Comunicado nº 30. Independência e Pátria Socialista 27 de junho, 85 aniversário da República Galega

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Independência e Pátria Socialista

27 de junho, 85 aniversário da República Galega

Em 27 de junho de 1931 umha greve geral revolucionária promovida polo proletariado galego, no quadro da indignaçom popular que percorria o país, perante a paralisaçom das obras do caminho de ferro Corunha-Compostela-Ourense-Samora, proclama a 1ª República Galega.

Embora nos dias prévios em diferentes pontos do território nacional,como a Póvoa de Seabra e Ourense, diversas iniciativas populares já tinham proclamado a República Galega, foi em Compostela na tarde do 27 de junho de 1931 quando umha multidom -que tinha realizado um grande comício na Alameda e paralisado a atividade laboral da cidade-, ocupou a praça do Obradoiro e as instalaçons municipais do paço de Rajói para nomear Alonso Rios como presidente da Junta Revolucionária da República Galega.

Embora esta proclamaçom foi efémera pola hábil decisom do governo republicano espanhol de reinicar as obras do ferrocarril desativando assim o desenvolvimento do movimento insurrecional, a sua releváncia histórica é indiscutível.

A data de 27 de junho estivo durante décadas esquecida, adormecida nos manchetes dos jornais e na memória daquelas/es compatriotas que vibrárom com os discursos incendiários de Carnero Valenzuela, Eduardo Ponte e Alonso Rios no Obradoiro, e só esta ainda timidamente recuperada polo movimento de libertaçom nacional galego.

Mas este facto trascende ser umha simples declaraçom simbólica, é o cerne da luita e classes na Galiza. Pois nom só é impossível construir umha sociedade socialista sem conquistarmos a independência nacional da Galiza. Sem recuperarmos a soberania conculcada por Espanha e a UE nom há a mais mínima possibilidade de implementar um programa de reformas visadas a melhorar as condiçons de vida e os direitos sociais e as liberdades do conjunto do povo trabalhador.

Nom há mudança social sem Pátria soberana, sem proclamarmos a 2ª República Galega.

Debate e reivindicaçom deliberadamente ausente da campanha eleitoral

Nesta campanha eleitoral todas as candidaturas sistémicas prometem e enganam sobre as possibilidades de solucionar os nossos problemas sem rutura democrática e conquista da liberdade nacional.

PP, PSOE e C´s representam a defesa e a perpetuaçom da opressom nacional da Galiza, som os principais agentes destrutores deste País, negadores dos nossos direitos como povo. Eis razom polo qual som partidos políticos inimigos da Galiza e do seu povo trabalhador.

Mas também Podemos e IU -mais alá do enganoso formalismo retórico que empreguem-, som ferramentas políticas defensoras do status quo, partidos jacobinistas espanhóis, agentes divulgadores do pior chauvinismo sob aparente manto progressista, e corresponsáveis de nom querer alterar o atraso da Galiza e a sobre-exploraçom que padece a classe operária galega na divisom internacional do trabalho a que nos condena o imperialismo espanhol.

O BNG é incapaz de manter umha coerente linha política patriótica. Segue instalado na acomplexada e timorata defesa do direito de autodeterminaçom, de um nacionalismo estreito e filohispanista que renúncia à conquista do Estado Galego, e portanto segue estando esterilizado para articular forças populares visadas em dirigir o processo de libertaçom nacional. Nom se trata de “voz própria” nem grupo parlamentar galego em Madrid para condicionar o seu governo, e sim de conquistar umhas instituiçons galegas plenamente soberanas.

Anova nom pasa de agir como um ator secundário e cada vez mais irrelevante na campanha chauvinista de Podemos onde a Galiza simplesmente nom existe. Facilitando o desembarco dos charlatáns de Madrid que só reproduzem idêntico discurso ao de Múrcia ou Torrelodones. Esta campanha está constatando o erro estratégico do beirismo ao ter facilitado a recomposiçom eleitoral da moribunda socialdemocrata IU, e entrega do património e prestígio popular da sua trajetória a Podemos mediante umha mutaçom e renuncia aos princípios medulares da auto-organizaçom que identificam umha política patriótica e de esquerda.

