Comunicado nº 54: Tod@s somos Cassandra!

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Tod@s somos Cassandra!

A condena a um ano de prisom e sete de inabilitaçom a umha jovem por “humilhaçom às vítimas do terrorismo” exprime o caráter fascistizante do atual regime espanhol.

Cassandra Vera publicou umha série de tuits sobre a execuçom do almirante Luís Carrero Blanco, presidente do governo franquista em 1973, considerados um delito polo tribunal de exceçom espanhol continuador do Tribunal de Ordem Pública [TOP], a “Audiência Nacional”.

Durante décadas a criatividade popular adatou músicas e letras mui conhecidas para apluadir a execuçom do continuador natural de Franco.

Mas agora a involuçom fascistizante em curso do regime postfranquista e a carência dumha oposiçom de massas de orientaçom revolucionária, permite que o poder judicial espanhol em conivência com os interesses do bloco oligárquico, condene à prisom o exercício da liberdade de expressom.

A “justiça” espanhola possui um indiscutível caráter de classe, é umha justiça” benévola com os que realizam apologia do fascismo, da xenofobia e o machismo, permissiva com os que saqueiam as arcas públicas, evadem fortunas nom tributando, benigna com a monarquia, magnates, banqueiros, oligarcas e com os políticos bandidos.

É umha “justiça” ao serviço do Estado imperialista visando atingir por todos os meios possíveis a plena assimilaçom da Galiza e do resto das naçons oprimidas.

Mas obviamente é umha justiça que criminaliza as reivindicaçons da trabalhadoras e os trabalhadores, implacável com o povo empobrecido, com os humildes, com @s que luitam e se rebelam contra todo tipo de injustiças e opressons, com @s que exercem o direito sagrado à liberdade de expressom.

A condena da Cassandra constata novamente o que a esquerda independentista galega leva décadas denunciando: a “Audiência Nacional” age como umha nova inquisiçom.

Agora Galiza transmite a Cassandra a solidariedade galega e manifesta que a execuçom de Carrero Blanco foi legítima porque os regimes totalitários devem ser combatidos por todos os meios.

A dissoluçom da “Audiência Nacional”, assim como a revogaçom de toda legislaçom especial como a Lei de Partidos e a Lei de “segurança cidadá” [Lei mordaça] é umha reivindicaçom prioritária no quadro de um programa minimamente democrático.

Direçom Nacional de Agora Galiza

Na Pátria, 29 de março de 2017

ATENTADOS: MANIPULAÇOM E INTOXICAÇOM MEDIÁTICA

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Atentados: Manipulaçom e intoxicaçom mediática

O recente atentado cometido em Londres está sendo novamente utilizado polos meios de [des]informaçom burgueses para gerar alarma social e confusom no povo.

A opacidade sobre os autores deste tipo de açons terroristas, contribuem a termos que analisá-los com enorme prudência pois nalguns casos todas as evidências provocam que tenhamos que caraterizá-los como de “falsa bandeira”, promovidos polos serviços de inteligência ocidentais por espúreos interesses políticos visados em injetar medo na sociedade e assim justificar mais cortes em direitos e liberdades.

As TVs, rádios e jornais que dedicam horas e horas em monstrar as imagens de Londres ocultam as brutais açons terroristas em Damasco, Bagdade ou Saná, nas cidades e povos da Síria, o Iraque e o Iemem, cometidas habitualmente polas mesmas organizaçons yihadistas.

A guerra de extermínio sionista contra o povo palestiniano também é habitualmente deformada e ocultada.
Ou é que vale mais a vida de um británico que a de umha síria ou umha iraquiana?

 Domingo 19 de março mais de 40 peregrinos iraquianos fôrom assassinados em Damasco num brutal atentado terrorista contra o seu autocarro. Nem umha só linha ou imagem nos meios que nos bombardeiam com as mortes em Londres, Paris ou Niza.

Quanto cinismo e hipocrisia!

 

CASO NÓOS: MAIS UM EXEMPLO DA IMPUNIDADE DAS ELITES NO ESTADO ESPANHOL

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A absolviçom da Infanta Cristina no caso Nóos define o atual regime bourbónico postfranquista.
A justiça espanhola nom é obviamente imparcial pola natureza burguesa do regime vigorante, mas para salvaguardar a toda custa a “família real” imposta por Franco nom guarda nem as formas.
A falsa democracia espanhola condena com sentenças duras de prisom e elevadas multas às trabalhadoras e trabalhadores que luitam para defender conquistas, direitos e liberdades.
Este mesmo sistema aplica penas benignas às elites que roubam e saqueiam para enriquecer-se ainda mais a custa da pobreza e miséria da maioria social.
A reaçom da maioria dos partidos do regime do 78 respeitando a sentença, e alavando a falsa divisom de poderes, constata que o atual sistema é irreformável e que a luita é o único caminho.

Rebeliom Popular!

GALIZA COM O CHILE QUE LUITA POLA REVOLUÇOM SOCIALISTA.

