um giro político e ideológico à UPG.

Porém, continua a participar activamente nas iniciativas da associaçom. Em Julho de 1973, sob o pseudónimo de Ken Sabe, publica o poema intitulado Berra Nom, que reproduzimos integralmente.

Quando os fortes te assovalhem fazendo os ricos mais ricos
e te bailem ao seu som fai-te ouvir e berra nom!
quando estejas aldrajado Mentres haja cobiçosos
fai-te um homem e berra nom! que assovalhem por ter dom,
Quando vejas os “bons homens” enquanto haja que ajoelhar-se
roubando pior que ladrons, fai-te ouvir e berra nom!
quando vejas a injustiça, Enquanto vejas homens rindo
fai-te um homem e berra nom! por dentro chorar com a dor,
Enquanto vejas semelhantes à sociedade em que vives
trabalhar de sol a sol berra-lhe, di-lhe que NOM!

Rapidamente, da mao do marxismo, toma consciência da opressom nacional que padece a Galiza e da exploraçom a que se vê submetido o povo trabalhador e, portanto, da necessidade de construir o partido revolucionário galego para organizar e promover a libertaçom nacional e a emancipaçom de classe.

Simultaneamente, realiza estudos na Escola de Engenharia Industrial em Vigo, compaginando bom expediente cumha ativa participaçom nas reivindicaçons estudantis, incorporando sem complexos e com decisom a defesa intransigente do idioma galego frente ao espanholismo hegemónico nos ativistas ligados às organizaçons políticas reformistas e estatalistas. Neste centro participa na fundaçom da revista Des…tornillo’, de clara orientaçom nacionalista.

Finalizados com sucesso os estudos na faculdade, logra realizar como bolseiro práticas de engenharia no estaleiro Barreras, de onde é rapidamente expedientado e expulso polo seu compromisso militante de agitador e organizador. O jovem Moncho participa ativamente nas mobilizaçons e combates de rua da greve geral viguesa de Setembro de 1972.
Posteriormente, trabalha na fábrica Álvarez de Vigo, antes de se mudar por razons de saúde, -tinha sido operado de pleura-, primeiro para Ferrol, incorporando-se a Astano, e logo para a Corunha onde compagina o seu compromisso militante com o trabalho de obreiro em Intelsa.
Nesse ano, tem que realizar no quartel de Figueirido o serviço militar obrigatório.

JOVEM EXPERIMENTADO DIRIGENTE REVOLUCIONÁRIO
A precariedade e falta de meios humanos nesta etapa do movimento de libertaçom nacional galego provoca que a nova geraçom militante supra estas carências com ilimitadas doses de abnegaçom e entrega entusiasta. Moncho Reboiras é paradigma desta heróica empresa que logra em poucos anos, a base de sacrifícios e disciplina, ultrapassar os enormes obstáculos.
Entre 1972 e 1975, esta fornada combatente consegue evitar a destruiçom do nosso povo, sentando os parámetros das bases fulcrais para que, entre enormes contradiçons, avanços e derrotas, na Galiza de hoje o seu exemplo continue vivo no projeto estratégico da esquerda revolucionária independentista e noutras forças patrióticas.

As luitas operárias de Março de 1972 em Ferrol, saldadas com o assassinato de Amador Rei Rodrigues e Daniel Niebla Garcia e dúzias de feridos de bala pola repressom policial, e posteriormente a greve que em Setembro desse mesmo ano, abrange quase trinta mil trabalhadoras e trabalhadores da comarca de Vigo, é um ponto de inflexom no desenvolvimento da luita contra a ditadura e na recomposiçom da vanguarda nacional e operária.
A UPG, da mao da geraçom de Moncho, dá passos firmes, embora insuficientes, na superaçom do culturalismo nacionalista de partido-frente, no objetivo de se transformar num partido revolucionário comunista.

Um novo contingente de jovens operários incorpora-se à organizaçom fundada em 1964, facilitando a sua expansom territorial e basicamente a sua introduçom na classe trabalhadora. No quadro desta concepçom de organizaçom de vanguarda, a UPG impulsiona a criaçom de frentes de intervençom, além da cultural que já vinha desenvolvendo no associacionismo em defesa da língua e da cultura nacional.