Eis polo que Agora Galiza apela à abstençom vindouro 26J. Nom tem sentido votar porque nom existe nengumha candidatura com um programa genuinamente patriótico, socialista e feminista, porque nengumha candidatura defende que só umha República Galega de caráter socialista pode abrir o caminho a umha nova Galiza com justiça social, liberdades e plenos direitos.

 

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 22 de junho de 2016

 

 

Comunicado nº 28. Nada mais inútil que alimentar o “voto útil”

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26 de junho.

Nada esperamos!

Som quatro as candidaturas que tenhem praticamente assegurado eleger representantes nas “circunscriçons eleitorais galegas”, mais umha que aspira a recuperar a representaçom perdida.

A medida que se desenvolve a campanha eleitoral, as forças denominadas de “esquerda”, apelam ao “voto útil”, incidindo na necessidade de concentrar o apoio na sua candidatura para assegurar a derrota do PP. O mal denominado “voto útil” sempre recorre ao factor subjetivo do “medo à direita”, para ativar aqueles setores populares mais conscientes [ativistas sociais, militantes de forças da esquerda radical que nom concorrem no processo eleitoral, povo politizado] que podem optar no último momento por votar candidaturas contrárias à prática política e social que desevolvem e/ou afastadas das suas coordenadas ideológicas.

Agora Galiza nom só apela a nom participar 26 de junho, consideramos necessário que a esquerda política e social galega que nom acreditamos nas falsas promessas, nas mornas e descafeinadas alternativas das candidaturas situadas aparentemente no campo progressista -tanto as de ámbito galego como as de ámbito espanhol-, opte por nom secundar o “voto útil”, por exercer a abstençom ativa.

Obviamente o PP representa a continuidade do franquismo, é a força política vinculada à fraçom mais reacionária da oligarquia espanhola, aos interesses diretos do Ibex 35, submetida à troika e os compromissos imperialistas representados pola UE e a NATO.

É o partido responsável por desenvolver a política de austeridade e os pacotes neoliberais impostos por Bruxelas e Berlim, que tem provocado o empobrecimento e a progressiva perda de conquistas sociais e direitos laborais. O principal agente na destruiçom planificada das bases materiais da naçom galega.

O PP é umha organizaçom criminal que a estas alturas deveria estar ilegalizada e a sua direçom gansteril em prisom, cumprindo condenada por corrupçom, roubo e por implementar políticas que nos empobrecem e condenam a um futuro de miséria e escravagismo.

Porém, o PSOE é diretamente a outra cara da moeda do PP. Corresponsável direto dos acordos da Transiçom que perpetuárom a exploraçom do povo trabalhador pola burguesia enriquecida no saqueio e roubo amparado pola ditadura franquista. O partido que pactuou a restauraçom da corrupta monarquia bourbónica e a negaçom do direito a autodeterminaçom das naçons oprimidas, que aplicou constantes políticas tendentes para aprofundar na marginalizaçom e atraso da Galiza.

O partido da brutal reconversom industrial e liquidaçom do mundo rural implementada na década de oitenta e noventa do século passado. O partido que incorporou a Galiza na UE e na NATO. O partido das reformas laborais, da guerra imperialista contra o Iraque, a Jugoslávia, e o Afeganistám. O partido que promoveu os esquadrons da morte dos GAL e permitiu que por primeira vez um nazi participasse num desfile militar após a segunda guerra mundial.

O PSOE é um partido de direita. Nom nos enganemos com a cínica retórica “pogre” de Pedro Sánchez, e pensemos que quem realmente manda é a máfia de Susana Díaz e o lobby das multinacionais representado por Felipe González, o amigo das ditaduras.

C´s é a marca branca do PP. É o partido promovido pola banca para canalizar eleitoralmente aquela massa votante do PP crítica com a corrupçom geralizada que envolve o partido de Mariano Rajói, evitando assim que opte pola abstençom. É o partido bisagra para facilitar a continuidade do governo PP.

