174 ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇOM GALEGA DE ABRIL

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174 ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇOM GALEGA DE ABRIL

Derrrotado o exército galego 23 de abril de 1846 na batalha de Cacheiras, as tropas repregárom para resistir nas ruas de Compostela.
Perante a desfavorável correlaçom de forças, o Estado Maior refugiado em Sam Martinho Pinário, optou pola rendiçom.

A Revoluçom Galega de Abril 1846 era esmagada sem compaixom pola monarquia bourbónica de Isabel II.

Dia 26 sobrevinha o trágico desenlace com o fusilamento em Carral do marechal Miguel Solis e os oficiais leais, e o caminho do exilio e o desterro para evitar a pena capital.

A Revoluçom Galega de 1846 foi a cenificaçom do choque entre as forças transformadoras dos setores sociais que atesouravam no seu seio potencial revolucionário polas suas condiçons materiais ou por diferenças ideológicas manifestas, e os estamentos privilegiados do regime monárquico e centralista espanhol, que representavam a reaçom.

No 174 aniversário da Revoluçom Galega de 1846 reivindicamos desta heroica experiência combativa do nosso povo a importáncia, vigência e necessidade do direito à rebeliom, mas também como um referente, semente do que posteriormente foi o desenvolvimento do movimento de libertaçom nacional galego.

Hoje, neste abril de 2020, levantamos a espada insurreta do marechal Miguel Solis e a pena sublevada de Antolim Faraldo, para mais umha vez proclamar e atualizar a declaraçom revolucionária de 1846 de que nom estamos dispost@s, 174 anos depois, a que a Galiza caminhe inexoravelmente face a sua assimilaçom polo imperialismo espanhol e o da UE.

Só um povo trabalhador unido, organizado e insurreto evitará a nossa derrota como naçom e como classe.

A luita é o único caminho!
Independência e Pátria Socialista!
Venceremos!

MANIFESTO DA “INTERNACIONAL FASCISTA”

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MANIFESTO DA “INTERNACIONAL FASCISTA”

Um dos setores mais selvagem, reacionário, chauvinista e terrorista do capital internacional, aproveita o estado de alarma decretado pola pandemia do Covid 19, para fomentar o auge do fascismo, e avançar posiçons perante a posterior crise socio-económica e as luitas obreiras e populares que se avezinham.

Destacados líderes e representantes do fascismo internacional como Jose María Aznar, Mario Vargas Llosa, Álvaro Uribe ou Maurício Macri, grandes empresários, economistas e jornalistas, assinam um manifesto conjunto denunciando as medidas adotadas por vários países e governos anti-imperialistas. Hitler, Mussolini, Ante Pavelić, Franco, Batista, Trujillo, Pinochet, Videla, entre outros, rubricariam esta declaraçom de guerra contra a classe obreira.

No manifesto condenam e qualificam de ditadura a Venezuela, Cuba e Nicaragua, mas também expresam a sua “preocupaçom” por países como México, Argentina ou pola situaçom do Estado espanhol perantea crise sanitária.
Também denunciam o exceso de poder “suspendendo o estado de direito, a democracia e o sistema de justiça”e alertam do “estatismo, intervencionismo e o populismo” que fai perigar “a democracia liberal e a economia de mercado”.

Se tam preocupados estám pola vulneraçom de direitos e liberdades como é que nom dim absolutamente nada do número de mortes e da grave situaçom que sofre a classe trabalhadora dos EUA, totalmente desamparada polas instituiçons norteamericanas dirigidas polo psicópata Trump?

Mas os revolucionários nom esquecemos! Quando governavam, empregárom a repressom contra as reclamaçons legítimas do povo trabalhador. Nom duvidárom na utilizaçom da tortura brutal, da violência policial, do paramilitarismo, das próprias forças armadas estatais, para liquidar fisicamente a quem nas ruas luitava pola vida e o futuro com dignidade.

Habituados a umha vida de mentiras, manipulaçom, falsedades, demagogia, representam a mais fedorenta fossa séptica do capitalismo das últimas décadas.

O fascismo serve-se da grave situaçom de emergência sanitária e a crise global do capitalismo, para aumentar a sua ofensiva contra o povo trabalhador, empregando um falaz discurso em defesa dos “direitos e as liberdades”, misturando o medo e o chauvinismo mais exarcebado, apresentando-se perante a populaçom e setores do povo trabalhador mais golpeados e menos conscienciados, como a única alternativa viável.
Estamos assistindo a umha das maiores ofensivas reacionárias da burguesia contra a classe trabalhadora e os povos.

É imprescindível construir na Galiza um bloco popular antifascista e levantar umha inexpugnável muralha de aceiro internacional para frear e esmagar a barbárie fascista que se divisa no horizonte.

Há que esmagar ao fascismo sem comtemplaçons! So poderemos vencé-lo com luita e organizaçom nas ruas!

Unidos venceremos! Divididos pereceremos!

22 de abril de 1870-2020. 150 aniversário do nascimento de Lenine. PROMOTOR DO COMUNISMO, A CAUSA DO AMOR E A BELEZA

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22 de abril de 1870-2020. 150 aniversário do nascimento de Lenine

PROMOTOR DO COMUNISMO, A CAUSA DO AMOR E A BELEZA

Neste 150 aniversário do nascimento de Lenine, a esquerda revolucionária galega quer comemorar esta data, para continuar incidindo na imprescindível batalha de ideias que contribua para resgatar o projeto emancipador e libertador que representa o marxismo, do sequestro ao que está submetido polos diversos reformismos, no ámbito institucional e académico.

Reivindicamos Lenine nom desde postulados nostálgicos ou folclóricos. Sim desde o fragor da luita de classes e a insurgência socialista/comunista.

Lenine elaborou as leis fundamentais da Revoluçom Socialista, deslindando sem ambiguidades os objetivos e tarefas da classe operária.

Artífice do modelo de partido de vanguarda. Plenamente vigente e mais necessário que nunca frente ao amorfismo cidadanista da nova socialdemocracia.

Lenine estudou em profundidade, e com rigor analítico caraterizou a atual fase imperialista do capitalismo crepuscular.

Lenine defendeu a independência de classe, a direçom operária e um programa genuinamente classista, frente os adulterados modelos interclassistas dirigidos pola pequena-burguesia, que transformárom os partidos comunistas em maquinárias eleitorais para desputar à burguesia a gestom do capitalismo. A classe operária e os seus aliados deve configurar umha força social própria com disposiçom subjetiva e consciente, visada estrategicamente ao confronto. “Todo é ilusom menos o poder!”

Lenine, e portanto o leninismo, demonstrou que os grandes problemas da vida dos povos só se resolvem pola força.

Lenine elaborou a intransigente defesa da autodeterminaçom dos povos, nom como um direito formal, mas sim como umha necessidade que deve ser exercitada frente ao imperialismo e chauvinismo.