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GALIZA COM O CHILE QUE LUITA POLA REVOLUÇOM SOCIALISTA

No 43 aniversário do golpe de estado de Pinochet contra o governo da Unidade Popular, Agora Galiza manifesta a sua solidariedade internacionalista com o povo trabalhador chileno.
11 de setembro de 1973 era liquidada a sangue e fogo a “via chilena ao socialismo”. O imperialismo norteamericano finalizava com a ilusom reformista de construir o Socialismo sem derruvar o Estado burguês, sem desmontar os seus poderosos mecanismos de dominaçom.
Ao igual que na Galiza de julho de 1936 no Chile de 1973 o legalismo e o fetichismo parlamentarista da esquerda reformista vacilou à hora de armar a classe operária para derrotar a ofensiva fascista, tal como solicitavam as organizaçons revolucionárias.
O presidente Salvador Allende decidiu execessivamente tarde resistir e defender com as armas na mao as conquistas, direitos e liberdades atingidas polo governo da Unidade Popular.

mpmr-chile
A esquerda independentista galega transmite unha saudaçom revolucionária ao Chile insurgente e combativo, ao que nom arria as bandeiras de Manuel Rodríguez, Luis Emilio Recabarren e Miguel Enríquez.

A rebeliom nom só é um direito, é umha necessidade!
A luita é o único caminho!
Até a vitória sempre!

Comunicado nº 29. Agora Galiza condena a brutal repressom policial contra mestres de Oaxaca.

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Umha dúzia de mortos, centenares de ferid@s de bala, mais de 25 ativistas desaparecid@s, e dúzias de dirigentes sindicais detid@s, é o saldo provisório da repressom policial do governo mexicano contra a justa luita do professorado contra a neoliberal lei de educaçom.

As demandas do professorado mexicano sob a direçom da combativa Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educaçom (CNTE) som respondidas com chumbo, detençons e torturas por parte do criminal presidente Enrique Peña Nieto.

Um narcogoverno peom do imperialismo ianque que se permite o luxo de dar leiçons de democracia ao governo venezuelano enquanto mantém boa parte do seu povo na miséria, e emprega o exército e a polícia federal para afogar em sangue e fogo as reivindicaçons da classe trabalhadora e camadas populares do país de Emiliano Zapata.

Mais umha vez assistimos ao cinismo da ditadura mediática espanhola que oculta a repressom do governo mexicano, o que está contecendo em Oaxaca, manipulando os factos que provocam a luita popular, enquanto gera um globo mediático na guerra económica contra o povo trabalhador veenzuelano pola burguesia autótone dirigida por Washington.

Similar silêncio mantenhem os partidos do regime e os aspirantes a substituir o monopartidarismo bicéfalo da segunda transiçom bourbónica. No melhor dos casos nom passam de mornas condenas permitindo a impunidade repressiva contra o México rebelde. A loquacidade de Podemos neste caso nom passa de “observar com gravíssima preocupaçom e malestar os sucessos”.

A esquerda independentista e socialista galega transmite a sua solidariedade internacionalista ao professorado, ao povo trabalhador de Oaxaca e do conjunto do México, à CNTE e às forças revolucionárias e populares que participam na luita, e solicita ao governo espanhol a rutura de relaçons diplomáticas com o criminal e bandido narcogoverno de Peña Nieto.

A classe trabalhadora mexicana, como o proletariado francês, estám monstrando mais umha vez que a luita é o único caminho para frear a ofensiva do capitalismo, e que nada se pode conseguir grátis, que as conquistas e os direitos operários, populares e nacionais som fruto da luita e nom da delegaçom das urnas burguesas.

Na Pátria, 22 de junho de 2016

Direçom Nacional de Agora Galiza

COMUNICADO Nº 26. NA GALIZA SÓ EM GALEGO.

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NA GALIZA SÓ EM GALEGO

Gostaria que se utilizasse a grafia do português, conservando o nosso próprio idioma”

Manuel Maria

Mais um ano chegamos ao Dia das Letras numhas circunstáncias idênticas às que nos tenhem acompanhado desde que Espanha nos agasalhou com um grolinho do “café para todos” a inícios da década de 80.

O processo de substituiçom lingüistica continua reduzindo a comunidade de falantes, o galego perde espaço social e já está no ponto de passar de língua maioritária minorizada a língua minoritária minorizada, com o que o devalo é cada vez mais grave.

Nas semana prévia ao 17 assistiremos à habitual cerimónia da confusom, em que o espanholismo, da extrema-direita governante até a “nova” social-democracia falará das vitudes da nossa língua “sem impossiçons”, e do galeguismo “bem entendido”. Quando na realidade todas essas forças foráneas som distintas faces do minguante imperialismo espanhol, que desgraçadamente tem na nossa naçom os sucessos que lhe som negados nas outras naçons que oprime o nacionalismo espanhol.