Albert Rivera, um artificial líder de mercadotécnica promovido polos meios de [des]informaçom da burguesia, representa a cara “amável” do neofascismo.

Nom condenou o levantamento de 1936, defende abertamente o despedimento livre e a liberalizaçom total das relaçons laborais tal como solicita a CEOE. É um peom da burguesia parasita, o “neno bonito de refinados modais”, tam do agrado das camadas intermédias atemorizadas polos efeitos da crise e em plena evoluiçom reacionária.

C´s é o mais parecido ao novo falangismo. Com um discurso aparentemente “imparcial e asséptico” de defesa dos valores gerais da “cidadania”, representa o anticomunismo primário, o discurso sem complexos do imperialismo espanhol e das corporaçons ultraliberias que o financiam.

Inimigo declarado da causa nacional galega, da nossa língua e cultura, é a semente do fascismo que aí vem e que a pseudoesquerda eleitoral faz de conta que nom vê.

Nom cansaremos de denunciar que Podemos é umha imensa fraude que promete aplicar “mudanças” no regime espanhol sobre duas falácias: sem golpear os alicerces económicos e a unidade do mercado chamada Espanha, e sem mobilizaçom e luita organizada da classe trabalhadora. Um ilusom inviável de implementar!

O seu tam simples como falso discurso triunfalista tem sido favorecido por um importante setor da ditadura mediática da burguesia espanhola, consciente da necessidade de frear a tendência à radicalizaçom da luita de massas que se estava produzindo antes da sua fundaçom em janeiro de 2014.

Podemos é umha versom modernizada da nova socialdemocracia, umha mistura entre um PSOE 2.0, nacional-populismo e postmodernismo.

A sua fulgurante “moderaçom”, substituindo o discurso rupturista polo do “cámbio”, exprime a ausência absoluta de vontade de aplicar reformas estruturais no regime.

É umha força criada para impossibilitar umha revolta social e para modernizar e naturalizar o chauvinismo espanhol.

A juventude dos seus principais líderes e umha hábil linha discursiva tem abduzido amplos setores juvenis e populares com um discurso transversal calculadamente enganoso.

Por muito que no nosso país conforme umha coaligaçom com forças de ámbito nacional galego, Podemos é um agente claramente espanholizador e inimigo da luita de libertaçom nacional e social.

A saída da UE e da NATO, umha República Galega independente e soberana, som parámetros essenciais para sentar as bases da construçom de umha nova sociedade. Três medidas rupturistas que nom contam com o aval de Podemos.

O atual BNG representa o nacionalismo galego interclassista e acomplexado de sempre. Esterilizado para encabeçar a conformaçom de um bloco operário, popular, patriótico e feminista após tantas décadas de gestom institucional e de alianças com o PSOE.

Incapaz de compreender as mudanças morfológicas inoculadas polas políticas assimilacionistas da UE e de Espanha na sociedade galega, continua pretendendo representar umha Galiza que ou bem já nom existe ou simplesmente é testemunhal. A defesa dos setores produtivos do campo e do mar -drasticamente mermados polas políticas económicas de Espanha e da UE-, prevale sobre a defesa da classe operária e do povo empobrecido.

O timoratismo genético frente à reivindicaçom independentista é a mais destacada expressom do seu oportunismo de duplo raseiro.

Boa parte do seu mais coerente discurso nom se corresponde com a sua prática. O respeito supersticioso pola legalidade vigorante e a sua composiçom de classe impossibilita-o para vertebrar o imprescindível pólo patriótico, anticapitalista e feminista que o povo trablhador necessita. Cada vez que semelha avançar na direçom correta imediatamente volta ao ponto inicial.

O BNG nom passa de ser umha força socialdemocrata galega que continua nutrindo o ilusionismo eleitoral como ferramenta prioritária para conquistar maiores quotas de “autogoverno” para a Galiza.

Obsessionado com o objetivo de ter “voz própria” nas Cortes espanholas alimenta erróneas unidades nacional-populares visando representar Galiza em instituiçosn alheias.