Tal como o jovem dirigente revolucionário afirma no Terra e Tempo, vozeiro da UPG “Pola necessidade de criarmos um fortíssimo bloco nacional-popular que enquadre todas as forças politicamente antifascistas e antioligárquicas que poda dar a batalha ao regime assassino que nos aferrolha e que poda conseguir o triunfo final do povo galego sobre os seus inimigos: o fascismo e a oligarquia espanhola” esta organizaçom promove em maio de 1975 -tam só três meses antes do seu assassinato- a constituiçom de umha plataforma política interclassista e assemblear com vocaçom de instrumento constituinte e coordenador do processo de superaçom do franquismo e de autodeterminaçom nacional: a AN-PG (Assembleia Nacional-Popular Galega).
Seguindo esta estratégia, promove os “germes sindicais” que em 1973 se transformam em Frente Obreira para, em maio de 1975, darem lugar à criaçom do Sindicato Obreiro Galego (SOG), como a fusom de diversos sindicatos setoriais do ensino, saúde, banca e trabalhadores do mar; as Comissons Labregas (CCLL) como continuidade dos Comités de Ajuda à Luita Labrega (CALL); e ERGA (Estudantes Revolucionários Galegos) como frente estudantil.

PROMOTOR DA FRENTE CULTURAL.

A coordenaçom e coesom do ronsel de organizaçons culturais ligadas à esquerda nacionalista foi em parte resultado do ingente trabalho organizativo de Moncho Reboiras. Ele, com tam só vinte e três anos, é o artífice da importante reuniom decorrida na sacristia da igreja de Sam Martinho de Noia um domingo do Verao de 1973, que dá lugar à criaçom da Frente Cultural da UPG e à posta em andamento de iniciativas conjuntas como a revista Irmandinho.

O SINDICALISMO NACIONAL E DE CLASSE

Moncho Reboiras foi determinante no processo de proletarizaçom da UPG e introduçom do movimento de libertaçom nacional no mundo operário, até esse momento sob a hegemonia do reformismo espanholista, basicamente do PCE.
Em Vigo, após a greve de Setembro de 1972, tenta a aproximaçom de nucleos proletários da recém criada Organizaçom Obreira à Frente Obreira.
Já na Corunha, a inícios do Verao de 1973, no mês de Junho, é co-autor do importante documento “Rascunho provisório para discutir sobre as bases de umha organizaçom dos trabalhadores assalariados a nível sindical”, embriom do que posteriormente foi o SOG como antecedente da ING-INTG-CIG.
Nesta cidade, consolida umha estrutura mínima à volta da publicaçom Xerme: Também estivo em Ferrol, trabalhando num primeiro momento numha empresa auxiliar de Bazán, para exercer de eletricista em Isolux Naval, umha subcontrata do estaleiro Astano.
Moncho Reboiras foi determinante na construçom dum movimento sindical genuinamente galego, com o centro de gravidade na estrutura de classes da Galiza e comprometido com as necessidades e reivindicaçons específicas da classe trabalhadora galega.

ORGANIZADOR COMUNISTA

A sua juventude era compensada cumha dedicaçom plena aos labores da Revoluçom Galega. Moncho Reboiras cumpriu um papel essencial na estruturaçom da UPG em diferentes regions da Galiza, na coesom e unidade interna do movimento soberanista em plena expansom. Assim, a sua intervençom direta no conflito foi vital para frustar umha tentativa de cisom em ERGA a inícios de 1973.
Chegou a ser um experimentado mestre da arte da luita clandestina e conspirativa. Demonstrou sempre grande habilidade para nom ser apanhado polos aparelhos repressivos do regime fascista, pola temida polícia política, a BPS (Brigada Político Social). Deste jeito, conseguiu sempre safar-se da detençom e da tortura, embora quando realizava o serviço militar tivesse sido interrogado em 1972 polo temido Waldo Mazaira, o chefe policial de Vigo naquela altura.

Em Janeiro de 1973, cai em Cangas do Morraço parte do aparelho de propaganda que contribuira para criar. É incautada a multicopista, mas a militáncia ligada a esta estrutura consegue refugiar-se em Paris e no norte de Portugal.
Em abril de 1974, após um confronto armado com a Guarda Civil nos montes de Monforte de Lemos, sai invito burlando o cerco e continuando a sua atividade político-militar pola causa da Revoluçom Galega. Tal como o Che, sabia que num processo revolucionário, se este é verdadeiro, ou se triunfa ou se morre. Moncho era dos que nunca optam polas comodidades do sofá e das tertúlias de café. Dos que se implicam a fundo, dos que sem duvidar arriscam a vida pola Pátria e as suas maioriais sociais.

As suas cada vez mais importantes funçons e responsabilidades facilitam que desde inícios de 1972 Moncho passe a fazer parte de maneira quase natural do Comité Central e do Comité Executivo da UPG, susbtituindo nos labores de direçom o feixe de artistas, inteletuais e funcionários que hegemonizárom a primeira etapa e que, após a sua morte, voltárom paulatinamente a recuperar o controlo.
Dedicado plenamente à luita revolucionária, vai organizando células, núcleos de simpatizantes, grupos de apoio nos mais diferentes pontos do País.