No meio deste desesperançador panorama há iniciativas de futuro para o galego como as escolas de ensino em galego Semente, que nom deixam de medrar apesar das dificuldades.

Mas um dos perigos que ano após ano se revela mais letal para a nossa língua é a progressiva hibridaçom com a “língua teito”, o espanhol. Este processo, que é tam antigo como a secular imposiçom da língua mesetária, alcança nas últimas décadas, da mao dos mídia foráneos, um crescimento exponencial.

Nom é já o léxico galego o que está cada vez mais deturpado na fala e na escrita, o processo de hibridaçom, e por tanto espanholizaçom, alcança a prosódia, o sotaque, e as estruturas morfosintáticas mais genuínas da nossa fala. Esta hibridaçom aparece tanto em falantes primários como neofalantes. Na fala e na escrita da geralidade das pessoas falantes como em publicaçons, rádio e televisom em galego e filmes dobrados. E mesmo tanto em falantes anónimos como em pessoas comprometidas com a normalizaçom e a cultura.

Eis o presente dumha língua que nom só desaparece passeninhamente, senom que ao tempo se torna cada vez menos galego e mais espanhol.

É tempo de tornarmos-nos falantes conscientes e preocupad@s com a qualidade da língua que falamos, porque as percentagens de galego-falantes que aparecem nos inquéritos incluem grandes percentagens de falantes dum crioulo a meio caminho entre a nossa língua e o espanhol.

Estamos cert@s que o reintegracionismo é a opçom necessária para invertermos esta tendência. Necessária, mas nom suficiente. Sem umha decidida vontade coletiva de depurar a nossa língua, tanto escrita como falada, da contaminaçom que a abafante presença do espanhol tem poluído o galego, podemos igualmente acabar num dialeto regional do castelhano escrito com nh.

Outros povos com línguas minorizadas, que ao tempo, como no caso galego, som línguas nacionais plenamente normalizadas noutros países, já optárom nesta ineludível via há tempo com absoluto sucesso e conseguindo a desejada normalizaçom e plenitude de usos. É claro: faz falta vontade coletiva.

Perante o absoluto fracasso da estratégia de normalizaçom lingüística promovida polo nacionalismo galego nas últimas quatro décadas, é imprescindível um novo acordo alicerçado no reintegracionimo lingüístico e no monolinguismo social.

Porém, Agora Galiza é consciente que a plena normalizaçom do nosso idioma só será posível quando a Galiza conquiste a sua independência e soberania nacional.

Na Pátria, 17 de Maio de 2016

Comunicado nº 21. A austeridade capitalista mata!

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A austeridade capitalista mata!

Nom é necessário que a Fiscalia dé a razom às denúncias apresentadas polos familiares das pessoas falecidas pola negativa ou demora de tratamento contra a hepatite C por parte do SERGAS.

As receitas neoliberais impostas pola sucursal administrativa espanhola na Galiza contra o nosso povo, nom só provocárom sete mortes pola falta de atençom das autoridades sanitárias a fornecer Sovaldi, um dos medicamentos imprescindíveis para salvar estas vidas, som responsáveis de muitas mais vítimas polo deterioramento e privatizaçom do sistema sanitário, polo aumento dos suicídos perante a carência de futuro, polo incremento da sinistralidade laboral.

Muit@s doentes nom som tratados adequadamente, som enviados para casa, pois a filosofia que prima nas autoridades sanitárias é reduzir custos, nom salvar vidas, nem garantir a saúde do povo trabalhador galego.

O colapso das urgências na maioria de hospitais, a carência de camas, de pessoal, de material, tem sido denunciada polos profissionais da saúde, e tem provocado multitudinárias mobilizaçons populares, sendo paradigmática a situaçom do complexo hospitalar Álvaro Cunqueiro de Vigo.

As declaraçons de Alberto Nuñez Feijó qualificando de “disparate” a denúncia em curso contra o SERGAS –”por dous ou três doentes, nom me parece lógico relacionar essas denúncias com a austeridade”- exprimem a catadura moral de quem preside a Junta da Galiza.

Só um canalha sem escrúpulos é capaz de manifestar este absoluto despreço pola vida dos seus compatriotas, esta intolerável falta de respeito polas sete vítimas, polos seus familiares e amizades. Nom só estamos governados por bandidos, estamos governados por criminais.

Agora Galiza exige a imediata renúncia de Feijó, do conselheiro de Sanidade Jesus Vázquez Almuinha e das autoridades sanitárias do PP, responsáveis pola aplicaçom dos cortes e políticas austericidas no Serviço Galego de Saúde. É indigno que esta gentalha nos governe.

Nom só há que botá-los, há que julgá-los e condená-los polos seus crimes contra o povo galego. Estes homicídios nom podem ficar impunes!

Na Pátria, 19 de abril de 2016

Direçom Nacional de Agora Galiza

Venezuela: causas, efetos e respostas a um grande revés

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NICNarciso Isa Conde

Ninguém com sentido da justiça e honestidade intelectual pode pôr em dúvida o carácter perverso da guerra económica –desabastecimento de bens de consumo, subtração de divisas, especulação comercial e financeira, e manobras para provocar a desvalorização da moeda– posta em prática pelos inimigos do processo bolivariano em Venezuela.