Porque nom devemos participar no processo eleitoral de 26J?

Perante este panorama careterizado pola ausência de umha alternativa eleitoral anticapitalista galega, que conceba a intervençom nas instituiçons burguesas como umha tarefa meramente instrumental, para questionando o seu caráter antidemocrático exercer de caixa de resonáncia das luitas populares e das reivindicaçons operárias, nom há mais opçom que a abstençom consciente.

Agora Galiza como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional nom pode apelar a votar em candidaturas pequeno burguesas que só alimentam o ilusionismo eleitoral bloqueando a imprescindível recomposiçom da esquerda revolucionária.

Na atual conjuntura tam desfavorável da luita de classes e de libertaçom nacional as principais tarefas som deslindar e confrontar com os diversos oportunismos para assim gerar as condiçons subjetivas que permitam acumular e organizar as forças da Revoluçom Galega.

Passa o que passar 26J nom se vam produzir as mudanças que solicita umha boa parte do povo trabalhador.

A opçom de um governo alternativo ao PP é um engano. O PSOE está comprometido até a médula com os interesses do grande capital e após 26 de junho o mais provável e que vai facilitar um governo do PP com C´s, ou optar pola fórmula da grande coaligaçom mais do gosto da troika.

E um governo entre PSOE e Podemos manterá umha política económica similar à atual, aplicando os diktames de Bruxelas e Berlim, perpetuando a marginalizaçom e atraso da Galiza, tal como na Grécia leva demonstrando a claudicante Siryza.

Os direitos e as conquistas só se logram com a luita nos locais de trabalho, nos centros de ensino, e na rua, sob umha linha classista e patriótica galega, orientadas numha estratégia revolucionária dirigida e ao serviço do povo trabalhador.

Na Pátria, 15 de junho de 2016

Direçom Nacional de Agora Galiza

Comunicado nº 27. 26 junho. Nada esperamos! A luita é o único caminho.

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Novamente um bombardeamento de promessas inundará os meios de comunicaçom da burguesia espanhola.

Partidos e candidaturas rivalizám polo nosso voto nesta falsa democracia de corrupçom geralizada, ditadura mediática, repressom, direitos conculcados e raquíticas liberdades formais.

Nesta ocasiom a campanha eleitoral e a Eurocopa 2016 de futebol competirám por criar virtuais ilusons entre o povo trabalhador.

Ambos circos ocultarám durante duas semanas a realidade do desemprego, dos baixos salários e pensons, da precariedade, da emigraçom, da pobreza e exclusom social, do deterioramento da sanidade e educaçom, dos cortes de liberdades e restriçom de direitos, da acelerada destruiçom da nossa língua e cultura nacional, do feminicídio e marginalizaçom das mulheres, da carênca de futuro digno para a juventude.

Após fracassar durante 5 meses para conformar o novo governo espanhol, agora assistimos ao segundo capítulo da mesma farsa. Ganhe quem ganhar, esse governo será encarregado de implementar umha nova reforma laboral e um conjunto de medidas contra os nossos direitos e conquistas. A sua folha de rota já está escrita pola troika e polas empresas do Ibex 35.

Nom é depositando votos como lograremos recuperar as conquistas e direitos que levamos perdendo na última década sob a justificaçom de medidas de austeridade para fazer frente à crise. Nom é introduzindo umha papeleta como lograremos ganhar mais direitos e melhoras nas nossas condiçons de vida. Só a luita organizada do povo trabalhador, nos centros de trabalho e ensino, nos bairros e nas ruas, pode lográ-lo!

Mintem como velhacos aqueles que prometem um futuro melhor sem os sacrifícios inerentes à luita operária, nacional e popular. Nengumha das conquistas atingidas pola classe trabalhadora, polos povos oprimidos, foi gratuíta nem lograda facilmente. Todas estám tingidas de sangue, lágrimas e suor. Esta é a crua verdade. E umha organizaçom revolucionária nunca engana o seu povo.