Lenine resituou o internacionalismo no eixo da estratégia revolucionária do proletariado.

Lenine nom cansou de demonstrar que o Estado nom é neutral, combatendo a ingenuidade política de acreditar que defende “todos por igual”, que Governo nom é sinónimo de poder, que nom há revoluçom possível sem mudar o regime social, sem confrontaçom para a tomada do poder.

Frente as grotescas tendências hegemónicas na esquerdinha: pacifismo, eleitoralismo, timoratismo, covardia, conforto institucionalista, pactismo, conciliaçom, unitarismo sem princípios, Lenine é o melhor antídoto para combater sem trégua a banalizaçom e esterilizaçom do projeto anticapitalista polo reformismo e o revisionismo que caraterizam as forças denominadas “comunistas”.

Para reconstruirmos e recuperarmos as bases fundacionais do marxismo, encontraremos em Lenine as ferramentas que nos permitem avançar nesta tarefa essencial.

A imensa obra teórico-prática de Vladímir Ilich Uliánov é o melhor antídoto contra a deturpaçom, os muros de contençom e a fraudulenta claudicaçom revestida de marxismo, que carateriza o agir da “esquerdinha”, essa prolongaçom “progressista” do pensamento burguês.

Lenine representa o mais aperfeiçoado conteúdo rebelde e subversivo do fio condutor e motor da História dos explorados e opimidas.

Lenine Logrou fazer tangível o sonho que percorre, geraçom após geraçom, a história da humanidade: iniciar a construçom de um mundo novo sobre as cinzas do presente.

É insumo imprescindível para a luita contra o capitalismo, em prol da Revoluçom Socialista/Comunista.

Segue vivo em todas as luitas contra os que nos oprimem e dominam.

Diga o que diga a burguesia, digam o que digam os que claudicárom e desertárom das fileiras revolucionárias, optando por integrar-se no jogo parlamentar da ditadura burguesa,

Lenine emerge intermitentemente nos océanos das multidons, a sua fragáncia subversiva desliza-se com os ventos das greves, das rebelions e insurreiçons. Acompanha-nos invisível na maioiria dos casos. Noutros, com o orgulho, a raiva e a dignidade da consciência dos que nom se ajoelham nem se resignam.

Levamo-lo na nossa mochila de combate por umha Pátria Socialista.

BIOGRAFIA DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (Moura 1927 – Lisboa 2008). HERESIA REVOLUCIONÁRIA, MARXISMO GENUÍNO

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BIOGRAFIA DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES
Moura 1927 – Lisboa 2008

Divulgamos a biografia do revolucionário comunista português, editada em 2008 polo desaparecido centro social Henriqueta Outeiro.

HERESIA REVOLUCIONÁRIA, MARXISMO GENUÍNO

“O abc do comunismo é o ódio e desprezo polos poderosos. A necessidade de os combater. Sempre. Essa é a nossa arma secreta”

A biografia de Francisco Martins Rodrigues [FMR], é um exemplo admirável do integral combatente comunista que nunca, nem nas mais adversas condiçons, claudica nem capitula, defendendo sem concessons os princípios inquestionáveis da Revoluçom Socialista.
Nasceu em Moura, na regiom portuguesa do Alentejo, a 14 de Novembro de 1927. O seu pai foi oficial do exército, de onde foi expulso por ser oposicionista ao governo, e sua mae era filha de pequenos proprietários. Porém as dificuldades económicas de umha numerosa família de cinco irmaos provoca a mudança para Lisboa onde estuda até ao 6º ano do liceu, empregando-se primeiro numha livraria para posteriormente trabalhar como “aprendiz de mecánico”, na TAP.
Nesse mesmo ano de 1949 adere ao MUD Juvenil [Movimento de Unidade Democrática], tendo sido preso 3 meses por participar numha concentraçom contra a NATO, e posteriormente expulso da TAP. É libertado em 1951, arranja emprego num estabelecimento de venda de frigoríficos, mas passa depois a dedicar-se totalmente ao activismo e à militáncia política no MUD Juvenil, formando parte da direcçom. É de novo preso em Maio de 1952 por realizar graffitis políticos e distribuir panfletos contra a NATO. Depois de ser libertado condicionalmente em Novembro do mesmo ano volta a ser detido, por fazer “campanha contra a vinda a Lisboa do general Ridgway, o criminoso da guerra bacteriológica na Coreia”. Dadas as sucessivas prisons e o facto de viver com os pais, abandona a casa, passando a residir em diferentes moradas e sob nomes falsos.

REVOLUCIONÁRIO PROFISSIONAL
Em 1953, com vinte e seis anos, o “camarada Campos” passa definitivamente à clandestinidade, ingressando como funcionário do PCP, mas umha doença pulmonar provoca que passe praticamente todo 1954 num sanatório para o restabelecimento.
Em 1956 quando está “recuado” numha tipografia clandestina do partido em Lisboa editando o material teórico sobre o XX Congresso do PCUS, começa a questionar a viragem do PCP resultado da tese da “coexistência pacífica” soviética. A nova linha “cheirava a conversa social-democrata”, o que unido à saída nos jornais do relatório Kruchev [onde Estaline é acusado de crimes e atrocidades, bem como do culto da personalidade] provocava ainda mais dúvidas entre um Chico Martins que estava configurando, seguindo os ensinamentos da dialéctica materialista, critérios de opiniom, de análise e de pensamento próprio.
Em 1957 é preso de novo, por quarta vez, por denúncia de um infiltrado no partido, passando três meses de prisom. Na cadeia de Peniche, onde estuda e começa a confeccionar textos de análise e reflexom teórica, conhece vários dirigentes do partido, como Álvaro Cunhal, Francisco Miguel e Jaime Serra, tendo a oportunidade de debater com eles a “linha do partido”, que considerava se estava afastando do leninismo.

FUGA DE PENICHE
No dia 3 de Janeiro de 1960 participa na espectacular fuga da prisom de Peniche, -umha das mais duras prisons políticas de Portugal, umha fortaleza antiga, à beira do mar, a meio caminho entre Lisboa e Coimbra-, da que se evade junto a outros nove dirigentes do PCP: Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Pedro Soares, José Carlos, Guilherme da Costa Carvalho, Rogério de Carvalho e Carlos Costa.
A fuga converte-se num mito na luita contra o regime salazarista reforçando o prestígio do PCP como motor e principal força de combate ao fascismo.
De novo em liberdade é colocado numha tipografia clandestina em Carnide, nas redondezas de Lisboa, onde passa um ano sem pisar a rua. Em Maio de 1961 é incorporado ao Comité Local de Lisboa e torna-se membro suplente do Comité Central para passar a formar parte já em 1962 da Comissom Executiva com Blanqui Teixeira, na altura membro do Secretariado no interior, mais Alexandre Castanheira.
A repressom provoca importantes e numerosas quedas de militantes comunistas no final de 1961 polo que o trabalho desses três membros da Comissom Executiva do Comité Central envolvia todo o país, competendo a FMR a margem sul e arredores de Lisboa.