É também inegável o seu impacto negativo em termos político-eleitorais, potenciados pelo rol alienante da grande ditadura mediática mundial.

É claro, aliás, que a queda do preço do petróleo, induzida em parte pelos EEUU e aliados, fez significativos estragos à economia venezuelana e aos planos sociais do seu governo.

Houve –e há– muita sabotagem económica, múltiplas formas de acaparar, contrabando, evasões, especulações e estafas do grande empresariado privado em combinação com setores corrompidos do governo chavista, para não falarmos na manipulação desde a Colômbia do comercio legal e ilegal em detrimento do país vizinho.

Tudo isso é verdade, como o é que pôde ser melhor contra-restado pelo Estado Venezuelano, enfrentando áreas sensíveis do mesmo que foram contaminadas pela corrupção contra-revolucionária, implementando corretivos mais contundentes em matéria de controlo do sistema de divisas, de comercio exterior e banca privada.

A permanente ameaça militar dos EEUU aumentou o gasto militar da Venezuela em trocas da inversão pública, ao predominar a lógica de fortalecer sobretudo as forças armadas regulares em lugar dum desenho de guerra assimétrica, guerra de todo o povo, iniciativa realmente mais económica e mais dissuasora.

São muitos e difíceis, então, os fatores contra-revolucionários que têm operado –e operam– contra o processo bolivariano. Não tenho dúvidas de que foi –e é e será– assim.

Além dos ataques dos seus inimigos
Na Venezuela operam muito articuladas a contrarrevolução interna e a contrarrevolução imperialista, a teimarem não simplesmente numa restauração conservadora, neoliberal, dentro do “jogo democrático-representativo”; mas num pérfido projeto contrarrevolucionário e colonizador que implica a tomada do seu petróleo, de valiosos territórios e recursos estratégicos vitais.

Isto também, face à pretendida derrota política da insurgência armada e civil colombiana, ao debilitamento de Cuba, o Equador, a Bolívia, o Brasil e à desarticulação do Alba, a Celac e Unasur… e muito especialmente à conquista da Amazónia e as suas imensas riquezas; consumada já a viragem à direita da Argentina e outros contra-ataques prévios e diversos noutros países do Continente, entre os que destacam fortes golpes reacionários em Honduras e o Paraguai, e agora os avances da contraofensiva direitista no Brasil.

De maneira que este duro revés eleitoral, embora incompleto em vertentes chave para provocarem o giro total, não deve ser minimizado; muito menos apresentado do governo venezuelano como um suposto triunfo da democracia.

Trata-se realmente duma vitória das forças da reação, profundamente anti-democráticas, que evita analisar as causas e efeitos com a maior profundidade possível e além dos efeitos perturbadores dos inimigos jurados do processo, algo que toda revolução verdadeira deve dar por sabido.

Isto implica reflexionarmos sobre os erros próprios, sobre as linhas de condução, ritmos e profundidades das transformações.

Acho –e não o digo agora, mas disse anos atrás (1) e (2)– que o processo bolivariano deu sinais prontas de freios e estancamentos –mesmo em vida do Comandante Chávez–, após o formidável resgate da soberania nacional, do incomensurável abatimento do modelo neoliberal e dos extraordinários avances na linha duma democracia participativa e um crescimento da consciência anti-imperialista, anti-capitalista e pró-socialista. Depois, ademais, de avançarem os transcendentes processos de integração e cooperação entre estados latino-caribenhos.

Precisamente no momento em que era necessário e possível aprofundar no processo, o peso morto do muito que ficara do velho Estado, as consequências negativas de construir o partido da revolução desde esse Estado, a estatização (não socialização) duma parte da economia privada, a influência das velhas práticas políticas da “quarta república” (clientelismo, paternalismo estatal, populismo), a aparição da nova corrupção e da cultura de rendas do petróleo em detrimento dos projetos cooperativos e co-geridos, o dispêndio de recursos, o predomínio dos interesses de Estado em detrimento do internacionalismo revolucionário, começaram a desgastar o gume revolucionário do processo, ao não serem devidamente contra-restados.

Tudo isto deixando intacta uma parte fundamental do capitalismo privado local e transnacional, assim como os nutrientes dos seus instrumentos políticos de velha e nova data; o que possibilitou (paralelamente ao desgaste da revolução) a recomposição e acrescentamento das forças afins ao grande capital, particularmente aquelas que surgiram do coração do empresariado contrarrevolucionário e a burguesia transnacional como forças de relevo das velhas partidocracias adecas e copeianas.

Um grande capital a agir no sistema financeiro, nos sectores industriais e agropecuários, nas comunicações, no comercio interior, no comercio exterior, em serviços variados (incluída parte da saúde e a educação), e colateralmente no mundo energético; o que lhe outorgava –e outorga-lhe– poder para perturbar o processo e nutrir as direitas de todos os tipos.