Nom existem soluçons mágicas para alterar a folha de rota de mais exploraçom, menos direitos e liberdades, que a burguesia tem traçado para o povo trabalhador e empobrecido da Galiza. Nom nos devemos deixar enganar polo aparente sedutor discurso de pestidigitadores, feiticeiros e encantadores de platós. Todos, sem excepçom, som impostores e charlatans.

Perante este cenário tam adverso para o povo trabalhador e empobrecido, para a Galiza, nada podemos nem devemos esperar desta nova convocatória eleitoral. A soluçom aos graves problemas que padecemos nom derivará da cor do governo que ocupe o palácio da Moncloa, e sim da nossa capacidade de auto-organizaçom e luita sob umha estratégia revolucionária.

A desorganizaçom e desmobilizaçom social, a ausência de redes de luita e combate, a fraqueza da equerda socialista e independentista galega incapaz de apresentar umha alternativa neste ámbito, converte esta nova cita eleitoral numha data intrascendente para a nossa emancipaçom como classe, para a nossa libertaçom como mulheres e para avançarmos na conquista dumha Galiza independente e soberana.

Agora Galiza descarta qualquer apoio a algumha das candidatutas que competem 26J. É inútil seguir depositando a nossa confiança em forças carentes de vontade para superar o capitalismo e a dependência nacional, em candidaturas que no melhor dos casos só prometem falsos remendos.

Perante este cenário, Agora Galiza -como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional-, apelamos a nom participar neste processo eleitoral.

Na Pátria, 10 de junho de 2016

Direçom Nacional de Agora Galiza

COMUNICADO Nº 26. NA GALIZA SÓ EM GALEGO.

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NA GALIZA SÓ EM GALEGO

Gostaria que se utilizasse a grafia do português, conservando o nosso próprio idioma”

Manuel Maria

Mais um ano chegamos ao Dia das Letras numhas circunstáncias idênticas às que nos tenhem acompanhado desde que Espanha nos agasalhou com um grolinho do “café para todos” a inícios da década de 80.

O processo de substituiçom lingüistica continua reduzindo a comunidade de falantes, o galego perde espaço social e já está no ponto de passar de língua maioritária minorizada a língua minoritária minorizada, com o que o devalo é cada vez mais grave.

Nas semana prévia ao 17 assistiremos à habitual cerimónia da confusom, em que o espanholismo, da extrema-direita governante até a “nova” social-democracia falará das vitudes da nossa língua “sem impossiçons”, e do galeguismo “bem entendido”. Quando na realidade todas essas forças foráneas som distintas faces do minguante imperialismo espanhol, que desgraçadamente tem na nossa naçom os sucessos que lhe som negados nas outras naçons que oprime o nacionalismo espanhol.

No meio deste desesperançador panorama há iniciativas de futuro para o galego como as escolas de ensino em galego Semente, que nom deixam de medrar apesar das dificuldades.

Mas um dos perigos que ano após ano se revela mais letal para a nossa língua é a progressiva hibridaçom com a “língua teito”, o espanhol. Este processo, que é tam antigo como a secular imposiçom da língua mesetária, alcança nas últimas décadas, da mao dos mídia foráneos, um crescimento exponencial.

Nom é já o léxico galego o que está cada vez mais deturpado na fala e na escrita, o processo de hibridaçom, e por tanto espanholizaçom, alcança a prosódia, o sotaque, e as estruturas morfosintáticas mais genuínas da nossa fala. Esta hibridaçom aparece tanto em falantes primários como neofalantes. Na fala e na escrita da geralidade das pessoas falantes como em publicaçons, rádio e televisom em galego e filmes dobrados. E mesmo tanto em falantes anónimos como em pessoas comprometidas com a normalizaçom e a cultura.

Eis o presente dumha língua que nom só desaparece passeninhamente, senom que ao tempo se torna cada vez menos galego e mais espanhol.

É tempo de tornarmos-nos falantes conscientes e preocupad@s com a qualidade da língua que falamos, porque as percentagens de galego-falantes que aparecem nos inquéritos incluem grandes percentagens de falantes dum crioulo a meio caminho entre a nossa língua e o espanhol.