Moncho estava num panfleto, numha pintada, numha assembleia obreira, numha reuniom cultural, de estudantes, de labregos, num encontro clandestino, no assalto a um banco, na expropriaçom dumha multicopista, na redaçom dum documento, num debate estratégico, ensinando e formando jovens militantes, transportando propaganda, editando um vozeiro, lançando pedras à polícia, elaborando um cóctel-molotov, fugindo da perseguiçom, viajando no seu Seat 600 polas estradas e caminhos da Galiza… na mais simples e na mais complexa tarefa dum militante comunista.

Um antigo camarada afirma que “O seu exemplo, a sua atençom constante ao trabalho dos companheiros e a sua grande determinaçom fazia com que todos os objetivos parecessem possíveis e reais”.

COORDENAÇON E ALIANÇAS INTERNACIONAIS

Como dirigente marxista-leninista, Moncho Reboiras foi um dos artífices das relaçons internacionais que a UPG começa a estabelecer na década de setenta.
A Revolução dos Cravos em Portugal facilita que a partir do 25 de Abril de 1974 a esquerda soberanista galega utilize o norte do país irmao como retaguarda. Deste jeito, a UPG começa a contar com valiosa ajuda de diversas expressons da esquerda revolucionária portuguesa e dota-se de gabinetes em Lisboa e Porto.

Também por meio de militantes exilados e emigrados a UPG, conta com representaçom permanente em Paris, Genebra e Caracas, onde concentra boa parte dos seus arquivos.

Porém, o mais importante acordo de coordenaçom internacional cristaliza na Carta de Brest, um conjunto de manifestos e documentos assinados inicialmente com o Movimento Republicano Irlandês (IRM) e a Uniom Democrática Bretoa (UDB), à qual posteriormente aderírom organizaçons bascas, galesas, catalás, ocitanas e sardas, para promover luitas e iniciativas conjuntas com o objetivo de que as pequenas naçons europeias se dotassem de estados independentes de orientaçom socialista.

Também a UPG a partir de dezembro de 1974 assina diversas declaraçons conjuntas sobre diferentes temas de atualidade com a ETA e o PSAN-p.

Está documentado que Moncho Reboiras participa na primavera de 1975 em Madrid numha reuniom com a ETA, à qual assistem Pertur e Wilson pola organizaçom armada basca. O principal objetivo do encontro era lograr a sua colaboraçom para contribuir no desenvolvimento da frente armada da UPG. Porém, a infiltraçom policial do comando da ETA que colaborou na Galiza facilitou a posterior detençom de militantes, queda do grupo de Moncho Reboiras, exílio a Portugal e desmantelamento do núcleo central.

A LUITA ARMADA

Desde inícios da década de setenta, tem lugar no seio do movimento de libertaçom nacional um debate sobre os métodos de luita que se deviam empregar. Moncho Reboiras foi um dos mais destacados defensores da necessidade de complementar a luita de massas clandestina e semi-legal com a formaçom dumha estrutura militar no quadro da sua conceçom integral da luita insurrecional por atingir umha Galiza livre e socialista.

Desaparece dos atos públicos e começa a dar os passos na direçom de implementar o que sem ambigüidades nem espaços para as nécias interpretaçons recolhe o Terra e Tempo especial em formato dossier sobre os acontecimentos de março de 1972 editado inicialmente no interior, sob a sua coordenaçom, e posteriormente reeditado em Paris: “(…) a necessidade que o povo tem de passar a formas mais avançadas de luita, chegando paulatinamente à luita armada. Galiza necessita um destacamento armado que apoie cada um dos movimentos e luitas de massas. Os obreiros de Ferrol nom tinham mais que pedras nas maos. O inimigo tem pistolas, metralhadoras e, se for preciso, tanques, canhons e avions. Há que criar um exército clandestino que devolva olho por olho e dente por dente a cada crime e a cada tortura. Se nom se fai assim, os obreiros, os trabalhadores, os estudantes, os nacionalistas e os democratas nom avançarám mais. A politizaçom, a conscientizaçom popular, está a chegar ao máximo. É preciso agora que as massas se sintam protegidas e apoiadas nas suas luitas por um destacamento armado, dirigido polo Partido, e assim continuar até a vitória”.

No Terra e Tempo editado em maio desse ano 72, a UPG insiste na necessidade de “trabalhar pola construçom dum partido que dirija corretamente a classe obreira no seu caminho face a luita final e a vitória histórica, e lhe faga ver a necessidade da resposta armada à violência do capital e da ditadura fascista.
Assim, a luita armada é algo que nós temos sempre proclamado como soluçom final. Nom quer dizer isto que vaiamos lançar-nos a um terrorismo aventureiro. O trabalho político a fazer antes do desencadeamento da luita armada é ainda grande, de jeito que nom podemos dizer quando nem como começará nem através de que etapas se desenvolverá. O que é bem claro é que chegará um momento em que a açom das massas populares nom poderá avançar face à sua libertaçom definitiva à tomada do poder se nom emprega a luita armada. Será entom quando as massas populares criarám, sempre sob a direçom política do partido operário, a sua organizaçom ou destacamento armado”.

