40 anos sem Franco?

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40 anos sem Franco?

Há quatro décadas falecia o ditador espanhol na cama de um hospital madrileno. A sua morte facilitou a posta em andamento da operaçom de lavado de cara do capitalismo espanhol seguindo a máxima lampedusiana de mudar algo para que todo siga igual.

A transiçom pilotada polos Estados Unidos e as principais potências da UE [naquela altura ainda CEE], um setor do regime franquista pactou com o PCE e PSOE a atual democracia burguesa espanhola a câmbio de renunciar à rutura. Permitindo à oligarquia manter a unidade indivisível de Espanha à volta da restauraçom da monarquia bourbónica, perpetuar a economia de mercado, conceder poderes excecionais ao exército fascista vencedor da guerra de 1936-39, e aprovar umha lei de ponto final que amnistiava dezenas de milhares de crimes, torturas e a violaçom sistemática dos direitos humanos provocados durante mais de 45 anos polas autoridades franquistas.

Deste jeito a administraçom, o exército, a polícia, o aparelho judicial fascista nom foi depurado, ficando intacto.

A vigente arquitetura institucional ratificada na constituiçom do 78 e no Estatuto de Autonomia de 1980, naquela altura nom foi legitimada polo nosso povo que optou por ficar na casa e nom ratificar mediante a abstençom ambos textos.

Este pacto permite entender porque caraterizamos o atual regime espanhol como postfranquismo sem Franco.

Um regime em permanente involuçom, que nom reconhece o direito de autodeterminaçom dos povos oprimidos como o galego, que condena ao desemprego, exclusom social e miséria a cada vez mais setores populares, que nega o futuro da juventude forçando-a à emigraçom, que reprime com contundência a dissidência política, que se submete aos interesses imperialistas da NATO e da UE.

Hoje, 20 de novembro de 2015, Agora Galiza -organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional-, denuncia que o franquismo segue latejando com força coraçom do regime da II restauraçom bourbónica. E nom nos referimos aos nostálgicos falangistas, falamos do PP e de C´s que se negam a condenar o franquismo, do exército, das forças repressivas, do aparelho judicial, dos meios de [des]informaçom que lavam a cara do regime responsável do holocausto do nosso povo iniciado em 1936, que proibiu o nosso idioma e provocou um retrocesso de décadas na economia da Galiza.

Nom se trata de ganhar umhas eleiçons, de fazer mudanças cosmétias mediante reformas constitucionais, hoje, ao igual que defendeu a esquerda independentista galega da altura, estamos pola rutura e a apertura de um processo constituínte galego para conquistar a Independência e umha sociedade socialista superadora do patriarcado.