Estamos cert@s que o reintegracionismo é a opçom necessária para invertermos esta tendência. Necessária, mas nom suficiente. Sem umha decidida vontade coletiva de depurar a nossa língua, tanto escrita como falada, da contaminaçom que a abafante presença do espanhol tem poluído o galego, podemos igualmente acabar num dialeto regional do castelhano escrito com nh.

Outros povos com línguas minorizadas, que ao tempo, como no caso galego, som línguas nacionais plenamente normalizadas noutros países, já optárom nesta ineludível via há tempo com absoluto sucesso e conseguindo a desejada normalizaçom e plenitude de usos. É claro: faz falta vontade coletiva.

Perante o absoluto fracasso da estratégia de normalizaçom lingüística promovida polo nacionalismo galego nas últimas quatro décadas, é imprescindível um novo acordo alicerçado no reintegracionimo lingüístico e no monolinguismo social.

Porém, Agora Galiza é consciente que a plena normalizaçom do nosso idioma só será posível quando a Galiza conquiste a sua independência e soberania nacional.

Na Pátria, 17 de Maio de 2016

Homenagem a Moncho Reboiras – 40 aniversário da queda em combate

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12 de agosto de 2015, praça do Toural, Teis, Vigo.

Lamentavelmente a Galiza pola que luitou Moncho, a Pátria com a que sonhou Moncho, o País ao que entregou a sua vida Moncho Reboiras, nom se assemelha ao de 1975.

40 anos após o assassinato do revolucionário galego pola polícia espanhola, da queda em combate do fundador da esquerda independentista contemporánea, tem-se perpetuado exponencialmente o atraso, a dependência, a assimilaçom e a exploraçom da Galiza por Espanha. Todos os indicadores socioeconómicos e lingüísticos asssim o confirmam.

Esta praça -pola que tanto transitou a inícios da década de setenta Moncho Reboiras-, é exemplo sangrante dos enormes retrocessos que a Galiza e as suas camadas populares, temos experimentando nestas últimas 4 décadas pola açom combinada do tandem Madrid-Bruxelas.

Onde antes viviam dezenas de milhares de trabalhadores do mar, de assalariados da construçom naval, de operárias da conserva e do têxtil, hoje é um bairro assolado pola emigraçom e o desempego, onde é visível a pobreza e a exclusom social a que nos condena o capitalismo espanhol e a Uniom Europeia.

Sim, companheiras e companheiros, amigas e amigos, que hoje nos acompanhades na primeira atividade pública convocada em solitário como Agora Galiza, nas últimas 4 décadas a opressom espanhola sobre a nossa Naçom e o nosso Povo tem avançado mais que nos 5 séculos anteriores, quando se consumou a perda da nossa soberania.

A verdade sempre é revolucionária. E nós, Agora Galiza, como organizaçom socialista e feminista galega de libertaçom nacional, nom queremos, nem podemos questionar este axioma.

Temos um compromisso insubornável com a Galiza do Trabalho, com as mulheres que padecem múltiplas e especiais situaçons de vulnerabilide, e com o País que sofre as lacras do desemprego, da pobreza e da emigraçom. E nom queremos defraudá-lo.

Eis polo que nom ocultamos o nosso povo a grave situaçom que atravesssamos, as negras perspetivas que se albiscam no horizonte, os lentos mas efetivos planos de extermínio que Espanha tem traçado.

Mas contrariamente aos fraudulentos discursos, às falsas promessas das mal denominadas “novas forças ruturistas”, desses partidos foráneos que se instalam no País abduzindo organizaçons de matriz galega mutadas em meras comparsas madrilenas, nom acreditamos nas receitas da alternáncia do parlamentarismo burguês, nem na aritmética eleitoral do regime.

Nom somos contrários à luita institucional, nem a participar na frente eleitoral. Claro que nom! Temos vocaçom de contribuir em todos aqueles lugares onde se jogue com o futuro de nós mesmas, onde se decidam as condiçons de vida, o grau de liberdades e as conquistas sociais da gente deste País, onde se adotem decisons sobre todo o vinculado com a Galiza. Nom podia ser de outro jeito!