Desde 1974, Moncho tem como responsabilidade prioritária constituir a frente armada da UPG, participando nos operativos que a dotem da imprescindível infraestrutura e logística: expropriaçom de fundos (assalto a bancos em Escairom, Corunha e Lugo, a Fenosa em Vigo), de multicopistas, automóveis, papel, documentos de identidade (assalto e roubo de dezenas de milhares de “DNI”, máquinas de plastificar, selos, da esquadra policial de Lugo). Esta última e mais conhecida açom foi realizada conjuntamente com militantes bascos e portugueses e o “botim”distribuído.

Neste intenso período, tem que passar pequenas temporadas em Portugal, para evitar ser detido, e mesmo alterar o seu aspecto físico. Estadas sempre bem aproveitadas para manter reunions com forças de esquerda como o Partido Revolucionário do Proletariado-Brigadas Revolucionárias.

O Moncho cabeludo e com bigode com que passou ao imaginário coletivo da luita de libertaçom nacional da Galiza, na realidade, nom era mais que um disfarce para eludir ser detetado e capturado.

QUEDA EM COMBATE

A inícios de Agosto, som detidos numha operaçom policial três militantes da UPG e dous da ETA. A partir deste momento a ofensiva contra a Frente Armada precipita-se fatalmente. Moncho Reboiras é detetado num andar do bairro de Canido de Ferrol na noite do dia 11 de agosto de 1975. Cercado pola BPS e por mais de 300 efectivos da Polícia Armada, começa a caça ao mais importante militante revolucionário da Galiza do último meio século.

Após queimar a documentaçom que poderia danar a organizaçom em caso de cair em maos do inimigo e facilitar a fugida de Elvira Souto e Lois Rios -os dous camaradas que o acompanhavam no apartamento clandestino- Moncho nom vacila: numha mostra mais da sua coragem e heroicidade, tenta atrair a polícia e superar o cerco.
Os seus camaradas escapariam saltando umha janela do pátio interior da casa contígua, e Moncho inicialmente através dos telhados, passa a outro prédio por meio dumha clarabóia cuja ruptura concentra a atençom das forças policiais.
Após horas de perseguiçom conseguem atingi-lo no portal de um prédio da rua da Terra. Como a rendiçom nom fazia parte da sua coerência revolucionária, com determinaçom e inteireza fai frente ao inimigo.
Perante o temor que a sua figura transmitia, é cobardemente acribilhadado a balaços na manhá do 12 de agosto de 1975, no número 27 de um portal da rua da Terra do Ferrol proletário.

Manolo Reboiras relata assim como viviu essa jornada acompanhado da sua mae.
“Às 10 da manhá do 12 de agosto de 1975. Dia calorento em que compartilho com uns alunos do bairro de Teis umhas classes de recuperaçom de matemática.
Um vizinho, muito nervoso e gesticulante, traz um recado para que urgentemente vaia a casa; algo muito grave passou ao meu irmao.
Faltam-me palavras para exprimir as lembranças e os medos que nuns segundos se arremoinhárom na minha cabeça. Havia meses que nom tinha contatos com o Pepe. A última vez que estivéramos juntos, fora num encontro casual na estaçom de Atocha em Madrid, em março 1975. Eu retornava para a Galiza e ele tinha umha reuniom em Madrid. Logo soubem que eram os encontros que a nível de Estado tinham as organizaçons nacionalistas galegas, bascas e catalás para valorizarem a situaçom política e articularem umha alternativa conjunta que desse resposta à decadência da Ditadura e ao projeto que setores mais ou menos liberais e forças de esquerda espanhola estavam a organizar. Passei à sua beira e nom o reconhecim. Ele tampouco falou. Ia bem vestido, com peruca e óculos. O instinto quijo que me virasse: ao vê-lo andar de costas, dei-me conta e chamei por ele. Daquela, achegou-se e estivemos a falar muito tempo até que saiu o meu comboio. (…)

Às 10.15 horas chego a casa. A minha mae está a aguardar. Dificilmente consegue vestir-se para a viagem. O meu pai está embarcado num mercante, na soidade absoluta do mar: tarda ainda uns dias em saber da tragédia e mais tempo ainda em poder arribar a porto. (…)

Passamos Padrom e Santiago e íamos já pola velha estrada, direçom Ferrol. O rádio do carro nom dizia nada. As notícias falavam da presença do Caudilho em Meirás e da botadura de um grande petroleiro nos estaleiros de Astano. A tensom palpava-se no ambiente. A minha mae olhava-me sem aguardar resposta: os dous calávamos. No fundo, desejávamos que o Pepe estivesse ferido e poder trazê-lo para a casa.
No parte das 12, a rádio fala já de um confronto armado nas ruas de Ferrol e da morte de um moço de 25 anos, José Ramom Reboiras Noia. A minha mae estremece e sofre em silêncio. Eu tento manter a calma, enquanto pola minha cabeça voltam a passar em poucos segundos os 25 anos da vida compartilhada.