Ao para-militarismo colombiano deixaram-lhe ganhar demasiado terreno no contexto da distensão das relações inter-estatais colombo-venezuelanas.

A defesa do processo do povo armado e duma ótica grande colombina e latino-caribenha, sempre foi mal vista; de maneira que descansou em grande medida essa missão nas forças regulares e nas reservas militares, o que facilitou a acumulação de violência contra-revolucionária interna e a chantagem norte-americana e colombiana.

A política exterior do Estado, impregnada das normas diplomáticas, impôs-se também como política exterior do partido e os movimentos sociais instrumentalizados, debilitando o internacionalismo revolucionário.

A nova corrupção e o novo sistema de privilégios cresceram demais nas filas governamentais e nas estruturas de mando do Estado e do PSUV.

O plano de reconversão da economia de rendas do petróleo e importadora de bens de consumo e de capital a uma economia produtiva, ficou secundarizado; comprometendo enormes recursos na importação de alimentos, artigos de primeira necessidade, maquinarias e bens que poderiam produzir-se na Venezuela. Isto foi criticado com muita antecipação (3).

Agora, 7 anos depois, o presidente Maduro refere-se ao tema como fator colateralmente influente na recente derrota eleitoral e propõe assumi-lo como uma meta pendente e imperiosa.

As tendências socializantes ficaram apenas plasmadas numa distribuição mais justa da renda do petróleo, importantes missões sociais, embriões de poder comunal, leis e projetos sociais audazes com limitados índices de eficiência e deformações eleitoralistas na sua aplicação, e baixos rendimentos. Todo o tema do poder comunal, do poder popular, ficou danado pelo poder burocrático do Estado e o peso das instituições e dos métodos políticos tradicionais.

O socialismo tornou mais retórica e palavras de ordem ocas que transformações anti-capitalistas reais na economia, a política e a cultura. A lógica e a cultura capitalista perduraram e reapareceram algo que o próprio Chávez advertira.

A socialização da grande propriedade privada capitalista, da produção, do grande comercio, dos serviços básicos privatizados, do sector financeiro e do poder, primeiro foi colocado a um lado e depois –vigentes os “pactos de governabilidade” com a grande burguesia– tornaram temas tabus; confiando o desenvolvimento das forças produtivas a um capital privado que nunca teve essa vocação. Igual se passou com a substituição progressiva do sistema de preços por um sistema de equivalências.

Continuou a chamar-se de socialismo uma mistura desordenada de post-neoliberalismo, anti-imperialismo, nacionalismo, capitalismo privado em grande escala e liberalismo político; eliminando as exigências do trânsito para um projeto socialista novo: participativo, inclusivo, profundamente libertário e integral.

Declinação eleitoral
Tudo isto, tudo o que implicava negação de esperanças e certezas positivas, começou a desgastar as bases populares e a força eleitoral do PSUV e aliados. Em 2008 inicia-se esse declive progressivo, com pontuais subidas em que se empregou o calado profundo do liderado de Chávez.

A direita e a direita extrema, esta última com um forte ar fascista, superaram em vários comícios sucessivos o 40% dos votos válidos, aproximando-se cada vez mais ao nível das forças chavistas e tornando uma real ameaça no período post-Chávez.

Nenhuma advertência prudente sobre as causas dessa perigosa tendência nacional, alimentada do exterior imperial, foi devidamente ponderada pelo núcleo bolivariano.

Chegado um momento, apenas Chávez –após sucessivas promessas de retificações adiadas– percebeu os riscos iminentes do estancamento e lançou as suas ideias naquele Aló Presidente especial, batizado na sua edição especial como o necessário “GOLPE DE LEME”, de profundo conteúdo auto-crítico e retificador, e depois formulou o PLANO da PÁTRIA com um sentido semelhante.

Em tais formulações sugeria-se “dinamitar” o Estado criado nessa primeira fase, trespassar todo o poder às comunas, criar poder popular eficaz e avançar numa linha de superação do arraigado “rendismo petroleiro”, desmontar o capitalismo e a sua cultura, e socializar radicalmente a economia e o poder.

O falecimento do líder clausurou, se calhar, essa necessária possibilidade. Os seus sucessores, perante as grandes dificuldades criadas a raiz do disputado processo eleitoral em que Nicolás Maduro ascendeu à Presidência, e perante o auge da desestabilização violenta, optaram por negociar com a grande burguesia e os seus instrumentos políticos, a fazer importantes concessões; entrando mais tarde num tira-puxa superficial; umas vezes com discursos apaixonados e outras com palavras de reconciliação.

As direitas e os EEUU, com determinadas inflexões e giros, mantiveram a sua estratégia de desgaste do regime e das forças chavistas; enquanto o chavismo de arriba, já não tão chavista, praticou reações defensivas e políticas e atitudes que estancaram e desnaturalizaram, ainda mais, o processo bolivariano.