Porém, seguindo um dos principais legados do dirigente independentista que hoje nos convoca aqui e agora, a auto-organizaçom nacional é um princípio indiscutível, inegociável. Nesta questom Agora Galiza é intransigente.

Os povos libertam-se com forças próprias. As maiorias sociais emancipamo-nos quando de forma organizada e com consciência do que queremos, luitamos por atingir os direitos sociais, as liberdades e a independência.

A história universal e a nossa própria história nacional tem dado dúzias de leiçons sobre os erros cometidos por muitos povos como o nosso, acreditando nas promessas e nos cantos de sereia foráneos, depositando expetativas na ajuda externa, confiando na vitória de forças alheias como determinante para a nossa própria vitória.

Somos nós, abert@s a toda a solidariedade que nos ofertem outros povos, mas somos exclusivamente nós, quem temos que construir a alternativa libertadora e emancipadora para assegurar a pervivência da Naçom galega e um futuro de benestar, justiça e liberdades para o povo galego.

Confiamos nas imensas potencialidades da Galiza e d@s habitantes desta casa comum que forjamos ao longo da história, para abordar sem ingerências nem tutelagens, -tal como Moncho nos ensinou!, o nosso futuro.

A única forma de abandonar o pesadelo neoliberal imposto por Zapatero, Rajói, Ángela Merkel, Tourinho e Feijó, a única forma de superar os ditames letais de memoranduns, resgates e condiçons da Europa dos banqueiros, dos especuladores e das multinacionais, a única forma de safar das condenas a morte da Espanha do Ibex 35 e da sua casta corrupta, a única forma de solucionar o desemprego e a emigraçom, de deixar atrás os salários e as pensions de miséria, de finalizar com os despejos, de termos umha sanidade, umha educaçom gratuíta, universal e transformadora, umha igualdade real de género, é mediante a recuperaçom da nossa soberania e independência nacional.

Sem direito real a decidir e tomar decisons do que queremos ser e de como queremos construir o País nom é viável aplicar programas de progresso social.

Companheiras, e companheiros: Nom se podem aplicar políticas anticapitalistas e feministas no capitalismo!!

Nom se podem implementar políticas de construçom nacional no quadro da opressom espanhola!!

A soberania nacional é incompatível com o capitalismo.

Só o Socialismo garante a Soberania. Mas sem Soberania nom se pode construir o Socialismo. A equaçom é diáfana!!

Sem soberania nacional galega nengumha das medidas programáticas, das promessas e profecias mesiánicas de Podemos e dos seus aliados autótones, nom se poderám implementar.

Nom queremos que nos concedam direitos desde Madrid e Bruxelas, queremos ser nós quem os conquistemos e decidamos aplicá-los no nosso País.

A recente leiçom grega da traiçom da Syriza voltou a constatar o curto percurso da via eleitoral para transformar umha sociedade.

Nem as direçons das forças de “esquerda radical”, com muitas aspas, que logram vitórias nas urnas tenhem a coragem de aplicar os programas com as que os seus povos as apoiárom, nem a ditadura burguesa e os organismos internacionais do capitalismo permitem semelhante desafio sem umha confrontaçom aberta, apoiada na organizaçom popular e na movimentaçom social.

Gerir as instituiçons burguesas é umha cousa e governar outra. Sem povo organizado e consciente, ativo e vigilante os votos som como um gigante com pés de barro.

Afirmava que nom queremos enganar o noso povo. É por isso que sem descartarmos participar em processos eleitorais, nom adoramos nem convertemos as urnas no fetiche que provocou a desmobilizaçom e o refluxo do vigoroso movimento social que nos últimos anos convocou exitosas greves gerais, ocupou as ruas em defesa do ensino e a sanidade pública, em prol da nossa língua, dos nossos setores produtivos, contra o expólio energético e mineiro …

Da esquerda independentista, socialista e feminista que Agora Galiza representa, defendemos que é imprescindível dar passos adiante com visom estratégica, superando as inércias do curtoprazismo eleitoral, apostando em construir um espaço amplo e plural sem mais condicionantes que a defesa da soberania e a independência nacional galega da esquerda, entre todas as forças, organizaçons, partidos, coletivos políticos e sociais, e pessoas sem adscriçom.