Ao chegarmos à Ponte das Pias, a ponte onde caíram assassinados havia uns meses Amador e Daniel, a tensom fai-se insuportável. Nos estaleiros de Astano, as autoridades civis, religiosas e militares compartilham a festa, enquanto a polícia secreta e os “grises” bloqueavam a cidade, registando qualquer cousa suspeita, buscando activistas e detendo camaradas em Santiago, Vigo, Lugo, Ourense e Corunha.

Sobre a 1 da tarde, um funcionário municipal leva-nos ao cemitério de Catabois, nas redondezas de Ferrol. Ali, num quarto, acima de umha rudimentária e fria mesa de pedra, estava Pepe, totalmente despido e com 3 impactos de bala nas costas, e nom na cabeça como consta no certificado de óbito, tentando justificar e dar umha coarctada ao vil assassinato.

Esses impactos de bala nas costas coincidem com a versom do “grises”, que declaram: “que al ser requerido para que se detuviera, echó a correr, por lo que los funcionarios actuantes, después de reiterar la voz de alto, trataron de intimidarlo con unos disparos al aire”.

Malferido e agonizante -um dos disparos afetou-lhe umha arteria por cima do coraçom, produzindo-lhe umha “anemia aguda e fulminante” -só lhe deu tempo a chegar ao portal da Rua Terra, nº 27, onde se desangrou. Tardárom mais de 2 horas a entrar e descobrir o cadáver. Antes cribárom o portal a balaços com mais de cem impactos e, finalmente, depois de entreabrir a parte superior da porta com uns troncos dumha obra próxima, guindárom duas bombas de gás lacrimogéneo e topárom o corpo”.

Posteriormente, tem lugar umha razzia policial contra a esquerda soberanista, realizando-se detençons de militantes da UPG em diferentes pontos da geografia nacional, ficando praticamente desmantalada a totalidade da infraestrutura de apartamentos clandestinos e depósitos de material da organizaçom. A precariedade e inexperiência da recém constituída Frente Militar, a infiltraçom policial na ajuda externa, a prematura queda do seu máximo dirigente, mas basicamente a falta de interiorizaçom e vacilaçom dos principais dirigentes sobre a natureza da luita, provocou que o projeto integral que Moncho estava a construir ficasse completamente desmantelado. A direçom pequeno-burguesa hegemónica na UPG optou por manter simplesmente a retórica, renunciando a umha coerente prática marxista-leninista.

O comunicado que o Comité Executivo da UPG emite em setembro, poucas semanas depois da morte de Moncho é exemplo disto, assume politicamente o projeto:
“A UPG afirma que o armamento que possuíam os seus militantes está ao serviço da luita e a defesa das classes trabalhadoras galegas contra o terrorismo fascista do Estado Imperialista Espanhol, entendendo que frente à quotidiana violência sobre o povo a resposta das classes trabalhadoras organizadas passa, necessariamente pola violência revolucionária”.

Embora nom tenham sido ainda difundidas as fontes documentares que o constatem que Moncho estava a enfrentar a fraçom liquidacionista da direçom upegalha, de facto, fontes orais de máxima solvência tenhem manifestado que Paco Rodríguez –atualmente secretário-geral da organizaçom pós-comunista- tinha sido citado dias antes do fatídico 12 de agosto de 1975 no campo de tiro que a estrutura militar possuía em Rianxo. Moncho Reboiras queria saldar contas com ele. O referido indivíduo, numha das suas habituais mostras de cobardia, simplesmente nom apareceu. Agora, trinta e quatro anos depois, sem o mais mínimo rubor afirma num artigo de “homenagem” a Moncho Reboiras que “Nom tenho consciência, tampouco nunca perguntei, de que se aspirasse a empregar métodos próprios de luita armada”. Como pode ser isto possível quando no segundo aniversário do seu assassinato a UPG difunde um caderno homenagem cum longo poema laudatório e umha síntese biográfica, na qual se afirma “Dedicado de cheio ao trabalho partidário e compreendendo a necessidade da violência para defender as conquistas populares e eliminar o poder do fascismo imperialista, MONCHO, empreende com outros companheiros, um novo método de luita na Galiza: a luita armada”.

