Nem Autonomia nem Estado federal: independência nacional
Um dia como hoje de 1980 -coincidindo com a entrada do solstício de inverno no hemisfério norte-, tinha lugar na Comunidade Autónoma Galega um referendo organizado polo Estado espanhol para legitimar a opressom nacional da nossa Pátria.
O conhecido como referendo do Estatuto Autonomia nom foi apoiado pola imensa maioria do povo trabalhador galego que optou por nom participar na consulta.
D@s 2.172.898 galegas e galegos tinham direito a votar, só participárom 614.218, d@s quais 450.556 votárom a favor.
A abstençom atingiu 71.7%. Menos do 21% do recenseamento da altura apoiou o Estatuto que nega a nossa condiçom nacional e o exercício do direito de autodeterminaçom.
Hoje, 37 anos depois desta imposiçom a situaçom da Galiza e da sua imensa maioria social só tem piorado.
A dependência e o atraso da nosso País tenhem-se agravado; os sinais medulares da naçom estám à beira de superar o ponto de nom retorno perante o êxito do processo espanholizador; a dramática queda de populaçom pom em perigo a nossa perdurabilidade como povo diferenciado; as condiçons de vida da classe trabalhadora, das camadas populares tenhem retrocedido; a precariedade laboral e a emigraçom som as únicas alternativas de futuro que o Estado espanhol e a Uniom Europeia oferece à nossa juventude.
Hoje constatamos o fracaso da via estatutária que boa parte do nacionalismo galego de forma ativa ou complexada apoiou e ambiguamente ainda continua a apoiar.
Hoje constatamos o êxito da arquitetura institucional do imperialismo espanhol na Galiza, do modelo vigorante que nega a nosa liberdade nacional e nos converte numha naçom oprimida e negada que impossibilita que a nossa Pátria decida o seu futuro e o nosso povo tenha umha vida digna.
Galiza nom é Espanha, e o nosso futuro como naçom e como povo passa pola conquista da nossa independência nacional, pola saída da UE e das instituiçons internacionais imperialistas a que nos incorporou Espanha [NATO, FMI, Banco Mundial].
Hoje Agora Galiza nada tem que celebrar. Nom reconhecemos a legalidade vigorante espanhola e neste aniversário da negaçom da Naçom Galega consideramos que a melhor contribuiçom para conquistarmos a liberdade nacional sem a qual nom é possível a mudança social passa inelutavelmente por reconstruir o independentismo socialista.
A classe trabalhadora galega, o povo explorado e empobrecido, deve dotar-se das ferramentas de luita e combate sem a quais nem poderemos recuperarmos as conquistas laborais e sociais perdidas, nem muito menos dotarmos-nos dos instrumentos que nos permitam decidirmos por nós mesm@s -sem entraves nem imposiçons-, um futuro de justiça social, liberdade e paz.
A luita pola independência nacional é a única forma de combater coerentemente o regime postfranquista, de acumular forças rebeldes para acabar com este Estado bandido, dirigido por umha casta de delinquentes que só nos impom miséria, repressom e dor.
A alternativa nom passa por reformar a constituiçom espanhola, por mais descentralizaçom administrativa, por solicitar mais competências, por um encaixe da Galiza em Espanha, a única alternativa verdadeiramente de esquerda, ao serviço da imensa maioria social, é a conquista da independência nacional para construirmos umha sociedade socialista.
A auto-organizaçom nacional do povo trabalhador é condiçom sine qua non para incrementar a consciência nacional e reconstruir um movimento de libertaçom nacional sob a direçom da classe obreira, única garantia de vencermos.
Viva a República Galega!
Independência e Pátria Socialista!
Direçom Nacional de Agora Galiza
Na Pátria, 21 de dezembro de 2016