OPOSIÇOM RADICAL À GUERRA COLONIAL
Com o início da guerra colonial africana foi-lhe pedido “escrever um manifesto em nome do Comité Central”, mas o escrito nom chega a sair da tipografia pois o Álvaro Cunhal considerou-no “muito vermelhusco”, fora do “espírito do partido” e é censurado. FMR aplicando os princípios leninistas optava por promover a insurreiçom popular armada como melhor mecanismo de oposiçom à luita colonial. A mais eficaz forma de contribuir à causa da libertaçom dos povos oprimidos polo colonialismo portugês era derrubando o governo fascista.
Novamente som solicitados debates sobre a “linha do partido”, basicamente no referente à questom sobre a estratégia frente à guerra colonial, ou a posiçom sobre as críticas feitas pola China à URSS. Embora a clandestinidade e a repressom dificultava e limitava a discussom FMR questiona a linha política tomada, escreve várias cartas à direcçom solicitando debate, sem obter resposta. Na audiçom da rádio Pequim vai assistindo às críticas feitas à linha do PCF [de Thorez], do PCI e as divergências da linha chinesa face ao titismo.

RUPTURA COM O REFORMISMO
No verao de 1963 vai a Moscovo para participar numha reuniom do Comité Central do exterior, para levar e apresentar um relatório do Secretariado do interior com o que “discordava”, e para debater as suas “incompreensons” perante a linha do partido. Encontra-se com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel, mas as divergências mantêm-se ao fim de três dias de debate. A decisom que sai da reuniom estabelece que FMR ficaria como membro do CC no exterior, deixando a Comissom Executiva. Para acautelar possível actividade cisionista propugérom a FMR ser secretário de Álvaro Cunhal, mas perante a negativa de Cunhal ao que tinha acusado de oportunista, é enviado para Paris.

 

PROMOTOR DO MAOISMO PORTUGUÊS
Em Outubro de 1963 chega a Paris para integrar umha organizaçom do PCP. Em reunions partidárias assiste a debates criticando a linha seguida polo PCP contra a guerra colonial, a “passagem pacífica ao socialismo” ou a crítica feita à “revoluçom democrática e nacional”. O maoísmo começava também a ter eco na estrutura do PCP na capital francesa.
Inicia ligaçons com João Pulido Valente e Rui d’Espiney, exiliados na Argélia e em dissidência com o PCP. De seguida abandona o PCP e funda, em Janeiro de 1964, a FAP [Frente de Acção Popular]. Questons de estratégia em torno do aparecimento da FAP e as criticas levantadas sobre o facto de existir umha frente popular sem a direcçom política de um partido de vanguarda, provoca a fundaçom do CMLP [Comité Marxista Leninista Português], onde se procurava “reconstruir” ou “refundar” o PCP, enquanto motor dirigente da frente popular de massas contra o fascismo. O CMLP editou [1964-65] o jornal Revolução Popular.
Depois de visitar China no verao de 1964 e posteriormente a Albánia para conhecer de primeira mao os modelos “socialistas” alternativos a Moscovo, em 1965 entra clandestinamente em Portugal para reconstruir o partido comunista desde posiçons revolucionárias.
Nos primeiros dias de Dezembro de 1965 Francisco Martins Rodrigues e D’Espinay identificam no CMLP e na FAP ao infiltrado Mário Mateus, colaborador da polícia política, da PIDE, e “quando ficamos com a certeza que ele era mesmo provocador pago pola polícia, demos-lhe dous tiros”. Mateus, que trabalhava em ligaçom com o agente da PIDE de nome Cleto, lograra dar à polícia secreta pistas para a prisom de Pulido Valente.
A FAP reivindicou esta acçom que tivo enorme repercussom na esquerda portuguesa.
Com 38 anos FMR é cercado e detido pola PIDE em Janeiro de 1966. Nas instalaçons policiais sofre malheiras e aplicam-lhe a tortura do sono, sofrendo duas sessons consecutivas de sete dias sem poder dormir até atingir o delírio e perder a consciência. Neste estado naturalmente decifrou nomes que estavam escritos num papel que nom tinha logrado destruir durante a sua captura. Este facto provocará que durante muitos anos decline fazer parte da direcçom política da esquerda revolucionária portuguesa. “É umha ferida muito grande. Isso colocou-me numha situaçom que influenciou toda a minha posiçom no PCR, influenciou toda a minha demora em fazer a ruptura. Todo o percurso que figem estivo vinculado a isso”.
Posteriormente num juízo farsa é condenado em pena cumulativa (política e penal) de 20 anos de prisom junto aos 12 de Pulido Valente e aos 15 de Rui d’Espiney.

O ÚLTIMO PRESO POLÍTICO DO 25 DE ABRIL
Spínola finalmente cede e a liberdade definitiva chega às 20h45 do 27 de Abril de 1974 para os três últimos presos políticos da Cadeia do Forte de Peniche. Os do PCP há dias que tinham sido libertados. A essa hora, o major Azevedo, mandatário da Junta de Salvação Nacional, comunicou a Francisco Martins Rodrigues, Rui Pires de Carvalho d’Espinay e Filipe Viegas Aleixo que podiam abandonar livremente a casa dos advogados onde tinha sido fixada a residência após o 25 de Abril.
Já em liberdade participa no grande movimento de massas gerado pola queda do fascismo após ter passado 20 anos na clandestinidade, 12 dos quais nas masmorras salazaristas.

A RECONSTRUÇOM DO PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO
Logo ao 1º de Maio de 1974 passa a integrar-se num dos grupos da fragmentada constelaçom maoísta que se auto-qualificava como marxista-leninista, no CARP (M-L), jogando um papel destacado no processo de confluência, primeiro como ORPC (Organizaçom para a Reconstruçom do Partido Comunista), que posteriormente dinamiza a criaçom da UDP em Dezembro de 74, a única organizaçom à esquerda do PCP que atinge representaçom parlamentar e conta com um importante apoio entre o proletariado fabril.
Após o contragolpe reaccionário do 25 de Novembro de 1975, com o qual finaliza a crise revolucionária de Abril, o PREC (Processo Revolucionário em Curso), é constituído o PCR (Partido Comunista Reconstruído) no qual passa a formar parte da sua direcçom.
FMR, consagrado já como um dos mais destacados teóricos da esquerda revolucionária portuguesa, caracteriza o 25 de Abril como umha “crise revolucionária”. Destaca como as principais causas da sua derrota a fraqueza estrutural das organizaçons revolucionárias, o subdesenvolvimento teórico e político da corrente M-L, mas especialmente o reformismo do PCP, que nom quijo aprofundar na via socialista procurando unicamente umha transformaçom a fundo do capitalismo português para situar Portugal entre as democracias ocidentais, como conseqüência da estratégia do levantamento nacional, da “unidade dos portugueses honrados”.
Numha entrevista realizada em Agosto de 2004 o Chico Martins afirmava que “a linha de Cunhal assentava num erro clamoroso que era ele convencer-se que a democracia burguesa feita com a ajuda de um forte PC teria que ser umha democracia burguesa progressista, de esquerda, que deixaria um grande lugar ao PC. Acreditava que o PC ia ser reconhecido e ter umha grande participaçom no governo. Verificou-se que isso era um sonho, umha completa utopia, porque a burguesia estava assustada com o processo revolucionário. A burguesia portuguesa é conservadora ao máximo, estava habituada a cinqüenta anos de tranquilidade, de segurança, ficou apavorada com o processo”.