Apesar da pressom policial, das ameaças de multas e repressálias, centenas de pessoas, amizades, camaradas e familiares, assistírom no dia 13 de agosto ao seu enterro no cemitério de Imo. Desde o trágico 12 de agosto de 1975, nunca faltárom flores no seu túmulo, nem as lembranças diante do portal onde entregou a vida por umha Galiza libertada e socialista.

UM EXEMPLO A SEGUIR

Sem lugar a dúvidas, a figura de José Ramom Reboiras Noia é o melhor referente de combate e luita de um povo que nom se resigna a ser derrotado polo projecto imperialista espanhol.

Nestes 34 anos posteriores à sua morte, muitas cousas tenhem mudado. Basicamente, a organizaçom que tanto contribuiu para desenvolver e consolidar. A UPG de hoje é umha desprezível caricatura do que já foi. Entregada e claudicante a Espanha e ao Capital, colabora sem pudor com o inimigo que assassinou Moncho Reboiras.

Assim, no último aniversário do mais brilhante camarada-mártir da história contemporánea da Pátria, participou num aparente, embora deliberado, exercício de confusionismo e perplexidade, no ato institucional de reconhecimento de “vítima oficial do franquismo” organizada pola Delegaçom do Governo espanhol na Galiza.

Aos e às que nom arriamos as bandeiras que abraçou Reboiras, nom nos estranhou ver os corruptos dirigentes do regionalismo da mao do vice-rei espanhol no nosso País sujando, manipulando a figura e trajetória de Moncho. Nom é nada novo, levam cerca de trinta anos a alterar a história, a esvaziar a sua figura e o seu exemplo, integrando a sua luita em funçom das miseráveis necessidades da política espetáculo institucional, transformando um guerrilheiro urbano –o mais elevado degrau da espécie humana em palavras do Che- num mero ativista cultural e sindical.
A manipulaçom e a fraude som necessárias para legitimar o execrável exercício de genuflexom a que aderírom sem escrúpulos os que optárom por renunciar ao longo combate da Revoluçom Galega a que Moncho consagrou a sua vida, em lugar das miseráveis prebendas e privilégios que, por colaborar, concede o inimigo.

Porém, outras cousas continuam inalteráveis. A opressom nacional que a Galiza padece por Espanha nom só se mantém incólume, como tem aprofundado a sua sofisticaçom e eficácia. A exploraçom do povo trabalhador polo Capital tem atingido graus inimagináveis na etapa em que Moncho criou as bases do movimento obreiro genuinamente galego.

Ainda que o queiram fagocitar, maquilhar, integrar, Moncho Reboiras continua vivo e presente entre o povo combatente, na autoestima coletiva das luitas quotidianas por um salário melhor, por um ensino público de qualidade, em defesa do idioma e contra o assimilacionismo espanhol, contra a opressom e os direitos das mulheres, por um futuro digno para a juventude, na defesa do nosso agro, do nosso ecossistema, na luita contra a voracidade do capitalismo em crise, pola Soberania e a Independência Nacional, contra o imperialismo, polo Socialismo e umha sociedade superadora do patriarcado. Entre @s que nom capitulam e mantenhem vivo o seu exemplo de rebeldia e coragem.

Anos depois, Abelardo Colaço em Agosto de 1980, e posteriormente Lola Castro Lamas “Mariana” e José Vilar Regueiro “Marcos”, em 11 de Outubro de 1990, também falecêrom luitando contra os interesses do capitalismo espanhol.

No futuro e à medida que o processo revolucionário galego atinja novas dimensons e confronte com decisom os reptos e desafios da nova etapa histórica, o fusil e o exemplo do seu querido Foucelhas deixará de ser material de exposiçom de vitrina para ser instrumento de liberdade.

A luita continua!

Denantes mort@s que escrav@s!

Pátria, Socialismo ou morte!

Galiza, agosto de 2009

INTERVENÇOM DE CARLOS MORAIS NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA.

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INTERVENÇOM DE CARLOS MORAIS NO ATO POLÍTICO DO DIA DA PÁTRIA.


Era umha obrigaçom estarmos hoje aqui, nesta praça da capital da Naçom, reivindicando a liberdade da nossa Pátria.

A diferença doutras iniciativas, a nossa, a do independentismo socialista e feminista galego, é modesta, mas fazemo-la com o coraçom, sem timoratismos, com sinceridade e honestidade.

Enganariamos-vos a quem hoje nos acompanháis, nom seria sincero com o conjunto do povo trabalhador galego, se afirmasse que nom nos importa ser poucos. A verdade sempre é revolucionária!

Lamentavelmente Agora Galiza ainda é umha organizaçom fraca, umha força emergente, que está dando os seus primeiros passos, atravessando o tórrido deserto da capitulaçom política e da involuiçom ideológica que carateriza a esquerda política e social galega. Mas nom esqueçamos que isto é um fenómeno de ámbito mundial.