Consequências dos estancamentos e retrocessos
Revolução que se estanca é revolução que retrocede, tanto pelos avances da contra-revolução interna como pela pressão e ação da contra externa, integrada pelos EEUU e importantes potencias capitalistas europeias. Já se formulara esta importante sentencia histórica em relação com o promissório processo venezuelano.

O retrocesso ao interno expressou-se numa progressiva perda de apoio popular e um crescimento do descontento pelo impacto combinado das inconsistentes políticas do regime e do agir inimigo.

Nesse contexto, infelizmente, o genuíno interesse de impedir o retrocesso e enfrentar as direitas, junto com a forte tutoria estatal sobre uma parte do movimento revolucionário, influiu demasiado para que não fosse abordada de maneira equilibrada essa dualidade dentro do processo; debilitando-se sensivelmente a independência dos fatores críticos e o movimento próprio de amplos sectores das esquerdas sociais, políticas e culturais descontentes com o estancamento e a forma de proceder do regime bolivariano.

A mística debilitou-se até fazer possível este recente “pau eleitoral” das direitas unidas pelo seu amo imperial. Esta possibilidade foi formulada pelo autor deste artigo com muito adianto, e sugeri praticar as retificações e a viragem recomendadas pelo próprio comandante Chávez. (4)

Desprezar as diretrizes do GOLPE DE LEME, resistir-se a aprofundar nas transformações, reduzir em boa medida a necessária socialização a simples palavras, evadir um ataque a fundo à corrupção estatal, recusar a radicalização que implicava não só ficar na fase post-neoliberal do processo mas avançar para o derrubamento do capitalismo privado e de Estado, teve um enorme custo político para os sucessores do Comandante Chávez e para o processo bolivariano, hoje com mais riscos de ser revertido que ontem.

Perderam o controlo do Poder Legislativo, que agora poderá ser usado pelas direitas para impulsarem com mais energia o seu projeto contrarrevolucionário integral, incluídos o esforço para anular leis habilitantes, as contra-reformas constitucionais e muito especialmente o referendo revogatório contra o presidente Maduro, se entenderem conveniente não esperarem aos próximos comícios presidenciais.

O PSUV e o GRANDE POLO PATRIO TICO conservam algo mais do 40% do eleitorado, o poderoso Poder Executivo, outros poderes estatais e uma grande capacidade de mobilização, que dariam para muitas coisas se existisse na Direção desse processo uma clara vontade a favor duma viragem revolucionária, resultante duma autocrítica sincera e profunda, traduzida de imediato em factos.

Confesso a minha desconfiança nessa possibilidade.

A resposta necessária
Confio sobretudo na radicalidade popular, que é possível dinamizar em forma ascendente numa etapa em que se vislumbra mais facilmente a possibilidade de perder todo o conquistado, menos a consciência e organização acumulada; numa etapa em que se conformam –dentro e fora do PSUV e do Grande Polo Patriótico–, e no seio do povo-povo, correntes e blocos revolucionários que assumam a ideia de defenderem e aprofundarem no processo a qualquer preço.

Tenho-o dito dantes, sem conseguir a acolhida necessária, que a chave está em contornar o socialismo como simples retórica ou demagogia de esquerda e plasmá-lo em factos; assumindo-o como programa que deve ser aplicado com coerência em transição revolucionária para o novo socialismo; interiorizar as recomendações de Chávez contidas nas teses do GOLPE DE LEME e em grande parte do PLANO da PÁTRIA, e tomar as ruas, caminhos, centros de trabalho e de estudos e as praças, como início duma grande viragem política: assumir isto como pensamento e ação para revertermos a tendência que favorece as direitas na competência política e ideológica atual.

Uma viragem que procure articular as forças transformadoras da sociedade civil popular com as que perduram no interior do chavismo real, anti-capitalistas e pró-socialistas, no seio de diferentes enclaves de poder civil e militar.

Isto implica elevar a condição do extra-institucional, fortalecer a independência dos movimentos sociais e políticos contestatários no que diz respeito ao Estado, preparar-se para cercar e isolar o poder legislativo sob o controlo das direitas e criar novas situações que possibilitem retomar a ofensiva. Combinar, aliás, o rejeito categórico ao retrocesso em marcha com a autonomia necessária frente a órgãos estatais que se resistem ou evadem a viragem para a esquerda e para o verdadeiro socialismo. Voltar a ser força determinante, criando à vez vanguarda ativa.

Talvez seja tarde para impedir o retrocesso total.

Talvez não.

Porém, o que não é válido, é se render, a consciência de que do agir revolucionário depende incluso de que o retrocesso ou intentos maiores nessa direção –em todo o caso ou eventualidade negativa– durem pouco.


1.“Nesse sentido, acho que se perdeu um tempo precioso, desaproveitou-se o rude golpe dado à oposição de direita, deu-se oportunidade para a sua recomposição, deu-se pé a um certo desalento popular e concedeu-se tempo às forças oportunistas, às partes brandas do regime, para continuar a atuar com a sua velha lógica degradante.”

