“Esquerdinha” gominola

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Esquerdinha” gominola

Por Carlos Morais. Porta-voz nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Assistimos a umha das mais duras embestidas da burguesia contra os direitos e conquistas adquiridas pola classe trabalhadora mediante a luita organizada.

As duas fraçons da oligarquia na sua desputa caníbal pola hegemonia, coincidem plenamente em pretender reinstaurar as condiçons laborais de início do século XX, endurecer a exploraçom e dominaçom, esvaziar de conteúdo os tímidos direitos e limitadas liberdades atingidas em décadas de suor, lágrimas e sangue.

A pandemia da Covid-19 está sendo aproveitada polos donos do dinheiro como umha magnífica oportunidade para impor restriçons e limitaçons, injetar temores e gerar incertezas. Os seus meios de [des]informaçom divulgam a doutrina do shock, receitam o analgésico do medo para narcotizar ainda mais os que realmente fazemos que o mundo funcione.

A diferença qualitativa perante ofensivas similares burguesas, é a dramática carência de resistências amplas e combativas por parte dos segmentos sociais que padecemos nas nossas condiçons de trabalho e de vida as medidas depredadoras.

A classe obreira galega está desarmada política e ideologicamente, maioritariamente instalada na resignaçom, o conformismo e o descrédito, abduzida polo ilusionismo elitoral das “esquerdinhas”, ou deixando-se seduzir pola demagogia populista fascista.

Para entender a adversa conjuntura atual, nom podemos obviar a correponsabilidade das organizaçons políticas e sindicais hegemónicas na atual situaçom de derrota subjetiva que levamos décadas padecendo.

Claudicárom perante as migalhas de gestom institucional e representaçom parlamentar oferecidas pola burguesia. Arriárom a bandeira da tomada do poder, suprimírom da sua praxe o caráter subversivo do marxismo do que procedem.

E umha “esquerdinha” gominola. Estas guloseimas som brandinhas, de múltiplas cores, sugerentes formas e agradável sabor, mas nom alimentam e som altamente perjudiciais para a saúde de quem as come.

As “esquerdinhas” parlamentares e as “centrais sindicais” análogas, som como gominolas. Dotadas de programa e prática timorata, acomplexada e covarde, revestidas das inofensivas cores do arco da velha, sempre na procura do glamour que tanto fascina a pequebu, desprezando o popular, o seu acionar esteriliza as imensas capacidades de luita da classe obreira.

Agem de muro de contençom das potencialidades revolucionárias do proletariado. Som portanto, nocivas para a transformaçom.

É imprescindível e urgente descontaminar às organizaçons populares em geral -e as genuinamente operárias em particular-, do discurso posmo da “diversidade” como virtude, da praxe fragmentadora, das causas periféricas como eixo central narrativo. É hora de fazer frente com contundência e firmeza, sem duvidar, a quem insiste em substituir a contradiçom Capital-Trabalho pola nacional ou a de género.

É o proletariado a única classe com capacidade e potencialidades para vertebrar as múltiplas rebeldias, para dirigir a luita popular.

Os comunistas revolucionários galegos devemos contribuir para a reconstruçom de ferramentas defensivas e ofensivas obreiras, acompanhar a classe trabalhadora nas ainda limitadas, mas tangíveis experiências de rutura com as práticas burocráticas do sindicalismo existente.

Paralelamente à reconstruçom do partido comunista combatente, patriótico e revolucionário galego, facilitar a criaçom da atmósfera favorável para procurar espaços de organizaçom e luita entre todos os destacamentos revolucionários galegos, sem o qual nom é factível abrir um espaço sociopolítico que fenda a hegemonia reformista e um ciclo de luitas.

O reagrupamento deve ser forjado no combate de rua e no debate ideológico. Temos o dever histórico de contribuir para dotar a classe obreira galega e o conjunto do povo trabalhador dumha alternativa perante o amorfismo do presente. Temos disposiçom para avançar por este caminho!

O ASSALTO AO CAPITÓLIO E O DESACERTO DE BANALIZARMOS O FASCISMO

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O ASSALTO AO CAPITÓLIO

O assalto ao Capitólio dos Estados Unidos por manifestantes da extrema-direita em plena proclamaçom de Biden, é mais umha expressom do declive do império ianque.

Estamos perante umha desesperada manobra do trumpismo para continuar na presidência. Este golpe de estado em pleno desenvolvimento é um aviso a navegantes e cépticos da nossa “esquerdinha” a respeito do fascismo que age com absoluta impunidade no Estado espanhol.

O fascismo é umha realidade tangível a escala global. Só pode ser contido, derrotado e esmagado com unidade, firmeza e contundência.

 

O DESACERTO DE BANALIZARMOS O FASCISMO

A tendência a trivializar o fascismo, a categorizar como ignorantes e brutos aos seus seguidores, é um grave erro que devemos combater no seio do movimento antifascista.

A demagogia populista que carateriza o relato da ditadura terrorista do capital, sempre tivo enorme capacidade de acomodar e integrar setores populares e empobrecidos do povo trabalhador.

O imaginário coletivo que alimenta o fascismo, procura engarçar com as tradiçons do seu nacionalismo etnicista fundacional, com a épica criminal dos seus projetos imperialistas.

O trumpismo e o voxismo compartilham similares modelos supremacistas, altamente funcionais para os interesses da oligarquia e o Capital.

Coerência discursiva para lograrmos a independência e o socialismo

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Coerência discursiva para lograrmos a independência e o socialismo

[Artigo de opinióm de Anjo Formoso Varela membro da DN de Agora Galiza-Unidade Popular]

A história da Galiza é inseparável da história da resistência patriótica que protagoniza boa parte dos setores populares da nossa naçom na contemporaneidade. Desde o Provincialismo derrotado política e militarmente em 1846, passando pola fase culturalista (o Rexurdimento), a etapa regionalista que gera as primeiras organizaçons galeguistas por volta de 1890, e o nacionalismo com a coordenaçom das Irmandades da Fala na Assembleia Nacionalista de Lugo (1918), ensaiando a via de dotar a Pátria de umha força política própria.

Mas nom será até 1931 quando se articule o primeiro projeto nacionalista -o Partido Galeguista- que nom duvida em definir a Galiza como umha naçom e a centrar a sua intervençomem lograr para o nosso país acadar maiores quotas de auto-governo. Porém, condicionado pola sua composiçom e orientaçom pequeno-burguesa, portanto timorato na reivindicaçom do horizonte de soberania e independência nacional.

A estas experiências devemos acrescentar as iniciativas genuinamente independentistas de aquém e além mar. Do Comité Arredista Galego da Havana, a Sociedade Nacionalista Pondal de Buenos Aires, até a Federaçom de Mocidades Nacionalistas resultantes da rutura das juventudes do PG em maio de 1936.