Em 1983 rompe com a UDP-PCR constituindo o Colectivo Comunista Política Operária que passa a editar a revista Política Operária da qual foi director até o seu falecimento em 22 de Abril em Lisboa.
Embora a Revolução Popular sentasse as bases para a formaçom de umha nova corrente questionando a linha estratégica do PCP de aliança com a burguesia liberal, depois nom continuou nessa linha, sendo a causa que posteriormente, no 25 de Abril, nom existisse umha corrente com firmeza ideológica e força suficiente para poder intervir no processo revolucionário. “Sobretodo nas questons relativas à Uniom Soviética a gente nom fijo a ruptura”. O Chico reflectia sobre a deriva reformista da UDP-PCR afirmando que “em relaçom ao que é o socialismo, compreender o fenómeno da Uniom Soviética, ser capaz de apoiar a Revoluçom Russa a cem por cento, mas reconhecer que a Uniom Soviética nom era socialista, nom era possível. Aqui a UDP e o PCR formárom-se completamente com essa herança, “o grande camarada Estaline”. Isso nom é todo, mas acho que isso foi fundamental. Toda a ideia do partido, como funciona o partido, a disciplina interna, a paranóia das fracçons. Havia um ambiente muito fechado no PCR porque nom se discutiu se o partido do tempo de Estaline era o mesmo do tempo de Lenine, se a vida do partido era igual. Só depois é que a gente quando saiu do PCR começou a discutir isso.
Os grupos M-L vinham numha crítica de esquerda ao PC por cousas que eram evidentes, mas nom se pode dizer que tivessem toda umha estrutura ideológica, ter base para fazer um programa comunista completamente renovado, autónomo”.

DESTACADO LEGADO TEÓRICO DA POLÍTICA OPERÁRIA
Praticamente até semanas antes do seu falecimento, durante as últimas três décadas, boa parte da sua reflexom teórica estivo centrada na necessidade de construir umha corrente operária comunista caracterizada por umha demarcaçom clara entre a linha proletária e a linha pequeno-burguesa. No ensaio Anti Dimitrov 1935-1985 meio século de derrotas da revoluçom, publicado em Março de 1985, realiza um demoledor balanço do relatório do Jorge Dimitrov ao 7º Congresso da Internacional Comunista que defendia a unidade de todas as forças operárias, populares e democráticas sob umha mesma estratégia, convertendo o proletariado numha simples força de reserva da burguesia liberal, contrariamente ao defendido por Lenine.
Para FMR substituir a luita de classes pola colaboraçom de classes, defender a unidade em torno das reivindicaçons limitadas da pequena burguesia, comuns a todo o povo, leva automaticamente a “sacrificar as reivindicaçons revolucionárias da classe operária” pois solicitando “muito ao proletariado, muito esforço, muito sacrifício, muita organizaçom, mas todo sem passar os limites daquilo que o programa liberal considerava aceitável. Todo o que no proletariado tendesse a ultrapassar esse limite e em falar em seu nome próprio e dos seus interesses próprios a longo prazo era chamado “sectarismo”, “obreirismo”, que só prejudicava a unidade. Portanto, criárom-se geraçons de operários muito luitadores, muito combativos, com um espírito de sacrifício tremendo, e que politicamente eles nem sabiam que a linha política que defendiam era contrária ao interesse a longo prazo da sua classe”.

“O sistema capitalista nom vai evoluir, nem vai desaparecer por si, nem vai entregar o poder, a única perspectiva que existe é o seu derrubamento pola força”

A sua lucidez e aplicaçom dialéctica e criativa do materialismo histórico, mas também a coragem de militante comunista, nom só o levou a se afastar ao longo da sua dilatada trajectória militante das derivas reformistas, mas a prognosticar a capitulaçom e o fracasso das terceiras vias. Assim considerava que para ter a sua identidade própria o proletariado “tem que se demarcar dos outros, e dos mais próximos é que é preciso se demarcar, como dizia o Lenine, que som aqueles com os que a gente se confunde. A gente nom se confunde com os banqueiros, a gente confunde-se com a pequena burguesia que está ao nosso lado. Temos que fazer essa demarcaçom. A nossa política nom pode ser a deles. Tem que ser diferente, mesmo que eles nom gostem”.
O FMR sempre mantivo umha enorme flexibilidade táctica, umha grande permeabilidade discursiva inserida na inquestionável defesa dos princípios estratégicos cuja ausência provocou tantos aggiornamentos e capitulaçons. “Claro que a participaçom nas eleiçons pode ser necessária, mas numha condiçom: termos a certeza de que vamos utilizar as instituiçons burguesas e nom deixar-nos utilizar por elas”.

“Nom temos inimigos entre os que se batem contra o capitalismo e o imperialismo. A esses desejamos êxitos, venham de onde vinherem. Porque os seus êxitos som também os nossos êxitos”

UMHA OBRA A RESGATAR E DIFUNDIR
O Chico Martins nunca renunciou ao objectivo de reconstruir o partido comunista revolucionário, porém considerava que nom se podia reproduzir seguindo velhas receitas, utilizando mimeticamente modelos adulterados. “Tenho recusa absoluta em criar umha organizaçom nos moldes antigos, que acho que alguns camaradas espontaneamente tendem a fazer. Moldes antigos de vida interna e de pôr de lado o aprofundamento das questons políticas que nos trouxérom até aqui”. O trabalho paciente e constante define a sua dilatada trajectória militante: “nom nos deve impressionar a acusaçom de “sectarismo” que os reformistas nos lançam, nem a impaciência dos militantes que nom se resignam a um trabalho apagado e querem resultados palpáveis em pouco tempo”.
Polemista infatigável, com umha curiosidade intelectual insaciável, sempre estivo à frente das luitas pola defesa dos interesses da classe operária, contra o neoliberalismo, a guerra e o imperialismo, contra o racismo e a xenofobia, a favor dos direitos das mulheres, da juventude e da classe trabalhadora imigrante, procurando a necessária confluência.