“A corrupção continuou a crescer, o clientelismo estatalista também. Os novos ricos “chavistas” fortaleceram-se e os velhos ricos conservaram poder económico e social. A nova direita capitalista incrustada no governo fez pouco pelo SIM, ao tempo que gerava muito rejeito no povo… Como não se interessam por aprofundarem no processo para a revolução, trabalharam a passo de tartaruga na campanha do referendo. (Narciso Isa Conde, El REVÉS DEL SÍ EN VENEZUELA: POSIBLES CAUSAS Y SOLUCIONES”, marzo 2008, Rearmando la Utopía, pág. 357 e 358)”

2.“A falta de socialismo, os deficits na socialização da economia e do poder, e os desvios no plano ético-moral -presentes e crescentes depois de nove anos de iniciado o processo para a revolução- constituem os principais adversários com um grau muito mais alto de legitimação eleitoral da mudança empreendida e também em fatores objetivamente aliados das direitas.”

“Muitos se dilatou o liderado da revolução e as suas forças motrizes em enfrentarem esses fatores e linhas negativas. Mas ainda há tempo para retificar e para o processo tomar rumo. Tempo e forças. (Narciso Isa Conde.-“Venezuela: una victoria insuficiente”,10 de diciembre 201O REARMANDO LA UTOPÍA, PAG 364,)”

3.“A produção de alimento, a superação do desabastecimiento, a recuperação e o controlo social sobre o Mercal, a maior eficiência das missões, a economia de equivalências e a socialização dos grandes recursos em mãos da oligarquia e as transnacionais deveria avançar firme e progressivamente, sem cair na estatização burocrática. O modelo produtivo deve situar-se entre as prioridades junto à superação da “cultura do petróleo” geradora do consumismo e o esbanjamento de recursos, que à sua vez reforçam a dependência alimentar.

O ataque da oposição e do imperialismo, que aspiram a reverter esse processo gerador de grandes esperanças a escala continental e mundial, não demorará. Os planos da administração Bush e do governo de Uribe, que servem de instrumento, estão em marcha. Urge um golpe de leme interno que harmonize com o combate anti-imperialista despregada com novas energias na política exterior. (Narciso Isa Conde, El REVÉS DEL SÍ EN VENEZUELA: POSIBLES CAUSAS Y SOLUCIONES”, marzo 2008, Rearmando la Utopía, pág. 359 e 360)”

4. “A força eleitoral da contrarrevolução… radica ainda na força económica do grande capital privado local e transnacional, no seu poder mediático, na sua hegemonia cultural nutrida por esses meios e nas suas fábricas de ideologia capitalista, nas suas propriedades e operações financeiras, industriais e comerciais, no poder reversível que conserva em áreas de serviços, colégios e universidades, na corrupção burocrática, no capitalismo de Estado…”

“E essa correlação mudaria radicalmente em favor da revolução com uma reconfiguração das forças de vanguarda e um impulso categórico à socialização (que não é igual à estatização), bem pensado, paulatino, sustido, firme e ascendente; acompanhado do estímulo continuado às mudanças revolucionárias a nível continental e mundial.”

“Não há mais. Revolução que se estanca e isola, debilita-se, retrocede e sucumbe. Revolução que avança, aprofundando, radicalizando-se no seu interior e além, é muito difícil de derrotar.”(Narciso Isa Conde, .-“Venezuela: una victoria insuficiente”,10-12-2013, Santo Domingo, RD, Obra Citada).

9-12-15, Santo Domingo, RD

Andar em dia

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A partir de agora, expressar determinadas ideias, por exemplo, a de Galiza não ser Espanha, pode ser ilegal, e organizar um ato em memória de determinados mortos, ou levar cartazes com fotos de presos pode ser indício de terrorismo.

Saem da prisão os independentistas apresados na sexta passada e a operação Jaro revela-se, segundo se anunciava do começo, parte duma montagem mediática, visto que não há possibilidade de reter os perigosos terroristas para cuja detenção se montou um dispositivo policial tão intenso. Guarda civis encarapuçados a entrarem em domicílios particulares, aplicação das leis de isolamento, retenção de materiais pessoais como prova, viagem à audiência nacional pareciam suficientes para criar uma forte alarma social nuns dias feriados, mesmo se a notícia tinha que abrir-se passo entre a atividade pre-electoral e o caso Asunta.