E fundamentalmente a posiçom claramente favorável à constituiçom de um partido comunista galego seguindo as teses leninistas e da III Internacional, que promoviam em pleno período republicano os bolcheviques de Ourense, dirigidos polo legendário Benigno Álvares. A primeira tentativa de articular umha força política sobre o binómio independência/socialismo.

Como podemos observar, o movimento de afirmaçom nacional foi superando as suas diversas fases. Sempre, após umha derrota política, os quadros refugiam-se no culturalismo. Logo, volta a começar com outro movimento político e assim sucessivamente. Esta deriva voltou a cenificar-se após a implossom da esquerda independentista em 2014/2015.

O movimento de afirmaçom nacional, existente e hegemónico a dia de hoje, está estancado entre a resignaçom, a disgregaçom e o amorfismo. O nacionalismo galego está dirigido pola pequena-burguesia, situado no amplo campo do reformismo, revisionismo e oportunismo. A claudicaçom do movimento popular, renunciando à luita e confrontaçom com o inimigo, substituindo-a polo vírus eleitoralista e o cretinismo parlamentar, é consequência da sua incoêrencia teórico-prática, que situado no campo da “esquerda” nom aplica os princípios sobre os que afirma estar inspirado.É umha força domesticada e esterilizada. Minte prometendo um futuro melhor sem os sacrifícios inerentes à coerente luita operária, nacional e popular. Nengumha das conquistas atingidas pola classe trabalhadora, polos povos oprimidos, foi gratuíta nem lograda facilmente. Todas estám tingidas de suor, lágrimas e sangue. Esta é a crua verdade. E dizer a verdade é sempre revolucionário. Nom é possível mudar nada sem luita, sem povo trabalhador organizado, sem mobilizaçom social e sem confrontaçom.

A Galiza vive a opressom espanhola que abafa e esmaga sem dissimulo de nengum tipo a nossa existência, reprimindo, perseguindo e encarcerando as galegas e galegos que erguem a bandeira da emancipaçom e a transformaçom social. Numha naçom oprimida como a nossa, submetida a um desenvolvimento económico e social dependente do poder alheio e onde as classes possuidoras fôrom incapazes de encabeçar um projeto nacional, únicamente o conjunto de classes populares, lideradas pola classe trabalhadora, podem dirigir o processo de libertaçom nacional. No nosso país, a opressom de classe e a opressom patriarcal dam-se através da opressom nacional. Esta opressom nacional é o principal mecanismo de veicular a exploraçom capitalista das classes trabalhadoras e da opressom patriarcal e machista sobre as mulheres.

Galiza nom é Espanha, e o nosso futuro como naçom, como povo e como classe, passa pola conquista da nossa independência nacional, pola saída da UE e das instituiçons internacionais imperialistas a que nos incorporou Espanha (NATO, FMI, Banco Mundial). Passa invitavelmente por avançar polos caminhos do Socialismo. Sem Socialismo nom é possível a soberania nacional.

Por isso, mudar o discurso de emancipaçom nacional, por dotá-lo de um programa abertamente independentista e de classe, é umha necessidade histórica. Isto só o pode realizar a classe obreira, com umha linha e programa genuinamente proletário e umha política de alianças de unidade popular.

É hora de agirmos com audácia e coragem. Perante os salários de miséria e a precariedade laboral, os despejos, a emigraçom, a pobreza, o reforçamento do patriarcado, a assimilaçom lingüística e cultural, etc, é necessário vertebrar um amplo e plural pólo classista e patriótico sem exclusons e com vocaçom integradora, que sem timoratismos nem complexos, armado do programa avançado combata o fascismo e desmascare o fraudulento governo “progre”.

Que leve a iniciativa mobilizadora, ocupando as ruas e fazendo frente o espúrio e corrupto regime espanhol, para avançamos no caminho do nosso objetivo estratégico: lograrmos a independência nacional, o socialismo e umha Galiza sem patriarcado.

Vox é a ditadura terrorista do capital

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Vox é a ditadura terrorista do capital

[Artigo de opinióm de Paulo Peres Lago membro da DN de Agora Galiza-Unidade Popular]

O fascismo é o ás guardado na manga polas elites económicas dominantes numha altura da história determinada e num lugar concreto.

O desenvolvimento capitalista é desigual segundo as formaçons históricas sociais dos distintos países-naçons. As oligarquias dominantes ou fraçons promovem o nazi-fascismo quando periga a sua insaciável sede de acumulaçom, quando por mor das condiçons de reproduçom da vida material alviscam rebeldias, indignaçom e luitas organizadas contra as duras condiçons económico-materiais que nos querem impor ao povo trabalhador. Revestem nos distintos países formas diferentes segundo as suas particularidades nacionais, sociais e económicas.

O ascenso do fascismo ao poder nom é umha simples mudança de governo, nom é umha simples mudança de umha forma de governó burgués, senom a substituiçom de umha forma de dominaçom que combina consenso e violência por umha ditadura terrorista aberta.

É a bala na recámara que possui a elite económica dominante nessa altura, quando prognosticam no horizonte umha agudizaçom da luita de classes perante umha crise capitalista nom resolvida.

Os avisos e menssagens lançadas mesmo polos ideólogos burgueses, qualificam esta nova recessom a vista como mais grave, aniquiladora e destrutiva que o crack do 29. Eis polo que o fascismo começa a ser a alternativa superadora para a burguesia espanhola. Mas nom para toda. A burguesia vinculada ao PSOE nom está disposta a esta aventura. Mas nom devemos esquecer que todas as fraçons da burguesia -pequena, mediana e grande com as suas matizaçons-, som inimigas históricas e irreconciliáveis da classe obreira no quadro da sociedade de mercado.

É especialmente clarificador um tweet emtido em novembro de 2019 por Juan Carlos Girauta -ex-dirigente de C’S-, [Bueno, Ana Patricia, lo has conseguido, como sueles. !A vosotros no se os tose! Y ahora que Cs ya no es el problema, que tengáis suerte com Vox], para saber de boa mao quem aposta polo fascismo no Estado espanhol. Um destacado segmento da banca e do Ibex 35, a fraçom mais criminal, carronheira e sanguinária, o parasitismo da usura financieira.

É agora quando se torna realidade a definiçom adotada no VII Congrersso da na III Internacional [1935], “O fascismo é o poder do próprio capital financieiro”.

No plano político o fascismo é o ajustamento de contas organizado contra a classe obreira, contra as classes oprimidas e dominadas, contra a inteletualidade e o conhecimento superador da realidade burguesa.