Com umha boa parte dos seus trabalhos ainda inéditos tem publicado diversos ensaios políticos, entre os que destacamos “Anti Dimitrov. 1935-1985 meio século de derrotas da revolução” (1985); “O futuro era agora. O movimento popular do 25 de Abril” (1994); “Abril traído” (1999).
Francisco Martins Rodrigues é um dos mais qualificados protagonistas e teóricos do movimento revolucionário português. Iconoclasta e herege com dogmas e fetiches, sempre na procura do caminho certo, adequando e incorporando ao método de análise marxista os fenómenos e mudanças do presente, representa o melhor do marxismo criador, é umha das expressons mais elaboradas da acçom teórico-prática do movimento operário do país irmao.
Praticamente até semanas antes do seu falecimento boa parte da sua importante reflexom teórica, durante as últimas três décadas, estivo centrada na necessidade de construir umha corrente operária comunista caracterizada por umha demarcaçom clara entre a linha proletária e a linha pequeno-burguesa. Mas as suas análises e reflexons teóricas som muito mais amplas abordando o fracasso do 25 de Abril, a história e actualidade do movimento revolucionário em Portugal, o profundo dano causado polo estalinismo e o modelo burocrático soviético ao projecto revolucionário comunista.
A necessidade de incorporar as diversas cores da rebeldia à luita pola hegemonia socialista som um exemplo a seguir pola esquerda independentista galega.

“O trabalho comunista entre as massas requer muito esforço e brilha pouco”

AMIGO DA CAUSA NACIONAL GALEGA
Autor de dúzias de artigos de opiniom, parte deles recolhidos no livro “O comunismo que aí vem” (2004), foi sem lugar a dúvidas um dos grandes amigos da esquerda independentista galega em Portugal, o nosso embaixador em Lisboa, defendendo sem ambigüidades o direito de autodeterminaçom da Galiza. Desde inícios de século o Francisco Martins Rodrigues estabelece profundas relaçons de camaradagem e amizade com a Galiza combatente, colaborando assiduamente com o MLNG.
Participa nas jornadas patrióticas do 25 de Julho de NÓS-UP e nas iniciativas unitárias, discursando sempre a favor do direito à independência nacional da Galiza; publicando as suas lúcidas análises no jornal comunista Abrente, e assistindo como conferencista nas VI, VIII e X ediçom das Jornadas Independentistas Galegas organizadas por Primeira Linha em 2002, 2004 e 2006.
O Chico preocupou-se por divulgar entre a esquerda portuguesa a luita pola independência nacional da Galiza, sendo um firme defensor do direito de autodeterminaçom das naçons peninsulares, convertendo-se num grande amigo da causa galega, aplicando mais umha vez os ensinamentos de Lenine quem dedicou grandes esforços teóricos nos últimos anos da sua vida a reflectir sobre a necessidade de o proletariado se implicar a fundo na luita nacional.

“Podemos ainda ser poucos e fracos. Mas as tempestades que aí venhem vam obrigar-nos a ser muitos e muitas. O partido que dizem que já passou de moda -nom o partido-empresa, nom o partido-administraçom, nom o partido-negócio, mas o partido das e dos revolucionários, esse há de voltar. Porque é preciso acabar com o pesadelo e começarmos a viver como seres humanos”

A CONFERÊNCIA INTERNACIONAL NO 1º DE MAIO

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A CONFERÊNCIA INTERNACIONAL NO 1º DE MAIO
Em vista da situaçom excecional que estamos vivindo fruto da pandemia do Covid-19, desde a Conferência Internacional -que agrupa as forças políticas Agora Galiza-Unidade Popular, Herritar Batasuna e Nación Andaluza entendemos que este 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Obreira, nom pode passar desapercibido a pesar das dificuldades para a mobilizaçom que teremos este ano.

Por isso apelamos a engalanar todas as varandas dos fogares trabalhadores das nossas respetivas naçons- Andaluzia, País Basco e Galiza- com a

bandeira vermelha, assim como fazer soar a Internacional justo o meiodia.

Desde a

Insurgencia Global Proletari. Revista teórica Conferencia Internacional queremos reivindicar assim este dia fundamental na história da classe obreira e o papel protagónico do proletariado para o funcionamento da sociedade, agora mais evidente que nunca. E basicamente o seu rol dirigente para organizar a Revoluçom Socialista.

Viva o 1º de Maio!
Viva o internacionalismo proletário!

Comunicado nº 137: Governo espanhol “progre” incrementa controlo social e repressom

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Governo espanhol “progre” incrementa controlo social e repressom

A oligarquia aproveita a pandemia mundial do coronavírus para estabelecer medidas visadas para endurecer mais a exploraçom, a dominaçom, aumentar o controlo e a obediência social do conjunto da populaçom.

Na Galiza a crise do coronavírus desmascara as grandes desigualdades existentes entre classe. As carências, negligência, improvisaçom, inéficacia e erratismo do Governo de Madrid e da Junta de Galiza para fazer frente à pandemia, e a supeditaçom às diretrizes da oligarquia, só agravam as consequêncais da divisom classista, a fenda entre ricos e pobres.

Estas semanas de confinamento obrigatório, estám sendo acompanhadas pola aprovaçom de umha série de medidas decretadas polo governo de coaligaçom PSOE-Unidas Podemos, medidas que principalmente beneficiam a oligarquia. A agilizaçom dos ERTES promovidos polo patronato, os despedimentos, feches de empresas e a falta de medidas de proteçom sociais e econômicas de longo alcance, só contribuem para agravar mais a situaçom da classe trabalhadora.

Sob o pretexto de combate à pandemia, a brutal ofensiva da oligarquía contra o proletariado e o conjunto do povo trabalhador continua. O incremento progressivo da intoxicaçom mediática, de cortes nas liberdades e direitos, o lavado de imagem das forças repressivas, as arengas fascistas dos militares nos meios de des-informaçom, o aumento do controlo social e da repressom policial, som algumhas das medidas visadas para preparar o terreno para a crise socio- económica em curso.

Este novo cenário, consequência da alerta sanitária, junto com os problemas já existentes, despedimentos, despejos, extrema-pobreza e desemprego, privatizaçons e deterioramento dos serviços públicos promovidos polo PP e PSOE, brutal exploraçom, submissom dos diferentes governos perante o patronato e o IBEX 35, terrorismo machista, o conflito na Catalunha ou os continuos escándalos da corruta monarquia postfranquista, podem converter-se em caldo de cultivo para novas luitas obreiras, nacionais e populares.

Eis polo que o Estado espanhol recorre aos novos “Pactos da Moncloa” promovidos polos partidos burgueses e as élites empresariais, como saída para evitar luitas, controlar a populaçom e salvaguardar os privilêgios do grande capital.