Mas, durante o fim de semana, as redes sociais, o único termómetro não controlado, ardiam de declarações indicativas de que na sociedade galega não se percebia nenhum terror. Não é só que o estado não encontrasse finalmente delitos de sangue nem ações criminais atribuíveis aos detidos –apenas esse vago e desconcertante enaltecimento do terrorismo–, é que, ademais, se estava a reclamar a liberdade dos presos fora do seu círculo político. Isto é significativo: pessoas de diferentes ideologias, galegos e galegas, cidadãos, vizinhos, amizades, ou militantes de organizações diferentes de Causa Galiza, expressaram com contundência que não consideravam que existisse uma organização armada nem que estas pessoas fizessem parte dela. Conhecemos os militantes, temos caminhado com eles em manifestações ou conversado sobre o país. Podemos ter pontos de vista diferentes, podemos distar nos procedimentos ou nos objetivos, mas não nos causam terror.

As concentrações convocadas a toda pressa por Ceivar na sexta passada serviram para reunir gentes de diferentes siglas, ou sem siglas, que solicitávamos a liberdade dos nossos vizinhos, que testemunhávamos que estávamos lá para solicitarmos um correto trato na audiência nacional ou para nos solidarizarmos com eles e com as suas famílias e círculos íntimos. Porém, por muito que celebremos a sua liberdade, o assunto é preocupante. Culpa-se uma organização que até estes dias era um espaço político de ser o abraço armado de Resistência galega, algo em que ninguém nas ruas acredita. Pior ainda: ficam suspendidas as atividades de Causa Galiza durante um par de anos, o que é tanto como ilegalizar essa organização política sobre a base de acusações que não aparecem concretizadas. E o estado da suspeita ameaça todo o independentismo galego. A partir de agora, expressar determinadas ideias, por exemplo, a de Galiza não ser Espanha, pode ser ilegal, e organizar um ato em memória de determinados mortos, ou levar cartazes com fotos de presos pode ser indício de terrorismo. Antes de entrarmos em pânico, haveria que lembrar que figuras de tanto prestígio mundial como Gandhi ou Mandela protagonizaram ações subversivas contra estados que consideravam abusivos. Mas agora já não é possível, devemos entender, estar contra o estado e ser inocente. O pacto por Espanha que ameaçam com assinar vários partidos estatalistas pode fomentar este tipo de persecução ideológica e, à medida que o movimento independentista catalão dê passos efetivos, parece previsível que esta política do medo se incremente. Santiago e fecha Espanha!, sugerem esses partidos. Finalmente, entre as provas que se dão para ilegalizar Causa Galiza figuram algumas que afetam o conjunto do soberanismo galego: manter conversações com o BNG, ou ter participado no processo de constituição de Anova aparecem despudoradamente mencionados no procedimento. A audiência nacional desliza no seu informe estas frases aparentemente inócuas e a imprensa do estado já se encarregará de as difundir da maneira apropriada para que qualquer organização que emita postulados legíveis como independentistas pareça envolvida na suspeita. Perante esta situação, o medo pode multiplicar-se e deixar-nos sem possibilidade de atuação. Medo de pensar, medo de dizer o que se pensa. Medo de que se leia o que nem sequer foi dito. Ou, talvez, seja hora de expressar alto e claro a nossa solidariedade com as pessoas detidas, e independentemente de partilharmos ou não a sua ação política, lembrar que num estado de liberdades, ser independentista não pode ser considerado nunca um delito. Talvez seja hora, também, de as forças galegas formularem um pacto por Galiza. Para nos dar coragem. Para lutar contra o medo. Para saber o que realmente se passa.

Artigo de Teresa Moure publicado em Sermos Galiza

Terça feira, 03 de novembro do 2015

 

Enaltecimento

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Chegam notícias, ainda confusas, como sucede sempre nestas ocasiões, duma “nova” operação policial (melhor seria precisar, operação político-mediático-policial) contra o independentismo galego.

Hoje parece que o alvo é a organização política Causa Galiza: as notícias falam de que a totalidade da sua Direção Nacional foi detida, numa operação desenvolvida em Vigo, Ponte Vedra, Muros, Boiro e Compostela, sob a acusação de “enaltecimento” do terrorismo.

É necessário, urgente e imprescindível mostrar a solidariedade com as pessoas detidas, e reclamar a sua imediata posta em liberdade.

Não é possível entender esta operação de repressão sem atender ao momento em que se produz: como bem sabemos, na Espanha não há nunca nenhuma campanha eleitoral sem a sua correspondente montagem político-policial… Sem dúvida, hoje são muitos os gabinetes da Espanha onde estão aguardando pola carnaça para poder sair nos meios como os grandes defensores da “democracia”, a “unidad de españa”, a “legalidade”, etc…

É em situações como esta quando as palavras aparecem novamente entre nós cheias de significado, de valor, de sentido. É agora que é importante a solidariedade, o apoio, a exigência de liberdade, a reclamação dos direitos, a defesa da dignidade,… É agora que é importante não ficarmos calad@s.

Porque é em momentos assim que sabemos que junto com as palavras, o silêncio, os silêncios, também significam. E muito.

Empreguemos portanto a nossa voz para evitar, para impedir, para quebrar esse silêncio, e mostremos a nossa solidariedade reclamando a imediata posta em liberdade das pessoas detidas.

Igor Lugris

Sexta-feira, 30 Outubro 2015