A perseguiçom fanática e violenta dos e das comunistas, sindicalistas, a supressom da democracia, a repressom implacável de toda mostra de oposiçom, conculcaçom de direitos e liberdades, a barbárie étnica e misógina, a subordinaçom completa da classe obreira aos ditados do patronato, a posta em funcionamento e aceleraçom da maquinária repressiva e de extermínio de toda insurgência ou dissidência.

Os antecedentes histórico-económicos que servírom para impor o fascismo em tempos passados, tenhem em comum coincidências no contexto atual de crise económica, social, institucional, cultural e  ecológica. Mas também as possibilidades nestas condiçons de promover a via “golpista”, por isso o fascismo tem também um alto componhente contrainsurgente.

É claro que hoje em dia a tomada do poder polos fascistas nom vai levar o mesmo caminho que no passado, mas vam precisar das mesmas ferramentas, de forças militares e repressivas, dos aparelhos judiciais, das igrejas, dos meios de comunicaçom. Com este aparelhos de dominaçom física, ideológica e cultural, aproximam umha parte do povo trabalhador mais despolitizado e setores da pequena burguesia “assustados”. Conseguindo certa legitimaçom política que o Estado burgués lhe outorga, após ter sido fertilizando o terreno com os cortes de direitos e liberdades, via reforma laboral, lei mordaça, perseguiçom policial e judicial do antifascismo, a total permissividade e proteçom dos fascistas.

Cada declaraçom de dirigentes de Vox ou dos seus acólitos deve por em estado de alarma todo aquele que se considere democrata. Com um discurso racista, misógino, anti-inmigrante, demagogo, extremadamente chauvinista espanhol, defensor a ultrança da familia “tradicional”, culto ao uniforme, à bandeira e a épica do sangue, defesa das tradiçons mais arcaicas e rançosas, dos valores mais ultracatólicos e reacionários, combinado com medidas de corte populista no plano politico-social.

Vox é umha expressom século XXI do nacional-catolicismo franquista, é a conexom política do exército, polícia, guarda civil, juizes, fiscais, órgaos da justiça e serviços privados de segurança, subsidiados por grandes grupos económicos e financieiros do Ibex 35, que tenhem a sua origem no franquismo, quando atingírom umha das épocas mais grandiosas de acumulaçom de lucro por mor da sobre-exploraçom e o escravagismo que caraterizava a ditadura.

O fascismo que eclosiona sem complexos, nom é um fenómeno novo. Sempre estivo ai ao longo das últimas quatro décadas. É resultado dos ignominiosos pactos da “transiçom”, que só maquilhárom o franquismo numha democracia parlamentar burguesa.

Porém, o seu novo imaginário coletivo hegemónico, articula-se à volta da bandeira bourbónica, da “estanqueira” dos vencedores na guerra de classes de 1936-1939.

Nom só devemos combater o seu discurso maniqueio e demagógico, devemos combater os seus símbolos, que representam e sintetizam o projeto oligárquico, antagónico com os interesses do conjunto das classes trabalhadadoras deste cárcere de povos chamada Espanha

Nom subestimemos, nom banalizemos, nem ridiculizemos o fascismo.

Deve ser combatido com tenacidade, unidade, firmeza e coragem.

Esta é a realidade que nos quererám impor e por isso cumpre organizar-se, nom valem meias tintas, olhemos o passado.

Quatro décadas de isolacionismo

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[OPINIOM]

Quatro décadas de isolacionismo

Divulgamos artigo de opiniom do camarada Anjo Formoso Varela, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular.

A fala da Galiza, o português de Portugal, o português de Brasil, e os outros português dos distintos territórios lusófonos formam um único diassistema lingüístico, conhecido entre nós popularmente como galego e internacionalmente como português”. [Ricardo Carvalho Calero]

Mais um ano vemo-nos na obriga de defender o nosso idioma perante a dramática situaçom na que se acha a língua da Galiza, o galego. Defender o galego como o que é, um idioma internacional. Nom é umha língua que só se emprega dentro das fronteiras da Galiza.

Quarenta anos de acordos normativos e ortográficos, redigidos desde o isolacionismo e impulsionados desde o poder político espanhol, onde tivérom no ILG, entidade estremamente setária e anti-reintegracionista, o seu máximo representante.

Após quarenta anos da imposiçom do modelo lingüístico-cultural isolacionista, os dados objetivos falam de umha grave deterioraçom do idioma e dos seus respetivos falantes. A imposiçom de um modelo lingüístico e cultural a partir do espanhol nom serviu nem serve para favorecer a implantaçom do galego nem a identificaçom do nosso povo com o mesmo.

Ao contrário, cada vez mais galegos e galegas se instalam na espanholidade. Enquanto sigam pondo límites ao galego como língua internacional, caminharemos inexoravelmente cara ao nosso suicídio como povo com cultura e língua milenária.

A dia de hoje, observamos o confronto entre duas cosmovisons completamente antagónicas: a progressiva assimilaçom ao projeto nacional espanhol ou a construçom de um projeto nacional próprio.

Neste confronto, a sociedade galega tem que pôr todos os meios para umha planificaçom da normalizaçom do idioma em todos os ámbitos, e o rol das forças sociais e políticas comprometidas com a Naçom galega deve ser determinante.

É necessário traçar umha clara linha divisória com o projeto cultural espanhol para reforçarmos o projeto de soberania cultural e recuperarmos a memória e identidade históricas.

Para isso, achamos que tornarmos o reintegracionismo em ferramenta normalizadora é de primeira necessidade, confluirmos com o tronco comum com o resto de países do mundo que usam o galego-português. O reintegracionismo defende que o hoje em dia definido como galego fai parte de um único diassistema lingüístico, conhecido internacionalmente como português.

A fala da Galiza, o português de Portugal, do Brasil, e os outros português, som variantes de umha mesma língua. O reintegracionismo nom quer que mudes o galego que falas para falar português, senom que o galego que estás a falar agora mesmo, sem mudar absolutamente nada, é a mesma língua que falam no Porto ou no Rio de Janeiro, cada umhacom as suas variantes lógicas e normais.

As cousas claras. Nom funciona o modelo “normalizador” institucional pactuado entre todas as forças com representaçom no Parlamento Autonómico. A estratégia do nacionalismo galego no ámbito político e social nom tem dado resultados tangíveis nestas quatro décadas. O trágico balanço é de perda progressiva de galegofalantes e paulatina espanholizaçom da sociedade galega, especialmente entre a juventude e o povo trabalhador.