Mas também está a armar-se até os dentes, por se é necessário exercer a repressom contra todos aqueles setores mais conscienciados e organizados da nossa classe.

Neste últimos dias o governo espanhol em vez de fortalecer os serviços públicos e assim fazer mais efectiva a luita contra a pandemia, anuncia que vam a empregar maiores recursos e investimento para reforçar ainda mais o aparelho repressivo.

Prova disto é o enorme e desproporcionado dispositivo policial e militar despregado nestes dias sob a justificaçom de garantir a segurança da populaçom durante o confinamento. Som cada vez mais numerosas as denúncias populares perante as atitudes injustificadas, intimidaçons, agressons e violência das forças repressivas.

O Ministério do Interior dirigido polo ex-juiz da “Audiência Nacional” Fernando Grande-Marlaska, condenado seis vezes polo Tribunal de Estrasburgo por nom investigar torturas, anunciou perante a reclamaçom dos corpos policiais, a intençom de dotar a Policía Nacional e a Guarda Civil com 1.200 pistolas elétricas, um carregamento que nom é precisamente para combater o vírus.

Além do reforçamento do aparelho policial, o Estado também incrementa o controlo das massas com medidas como a geolocalizaçom de dispositivos, anunciada há umhas semanas pola Vicepresidenta Nadia Calviño, um passo mais face à deriva autoritária.

O ministro Grande-Marlaska também assegurou que o Governo nom descarta a implementaçom da geolocalizaçom com fins policiais, para controlar os deslocamentos e manter-se alerta perante “possíveis aglomeraçons ou situaçons de tensom”.

Todas estas medidas implementadas nom vam ser de caráter temporârio. A oligarquia é consciente de que esta nova crise socio-económica que, somada à crise institucional e política que o regime do 78 leva anos arrastando, pode agir como mecanismo de reativaçom das luitas e protestos das camadas populares nas ruas.

Eis polo que incidem no aumento da repressom, necessária para implementar futuras medidas visadas para salvaguardar os seus privilêgios, em base a exploraçom, apropiaçom de mais-valia e depauperaçom da imensa maioria da populaçom.

A esquerda revolucionária galega apela ao povo trabalhador galego a nom deixar-se intimidar, a estar alerta perante este novo cenário.

Após o confinamento devemos exigir responsabilidades pola falta de medidas eficaces, polo elevado número de mortos. Temos que defender os postos de trabalho, os direitos e liberdades, uns serviços públicos de qualidade e combater com firmeza o fascismo e a deriva reacionária.

Organizemos-nos e luitemos, denunciemos e exijamos o restabelecimento dos nossos direitos e liberdades restringidos. Após a superaçom do estado de alarma chega a hora de luitar sem trégua contra os inimigos da nossa classe, do nosso povo e da nossa naçom.

A luita é o único camino!

Só o povo trabalhador salva o povo trabalhador!

Por umha saída operária e popular, patriótica e socialista!

Na Pátria, 16 de abril de 2020

 

SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

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SUSPENSOM DO CURSO JÁ!

Anjo Formoso Varela*

Este curso nom pode voltar à normalidade. A crise da Covid-19 frustrou o fim do curso universitário e deixa à luz as eivas e grandes carências do ensino público no quadro do capitalismo e a dependência nacional.

Um ensino público, intrinsicamente classista, cada vez mais elitista e individualista, que sofre cortes permanentes por parte dos governos autonómico e estatal. Esta agrava-se com a vontade por parte da Junta da Galiza de abrir a Universidade Abanca, impulsionada com dinheiro público.

Perante esta situaçom de emergência, o estudantado operário e popular nom pode resignar-se, devemos passar à iniciativa para defender com firmeza os nossos interesses.

Ao princípio do curso, pagamos umha matrícula por aulas presenciais que nom estamos a receber. Pagamos por um serviço inexistente, polo que pedimos a devoluçom do dinheiro da matrícula do segundo semestre já!

No seu defeito, começamos com a docência telemática. Isto está amossando a inexistência dumha plataforma virtual funcional e operativa, inacessível para umha parte destacável do estudantado de extraçom operária e popular. Nom todo o mundo tem acesso a internet, nem vivendas, nem condiçons familiares, nem meios para continuar com a docência virtual.

A USC vem de aprovar o cofinanciamento do internet sem sobrepassar a cifra de 40 euros. A dia de hoje, um mês após a suspensom das aulas presenciais, seguimos sem ver esse dinheiro. Para o estudantado mais precário, esta situaçom é vergonhenta! Mas, a pesar disto, a carga de trabalho aumentou considerávelmente.

Muitos professorado continua a exigir que elaboremos trabalhos porque dizem que é a melhor maneira de seguir com a docência. Muitos nom facilitam bibliografia, e mesmo alguns com absoluto descaro nem as suas obras, chegando a afirmar que as compremos porque nom som tam caras.

Esta situaçom é insustentável! Muitos de nós temos que estar pendentes dos nossos familiares ou coidando de nós mesmos. Por isso, solicitamos a suspensom imediata de toda atividade docente. É umha situaçom extraordinária para todo o mundo, nom estamos de férias! Nom pode aumentar a carga de trabalho!

A fenda de classe é um condicionante indiscutível, embora desconsiderado polos reitores e a Conselharia de Educaçom. O estudantado de classe trabalhadora acha-se numha circunstáncia mui delicada. Muitos de nós, por medo a contagiar os nossos familiares, ficamos nos “pisos” de estudantes. Apartamentos pequenos e precários. Ainda assim, estamos pendentes em todo momento da situaçom económica familiar, dos ERTES, dos despedimentos, do futuro laboral e das condiçons materiais da nossa família, sob a ansiedade do que vai passar …

Como se nos pode exigir que estejamos pendentes do Câmpus Virtual? Como podemos continuar como se nada passasse? O capitalismo furta-nos da nossa condiçom humana, assim nom se pode estudar. Nom somos máquinas! Na situaçom de anormalidade que nos achamos, nom deveria supor-se que o rendimento do alunado seja o mesmo. Isto vai ter um reflexo direto nas nossas qualificaçons, nas bolsas e nas ajudas, indispensáveis para que o estudantado de classe trabalhadora viva e estude.

Muitos de nós, vamos ter que deixar de estudar o ano que vem ao nom poder pagar a matrícula. Por isso, achamos que a única alternativa e soluçom real para o alunado é a liquidaçom das matérias e a suspensom imediata de toda atividade docente. Fim do curso já!

Mais um problema que padecemos, é a incompetência e a negligência dos três reitores galegos, os senhores Julio Abalde Alonso, Antonio López Díaz e Manuel Joaquín Reigosa Roger. Parece que nom se dam conta de que estam jogando com o nosso futuro.