O futuro da Galiza nom se decidirá na bancada das Cortes espanholas nem no parlamentinho do Hórreo, o nosso futuro será decidido nas ruas, nos bairros e nos centros de trabalho e ensino.

O futuro da Galiza nom é possível com reformas, com liposuçons e maquilhagens constitucionais do fedorento e corrupto regime espanhol.

Nem queremos reforma da constituiçom espanhola do 78, nem umha nova transiçom, queremos umha Galiza soberana com justiça social.

A liberdade e os direitos conquistam-se. Os que nos fôrom arrebatando progressivamente nos últimos anos tinham sido atingidos com o suor e as lágrimas das nossas maes e avôs. Nom foram concedidos de forma gratuíta.

Nom podemos seguir adiando a construçom de contrapoder na rua, de recuperar a hegemonia nos movimentos sociais por parte das organizaçons galegas.

Moncho Reboiras foi um dos principais artífices na estratégia de deslocar o espanholismo na direçom do movimento obreiro, estudantil, cultural, vezinhal, juvenil … e 40 anos depois temos novamente este repto.

Moncho Reboiras nom duvidou em confrontar o autoritarismo franquista com firmeza e determinaçom. 40 anos depois da sua eliminaçom física a atual legislaçom espanhola é tam repressiva como a fascista. A Lei mordaça e as permanentes reformas do Código Penal perseguem atemorizar e intimidar os que luitamos para que o povo trabalhador nom se manifeste nem proteste.

Temos que tecer cumplicidades, otimizar tantos recursos e energias dispersas, avançar na configuraçom de um amplo e plural espaço de debate, confluência e intervençom entre toda a esquerda soberanista galega para assim quebrar as tendências sucursalistas impostas pola esquerda jacobinista sediada em Madrid, para podermos voltar a esperançar a nossa gente, tanto ativista da Galiza desencantado e atrair a juventude.

Promover um Pólo Patriótico rupturista deve ser o seguinte passo na reconfiguraçom integral do campo da esquerda patriótica que permita dotar a Galiza, a classe trabalhadora, o povo empobrecido, a juventude e as mulheres, da imprescindível ferramenta unitária com um programa independentista, socialista e feminista. É necessário coragem e generosidade para abrir este processo. Nós temo-la!

Moncho Reboiras nom foi nem é umha estrela fugaz. Segue vivo entre a Galiza que nom capitula nem se rende!

Sentou as bases e os objetivos estratégicos que compartilha Agora Galiza com outras forças e dezenas de milhares de galegas e galegos. O nosso futuro está fora do capitalismo e de Espanha.

Mas este percorrido a dia de hoje deve ser feito conjuntamente, de forma coletiva e unitária entre toda a Galiza que compartilhamos com matizes, mas que compartilhamos ao fime ao cabo, o que Moncho e a sua geraçom nos transmitírom com factos tangíveis e com luitas que ainda alumeiam.

O complexo e turbulento período sobre o que agimos vai-se agudizar em pouco mais de mês e meio como consequência da determinaçom catalana de dotar-se de um estado soberano. Galiza nom pode ficar à margem deste desafio. Nom queremos sermos neutrais nem imparciais. Eis polo que é necessário reforçarmos organicamente a esquerda independentista com vocaçom de seduzir e contagiar o nosso povo na fê de vencer.

Neste 12 de agosto, numha data simbolicamente tam destacada no calendário da Galiza rebelde e combativa, a militáncia de Agora Galiza manifestamos a nossa firme determinaçom de continuar até a vitória com o legado e os sonhos polos que morreu luitando Moncho Reboiras. Dependerá de nós conquistá-los!

Antes mort@s que escrav@s!

Viva Moncho Reboiras!

Viva Galiza ceive!

Viva Galiza socialista!

Viva Galiza feminista!

 

Descarrega a biografia de Moncho Reborias [PDF].

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