Cada dia que passa, está mais claro que o reintegracionismo é a única possibilidade de evitarmos a hibridaçom à qual o nosso idioma está submetido pola abafante influência do espanhol. Pola experiência de muitos centros sociais e associaçons culturais espalhadas por todo o nosso país (que lográrom tecer umha ampla rede na defesa do galego internacional), afirmamos que o reintegracionismo é a única hipótese de alargar o número de falantes, de recuperar o seu uso, de prestigiar o galego, de depurá-lo da intoxicaçom e crioulizaçom que padecemos a comunidade galego-falante pola contaminaçom léxica, fonética, morfosintática do espanhol.

O facto de tornar-se reintegracionista fai que muita gente se preocupe pola suposta “perda da galeguidade”. Porém, achamos que ganhamos em consciência nacional e que o reintegracionismo luita pola conservaçom da nossa língua e do nosso povo.

A recuperaçom do galego por parte do povo trabalhador está indissoluvelmente ligado à conquista da independência nacional para recuperarmos a soberania. Só um Estado galego plenamente independente e soberano poderá normalizar o galego como a língua nacional da Galiza e de fazer frente às agressons do projeto espanhol na sua estratégia de se instalar de vez na nossa terra.

Um amplo movimento popular de base em todos os ámbitos e espaços sociais, fundamentado na defesa intransigente do reintegracionismo lingüístico e do monolingüismo social, logrará evitarmos o que Espanha e a UE tenhem traçado para aniquilar a língua e cultura do país dos castros e mil rios.

Galiza, 14 de maio de 2020

VIGÊNCIA DA ESTRATÉGIA INSURRECIONAL DE LENINE.

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[OPINIOM]
No ano que comemoramos o 150 aniversário do nascimento de Lenine, divulgamos artigo de opiniom do camarada Paulo Vila, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular.

VIGÊNCIA DA ESTRATÉGIA INSURRECIONAL DE LENINE

A democracia na sociedade capitalista nunca pode ser mais do que umha democracia truncada, miserável, falsa, umha democracia apenas para os ricos, para as minorias”.

Neste 150 aniversário do nascimento de Lenine,a esquerda revolucionária galega reivindica o exemplo, legado e total vigência do seu pensamento, imprescindível na luita pola causa da emancipaçom do proletariado e libertaçom dos povos oprimidos.

Perante a situaçom de crise sanitária e de confinamento, cumpre ter mui presente as leiçons do indobregável bolchevique, líder da Revoluçom Russa. Nas suas teorias e prática insurrecional estám as ferramentas para podermos combater os problemas existentes na sociedade capitalista e organizarmos a alternativa revolucionária para a tomada do poder.

Defensor do partido de vanguarda sob direçom e programa operário, Lenine demonstrou que nom existe a neutralidade política, nengum Estado, nem governo na história, foi ou é neutral.

Toda infraestrutura governamental, legalidade e instituiçons estám feitas a imagem e semelhança da classe que está no poder, ou servem a burguesia ou o proletariado.

O Estado capitalista pola sua natureza, só serve para administrar os negócios da burguesia. Eis polo que no capitalismo a burguesia nom permite realizar concessons que fagam perigar os seus privilégios pola via pacífica, por muito jogo parlamentar e eleiçons que se ganhem.

Lenine, e portanto o leninismo, demonstrou que os grandes problemas que sofrem os oprimidos e explorados só se podem resolver pola força, mediante a queda violentado regime burguês.Um regime sustentado sob a exploraçom, saqueio, brutal violência e repressom contra a maioria da populaçom.

No Estado espanhol perante a pandemia de coronavírus, o governo de coaligaçom PSOE-Unidas Podemos nom implementou medidas para proteger mínimamente a maioria da populaçom e povo trabalhador. As medidas fôrom adotadas seguindo instruçons do patronato(CEOE) e do capitalismo monopolista representado no Ibex35.

Agilizárom ERTEs, nom proibirom os despedimentos, só se encarecérom, nom nacionalizárom setores estratégicos e incautárom laboratórios, hospitais e clícinas privadas, nom exigírom à banca a devoluçom dos 65 mil milhons de euros, nem impostos progressivos aos lucros das grandes empresas e fortunas, etcétera. A insuficiente renda mínima nom passam de ser migalhas para aliviar os graves problemas económicos dos setores mais vulneráveis do povo trabalhador.

Na Galiza, a crise do coronavírus desmascara as desigualdades entre ricos e pobres. A lamentável gestom e ineficácia da Junta de Galiza, só contribuiu para empiorar a situaçom das camadas populares.

Além das graves negligências cometidas, o governo da Junta encabeçado por Feijó, tem possibilidades de sair reforçado nas vindouras e leiçons autonómicas, mantendo a maioria absoluta ao nom existir umha oposiçom forte à hora de fazer-lhe frente nas instituiçons e nas ruas.

Todo isto agrava-se mais com a nova crise socio-económica em curso. O mal chamado governo progressista de Pedro Sánchez, vai implementar medidas económicas para salvaguardar e reforçar os privilégios da oligarquia, como assim o constata o projeto dos novos “Pactos da Moncloa”. Sob este cenário o Estado espanhol opta por implementar medidas visadas para aumentar a repressom, como maior controlo das redes sociais, telecomunicaçons ou reforçamento do aparelho policial, consciente das futuras luitas operárias.

Como acertadamente apontou Lenine, o Estado sempre prioriza por acima os interesses da classe que controla o poder. A oligarquia aproveita a crise do coronavírus para estabelecer medidas visadas para enducerecer a exploraçom, dominaçom, aumentar o controlo sobre as masas e blindar os seus privilêgios.

Serve-se dos diferentes partidos burgueses sob o falso jogo e amalgama “do parlamentarismo democrático” para embaucar os obreiros. Eis da plena vigência e importância do partido de vanguarda de Lenine sempre sob direçom e programa operário para garantir defesa dos interesses da nossa classe perante as acometidas da burguesia.

As reformas som demasiado importantes como para deixá-las nasmaos dos reformistas”.

Lenine ensinou-nos que o reformismo ainda que seja sincero nom é mais que um instrumento da burguesia para adormecer os obreirose evitar que virem cara posiçons revolucionárias. A própria natureza do reformismo impossibilita atingir reformas que sem questionar o quadro jurídico-político do Estado burgués, melhorem as condiçons de vida da classe operária.

Só aspiram, guardando pleitesia e ajoelhando-se perante a burguesia, a conseguir simples migalhas que nom afetam nem o mais mínimo o poder, como é a insignificante renda mínima estabelecida polo governo espanhol, impulsionada principalmente polo setor social-democrata, por Unidas-Podemos.