Estamos a meados de abril, a um mês de começar os exames finais e nom sabemos qual vai ser o método de avaliaçom. O passado 6 de abril, os reitores reunirom-se com vistas a estabelecer um método de avaliaçom. Na reuniom nom se decidiu nada, convocando um outro encontro marcado para duas semanas antes dos exames, visada para manter o calendário de exames. Algum deles, conta com fazer exames presenciais em junho.

Assim, além de porem em risco a nossa saúde e a dos nossos familiares, amplia o calendário escolar, impossibilitando a opçom de trabalhar no verao para pagar os estudos. Nom contemplam o que a maioria do estudantado reclama, a liquidaçom das matérias. Passe o que passe, nom esqueceremos!

É o nosso futuro e estám a jogar com ele!

Achamos que a melhor alternativa para todo o alunado é dar por finalizado o presente curso. Esta iniciativa é secundada por um amplo número de estudantes dos câmpus de todas as universidades galegas e organizaçons, tanto a nível galego como no resto do Estado. Ainda que muitas iniciativas chegam tarde e o movimento estudantil galego estivo adormecido este ano, o estudantado da esquerda revolucionária galega apelamos a secundar a greve estudantil convocada a partir de amanhá pola ANEGA nas três universidades da Galiza. Umha greve que deve ser de carácter indefinida até dobregarmos os reitores e a Conselharia de Educaçom.

A trajetória do nosso movimento, tal como nos indica a história do movimento obreiro, tem constatado que as conquistas e direitos só se atingem luitando.

Galiza, 15 de abril de 2020

*Anjo Formoso Varela é estudante de Filologia Galega na USC, membro de Estudantes Antifascistas e fai parte da Direçom Nacional de Agora Galiza-Unidade Popular

 

Comunicado nº 136: SEM GARANTIAS QUE ASSEGUREM A NOSSA SAÚDE NOM DEVEMOS ACUDIR AOS POSTOS DE TRABALHO

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SEM GARANTIAS QUE ASSEGUREM A NOSSA SAÚDE NOM DEVEMOS ACUDIR AOS POSTOS DE TRABALHO

A decisom adotada polo governo “progre” de Pedro Sánchez e Pablo Iglesias decretando que amanhá, segunda-feira 13 de abril, se reanude a atividade nas empresas de bens e serviços nom essenciais, é umha irerresponsabilidade.

Voltar o cenário prévio ao 30 de março, é mais um despropósito da errónea gestom da crise sanitária e socioeconómica, caraterizada pola improvisaçom e decisons erráticas.

Seguindo os critérios do grande Capital, PSOE-Unidas Podemos anteponhem os interesses económicos do patronato e da burguesia à saúde da classe trabalhadora.

Os termos do “Real Decreto 487/2020, de 10 de abril”, respondem exclusiva e claramente aos desejos da CEOE. Prevale a lógica depredadora do lucro sobre os critérios científicos dos expertos no combate à pandemia.

Se as crianças levam mais de um mês confinadas nas suas casas, se nom é possível passear nem deslocar-se para visitar familiares e amizades, como é possível obrigar o proletariado da construçom ou de toda a indústria nom vinculada à produçom de materiais sanitários e alimentares, a ter que incorporar-se aos seus postos de trabalho sem assegurar previamente a saúde?

Nom se sostem esta decisom, que poderá provocar um rebrote dos contágios, o colapso de um sistema sanitário que após 5 semanas de crise segue sem meios suficientes e à beira do colapso. Podemos definir o “Real Decreto 487/2020, de 10 de abril” como o decreto que provocará mais mortes entre a nossa classe.

Com esta medida os partidos do Ibex 35, tanto os que ocupam a Moncloa como a oposiçom fascista, estám enviando ao matadeiro dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores galegos.

Que o próprio Governo publique umha “Guia de boas práticas nos centros de trabalho”, visadas para a prevençom dos contágios do coronavírus, estabelecendo pautas organizativas às empresas [planificaçom das entradas e saídas, distâncias de segurança de 2 metros, aprovisionamento de material de proteçom (mascarilhas e luvas), ventilaçom e desinfeçom das instalaçons], recomendaçons à classe trabalhadora afectada, medidas higiénicas, gestom de resíduos, etc, constata que nom existem nestes momentos condiçons objetivas para reanudar a atividade e produçom nas empresas de bens e serviços nom essenciais.

O Capital e a casta política assalariada que gere como bons capatazes a sua dominaçom e exploraçom, aproveita esta pandemia, nom só para condenar-nos à depauperaçom, conculcar os nossos direitos e tímidas liberdades que “desfrutávamos”. Agora sem o mais mínimo pudor manifestam que nom lhe importa o mais mínimo a nossa saúde. Só lhes importa o lucro empresarial. Eis a lógica do capitalismo.

O governo espanhol segue sem adotar as medidas básicas para assegurar a saúde do povo trabalhador, para garantir as necessidades vitais dos assalariados e trabalhadores autónomos nos vindouros meses.

Lamentamos que os sindicatos chamados de classe nom apelem à greve geral na construçom e na indústria nom essencial, para garantir e preservar assim a vida de milhares de operários, e portanto a saúde da imensa maioria do povo trabalhador galego.

Para reincorporar-se aos postos de trabalho, é condiçom indispensável contar com as medidas de proteçom e contróis epidemiológicos que assegurem a nossa saúde. Sabemos que na imensa maioria das empresas nom é possível. Nom podemos resignar-nos, nem deixar-nos intimidar. Som horas de preparar-se para os grandes combates que se divisam no horizonte.

Agora Galiza-Unidade Popular apela à classe operária afectada a nom acudir ao seu posto de trabalho, acolhendo-se a um direito fundamental como a defesa da vida frente os que nos condenam a perecer porque só lhes importa a acumulaçom ilimitada de Capital a qualquer preço.

A luita é o único caminho!
Só a classe obreira salva à classe obreira!
Por umha saída operária e popular, patriótica e socialista!
Venceremos!

Na Pátria, 12 de abril de 2020

Comunicado nº 135. INCAUTAÇOM E NACIONALIZAÇOM DAS RESIDÊNCIAS PRIVADAS!

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Incautaçom e nacionalizaçom das residências privadas!

A crise sanitária do coronavírus destapa as péssimas condiçons e precariedade dos centros da terceira idade, sendo o principal foco de contágio na Galiza. Umha grave situaçom que já acontecia antes de que se decretasse o estado de alarma sanitária.

A falta de medidas e material de prevençom para fazer frente ao coronavírus, somado às lamentáveis condiçons já existentes, estám convertendo as residências, principalmente as de titularidade privada, em autênticos centros de extermínio.