Avançamos mais lentamente do que desejamos, logo de superarmos o traumático processo de implossom que padeceu há um par de anos a esquerda independentista, socialista e feminista galega.

Parafraseando Lenine -máximo arquiteto da Revoluçom Bolchevique de 1917 que nos inspira, “nom tem havido nem umha só grande Revoluçom que nom tenha atravessado um penoso período de contratempos”.

Há 2.500 anos, Sófocles, um poeta grego do século V antes da nossa era, afirmou acertadamente que “para quem tem medo, todo som barulhos”. Quanta verdade sintetizam estas palavras.

Sabemos que muita gente coincide connosco, simpatiza em privado, mas nom se dá ainda atrevido a somar-se a esta praça. Estamos convencidos que é mera questom de tempo!

Mas o fundamental a dia de hoje nom é o vetor quantidade, e sim as coordenadas ideológicas, o programa político de que nos dotamos e defendemos, para chegarmos a ser umha ferramenta útil, umha arma eficaz, para a luita da nossa classe, do nosso povo, da nossa naçom, para atingir a liberdade e a emancipaçom sonhada, cada dia mais necessária e urgente.

Porque companheiras, companheiros, camaradas, amigas e amigos, delegaçons internacionais convidadas, a nossa luita é para vencer!

Agora Galiza nom tem vocaçom de ser umha força residual. Nom pretendemos sermos um clube de discusom, tampouco um elemento folclórico mais no taboleiro político galego, nem aguardar que as condiçons subjetivas amadureçam por arte de magia. Queremos intervir para transformar o presente e conquistarmos o futuro!! Eis polo que estamos aqui!

Há dous anos ninguém dava um peso por nós!, e já vedes!!, novamente voltamos a estar nas ruas da Pátria com as bandeiras rebeldes, defendendo com firmeza e alegria, sempre com muita alegria!!, que os graves problemas que padecemos quem vivemos do nosso suor e do nosso trabalho, nom se resolvem nas instituiçons desta ditadura de fachada democrática.

A involuçom reacionária, o retrocesso progressivo em direitos e liberdades que padecemos, nom se soluciona delegando nos profissionais da política burguesa, essa singular casta para a qual o nosso idioma tem um adjetivo perfeito: trapalheiros.

Só um povo ativo, auto-organizado, mobilizado nas ruas, nos seus centros de trabalho e ensino, poderá mudar o curso da história que nos tem asignado os inimigos da nossa classe e da nossa Pátria.
Sim inimigos! Nós, nom empregamos eufemismos, chamamos as cousas polo seu nome.

Ou que é o amigo do narcotraficante Marcial Dourado?, o presidente da franquícia denominada Junta da Galiza SL, o senhor Nuñez Feijó, quando aplica cortes e privatiza a sanidade e a educaçom, desmantela os serviços sociais, quando entrega os nossos recursos e riquezas energéticas e minerais às multinacionais e às empresas predadoras dos seus amigos como Villar Mir, quando despreza e condena o nosso idioma a desaparecer, nom é mais que um inimigo da Galiza e da sua maioria social.

Feijó e a sua banda criminal chamada PP, é umha maquinária de dominaçom especializada na destruiçom paulatina das bases materiais e imateriais da Galiza. Nom é outra cousa mais que um presidentinho ilegítimo!!

E confiai na história. Algum dia este povo fará contas, e os Feijós, os Baltar, os Rueda, e toda essa camarilha que se burla do povo trabalhador, de todas nós, toda essa casta cleptocrática que nos condena à miséria, será julgada e condenada por vendepátrias.

A seçom galega do PSOE nom fica atrás. Se a dia de hoje o seu acionar nom é tam letal como os corruptos e os delinquentes do PP, é simplesmente porque carece do suficiente poder institucional, e nem eles mesmos sabem quem manda no seu seio, se o tránsfuga de Noia, a caladinha de Lugo ou o ex-carrilhista envolto no pior localismo viguês.

Porque companheiras e companheiras, o independentismo revolucionário nom se deixa arrastar polo frentismo anti-PP que alimenta a falsa esquerda institucional. Porque os problemas da classe obreira, das mulheres, da juventude, nom descansam na alternáncia eleitoral. Confiar em alterar o estado das cousas polas urnas, restringindo os objetivos a deslocar o PP das instituiçons, é um monumental engano, simples ilusionismo.

Se nom agimos diretamente sobre a raíz dos nossos problemas, questionando o capitalismo, o regime autoritário espanhol filho do franquismo, o sistema patriarcal, qualquer proposta aparentemente progressista, dotada dum simples programa regeneracionista e democraticista, é umha alternativa inofensiva, carece de percorrido algum.

Os problemas das galegas, os desafios e reptos da Galiza, emanam do rol dependente da nossa Naçom, da carência de soberania nacional, de sermos um país tutelado por Espanha e pola Uniom Europeia.