O seu respeito à legalidade e “normalidade” institucional só desarma a nossa classe, fazendo-os retroceder nas reivindicaçons e reforçando o fascismo sem complexos, que se proclama como primeira força de choque sem achar a resistencia exigível.

Inclusivepara atingir reformas é necessária a via revolucionária. A organizaçom, confrontaçom e combate nas ruas sem trégua até forçar a burguesia a ceder continua sendo a única alternativa eficaz.

No seio da esquerda também existe luita de classes, por isso seguindo o exemplo leninista devemos deslindarmos e confrontar como oportunismo, e com todacorrentepequeno-burguesa e interclassista. O reformismo,seja autonomista galego ou umha mera sucursal espanholista, é inimigo dos nossos interesses de classe.

Desmascara-lo é um dos principais objetivos que devemos realizar para podermos construir umha alternativa revolucionária e patriótica galega com bases e projeçom de massas.

Com o exemplo de Lenine também apreendimos que nom há que renunciar a luita de classes sob nengum conceito.
Sob o pretexto da alerta sanitária, o reformismo está colaborando ativamente com os partidos burgueses, fazendo crer à populaçom que o primeiro é superar a pandemia e que é necessário deixar as “diferenças ideológicas”. Do mesmo jeito aplaude, em vez de combater, a nojenta filantropia do patronato.

A lógica interclassista e antimarxista do reformismo, negando a luita de classes, democratiza e lava a imagem do inimigo ao inimigo. Nestas situaçons comprovam-se as carências dos partidos burgueses, do governo, e o próprio Estado capitalista em geral à hora de defender os interesses operários.

A vía revolucionária constata que nom devemos renunciar nunca à defesa dos interesses de classe por mui difícil e complexo que seja o contexto e situaçom, ao contrário, devemos ser mais firmes e intransigentes com o inimigo.

Se queremos enterdermos o que significa a autodeterminaçom das naçons, sem jogar a definiçons jurídicas nem “inventar” definiçons abstratas, mas sim examinando as condiçons históricas e económicas dos movimentos nacionais, chegaremos inevitavelmente à conclusom seguinte: por autodeterminaçom das naçons entende-se a sua separaçom estatal das coletividades de outra naçom, entende-se a formaçom de um Estado nacional independente”.

Queremos reivindicar o Lenine internacionalista, defensor do direito de autodeterminaçom das naçons oprimidas. Lenine ligou dialeticamente os princípios do internacionalismo proletário e do direito dos povos submetidos o domínio e opressom nacional.

O reconhecimento por parte do proletariado da naçom opressora dos direitos nacionais do proletariado da naçom oprimida é indispensável para a uniom de ambos na luita contra o capitalismo.

A unidade de Espanha junto com a monarquía bourbónica som as pedras angulares do Estado espanhol. A uniom territorial imposta com a força das armas,nom é mais que umha“unidade” de mercado funcional aos ricos, visada para permitir à burguesi a lucrar-se dos recursos e explorar a classe trabalhadora das diferentes naçons oprimidas.

Fomentam o chauvinismo e o supremacismo espanhol como objetivo nom só de negar a luita de classes, também posicionar o movimento operário contra o independentismo das diferentes naçons na legitima luita pola autodeterminaçom e soberania, alinhando-se com a classe exploradora e naçom opressora.

Os aplausos às forças repressivas, as arengas reacionárias dos militares nas comparecências públicas ou o hiper-centralismo do Estado limitando, suspendendo e apropriando-se das competências transferidas as Comunidades Autónomas, demonstram que a burguesia também aproveita a alerta sanitária para combater e silenciar os conflitos nacionais, para avançar no proceso de assimilaçom.

Eis polo que seguindo o exemplo leninista, e tendo em conta as caraterísticas concretas da nossa naçom, entendemos que unicamente poderemos lograr a plena emancipaçom do povo trabalhador galego, ligando a luita pola libertaçom nacional com o socialismo.

Só mediante a reconstruçom da esquerda revolucionária galega sob posicionamentos e programa operário, deslindando e confrontando as tendências reformistas e autonomistas pequeno burguesas, inspirados nas ensinanças, linha estratégica e tática de Lenine para fazer a revoluçom socialista, poderemos conquistarmos a indepêndencia e proclamar a República Socialista Galega.

Galiza, 4 de maio de 2020

SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

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SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

Anjo Formoso Varela*

Este curso nom pode voltar à normalidade. A crise da Covid-19 frustrou o fim do curso universitário e deixa à luz as eivas e grandes carências do ensino público no quadro do capitalismo e a dependência nacional.

Um ensino público, intrinsicamente classista, cada vez mais elitista e individualista, que sofre cortes permanentes por parte dos governos autonómico e estatal. Esta agrava-se com a vontade por parte da Junta da Galiza de abrir a Universidade Abanca, impulsionada com dinheiro público.

Perante esta situaçom de emergência, o estudantado operário e popular nom pode resignar-se, devemos passar à iniciativa para defender com firmeza os nossos interesses.

Ao princípio do curso, pagamos umha matrícula por aulas presenciais que nom estamos a receber. Pagamos por um serviço inexistente, polo que pedimos a devoluçom do dinheiro da matrícula do segundo semestre já!

No seu defeito, começamos com a docência telemática. Isto está amossando a inexistência dumha plataforma virtual funcional e operativa, inacessível para umha parte destacável do estudantado de extraçom operária e popular. Nom todo o mundo tem acesso a internet, nem vivendas, nem condiçons familiares, nem meios para continuar com a docência virtual.

A USC vem de aprovar o cofinanciamento do internet sem sobrepassar a cifra de 40 euros. A dia de hoje, um mês após a suspensom das aulas presenciais, seguimos sem ver esse dinheiro. Para o estudantado mais precário, esta situaçom é vergonhenta! Mas, a pesar disto, a carga de trabalho aumentou considerávelmente.

Muitos professorado continua a exigir que elaboremos trabalhos porque dizem que é a melhor maneira de seguir com a docência. Muitos nom facilitam bibliografia, e mesmo alguns com absoluto descaro nem as suas obras, chegando a afirmar que as compremos porque nom som tam caras.

Esta situaçom é insustentável! Muitos de nós temos que estar pendentes dos nossos familiares ou coidando de nós mesmos. Por isso, solicitamos a suspensom imediata de toda atividade docente. É umha situaçom extraordinária para todo o mundo, nom estamos de férias! Nom pode aumentar a carga de trabalho!