A Junta da Galiza entregou a atençom das pessoas maiores às empresas privadas, destacando DomusVi e San Rosendo, esta última vinculada à Igreja Católica. No mês de abril do ano passado, dispunha de 21.179 vagas nos centros de maiores, 77,2% de gestom privada e 22,8% de gestom pública. A percentagem tam baixa situa a Galiza nos últimos postos do ranquing de atençom à terceira idade a escala estalal, e por baixo das recomedaçons da OMS, tanto no referido à prestaçom de serviços de caráter público, como em cifras totais. A Organizaçom Mundial da Saúde recomenda 5 vagas por cada 100 pessoas maiores de 65 anos. Atualmente na Galiza é de 3.1, das que tam só um terço som de gestom pública.

Nestes últimos anos, associaçons de familiares de residentes, organizaçons sindicais e forças políticas apresentárom denúncias e queijas perante a Conselharia de Política Social sobre a situaçom das residências, sem que nengumha fosse aceitada.

No mês de novembro de 2019, a conselheira Fabiola García comparecia no Parlamento defendendo o atual modelo assistencial de atençom à terceira idade, negando críticas, falta de meios materiais, aglomeraçons, precariedade laboral e recursos humanos nos centros.

No hegemónico setor privado, a cumplicidade da Junta com o patronato das residências é mais que evidente. O nível de cumplicidade do PP com os que concebem os cuidados dos maiores como simples mercadoria para obter lucro, chega até o ponto de que o patronato é advertido com anterioridade da visita das inspeçons para evitar sançons.

A taxa de benefícios empresariais junto com as ajudas e tarifas pagadas polos usuários, é mui elevada. Em Vigo os preços rodam entre os 1.950 e os 2.312 € em residências como a DomusVi-O Barreiro ou os 2.387 e os 4.358 € na de Sanitas. Som residências nas que nom se podem acolher pessoas procedentes das camadas populares.

Esta situaçom agrava-se pola pandemia do coronavírus. Hoje som mais de 110 o número de falecidos nas residências segundo os maquilhados dados oficiais.

A Junta olha cara outro lado perante as denúncias e tenta encobrir a sua responsabilidade e a do patronato na gestom da crise do coronavírus.

Paradigmático desta criminosa negligência é o caso da residência Domus-Vi, intervida recentemente pola Junta. Numha denúncia dos trabalhadores recolhe-se que os maiores saos partilham quarto com os enfermos, que faltam Equipas de Proteçom Individual (EPIs) ou medidas de segurança para evitar novos contágios.

As lamentáveis condiçons e gravíssimas irregularidades dalguns centros é tal, que a Junta perante esta situaçom nom tem mais remédio que fechá-los. Eis o caso de A Fonsagrada [comarca de Burom], após comprovar-se que 29 ancians tinham síntomas de maltrato.

As associaçons de familiares de maiores residentes também denunciam a falta de transparência e informaçom no tratamento do COVID-19 nas residências. Asseguram que podem chegar a transcorrer vários dias sem conhecer a situaçom dos residentes, nem contatar os seus familiares. Sostenhem que os dados publicados pola Conselharia de Política Social nom som exatos.

A Conselharía de Sanidade publica um informe diário com o cómputo de pessoas contagiadas, hospitalizadas ou em cofinamento, dos falecimentos ou dos ingressos nas UCIs. Enquanto a de Política Social fai o próprio respeito ao número de contagiados nas residências de maiores ou pessoas dependentes.

Isto provoca desajustes en fatores como a mortalidade, enquanto o Sergas só soma no seu informe diário os falecimentos nos hospitais,sem contar com os centros de maiores.

Perante esta grave situaçom, Agora Galiza- Unidade Popular exige que todos os responsáveis desta devastadora catástrofe humanitária entre os setores mais vulneráveis, o patronato e o governo da Junta, a conselheira Fabiola García e o presidente Feijóo, sejam julgados por presunta conduta criminal e vulneraçom dos direitos humanos.

Também exigimos o fortalecimento dos serviços públicos e a imediata nacionalizaçom dos centros sanitários e sociosanitários (residências de maiores, pessoas dependentes ou menores) e dotaçom ao pessoal sanitário e trabalhadores dos centros dos EPIs e material necessário para realizar as tarefas de desinfeçom e atençom.

A saúde da maioría da populaçom nom pode converter-se num negócio para a burguesia!

Na Pátria 11 de abril de 2020

MEDIDAS TÁTICAS DE CHOQUE CONTRA A CRISE CAPITALISTA DO CORONAVÍRUS. SÓ O POVO TRABALHADOR SALVA O POVO TRABALHADOR!

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MEDIDAS TÁTICAS DE CHOQUE CONTRA A CRISE CAPITALISTA DO CORONAVÍRUS

1. Blindagem da Galiza por terra, mar e ar, paralisando integramente as comunicaçons com o exterior, e impondo o feche de toda a indústria e setores produtivossem relevância estratégica para combater a pandêmia.

2. Proibiçom dos despedimentos, da reduçom salarial e do aumento da jornada laboral.

3. Controlo estrito dos setores ativos e clausura dos centros que incumpram a normativa de prevençom, segurança, higiene e saúde laboral.

4. Incautaçom dos laboratórios privados e nacionalizaçom do sistema sanitário e das residências privadas, para fazer frente à grave crise sanitária e garantir a saúde dos setores mais vulneráveis do povo trabalhador.

5. Nacionalizaçom de setores estratégicos da economia: companhias elétricas, água, gâs, transportes, telecomunicaçons, indústria farmaceútica, AP 9.

6. Fortalecimento dos serviços públicos. Dotar o pessoal sanitário, de limpeza, bombeiros e proteçom civil com os meios, EPIs e material necessário, para realizar tarefas de desinfeçom, acondicionamento e atençom dos enfermos.

7. Imposto progressivo aos benefícios empresariais. Incremento impositivo à burguesia com ingressos superiores a 50.000 euros ao ano.

8. Salário universal para garantir as necessidades básicas dos trabalhadores assalariados e trabalhadores autonómos que perdérom o seu posto de trabalho.

9. Proibiçom de ERTE nas empresas de mais de 10 empregados.

10. Cancelaçom do pagamento das hipotecas e alugueres durante a crise sanitária aos trabalhadores e trabalhadoras com problemas económicos.

11.Combate o acaparamento e especulaçom. Proibiçom do incremento dos preços dos alimentos, medicamentos, material sanitário, luz, água, gâs e combustíveis.

12. Exigir às entidades financieiras a devoluçom dos 65.000 milhóns de euros do rescate bancário.

13. Garantir proteçom e alojamento às mulheres que sofrem violência machista.

14. Retirada imediata do exército espanhol das nossas ruas e a sua reclusom nos quartéis e denúncia sem dos trégua abusos policiais.

15. Solicitar ajuda sanitária aos países com maior experiência na luita contra o coronavírus, con destaque para Cuba e China.

SÓ O POVO TRABALHADOR SALVA O POVO TRABALHADOR!