Sem conquistarmos a independência nacional nom é fatível implementarmos políticas ao serviço do nosso povo. Que nom nos enganem!! Espanha é a nossa ruína!!

O capitalismo, o Estado imperialista espanhol, o patriarcado, nom se podem reformar. Só se podem sentar as bases para edificar umha sociedade nova, de mulheres e homens livres e emancipados, mandando-os para o lixo da história. Este processo só se pode abrir mediante umha Revoluçom, a festa dos oprimidos, tal como a definia Lenine.

As maiorias aritméticas eleitorais, o cretinismo parlamentar, a conciliaçom de classes, que definem as políticas das forças reformistas, da nova e da velha socialdemocracia disfarçada de “ruturista”, nom passa de ser umha distraçom que amortece a luita, que desvia atençom, que atrasa a organizaçom da rebeliom popular. Nós nom luitamos por reformas, nem remendos, nem farrapos de gaitas!

Porque novamente parafraseando Lenine, fazemos nossa a sua lúcida aseveraçom de que a democracia burguesa “é umha forma de governo na que cada 4 anos se muda de tirano”.

Eis polo que nom somos parte de acomplexadas frente patrióticas de prática neoautonomista, nem nos integramos em caldeiradas autodenominadas “unidades populares”, instaladas no canibalismo, seguidistas do populismo elaborado nos laboratórios metropolitanos.

Nom abraçamos o “unitarismo” que só serve para bloquear a revoluçom operária e feminista de libertaçom nacional.

O nosso é um independentismo vermelho e lilás. Um independentismo classista e feminista. Afastado desse independentismo etnicista e essencialista, motor auxilar do nacionalismo interclassista.

Queremos constribuir à edificaçom da nova Galiza, dumha República Socialista, e este objetivo só é viável tendo como centralidade o povo trabalhador e empobrecido.

Nas ultimas semanas temos assistido a um incremento do imprescindível confronto Capital-Trabalho plasmado nas greves do proletariado de Citroën, das trabalhadoras e trabalhadores do transporte de autocarros, do 061, do setor do metal, …. Temos assistido à mobilizaçons contra a repressom, contra a ocupaçom policial desta cidade pola UIP, do feminismo contra as agressons e o terrorismo machista, … Esta é a Galiza rebelde, a de infinitas potencialidades para conquistar o seu futuro.

Marx afirmou que “quem conheça algo de história nom ignora que as grandes comoçons sociais som impossíveis sem o fermento feminino”. Eis polo que nos definimos e pretendemos agir coerentemente como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional!!

Nós, nom queremos ficar a meio caminho, queremos atingir o objetivo dumha Galiza vermelha, lilás, soberana, solidária, internacionalista e comprometida com os povos do mundo e todas as causas justas.

E sabemos que só mediante o conflito, empregando a batalha de ideias, a mobilizaçom obreira e popular, confrontando com a burguesia autótone, com a oligarquia espanhola, com as elites da UE, com o Ibex 35, com o imperialismo, com a NATO, só assim podemos avançar. Exercendo o direito à Rebeliom!!

Nesta luita nom existem atalhos, tal como nos transmitem os charlatans da falsa esquerda, tanto a de ámbito autonómico, como a espanholista. Nom existem receitas milagrosas.

Nós nom prometemos nada mais que um posto de combate e a satisfaçom de contribuirmos a umha causa nobre, à causa da liberdade.

Neste ano no que celebramos a gesta épica do Che, queremos honrar humildemente o guerrilheiro heroico seguindo o seu exemplo de perserveráncia, constáncia e fé na Revoluçom.
Sim, companheiras e companheiros, camaradas, na Revoluçom com maiúsculas. Essa locomotora da História que definira Marx.

E a Revoluçom anticapitalista, feminista e de libertaçom nacional nom se improvisa, nom é fruto dum levantamento espontáneo. A Revoluçom socialista deve ser organizada e só as forças revolucionárias podem fazê-lo.

Nom quero finalizar sem lembrar dous bons amigos da causa galega que lamentavelmente este ano nos deixárom. Para os camaradas Justo de la Cueva e para o Miguel Urbano Rodrigues nem um minuto de silêncio, toda umha vida de combate. Honra e glória!!

Companheiras e companheiros da Pátria de Rosalia, da Naçom de Benigno Álvares e Luís Soto, do País de Henriqueta Outeiro, da Galiza de Líster, O Piloto e Moncho Reboiras, hoje, aqui e agora, neste 25 de Julho, comprometemo-nos a a avançar com audácia e coragem nesta luita até vencer!

Com Espanha nunca mais!
Até a vitória sempre!
Viva Galiza ceive!
Viva Galiza feminista!
Viva Galiza Socialista!