A fenda de classe é um condicionante indiscutível, embora desconsiderado polos reitores e a Conselharia de Educaçom. O estudantado de classe trabalhadora acha-se numha circunstáncia mui delicada. Muitos de nós, por medo a contagiar os nossos familiares, ficamos nos “pisos” de estudantes. Apartamentos pequenos e precários. Ainda assim, estamos pendentes em todo momento da situaçom económica familiar, dos ERTES, dos despedimentos, do futuro laboral e das condiçons materiais da nossa família, sob a ansiedade do que vai passar …

Como se nos pode exigir que estejamos pendentes do Câmpus Virtual? Como podemos continuar como se nada passasse? O capitalismo furta-nos da nossa condiçom humana, assim nom se pode estudar. Nom somos máquinas! Na situaçom de anormalidade que nos achamos, nom deveria supor-se que o rendimento do alunado seja o mesmo. Isto vai ter um reflexo direto nas nossas qualificaçons, nas bolsas e nas ajudas, indispensáveis para que o estudantado de classe trabalhadora viva e estude.

Muitos de nós, vamos ter que deixar de estudar o ano que vem ao nom poder pagar a matrícula. Por isso, achamos que a única alternativa e soluçom real para o alunado é a liquidaçom das matérias e a suspensom imediata de toda atividade docente. Fim do curso já!

Mais um problema que padecemos, é a incompetência e a negligência dos três reitores galegos, os senhores Julio Abalde Alonso, Antonio López Díaz e Manuel Joaquín Reigosa Roger. Parece que nom se dam conta de que estam jogando com o nosso futuro.

Estamos a meados de abril, a um mês de começar os exames finais e nom sabemos qual vai ser o método de avaliaçom. O passado 6 de abril, os reitores reunirom-se com vistas a estabelecer um método de avaliaçom. Na reuniom nom se decidiu nada, convocando um outro encontro marcado para duas semanas antes dos exames, visada para manter o calendário de exames. Algum deles, conta com fazer exames presenciais em junho.

Assim, além de porem em risco a nossa saúde e a dos nossos familiares, amplia o calendário escolar, impossibilitando a opçom de trabalhar no verao para pagar os estudos. Nom contemplam o que a maioria do estudantado reclama, a liquidaçom das matérias. Passe o que passe, nom esqueceremos!

É o nosso futuro e estám a jogar com ele!

Achamos que a melhor alternativa para todo o alunado é dar por finalizado o presente curso. Esta iniciativa é secundada por um amplo número de estudantes dos câmpus de todas as universidades galegas e organizaçons, tanto a nível galego como no resto do Estado. Ainda que muitas iniciativas chegam tarde e o movimento estudantil galego estivo adormecido este ano, o estudantado da esquerda revolucionária galega apelamos a secundar a greve estudantil convocada a partir de amanhá pola ANEGA nas três universidades da Galiza. Umha greve que deve ser de carácter indefinida até dobregarmos os reitores e a Conselharia de Educaçom.

A trajetória do nosso movimento, tal como nos indica a história do movimento obreiro, tem constatado que as conquistas e direitos só se atingem luitando.

Galiza, 15 de abril de 2020

*Anjo Formoso Varela é estudante de Filologia Galega na USC, membro de Estudantes Antifascistas e fai parte da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

 

Comunicado nº 118: Avaliaçom dos resultados das eleiçons municipais e europeias de 26 de maio

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Avaliaçom dos resultados das eleiçons municipais e europeias de 26 de maio

Na atual “democracia” burguesa postfranquista som quatro as grandes forças políticas que representam os interesses da oligarquia, os monopólios e as multinacionais: PSOE, PP, C´s e Vox.

Nom se sostém, carece da mais mínima credibilidade e rigor, a extendida caraterizaçom de demarcaçom do cada vez mais artificial e inconsistente eixo “esquerda-direita”, entre um trifachinho representado polo PP, C´s e Vox, e o “progressismo” do PSOE.

Umha análise de classe das formaçons políticas hegemónicas, deve caraterizar PSOE de Pedro Sánchez e da família Caballero, como um partido de centro-direita maquilhado de progressismo, funcional para alimentar o ilusionismo da alternância eleitoral por concentrar umha substancial parte do voto sociologicamente de “esquerda”. A experiência histórica das cinco décadas de postfranquismo constatam e reafirmam, umha e outra vez, que é umha força reacionária tingida de vermelho descorido.

Só a partir desta equaçom poderemos realizar umha leitura correta dos resultados eleitorais do passado domingo.

ELEIÇONS MUNICIPAIS

Sem lugar a dúvidas o grande vencedor foi o PSOE, que logrou um inequívoco avanço eleitoral em boa parte dos concelhos da Galiza, com destaque nos grandes núcleos urbanos, a custa de recuperar o espaço que em 2015 tinha ocupado a mal denominada “nova política”.

Aproveitando o vento de “cola” das legislativas conseguiu situar-se em termos absolutos como segunda força, com praticamente um empate técnico com o PP [9 mil votos menos], mas logrando revalidar umha esmagadora maioria absoluta em Vigo, e recuperando as alcaldias de Compostela, Corunha e Ferrol, e com possibilidades de governar Ourense, assim como as principais cabeceiras de comarca e grandes núcleos urbanos da Galiza ocidental.

PP, sendo a força mais votada com algo mais de meio milhom de votos, continua com a tendência à baixa. Embora conserva um indiscutível poder territorial na Galiza despovoada e subsidiada do rural, progressivamente também tem requado no seus feudos tradicionais.

Sendo a candidatura mais votada em Ferrol, porém, à partida nom vai gerir nengum dos Concelhos de núcleos urbanos de mais de 25.000 habitantes.

O espaço aglutinado à volta das Mareas, Podemos, IU e as confluências locais, foi o grande derrotado neste 26 de maio. Perdeu praticamente todo o poder territorial que tinha atingido em 2015, com destaque para as cidades de Compostela, Corunha e Ferrol. Salvo Sada e a Póvoa do Caraminhal, onde experimenta um destacado incremento de votos e representaçom, mais Teo e Val do Dubra com possíveis pactos, nom conservará mais alcaldias, retrocedendo em praticamente todos aqueles municípios nos que se apresentou sob diversas nomes, inclusive competindo entre si.

A socialdemocracia autonomista logrou um minúsculo incremento eleitoral plasmado no exíguo 0.5%, passando de 11.74 a 12.47%, tam só 14.059 votos mais, mui por baixo das expetativas.

BNG conservando similar poder territorial recuperou presença em Ourense e Vigo. Este facto, mais do ámbito simbólico, unido a terem duplicado votos nas eleiçons europeias, passando dos 80.000 a 179.000, é erronemante interpretado como umha mudança de ciclo. Mas nom desconsideremos que a candidatura europeia na que ia coaligado, aglutinou votos da solidariedade galega com o causa da República catalana.

Embora duplique o número de concelheiros, passando dos 16 em 2015 aos 33 atuais, com menos de trinta mil votos o neofalangismo laranja de C´s segue sendo a nível municipal umha força testemunhal, tam só com presença na Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra.

Também fracassárom estrepitosamente as 13 candidaturas do fascismo espanhol sem complexos. Vox na Galiza é um partido residual, nom logrou atingir os 10 mil votos, situando-se em menos de 2%, salvo em Baiona onde logrou 4%.

ELEIÇONS EUROPEIAS

A abstençom que propugnamos como Agora Galiza-UP, passou do 54.56% [1.249.010 votos] de 2015 a 34.66%, mais de 777.000 galegas e galegos. A coincidência eleitoral com as municipais provocou um importante incremento da participaçom.

O grande vencedor foi o PSOE com 507.690 votos [35.05%], seguido do PP com 431.782 [29.81%].

BNG-Agora Repúblicas atingiu 171.500 [11.84%] e Podemos/IU 117.592 [8.12%].

As forças situadas no campo do neofalangismo e fascismo sem complexos, lográrom um resultado percentualmente mui superior ao que tinham logrado em 2015, e do colheitado nas municipais, onde por carecer de implantaçom organizativa territorial, nom conseguírom confecionar suficientes candidaturas eleitorais.

Deste jeito C´s passou de 1.62% de 2015 a 6.67% [96.590 votos] e Vox de 0.77% a 2.58% [37.335 votos].

BALANÇO E PERSPETIVAS

Ciclo eleitoral de abril-maio confirma a progressiva tendência à recuperaçom do monobipartidarismo PSOE/PP com as suas peculariedades.

Agudizaçom da crise de representaçom da nova socialdemocracia, que passou de pretender “tomar o céu por assalto” mediante um sonhado e irreal sorpasso ao PSOE, a querer ser parceiro no governo de Pedro Sánchez, para agora unicamente tentar influir na sua política.

A debilidade eleitoral de Podemos e a vontade do PSOE de procurar acordos com C´s, seguindo os ditados da oligarquia e recomendaçons do Ibex 35, situa os de Pablo Iglesias à beira do fora de jogo do taboleiro institucional do III restauraçom bourbónica.

Tal como na Comunidade Autónoma Galega a imprensa regionalista galega leva meses promovendo, o sócio “natural” do PSOE para configurar governos alternativos aos do PP, é reeditar os bipartidos urbanos PSOE/BNG, ensaiados com “êxito” nas Deputaçons. Esta é a opçom pola que se inclinam os poderes fácticos, que frente à beligerância extrema exibida contra os governos municipais das Mareas, mantivérom umha outra atitude com os alcaides do BNG.

O quadro nacional de luita nestas eleiçons municipais voltou a confirmar-se, pois ao contrário que em Espanha, aqui C´s é umha força marginal, e Vox umha organizaçom residual, de momento sem capacidade real de inicidência.

O descalabro eleitoral da nova política, a incapacidade da socialdemocracia autonomista para recuperar o corpo eleitoral e institucional perdido, a carência de ambas de vontade política para agir como um movimento ruturista, os resultados testemunhais das candidaturas de organizaçons revolucionárias e anticapitalistas, reafirma a posiçom adotada por Agora Galiza-UP. No atual ciclo histórico, de avanço da reaçom e da contrarrevoluçom a escala mundial, a frente eleitoral nom é prioritária para contribuir à reconstruçom da esquerda revolucionária.

Como organizaçom marxista, socialista e revolucionária galega nom defendemos umha doutrina abstencionista, mas consideramos que as tarefas prioritárias som a dia de hoje continuar com a batalha ideológica para deslindar campos frente às fraudes reformistas e populistas, e procurar acordos que permitam unir energias contra o principal inimigo que atualmente temos que combater: o rearme político, ideológico e social do fascismo.

Agora Galiza-Unidade Popular consideramos que a tarefa prioritária segue sendo erguer umha muralha antifascista, pois nom se pode subestimar a dimensom eleitoral/institucional das forças da extrema direita e fascistas.

Nos vindouros meses a classe operária e o povo trabalhador vai ter que ativar-se novamente para fazer frente à nova reforma laboral e medidas involucionistas que vai implementar o governo de Pedro Sánchez.

Apostarmos pola luita operária e popular, de orientaçom e direçom classista, pola complementaçom de todos os métodos de luita, subordinando o institucional/eleitoral à luita de massas, por promover e organizar a conflituosidade nas ruas e centros de ensino e trabalho, por construir cultura rebelde, segue sendo o melhor antídoto contra o avanço da reaçom e para sentar bases sólidias visadas para construir um movimento socialista de libertaçom nacional.

Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

Na Pátria, 28 de maio de 2019

O FASCISMO É O PODER DO PROPRIO CAPITAL FINANCIEIRO. (artigo de Paulo Peres Lago)

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Publicamos artigo do camarada Paulo Peres Lago, membro da Direçom Nacional de Agora Galiza.

O FASCISMO É O PODER DO PROPRIO CAPITAL FINANCIEIRO
Paulo Peres Lago

As elites económicas e a fraçom vinculada ao capital financieiro -que sempre atuam sob um plano tático e estratégico, nom som dados à improvisaçom nem a deixar cabos soltos que gerem acontecimentos inesperados que interrumpam a sua voraz acumulaçom de lucro.

Na execuçom de esse plano oculto estám controlando de maneira soterrada os setores mais lucrativos do capital produtivo.

Na Galiza as grandes empresas dos setores conserveiro, metalúrgico e construçom naval, do setor graniteiro, do setor imobiliário, vivendas de proteçom oficial [VPO] e gentrificaçom de bairros inteiros, estám já nas maos dessa parte do poder económico mais necrófago, os fundos abutres.

As tentativas para apoderar-se daqueles serviços públicos que nom se estám privatizando à velocidade que demandam, mas nos que se estám introduzindo com o plácet de quem governa provisoriamente as instituiçons burguesas, precisam da aceleraçom de todo este processo para acabar de integrá-los nesse seu grande invento: “o mercado”, onde as vidas nom importam nem valem se nom som usadas como mera mercadoria que produz ganhos.

Para levar a cabo este segundo plano de apropriaçom dos que ainda resistem os seus embates, precisam de um sistema de controlo da populaçom que só umha ditadura é capaz de garantir.

Hoje em dia, com um povo alienado e com os mecanismos de dominaçom altamente aperfeiçoados, com a reproduçom ideológica, cultural e de informaçom ao seu serviço, som basicamente três os eixos que trabalham arreo engraxando a maquinária e preparando o assalto reacionário.

Isto é possível com leis repressivas que limitam as liberdades, com reformas laborais que escravizam e empobrecem o conjunto d@s assalariad@s, com as organizaçons sindicais vendidas.

Com corpos repressivos militarizados e altamente especializados em reprimir, usando os instrumentos coercitivos como as multas e o pau que restringem a resposta operária e popular.

O controlo maciço da povoaçom em gêral, a través das redes sociais, da internet e dos tefefones móveis, convertidos no melhor aliado do poder, som umha eficaz ferramenta mais da dominaçom.

Num momento de retrocesso das luitas e de limitada capacidade de resposta do povo trabalhador, as agressons contínuas por parte da patronato e dos governos mafiosos e corrutos, precisam dumha mudança que favoreça os criminosos planos do capital especulativo.

Hoje na Galiza, com as contradiçons entre Capital e Trabalho mais brutais aflorando perante a passividade do conjunto d@s assalariad@s, com o patriarcado e a cousificaçom da mulher que assassina e maltrata a sangue frio, com o empobrecimento por desposessom de umha percentagem do povo muito elevada, e com a obscena e fachendosa ostentaçom das riquezas acumuladas por roubo, exploraçom e precarizaçóm das massas trabalhadoras que pratica a burguesia, entra no mundo da política institucional a formaçom laranja.

Fai-no com umha cuidada cenificaçom, com a cara lavada e bom “aspecto”, pretendendo camuflar e ocultar o seu projeto neofascista com o seu renovado discurso populista amplamente difundido polos meios de comunicaçom da burguesia espanhola.

Ciudadanos está inoculado nas mentes das massas às quais assimilam, o que nom é mais que a farsa da unidade interclassista.

C´s está logrando que nom reconheçam nele o fascismo e a fera sedenta de sangue e lucro do capital financieiro que se oculta tras este discurso.

Um relato que especula de forma demagógica com as necessidades e exigências mais candentes, que incita os preconceitos fundamente arraigados nas massas, que se apresenta como defensor da naçom ultrajada, apelando ao sentimento “nacional” ferido, lançando palavras de ordem sedutoras [“só vejo espanhóis”] que converte o povo trabalhador na vítima da demagogia social chauvinista.

Todo este plano nom pode ser levado a cabo sem o necessário e vergonhento papel da socialdemocracia e do sindicalismo amarelo com as suas políticas de colaboraçom de classe com a burguesia, que deixárom o proletariado cindido e desarmado política e organicamente.

Albert Rivera, Inés Arrimadas, A. Espada…. som as pulcras caras de um renovado falangismo glamouroso, aupado polos meios de [des]informaçom da oligarquia, protegidos, amparados e financiados pola Banca e o Ibex 35.

Qualquer que for a máscara com a que se disfarce o fascismo, qualquer que for a forma na que se apresente, qualquer que for o caminho polo que se aupe ao poder, o fascismo é a mais feroz ofensiva do capital contra as massas trabalhadores, o fascismo é o chauvinismo mais desenfreado, é a guerra de rapina, o fascismo é a reaçom e a contrarrevoluçom, o fascismo é o pior inimigo da classe operaria e de tod@s @s trabalhadores/as.

A classe operária galega deve preparar-se para um cenário de involuçom neofascista, tendência estrutural na que aposta o grande capital à margem de que partido sistémico ocupe a Moncloa e o paço de Rajói.

Galiza, 1 de junho de 2018

Comunicado nº 83: Prisom permanente revisável, mais umha medida para reforçar a deriva autoritária do Estado espanhol

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Prisom permanente revisável, mais umha medida para reforçar a deriva autoritária do Estado espanhol

Após o assassinato de Gabriel Cruz, gerou-se nas redes sociais e nos meios de [des]informaçom burgueses muito ruído mediático à volta da aplicaçom da cadeia perpétua para crimes deste calibre.

Ademais, pudo-se comprovar como a ultradireita além da cadeia perpétua, solicita inclusive a pena de morte, convertendo este tema numha das principais reivindicaçons das posiçons mais reacionárias no Estado espanhol.

No Congresso dos Deputados debateu-se a derrogaçom da cadeia perpétua (prisom permanente revisável) aprovada em solitário polo governo reacionário e mafioso do PP.

Neste debate o partido de M ponto Rajói, junto ao neofalangismo de C´s, posicionavam-se em contra da sua derrogaçom, aproveitando o sofrimento e a dor dos familiares de Gabriel e de outras vítimas, para tirar rédito político e assim justificar a sua implantaçom.

A burguesia espanhola para justificar a deriva repressiva e autoritária que está tomando o Estado contra o povo trabalhador, apoia-se nos meios de comunicaçom, utilizando casos como o de Gabriel, para criar alarma social, essa falsa sensaçom na populaçom de que é necessário aumentar as penas e mao dura, convertendo a repressom num fetiche e criminalizando quem se oponha.

A cadeia perpétua nom serve para evitar crimes, nem ajuda tampouco a que estes disminuam. O impacto que tem o endurecimento das penas neste tipo de delitos é praticamente nulo. Nos Estados onde existe pena de morte, o índice de criminalidade nom diminui, como no caso dos Estados Unidos.

Chega com analisar a história penal espanhola: nem a aboliçom da cadeia perpétua na ditadura de Primo de Rivera, nem a da pena de morte após a constituiçom de 1978, tivérom impato algum no incremento de delitos violentos.

O Estado espanhol é um dos Estados da UE com maior número de presos e presas a pesar de nom ter as taxas de criminalidade mais altas, polo que a aplicaçom da cadeia perpétua nom só seria ineficaz para resolver este problema, tampouco ajudaria a prever estes delitos.

A cadeia perpétua é umha medida para reforçar aínda mais o poder da burguesia espanhola. Como em todo Estado burguês as leis som em benefício da classe que está no poder, a burguesia, e em contra da classe oprimida e explorada, a classe operária.

Os partidos burgueses nom vam apoiar nengumha lei que suponha umha ameaça para os seus interesses. Se assim fosse, Aznar, Zapatero ou o ex-Chefe do Estado Maior de Defesa, Julio Rodríguez, seriam condenados a cadeia perpétua por crimes de guerra, já que um dos casos nos que se pode aplicar esta lei é por delitos de lesa humanidade, genocidio ou por em perigo a vida de chefes de Estado de outros países.

O maior perigo é, que a causa da manipulaçom e intoxicaçom promovida polos meios de comunicaçom da burguesia, o povo trabalhador acabe por acreditar que nom há mais alternativa ao crime que a reaçom. O pior que podemos fazer, pior inclusive que perder a batalha, seria renunciar a dá-la.

Contra a deriva autoritaria do régime do 78 a luita é o unico caminho!

Viva a luita da classe trabalhadora!

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 28 de março de 2018